Síntese de uma Vida
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
ESCRAVIDÃO BABÁS 3a.Parte
As babás de branco e o racismo enrustido 3ª.Parte
Por Monitor Mercantil -
A questão do racismo pelo assassinato frente as câmeras de
George Floyd e, aqui no Brasil, pelo assassinato do jovem João Pedro, em São
Gonçalo, merece concretamente uma grande reflexão do quanto o racismo está
impregnado na nossa sociedade contemporânea.
Tenho uma vida na qual me orgulho de, em muitas atividades
que realizei, ter ajudado no combate ao preconceito pela formação que recebi
dos meus pais, Francisco e Leda, e em especial por ter e conviver até hoje com
minha mãe negra, Elizia, que me criou praticamente desde que nasci e me fez
abolir os preconceitos que normalmente forjam um jovem no convívio de uma
sociedade branca.
Em 2001, ainda como secretário de Energia, Indústria Naval e
Petróleo, tive oportunidade, no Governo Anthony Garotinho, de participar
efetivamente da criação da primeira Lei de Cotas Raciais no Brasil, com alguns
outros secretários, como Wanderley de Souza, Ciência e Tecnologia, e
especialmente com um grande ícone no combate ao preconceito racial, o então
secretário e saudoso Abdias do Nascimento.
Na discussão de uma legislação de sistema de cotas para
ingresso em universidade, pioneiramente criamos, na Uerj, a primeira cota
racial, vivenciando uma grande resistência ao estabelecimento de posições
afirmativas contra o preconceito racial, inclusive muitas vindo do próprio meio
universitário.
Por força do destino, e por, além de ter estudado Engenharia
na UFRJ, também ter me graduado em Administração na Uerj, fui escolhido pelo
projeto de cotas raciais como um dos palestrantes que defenderia a questão das
cotas em debates, certamente uma mensagem subliminar por ser de cabelos e olhos
claros e por ter contado minha trajetória de vida, de ter presenciado o
preconceito que minha mãe negra, Elizia, vivenciou.
O modelo de Cotas Raciais do Rio de Janeiro se desdobrou
para ser copiado por diversos outros estados, inclusive pelo Governo Federal.
Posteriormente, a Lei Fluminense teve questionamento no STF, que confirmou sua
total constitucionalidade.
No ano de 2018, Deus me ofereceu a oportunidade, ainda como
secretário de Educação, no final da vigência de um dos seus períodos, de ter
contribuído fazendo a exposição de motivos para a renovação da Lei de Cotas por
mais de 10 anos para ser aprovada na Alerj, até porque a Lei de Cotas impacta
diretamente a vida do jovem que cursa o ensino médio na rede pública estadual.
O aprendizado que tenho em relação a essas questões e que
tenho conversado muito com uma amiga de infância que é a doutora e socióloga
Vânia Penha Lopes, expert e autora de livros sobre o tema, é que o mais
importante não se trata do discurso, mas sim do combate por ações ao
preconceito racial, que deve ser diário e adotado com simples medidas
afirmativas, que muitas vezes a sociedade olha no dia a dia e aceita, muitas
vezes de forma velada.
Uma das questões básicas de preconceito racial e social
enrustidas, ou de uma submissão clara a um processo de domínio, é o que
acontece em muitos condomínios, casas de luxo e clubes que estabelecem que as
tradicionais babás tenham que se vestir de branco para uma diferenciação.
Particularmente acho esse processo repugnante, já comentei com amigos que têm
essa prática e que travestem ela da simples desculpa de que é um uniforme que
inclusive interessa às babás.
Acho que, emblematicamente nesse momento, clubes e
condomínios deveriam proibir e abolir práticas de diferenciação, normalmente
aplicada a jovens de baixo poder aquisitivo, especialmente pretas e pardas de
condição social menos favorável e de regiões pobres do Brasil. Ou seja, aquela
prática de diferenciação da casa grande e senzala deve ser abolida de vez,
começando em nossas atitudes diárias.
A exigência de que tais práticas aconteçam ainda em clubes
da elite é algo inaceitável e considero que pessoas que ainda adotam essas
práticas deveriam ter vergonha e particularmente, caso queiram realmente
ajudar, contribuam para a roupa do dia a dia de maneira que ela não se
diferencie pela cor da sua pele, cor do seu uniforme.
