Síntese de uma Vida
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
ESCRAVOS ISLÂMICOS 8a.Parte
ESCRAVOS ISLÂMICOS NO BRASIL
8ª. Parte
Dionê Leony Machado
Março de 2023
Revoltas dos escravos no Brasil do século 19.
Comuns nos mundos rural e urbano, as rebeliões revelam como
negros escravizados, libertos e livres interpretaram e transformaram a realidade
de seu tempo.
As revoltas escravas são parte importante da história social
e política brasileira. Legado vivo das lutas negras no país, elas desafiaram a
ordem escravista ao reivindicar a liberdade dos escravizados e colocar em
prática as visões de mundo de comunidades despossuídas ao longo do século 19.
Lideradas por homens e mulheres africanos e/ou nascidos no Brasil, os levantes
não foram casos excepcionais, mas sim parte do cotidiano de uma sociedade
formada pelo tráfico de africanos e dominação sobre negros e indígenas.
Comuns nos mundos rural e urbano, as revoltas revelam como
negros escravizados, libertos e livres interpretaram e transformaram a
realidade de seu tempo. Ao se oporem à violência senhorial, muitos colocaram à
prova leituras atentas do cenário político doméstico e internacional. Assim
como os quilombos – comunidades de escravizados fugidos aos quais por vezes
estavam ligadas -, as conspirações escravas demonstram a sofisticação do
pensamento estratégico dos escravizados; o papel de diversas religiões na
formação de identidades negras; a pluralidade étnica africana; as funções do
letramento e, sobretudo, a força do ativismo diário do povo negro pelo direito
à vida e à liberdade no Brasil.
1807
Salvador e Recôncavo, BA
Em maio, escravizados haussá projetam um levante para o dia
de Corpus Christi em vários bairros de Salvador e engenhos do Recôncavo. Em
Santo Amaro, os rebeldes diziam ter um “embaixador”. Quando o movimento foi
desmontado, foram encontrados arcos, flechas e um tambor.
1809
Salvador e Recôncavo, BA.
Em janeiro, escravizados haussás fogem em massa da capital e
de Nazaré das Farinhas. Entre dezenas de mortos e feridos, mais de 100 rebeldes
são presos.
1814
Salvador, BA
Em fevereiro, quilombolas e escravizados das armações de
pesca, perto de Itapuã, atacam a Vila de Itapoá. De maioria haussá, incluindo
cinco mulheres, eles marcharam em direção ao Recôncavo, incendiando mais de uma
centena de engenhos, plantações e casas. Liderada pelo muçulmano de malomi João
e pelo liberto Francisco Cidade, a revolta se estendeu até maio e deixou um
saldo de mais de 50 mortos.
Recife, PE
Revolta envolvendo trabalhadores urbanos escravizados e
libertos. Planejada para 29 de junho, dia do Espírito Santo, tinha entre suas
lideranças o liberto Domingos do Carmo, “rei do Congo e de todas as nações do
gentio da Guiné”.
1816
Salvador e Recôncavo, BA
Em fevereiro, outra revolta fecha o ciclo de rebeliões
haussás. Escravizados dos engenhos de Santo Amaro e São Francisco do Conde
botam fogo em fazendas de cana e casas da região.
1822
Salvador, Itaparica e São Mateus, BA
Em maio, 250 escravizados do engenho Boa Vista se levantam
em Itaparica. Em dezembro do mesmo ano, escravizados atacam tropas brasileiras
estacionadas em Mata Escura e Saboeiro, freguesia de Pirajá e cerca de 50 deles
são fuzilados pelo general Pierre Labatut.
1826-1830
Salvador e Recôncavo, BA
Inúmeras revoltas protagonizadas especialmente por
escravizados nagôs nos engenhos do Recôncavo. Em 1826, nagôs do quilombo do
Urubu, no Cabula, organizam um ataque a Salvador no Natal. Um dos líderes é
Zeferina, “rainha” do quilombo onde também existia um candomblé. Em 1828,
escravizados atacam as armações de Itapuã e se revoltam nos engenhos de Iguape.
Mais de 40 rebeldes são mortos. Em 1830, nagôs atacam armazéns de escravos
novos no Taboão. Cerca de 50 rebeldes são mortos.
1832
São Carlos (Campinas), SP
Em fevereiro, escravizados em 15 fazendas nas margens do rio
Atibaia planejam uma revolta para a Páscoa. Em São Paulo, contavam com a adesão
do liberto João Barbeiro. Os cativos do Congo e nascidos no Brasil tinham
conhecimento da lei do fim do tráfico e até da abolição da escravidão indígena
em São Paulo, ambas de 1831. “Pai Diogo” era visto como líder, presidindo
reuniões, arrecadando dinheiro e fazendo mezinhas (preparado de raízes) para
“fechar o corpo dos insurgentes” e acalmar os senhores.
