Hino
Nacional Brasileiro
Confesso
que nunca fui daqueles que decoram datas cívicas ou que choram ouvindo
protocolo oficial, mas o Hino Nacional Brasileiro sempre me pega pela emoção.
Talvez porque ele faça algo pouco comum nos hinos de nações: fala de amor sem
enfiar uma guerra no meio.
Minha
relação com ele vem da velha infância e quem é véio como eu, deve se lembrar
que todo santo dia na escola, antes de liberarem a gente para a sala, era
aquela rotina sagrada de cantar o hino perfilado. Um misto de patriotismo
forçado com hálito de Todynho. Mas o lance funcionou e serviu para que a nossa
geração de mini-querubins decorasse a letra inteirinha, desde o "Ouviram
do Ipiranga" ao "pátria amada Brasil".
Corta
para os dias de hoje. A gente liga a TV e vê jogador de futebol milionário
gaguejando na hora do hino, olhando para o lado para colar do colega. Isso
quando não pegamos os jovens de hoje que, graças à nossa atual e refinada
"pobreza musical", são incapazes de dobrar duas estrofes sem travar o
cérebro. Se tirar o autotune e a batida repetitiva, a galera não lembra o que
jantou ontem, imagine o hino.
Mas
quer o ápice da ironia? Um ranking internacional publicado pelo The New York
Times elegeu o hino brasileiro como o mais bonito entre os países da Copa do
Mundo. Pois é, os gringos leram a tradução e acharam lindo. E é mesmo! Enquanto
a maioria dos países canta sobre esmagar inimigos e banhar-se no sangue dos
derrotados, o nosso escolheu a vibe paz e amor. Olha a poesia disso:
"Deitado
eternamente em berço esplêndido, / Ao som do mar e à luz do céu
profundo..."
E o
clássico: "Brasil, um sonho intenso, um raio vívido, de amor e de
esperança". Não é uma convocação sangrenta para o campo de batalha, mas
sim uma exaltação quase mística e apaixonada do nosso potencial. É o hino nos
lembrando da nossa grandeza e nos intimando a ter esperança, enquanto a gente,
aqui embaixo, assiste ao Big Brother e briga pra defender corrupto no Twitter.
Mas aí
a gente olha para a nossa realidade atual, para essa nossa nossa apatia
cultural, e bate aquela reflexão sincera: temos um hino maravilhoso que,
sejamos francos, talvez nem mereça o país que a gente tem. É muita areia para o
nosso caminhãozinho.
Sem
falar na introdução. Antes mesmo que a primeira palavra seja cantada, o hino já
anuncia sua grandeza. Aqueles acordes iniciais tem algo de ópera, de cinema, e
lembram o instante em que as luzes se apagam no teatro e a cortina começa a
subir. Quando finalmente chega o "Ouviram do Ipiranga", a emoção já
entrou em cena há muito tempo. E então começa o tradicional esporte nacional de
mover os lábios com absoluta confiança e pouquíssimo compromisso com as
palavras.
A
verdade é que o povo mal entende o significado de metade daquelas palavras
(plácidas, vívido, garrido e por aí vai), e concorda menos ainda com os rumos
do país, mas a música continua lá, firme, lembrando não o Brasil oprimido dos
telejornais, mas o Brasil que a gente gostaria de ser:
Um país
forte sem ser agressivo. Orgulhoso sem ser arrogante. E que ainda acredita (com
uma dose heróica de otimismo) que amor e esperança dão um bom refrão.
Talvez
seja por isso que, apesar de tudo, ele continue tão bonito. O hino realmente é
bom; a gente é que precisa melhorar! 🇧🇷
A Toca
do Lobo 🐺
Texto
pra refletir!😳