Babás de branco não é uma atitude ilegal, porém é um ato de
racismo velado, e se queremos combatê-lo devemos eliminar tais práticas e
comentar até com amigos que não tenham essa percepção para que parem de adotar
essa medida, buscar com que as escolas mostrem para seus alunos como tal
prática é constrangedora e lutar para que clubes que fazem tal exigência
modifiquem, como um ato que lhes envergonham. São com pequenas medidas que
vamos conseguir, progressivamente, fazer a quebra de preconceitos existentes em
nosso país, muitas vezes em caráter social, como eram os famosos elevadores de
serviços somente para empregados.
Que nossas babás possam usar roupas que quiserem, em
especial as coloridas, como também roupas de grife, e isso certamente fará bem
para todos, inclusive para as jovens crianças que são cuidadas por elas, pois
crescerão sem cultivar esse preconceito desde a sua tenra infância.
Wagner Victer
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Dionê Leony Machado
NOTÍCIAS...03
N3
https://www.instagram.com/reel/DdCLGQZhubG/?l=1
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NOSSA HISTÓRIA:
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026
CONHECIMENTO...
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BIOGRAFIA:
Clarice
Lispector: Vida, Obra e Frases
Márcia
Fernandes /Revisão por Márcia Fernandes Professora de Língua Portuguesa e
Literatura
Clarice
Lispector foi uma das mais destacadas escritoras da terceira fase do modernismo
brasileiro, chamada de "Geração de 45".
Haya
Pinkhasovna Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920 na cidade ucraniana
de Tchetchelnik.
Descendente
de judeus, seus pais, Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector, passaram os
primeiros momentos de vida de Clarice fugindo da perseguição aos judeus durante
a Guerra Civil Russa (1918-1920).
Recebeu
diversos prêmios, dentre eles o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal
e o Prêmio Graça Aranha.
Clarice
e sua família chegam ao Brasil em 1921 e vivem nas cidades de Maceió, Recife e
Rio de Janeiro, onde passaram algumas dificuldades financeiras.
Aos 10
anos, escreve uma peça de teatro, depois de assistir a uma, e começa a enviar
contos para o Diário de Pernambuco.
Após a
morte de sua mãe em 1930, Clarice termina o terceiro ano primário no Collegio
Hebreo-Idisch-Brasileiro.
Mais
tarde, sua família vai viver no Rio de Janeiro. Em 1939, com 19 anos, ingressa
na Escola de Direito da Universidade do Brasil e começa a dedicar-se totalmente
à sua grande paixão: a literatura.
Fez
cursos de antropologia e psicologia e, em 1940, publica seu primeiro conto,
intitulado “Triunfo”.
Após a
morte de seu pai, em 1940, Clarice começa sua carreira de jornalista. Nos anos
seguintes, trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da
Manhã e no Diário da Noite.
Em
1943, casa-se com o Diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos.
Seu primogênito, Pedro, foi diagnosticado com esquizofrenia. Seu segundo filho,
Paulo, foi afilhado do escritor Érico Veríssimo.
Devido
à profissão de seu marido, Clarice viveu em muitos países, desde Itália,
Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. O relacionamento durou até 1959 e, quando
resolveram se separar, Clarice retornou ao Rio com seus filhos.
A
escritora foi naturalizada brasileira e se declarava pernambucana. Seu nome,
Clarice, foi uma das formas que seu pai encontrou de esconder toda sua família
quando chegaram ao Brasil.
De
personalidade singular e forte, Clarice pouco se importava com as críticas e,
segundo ela:
“Eu
escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera
em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente
está querendo desabrochar de um modo ou de outro...”.
Curiosidades
sobre Clarice Lispector
Clarice
se apaixonou por quem viria a ser seu grande amigo confidente, o escritor Lúcio
Cardoso (1912-1968), contudo, não ficaram juntos porque Lúcio era homossexual.
Um
episódio marcante de sua vida foi o incêndio que ocorreu em sua casa, em 1966,
provocado por um cigarro. Como consequência, ficou hospitalizada durante meses
e quase teve de amputar sua mão.
Principais
obras de Clarice Lispector
Conhecida
como uma das melhores escritoras brasileiras, Clarice escreveu romances,
contos, crônicas, literatura infantil.