1833
Carrancas, MG
Em 13 de maio, os escravizados da família Junqueira se
levantaram nas fazendas Campo Alegre, Bela Vista e Bom Jardim, no sul de Minas.
Liderados por Ventura Mina, rebeldes africanos e nascidos no Brasil assassinam
diversos membros da família senhorial, incluindo o deputado Gabriel Francisco
Junqueira. Conhecendo a conjuntura política do período regencial, tomam conta
das propriedades em que trabalhavam, certos de que os restauradores que
acabavam de realizar uma sedição militar em Ouro Preto os ajudariam a conseguir
a liberdade.
1835
Salvador, BA
Na noite de 24 para 25 de janeiro, cerca de 600 escravizados
e libertos, em sua maioria nagô e adeptos do Islã, tomam a cidade de Salvador.
Os chamados malês (africanos mulçumanos) organizam a revolta para o final do
mês sagrado do Ramadã, durante a festa do Lailat al-Qadr, a Noite da Glória,
que coincidia com o domingo de Nossa Senhora da Guia. Cerca de 70 rebeldes
morreram e mais de 500 sofreram prisão, açoites ou deportação. Este foi o
levante urbano mais importante das Américas no século 19.
1835-1840
Cabanagem, PA
Lideranças negras como Félix, Cristóvão e Belizário tomam a
frente de batalhões de escravizados e quilombolas nas lutas dos cabanos contra
as tropas da Regência. Levantes no Acará e na Fazenda Pernambuco, propriedade
Carmelita no Guamá, foram significativos.
1838
Vassouras, RJ
Em novembro, centenas de escravizados africanos e nascidos
no Brasil dos cafezais de Manuel Francisco Xavier e Paulo Gomes de Ribeiro
Avelar se reúnem nas matas de Paty do Alferes para formar um quilombo. Eram
liderados pelo ferreiro Manoel Congo, também chamado de “pai” ou “mestre”, a
quem atribuíam o poder de se tornar invisível.
1838-1841
Balaiada, MA
Escravizados, livres e quilombolas pegam em armas para lutar
durante a revolta popular da Balaiada. Chegando a comandar cerca de 3.000
negros fugidos, o liberto Cosme Bento das Chagas se junta aos balaios e
incentiva a insurreição nas fazendas maranhenses. Chagas se intitulava “tutor e
imperador da liberdade”, chegando a fundar uma escola de ler e escrever no
quilombo da Lagoa-Amarela, na comarca do Brejo.
1846
Recife, PE
Conspiração liderada por escravizados pertencentes à seita
religiosa de Agostinho José Pereira, o chamado Divino Mestre. A polícia
encontra na casa do pregador protestante uma bíblia em que estavam marcadas
passagens sobre o fim da escravidão, textos sobre o Haiti e versos chamados de
“ABC”. Agostinho alfabetizou muitos de seus seguidores.
1848
Ciclo de conspirações negras no Vale do Paraíba
Na fronteira entre as províncias do Rio de Janeiro, Minas
Gerais e São Paulo, diversas conspirações foram descobertas. Em Vassouras, o
movimento tinha origem num culto religioso centro-africano e de raízes
kongo/Mbundu. Falava-se na intervenção de Santo Antônio enquanto os rebeldes de
Itu invocavam a São Benedito. Marcada para o dia de São João, a revolta previa
o envenenamento dos senhores e ligava-se às discussões sobre o fim do tráfico
atlântico para o Brasil.
1849
São José do Queimado, hoje município da Serra, ES
Em 19 de março, Chico Prego, João da Viúva e Elisiário
lideraram mais de 300 escravizados em revolta após uma promessa não
concretizada de liberdade feita pelo missionário italiano Gregório José Maria
de Bene. O frei iria negociar a alforria daqueles que trabalharam na construção
de uma igreja inaugurada durante a festa de São José. A repressão foi violenta
– fugitivos foram arrastados pelo chão por muitas léguas -, mas alguns
sobreviventes fundaram o Quilombo de Rosa d’Água em Cariacica.
1853
Bahia e Pernambuco
Dados os fortíssimos rumores de conspiração em Salvador,
alguns africanos libertos são presos e deportados por serem suspeitos. Em
Pernambuco, nas vilas de Nazaré e Pau d’Alho, escritos árabes são encontrados
entre a comunidade islâmica escravizada. O alufá Rufino José Maria (ou
Abuncare) foi preso sob suspeita de participação na revolta.
1854
Taubaté, Pindamonhangaba e São Roque, SP
Em 17 de abril, dia de São Benedito, escravizados de Taubaté
planejam atacar a praça da matriz, nomear um rei e seguir armados para
Pindamonhangaba. Em São Roque, a revolta tinha raízes em comunidades religiosas
onde rebeldes eram iniciados por “Pai Gavião,” um espírito que falava através
do liberto africano José Cabinda.
