MITO
O
GRANDE VENCEDOR
Marcelo
Duarte Lins
Toda
eleição tem vencedores.
Os que
recebem mais votos.
Os que
conquistam mandatos.
Os que
sobem aos palanques abraçam correligionários e fazem discursos de
agradecimento.
Esta
eleição teve um vencedor muito particular.
Não fez
campanha.
Não
pediu voto.
Não
participou de comícios.
Não
apareceu no horário eleitoral.
Não
concedeu entrevistas.
Não
tinha redes sociais.
Não
comandava grupos de WhatsApp.
Não
votou.
Na
verdade, sequer podia falar com seus eleitores.
Estava
preso.
Incomunicável.
E,
ainda assim, esteve presente durante toda a eleição.
Foi ele
quem escolheu o candidato à Presidência.
Foi ele
quem estabeleceu prioridades.
Fez
escolhas que contrariaram aliados, provocaram desconfianças e despertaram críticas
até dentro do próprio campo político.
Enquanto
permanecia atrás das grades, suas peças avançavam pelo tabuleiro.
Governadores.
Senadores.
Deputados
federais.
Deputados
estaduais.
E a
família também chegou às urnas.
A
esposa, senadora.
Um
filho, senador.
Outro,
deputado federal.
No
popular, não há cientista político capaz de resumir melhor: fez barba, cabelo e
bigode.
E aí
está o paradoxo desta eleição.
Prenderam
o homem.
Mas não
prenderam seu nome.
Sem
palanque, estava nos palanques.
Sem
microfone, era ouvido.
Sem
redes sociais, circulava pelas redes.
Sem
participar da campanha, tornou-se uma de suas principais referências.
Sem
chegar perto de uma urna, atravessou o país dentro delas.
Gostem
dele ou não.
Concordem
com ele ou não.
A
política também é feita de símbolos.
E esta
eleição produziu um dos seus mais curiosos: um homem preso e sua sombra
projetada sobre milhares de urnas.
Seu
nome?
A esta
altura, desnecessário seria dizer.
Mas eu
digo.
Jair
Messias Bolsonaro.
Agora
resta uma última imagem.
A rampa
do Palácio do Planalto.
Pai e
filho.
Lado a
lado.
Subindo.
E, lá
embaixo, uma multidão.
Dela
virá o grito que o acompanha há tantos anos:
MITO!