Algumas
de suas obras:
Perto
do coração selvagem (1943)
O
Lustre (1946)
A
Cidade Sitiada (1948)
Laços
de Família (1960)
A Maçã
no Escuro (1961)
A
Legião Estrangeira (1964)
A
Paixão Segundo G. H (1964)
O
Mistério do Coelho Pensante (1967)
A
Mulher que Matou os Peixes (1968)
Uma
Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969)
Felicidade
Clandestina (1971)
Água
Viva (1973)
A Via
Crucis do Corpo (1974)
A Vida
Íntima de Laura (1974)
Onde
Estivestes de Noite (1974)
A Hora
da Estrela (1977)
Para
não Esquecer (1978)
Quase
de Verdade (1978)
Um
Sopro de Vida (1978)
A Bela
e a Fera (1979)
A
Descoberta do Mundo (1984)
Como
Nasceram as Estrelas (1987)
Veja
também: A Hora da Estrela de Clarice Lispector
Frases
de Clarice Lispector
“Liberdade
é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
“Minhas
desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.”
“Até
cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro.”
“Mas
quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te
atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado.”
“O medo
sempre me guiou para o que eu quero; e, porque eu quero, temo. Muitas vezes foi
o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que
eu amo é arriscado.”
“Sim,
minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem das
grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”
Poemas
de Clarice Lispector
Muito
se discute sobre se Clarice Lispector escreveu ou não poemas. Benjamin Moser,
que fez a biografia e conhece bem o trabalho de Clarice, recuperou dois poemas
de sua autoria, A mágoa e Descobri o meu país.
A
mágoa, Clarice Lispector
Os
telhados sujos a sobrevoar
Arrastas
no voo a asa partida
Acima
da igreja as ondas do sino
Te
rejeitam ofegante na areia
O
abraço não podes mais suportar
Amor
estreita asa doente
Sais
gritando pelos ares em horror
Sangue
escoa pelos chaminés.
Foge
foge para o espanto da solidão
Pousa
na rocha
Estende
o ser ferido que em teu corpo se aninhou,
Tua asa
mais inocente foi atingida
Mas a
Cidade te fascina.
Insiste
lúgubre em brancura
Carregando
o que se tornou mais precioso.
Voas
sobre os tetos em ronda de urubu
Asa
pesa pálida na noite descida
Em
pálido pavor
Sobrevoas
persistente a Cidade Fortificada escurecida
Capela
ponte cemitério loja fechada
Parque
morto floresta adormecida,
Folha
de jornal voa em rua esquecida.
Que
silêncio na torre quadrada.
Espreitas
a fortaleza inalcançada.
Não
desças
Não
finjas que não dói mais
Inútil
negar asa partida.
Arcanjo
abatido, não tens onde pousar.
Foge,
assombro, inda é tempo,
Desdobra
em esforço a sua medida
Mergulha
tua asa no ar.
Descobri
o meu país, Clarice Lispector
Subi a
montanha
e no
seu topo os anjos me cercaram
e me
engrinaldaram a fronte
com as
flores do céu.
Asas
zumbiam
em
harmonias fragílimas
e vozes
de arcanjos louvavam a paz.
Derramaram
sobre meu corpo
sete
bálsamos purificadores
e
fizeram-me beber
ambrosia
e mel.
Banharam-me
no rio da música
e eu
saí ingênua
como o
canto de uma criança.
E
depois surgiram novos anjos
e não
havia noite
e não
havia dia.
E a
ambrosia e o néctar
deslizavam
com fartura celestial.
E novas
canções se entoaram
sempre
em louvor a Deus.
E não
havia noite
e não
havia dia.
E aos
poucos cresceu dentro de mim
o
desespero
e eu
busquei em vão os olhos celestiais.
Eles
nada diziam
e
cantavam a paz.
E aos
poucos uma nostalgia
me
enlanguesceu
e eu
era o arco distendido
sem a
flecha
e eu
buscava o ar
sem
respirar.
Um anjo
me interrogou: mais néctar?
Eu
gritei: quero cheiro da terra!
E o
anjo me perdoou
E eu
cansei de ser perdoada,
eu
queria sofrer.
E não
havia noite e não havia...
Quebrei
minhas asas,
desci a
montanha
e vivi
na Terra!
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Dionê
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HISTÓRIA ILUSTRADA - GOOGLE Fontes: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/11/131120_galeria_escravidao_moreira_sall...
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