1858
Santana do Livramento, RS
Escravizados em combinação com o negro castelhano Francisco
Antonio Dias, conhecido como Antonio Barbat, planejam uma fuga em massa para o
Estado Oriental (Uruguai). O sinal para que os rebeldes pudessem reconhecer uns
aos outros seria o cabelo raspado à navalha na circunferência da cabeça.
1859
Capivari, Encruzilhada e Herval, RS
Em março, escravizados, desertores e criminosos fugidos
planejavam atacar as vilas e fugir para o Estado Oriental (Uruguai).
1860
Itapemirim, ES
Em agosto, autoridades descobriram uma revolta organizada por
homens e mulheres escravizados pertencentes às “Sociedades Pemba” nas fazendas
da região.
1861
Anajatuba, Viana e Turiaçu, MA
Escravizados e libertos de Anajatuba planejam uma revolta
inspirada na Guerra de Secessão nos EUA. Depois de ver navios americanos
ancorados em São Luís, rebeldes param de trabalhar ao imaginar que tropas
americanas viriam ajudá-los a conseguir a liberdade. Quilombolas de Turiaçu e
Viana circulam informação sobre a guerra.
1862
Muribeca, PE
Insurreição planejada por escravos aquilombados dos Engenhos
Guararapes, Conceição e Recreio. Muitos acreditavam que o governo imperial e a
Inglaterra apoiariam sua luta pela liberdade e liam coletivamente os jornais da
época.
1863
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo,
Maranhão e Pará
Ciclo de conspirações negras em conexão à chamada Questão
Christie. Escravizados planejavam lutar ao lado da Inglaterra numa eventual
guerra contra o Brasil. Em Pelotas, o liberto Sebastião Maria foi preso por
falar em ingleses contrários à escravidão. Em Campinas, uma insurreição foi
sufocada na Fazenda Atibaia. Nas demais províncias, escravizados e quilombolas
fogem em massa.
1863-1864
Taquari, RS
Insurreição planejada para o período eleitoral em novembro.
Escravizados planejavam reunir-se no cemitério de onde arrancariam barras de
ferro para usar como lanças e depois de atacar Taquari para conseguir dinheiro,
armamento e fardamento oficial, finalmente fugindo “com os castelhanos” para o
Estado Oriental (Uruguai).
1864
Serro e Diamantina, MG
Em outubro, artesãos das fazendas do Serro e escravizados
das minas de diamante em Diamantina insurgiram-se em conjunto com o Quilombo
dos Ferreiros e libertos. Inspirados pelas notícias vindas dos jornais a
respeito da Guerra de Secessão nos EUA, os rebeldes resistiram ao cerco armado
por dois meses em São João da Chapada. Entre os líderes, estavam a quilombola
Vitorão, além do marceneiro José Cabrinha e o alfaiate Adão, ambos letrados e
autores de cartas durante o levante.
1864-1865
Revoltas em fazendas da Ordem do Carmo, SP, PR e PA
Em maio, escravizados da Fazenda Capão Alto, na vila
paranaense de Castro, recusaram-se a acompanhar o representante de novos
arrendatários para São Paulo. Em dezembro, cativos da Fazenda Gaecá, perto de São
Sebastião, atacaram a sede por desconfiar que seriam vendidos “para serra
acima” pelo administrador. Em julho de 1865, na Fazenda Pernambuco, arredores
de Belém, escravizados atacaram o feitor e se aquilombaram, influenciados por
notícias sobre a Guerra de Secessão nos EUA.
1865
Minas Gerais
Os cativos falam “em liberdade, em Lopez do Paraguai, e
muitas outras coisas perigosas.” Mais de 20 conspirações negras ocorreram na
província, em conexão com a Guerra do Paraguai, incluindo novamente o Serro.
1867
Viana, MA
Insurreição quilombola liderada pelos escravizados do
mocambo São Benedito do Céu, nas matas de Viana e Turiaçu. Em julho, inspirados
na Guerra do Paraguai, incendiaram as fazendas Timbó, Santa Bárbara e Santo
Inácio. Os quilombolas esperavam o apoio dos índios Gamela e forçaram um feitor
a escrever uma carta para as autoridades maranhenses onde diziam “nos achamos
em campo a tratar da Liberdade dos Cativos, pois a muito que esperamos por
ela.”
1868
Porto Alegre, RS
Revolta organizada para eclodir na noite de São João, em
junho. Os rebeldes planejavam atacar a cidade divididos em quatro divisões de
lanceiros, visando o Quartel da Guarda Nacional, o Laboratório Pirotécnico e o
Arsenal de Guerra. Prisioneiros de guerra paraguaios foram contatados pelos
escravizados.
1871
Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Maranhão e Minas
Gerais
Conspirações em conexão com a passagem da Lei do Ventre
Livre. No Rio, na fazenda de João de Souza Botelho, escravizados exigem
pagamento de salários a título de se acharem forros. Em Turiaçu, Santa Helena e
São Bento, MA, outros fogem em massa para os quilombos. Por se acharem
libertos, escravizados planejam levantes em Queimado, Mangaraí, Cachoeiro de
Itapemirim e Cariacica, ES. Em SP, rumores se espalham em Espírito Santo do
Pinhal e São Roque. Em MG, escravizados de fazendas de Sabará, Caeté, Jaguari,
e Leopoldina se rebelam. Em Santa Luzia, os rebeldes pretendiam “gritar a
República e ficarem forros.”
1881
Resende, Areas, Bananal, Silveiras e Queluz, RJ e SP
Em março, uma revolta é descoberta na Freguesia de Campo
Belo, em Resende, de onde se espalha para várias fazendas na fronteira entre
Rio e São Paulo. Três homens brancos são indiciados ao lado dos escravizados
que pretendiam ir à Corte Imperial “gritar a liberdade.”
1882
Campinas, SP
Liderados pelo liberto Felipe Santiago, os 120 escravizados
da Fazenda do Castelo, em Campinas, rebelam-se aos gritos de “Mata branco” e
“Viva a Liberdade,” matando a família do administrador da fazenda. A revolta
estava ligada a uma sociedade de cunho milenarista chamada “Arasia.” Setenta e
quatro suspeitos foram presos.
1885
Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul
Em setembro, descobre-se uma insurreição escrava
influenciada por uma sociedade secreta abolicionista chamada “Incógnitos.” Com
sede na Corte, a sociedade esperava obter participação popular em várias
províncias. Os rebeldes diziam contar com o apoio do Imperador, figuras
políticas e do Conde d’Eu. No Natal de 1885, focos de revolta aparecem em
Limeira, Mogi Mirim e Casa Branca, SP, onde os escravizados diziam seguir o Rei
Pilintra.
1887-1888
São Paulo e outras províncias
Ciclo de revoltas, fugas em massa das fazendas,
aquilombamento, marchas e confrontos em vilas paulistas. Em Araras, por
exemplo, os escravizados da Fazenda Empíreo apresentam-se ao Juiz de Órfãos
reivindicando liberdade, salários e boa alimentação. Revoltas se espalham pelo
Brasil representando a crise final do escravismo.
Revoltas escravas no Brasil do século 19
Isadora Mota
31 mai 2021(atualizado 30 jun 2021 às 18h40)
Comuns nos mundos rural e urbano, as rebeliões revelam como
negros escravizados, libertos e livres interpretaram e transformaram a
realidade de seu tempo.
As revoltas escravas são parte importante da história social
e política brasileira. Legado vivo das lutas negras no país, elas desafiaram a
ordem escravista ao reivindicar a liberdade dos escravizados e colocar em
prática as visões de mundo de comunidades despossuídas ao longo do século 19.
Lideradas por homens e mulheres africanos e/ou nascidos no Brasil, os levantes
não foram casos excepcionais, mas sim parte do cotidiano de uma sociedade
formada pelo tráfico de africanos e dominação sobre negros e indígenas.
Comuns nos mundos rural e urbano, as revoltas revelam como
negros escravizados, libertos e livres interpretaram e transformaram a
realidade de seu tempo. Ao se oporem à violência senhorial, muitos colocaram à
prova leituras atentas do cenário político doméstico e internacional. Assim
como os quilombos – comunidades de escravizados fugidos aos quais por vezes
estavam ligadas -, as conspirações escravas demonstram a sofisticação do
pensamento estratégico dos escravizados; o papel de diversas religiões na
formação de identidades negras; a pluralidade étnica africana; as funções do
letramento e, sobretudo, a força do ativismo diário do povo negro pelo direito
à vida e à liberdade no Brasil.
1807
Salvador e Recôncavo, BA
Em maio, escravizados haussá projetam um levante para o dia
de Corpus Christi em vários bairros de Salvador e engenhos do Recôncavo. Em
Santo Amaro, os rebeldes diziam ter um “embaixador”. Quando o movimento foi
desmontado, foram encontrados arcos, flechas e um tambor.
1809
Salvador e Recôncavo, BA
Em janeiro, escravizados haussás fogem em massa da capital e
de Nazaré das Farinhas. Entre dezenas de mortos e feridos, mais de 100 rebeldes
são presos.
1814
Salvador, BA
Em fevereiro, quilombolas e escravizados das armações de
pesca, perto de Itapuã, atacam a Vila de Itapoá. De maioria haussá, incluindo
cinco mulheres, eles marcharam em direção ao Recôncavo, incendiando mais de uma
centena de engenhos, plantações e casas. Liderada pelo muçulmano de malomi João
e pelo liberto Francisco Cidade, a revolta se estendeu até maio e deixou um
saldo de mais de 50 mortos.
Recife, PE
Revolta envolvendo trabalhadores urbanos escravizados e
libertos. Planejada para 29 de junho, dia do Espírito Santo, tinha entre suas
lideranças o liberto Domingos do Carmo, “rei do Congo e de todas as nações do
gentio da Guiné”.
1816
Salvador e Recôncavo, BA
Em fevereiro, outra revolta fecha o ciclo de rebeliões
haussás. Escravizados dos engenhos de Santo Amaro e São Francisco do Conde
botam fogo em fazendas de cana e casas da região.
1822
Salvador, Itaparica e São Mateus, BA
Em maio, 250 escravizados do engenho Boa Vista se levantam
em Itaparica. Em dezembro do mesmo ano, escravizados atacam tropas brasileiras
estacionadas em Mata Escura e Saboeiro, freguesia de Pirajá e cerca de 50 deles
são fuzilados pelo general Pierre Labatut.
1826-1830
Salvador e Recôncavo, BA
Inúmeras revoltas protagonizadas especialmente por
escravizados nagôs nos engenhos do Recôncavo. Em 1826, nagôs do quilombo do
Urubu, no Cabula, organizam um ataque a Salvador no Natal. Um dos líderes é
Zeferina, “rainha” do quilombo onde também existia um candomblé. Em 1828,
escravizados atacam as armações de Itapuã e se revoltam nos engenhos de Iguape.
Mais de 40 rebeldes são mortos. Em 1830, nagôs atacam armazéns de escravos
novos no Taboão. Cerca de 50 rebeldes são mortos.
1832
São Carlos (Campinas), SP
Em fevereiro, escravizados em 15 fazendas nas margens do rio
Atibaia planejam uma revolta para a Páscoa. Em São Paulo, contavam com a adesão
do liberto João Barbeiro. Os cativos do Congo e nascidos no Brasil tinham
conhecimento da lei do fim do tráfico e até da abolição da escravidão indígena
em São Paulo, ambas de 1831. “Pai Diogo” era visto como líder, presidindo
reuniões, arrecadando dinheiro e fazendo mezinhas (preparado de raízes) para
“fechar o corpo dos insurgentes” e acalmar os senhores.
1833
Carrancas, MG
Em 13 de maio, os escravizados da família Junqueira se
levantaram nas fazendas Campo Alegre, Bela Vista e Bom Jardim, no sul de Minas.
Liderados por Ventura Mina, rebeldes africanos e nascidos no Brasil assassinam
diversos membros da família senhorial, incluindo o deputado Gabriel Francisco
Junqueira. Conhecendo a conjuntura política do período regencial, tomam conta
das propriedades em que trabalhavam, certos de que os restauradores que
acabavam de realizar uma sedição militar em Ouro Preto os ajudariam a conseguir
a liberdade.
1835
Salvador, BA
Na noite de 24 para 25 de janeiro, cerca de 600 escravizados
e libertos, em sua maioria nagô e adeptos do Islã, tomam a cidade de Salvador.
Os chamados malês (africanos mulçumanos) organizam a revolta para o final do
mês sagrado do Ramadã, durante a festa do Lailat al-Qadr, a Noite da Glória,
que coincidia com o domingo de Nossa Senhora da Guia. Cerca de 70 rebeldes
morreram e mais de 500 sofreram prisão, açoites ou deportação. Este foi o
levante urbano mais importante das Américas no século 19.
1835-1840
Cabanagem, PA
Lideranças negras como Félix, Cristóvão e Belizário tomam a
frente de batalhões de escravizados e quilombolas nas lutas dos cabanos contra
as tropas da Regência. Levantes no Acará e na Fazenda Pernambuco, propriedade
Carmelita no Guamá, foram significativos.
1838
Vassouras, RJ
Em novembro, centenas de escravizados africanos e nascidos
no Brasil dos cafezais de Manuel Francisco Xavier e Paulo Gomes de Ribeiro
Avelar se reúnem nas matas de Paty do Alferes para formar um quilombo. Eram
liderados pelo ferreiro Manoel Congo, também chamado de “pai” ou “mestre”, a
quem atribuíam o poder de se tornar invisível.
1838-1841
Balaiada, MA
Escravizados, livres e quilombolas pegam em armas para lutar
durante a revolta popular da Balaiada. Chegando a comandar cerca de 3.000
negros fugidos, o liberto Cosme Bento das Chagas se junta aos balaios e
incentiva a insurreição nas fazendas maranhenses. Chagas se intitulava “tutor e
imperador da liberdade”, chegando a fundar uma escola de ler e escrever no
quilombo da Lagoa-Amarela, na comarca do Brejo.
1846
Recife, PE
Conspiração liderada por escravizados pertencentes à seita
religiosa de Agostinho José Pereira, o chamado Divino Mestre. A polícia
encontra na casa do pregador protestante uma bíblia em que estavam marcadas
passagens sobre o fim da escravidão, textos sobre o Haiti e versos chamados de
“ABC”. Agostinho alfabetizou muitos de seus seguidores.
1848
Ciclo de conspirações negras no Vale do Paraíba
Na fronteira entre as províncias do Rio de Janeiro, Minas
Gerais e São Paulo, diversas conspirações foram descobertas. Em Vassouras, o
movimento tinha origem num culto religioso centro-africano e de raízes
kongo/Mbundu. Falava-se na intervenção de Santo Antônio enquanto os rebeldes de
Itu invocavam a São Benedito. Marcada para o dia de São João, a revolta previa
o envenenamento dos senhores e ligava-se às discussões sobre o fim do tráfico
atlântico para o Brasil.
1849
São José do Queimado, hoje município da Serra, ES
Em 19 de março, Chico Prego, João da Viúva e Elisiário
lideraram mais de 300 escravizados em revolta após uma promessa não
concretizada de liberdade feita pelo missionário italiano Gregório José Maria
de Bene. O frei iria negociar a alforria daqueles que trabalharam na construção
de uma igreja inaugurada durante a festa de São José. A repressão foi violenta
– fugitivos foram arrastados pelo chão por muitas léguas -, mas alguns
sobreviventes fundaram o Quilombo de Rosa d’Água em Cariacica.
1853
Bahia e Pernambuco
Dados os fortíssimos rumores de conspiração em Salvador,
alguns africanos libertos são presos e deportados por serem suspeitos. Em
Pernambuco, nas vilas de Nazaré e Pau d’Alho, escritos árabes são encontrados
entre a comunidade islâmica escravizada. O alufá Rufino José Maria (ou
Abuncare) foi preso sob suspeita de participação na revolta.
1854
Taubaté, Pindamonhangaba e São Roque, SP
Em 17 de abril, dia de São Benedito, escravizados de Taubaté
planejam atacar a praça da matriz, nomear um rei e seguir armados para
Pindamonhangaba. Em São Roque, a revolta tinha raízes em comunidades religiosas
onde rebeldes eram iniciados por “Pai Gavião,” um espírito que falava através
do liberto africano José Cabinda.
1858
Santana do Livramento, RS
Escravizados em combinação com o negro castelhano Francisco
Antonio Dias, conhecido como Antonio Barbat, planejam uma fuga em massa para o
Estado Oriental (Uruguai). O sinal para que os rebeldes pudessem reconhecer uns
aos outros seria o cabelo raspado à navalha na circunferência da cabeça.
1859
Capivari, Encruzilhada e Herval, RS
Em março, escravizados, desertores e criminosos fugidos
planejavam atacar as vilas e fugir para o Estado Oriental (Uruguai).
1860
Itapemirim, ES
Em agosto, autoridades descobriram uma revolta organizada
por homens e mulheres escravizados pertencentes às “Sociedades Pemba” nas
fazendas da região.
1861
Anajatuba, Viana e Turiaçu, MA
Escravizados e libertos de Anajatuba planejam uma revolta
inspirada na Guerra de Secessão nos EUA. Depois de ver navios americanos
ancorados em São Luís, rebeldes param de trabalhar ao imaginar que tropas
americanas viriam ajudá-los a conseguir a liberdade. Quilombolas de Turiaçu e
Viana circulam informação sobre a guerra.
1862
Muribeca, PE
Insurreição planejada por escravos aquilombados dos Engenhos
Guararapes, Conceição e Recreio. Muitos acreditavam que o governo imperial e a
Inglaterra apoiariam sua luta pela liberdade e liam coletivamente os jornais da
época.
1863
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo,
Maranhão e Pará
Ciclo de conspirações negras em conexão à chamada Questão
Christie. Escravizados planejavam lutar ao lado da Inglaterra numa eventual
guerra contra o Brasil. Em Pelotas, o liberto Sebastião Maria foi preso por
falar em ingleses contrários à escravidão. Em Campinas, uma insurreição foi
sufocada na Fazenda Atibaia. Nas demais províncias, escravizados e quilombolas
fogem em massa.
1863-1864
Taquari, RS
Insurreição planejada para o período eleitoral em novembro.
Escravizados planejavam reunir-se no cemitério de onde arrancariam barras de
ferro para usar como lanças e depois de atacar Taquari para conseguir dinheiro,
armamento e fardamento oficial, finalmente fugindo “com os castelhanos” para o
Estado Oriental (Uruguai).
1864
Serro e Diamantina, MG
Em outubro, artesãos das fazendas do Serro e escravizados
das minas de diamante em Diamantina insurgiram-se em conjunto com o Quilombo
dos Ferreiros e libertos. Inspirados pelas notícias vindas dos jornais a
respeito da Guerra de Secessão nos EUA, os rebeldes resistiram ao cerco armado
por dois meses em São João da Chapada. Entre os líderes, estavam a quilombola
Vitorão, além do marceneiro José Cabrinha e o alfaiate Adão, ambos letrados e
autores de cartas durante o levante.
1864-1865
Revoltas em fazendas da Ordem do Carmo, SP, PR e PA
Em maio, escravizados da Fazenda Capão Alto, na vila
paranaense de Castro, recusaram-se a acompanhar o representante de novos
arrendatários para São Paulo. Em dezembro, cativos da Fazenda Gaecá, perto de
São Sebastião, atacaram a sede por desconfiar que seriam vendidos “para serra
acima” pelo administrador. Em julho de 1865, na Fazenda Pernambuco, arredores
de Belém, escravizados atacaram o feitor e se aquilombaram, influenciados por
notícias sobre a Guerra de Secessão nos EUA.
1865
Minas Gerais
Os cativos falam “em liberdade, em Lopez do Paraguai, e
muitas outras coisas perigosas.” Mais de 20 conspirações negras ocorreram na
província, em conexão com a Guerra do Paraguai, incluindo novamente o Serro.
1867
Viana, MA
Insurreição quilombola liderada pelos escravizados do
mocambo São Benedito do Céu, nas matas de Viana e Turiaçu. Em julho, inspirados
na Guerra do Paraguai, incendiaram as fazendas Timbó, Santa Bárbara e Santo
Inácio. Os quilombolas esperavam o apoio dos índios Gamela e forçaram um feitor
a escrever uma carta para as autoridades maranhenses onde diziam “nos achamos
em campo a tratar da Liberdade dos Cativos, pois a muito que esperamos por
ela.”
1868
Porto Alegre, RS
Revolta organizada para eclodir na noite de São João, em
junho. Os rebeldes planejavam atacar a cidade divididos em quatro divisões de
lanceiros, visando o Quartel da Guarda Nacional, o Laboratório Pirotécnico e o
Arsenal de Guerra. Prisioneiros de guerra paraguaios foram contatados pelos
escravizados.
1871
Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Maranhão e Minas
Gerais
Conspirações em conexão com a passagem da Lei do Ventre
Livre. No Rio, na fazenda de João de Souza Botelho, escravizados exigem
pagamento de salários a título de se acharem forros. Em Turiaçu, Santa Helena e
São Bento, MA, outros fogem em massa para os quilombos. Por se acharem
libertos, escravizados planejam levantes em Queimado, Mangaraí, Cachoeiro de
Itapemirim e Cariacica, ES. Em SP, rumores se espalham em Espírito Santo do
Pinhal e São Roque. Em MG, escravizados de fazendas de Sabará, Caeté, Jaguari,
e Leopoldina se rebelam. Em Santa Luzia, os rebeldes pretendiam “gritar a
República e ficarem forros.”
1881
Resende, Areas, Bananal, Silveiras e Queluz, RJ e SP
Em março, uma revolta é descoberta na Freguesia de Campo
Belo, em Resende, de onde se espalha para várias fazendas na fronteira entre
Rio e São Paulo. Três homens brancos são indiciados ao lado dos escravizados
que pretendiam ir à Corte Imperial “gritar a liberdade.”
1882
Campinas, SP
Liderados pelo liberto Felipe Santiago, os 120 escravizados
da Fazenda do Castelo, em Campinas, rebelam-se aos gritos de “Mata branco” e
“Viva a Liberdade,” matando a família do administrador da fazenda. A revolta
estava ligada a uma sociedade de cunho milenarista chamada “Arasia.” Setenta e
quatro suspeitos foram presos.
1885
Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul
Em setembro, descobre-se uma insurreição escrava
influenciada por uma sociedade secreta abolicionista chamada “Incógnito.” Com
sede na Corte, a sociedade esperava obter participação popular em várias
províncias. Os rebeldes diziam contar com o apoio do Imperador, figuras
políticas e do Conde d’Eu. No Natal de 1885, focos de revolta aparecem em
Limeira, Mogi Mirim e Casa Branca, SP, onde os escravizados diziam seguir o Rei
Pilintra.
1887-1888
São Paulo e outras províncias
Ciclo de revoltas, fugas em massa das fazendas,
aquilombamento, marchas e confrontos em vilas paulistas. Em Araras, por
exemplo, os escravizados da Fazenda Empíreos apresentam-se ao Juiz de Órfãos
reivindicando liberdade, salários e boa alimentação. Revoltas se espalham pelo
Brasil representando a crise final do escravismo.
REFLEXÃO...01
Abismos sociais e o evangelho
Pessoas não escolhem nascer onde a água é insalubre, não
optam por ser vítimas do fogo cruzado, tampouco decidem receber uma educação
deficitária
Por Gabrielly C. Cardoso
“Então olhei de novo para toda a injustiça que existe neste
mundo. Vi muitos sendo explorados e maltratados. Eles choravam, mas ninguém os
ajudava. Ninguém os ajudava porque os seus perseguidores tinham o poder do seu
lado.” (Eclesiastes 4.1, NTLH)
É impossível ser um cidadão consciente e não se deparar com
os abismos da desigualdade social no Brasil e no mundo. Embora a ética do
esforço individual tenha algum lugar, a realidade expõe o que o sociólogo Johan
Galtung chamou de "violência estrutural": um sistema onde as próprias
engrenagens da sociedade oprimem os mais vulneráveis. Essa opressão invisível
fica evidente justamente na falta de direitos fundamentais. Afinal, as pessoas
não escolhem nascer onde a água é insalubre, não optam por ser vítimas do fogo
cruzado, tampouco decidem receber uma educação deficitária. Como aponta o
filósofo Michael Sandel em sua crítica à "tirania do mérito", a
crença de que o sucesso financeiro é apenas fruto do esforço pessoal ignora
cruelmente o abismo de oportunidades que nos separa. Diante desse cenário, a
comparação entre os que têm mais e os que têm menos torna-se inevitável. Esse
contraste frequentemente nos incomoda, pois nos obriga a avaliar a nossa
própria posição; afinal, mesmo que julguemos não possuir tanto, é muito
provável que tenhamos bem mais do que vários outros.
Mas, afinal, o que a Igreja de Cristo tem a ver com isso?
Este texto é um convite para reconhecermos que o combate à desigualdade não é
uma invenção de ONGs, fóruns econômicos ou pautas políticas contemporâneas; é,
antes de tudo, uma exigência Bíblia. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento
são enfáticos ao denunciar a assimetria de poder e a desigualdade. O teólogo
Walter Brueggemann nos lembra que os profetas bíblicos exerciam uma
"imaginação profética": eles não apenas criticavam o status quo, mas
desmantelavam as estruturas de opressão do seu tempo. Miquéias delatou o
suborno e a exploração promovida pelos líderes (Mq 3.9-12); Elias confrontou o
abuso de poder do Estado na figura do rei Acabe em relação aos pobres (1Rs 21);
e Malaquias defendeu publicamente mulheres vulneráveis e abandonadas (Ml
2.13-16). Através da legislação mosaica – que criava redes de proteção
sistêmicas para viúvas, órfãos e estrangeiros – e do grito desses homens, Deus
se revela como um juiz solidário aos marginalizados.
Os ensinamentos de Jesus não apenas reafirmam, mas
radicalizam esse compromisso. Na contramão da apatia moderna, Cristo inaugura
um Reino materializado em amor e justiça. Em seu discurso inaugural, Ele
declara: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar
boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e
recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos; e proclamar o ano
da graça do Senhor” (Lc 4.18-19). Ser imitador de Cristo exige que abandonemos
o nosso conforto para nos sujarmos nas feridas do mundo, assim como o fez o Bom
Samaritano (Lc 10.25-37), que cruzou barreiras étnicas e econômicas para
socorrer um desconhecido. É essa mesma ética que levou a igreja primitiva a
subverter a lógica do individualismo, repartindo seus bens para que não
houvesse necessitados entre eles (At 4.34).
A desigualdade socioeconômica não é a vontade soberana de
Deus, tampouco um fenômeno natural; ela é o sintoma amargo do pecado
estrutural, da exploração e da corrupção (Pv 30.14-15; Am 5.12; Sl 12.5).
Acomodar-se a esse cenário é trair o Evangelho. Como cristãos, somos agentes do
Shalom. O teólogo Cornelius Plantinga define o Shalom bíblico como "o
entrelaçamento de Deus, dos seres humanos e de toda a criação em justiça e
deleite". Onde há miséria e opressão, o Shalom foi quebrado.
É central na vida do cristão o entendimento de que fomos
convocados a participar do amor e da justiça de Deus. Nossa herança e vocação
apontam para a restauração do ser humano em sua totalidade. Como sintetizou
Timothy Keller: “Deus ama e defende quem tem menos poder econômico e social, e
devemos agir da mesma forma. É esse o significado de ‘fazer justiça’.” Essa é a
missão integral para a qual fomos chamados: resgatar os perdidos, agir no mundo
como filhos de Deus e participar do seu Reino de amor e justiça. Que a nossa
inconformidade com os abismos sociais se transforme em ação prática de justiça,
equidade e erradicação da pobreza, ecoando o antigo e inegociável mandato
divino:
“Ó povo, o SENHOR já lhe declarou o que é bom e o que ele
requer de você: que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente
com seu Deus.” (Miqueias 6.8 – NVT).
Gabrielly C. Cardoso é socióloga e mestranda em Ciências
Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pesquisadora no
Núcleo de Estudos sobre Política Local e membra da Quarta Igreja Presbiteriana
de Juiz de Fora.
NOTÍCIAS...01
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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HISTÓRIA ILUSTRADA - GOOGLE Fontes: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/11/131120_galeria_escravidao_moreira_sall...
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Confissões de uma Terapeuta em Crise ::MEU DEUS, COMO ME SINTO SOZINHA NO MUNDO!! :: Já não sou o que era... Morri há...



