O custo do perdão
A generosidade de Deus nos surpreende. É uma graça tão
abundante, que chega à beira do desperdício!
Por Robert Liang Koo
Ele mesmo é o sacrifício para o perdão de nossos pecados, e
não apenas de nossos pecados, mas dos pecados de todo o mundo. 1 João 2.2
Nunca é fácil perdoar, porque existe um preço a se pagar por
quem perdoa. Quem acha que perdoar é fácil, que não tem custo algum, não sabe o
que é perdão.
Como assim? Você pode se perguntar.
Existe um custo associado ao perdão. Vamos supor que um
grupo de meninos estava jogando futebol na rua. Num chute forte, a bola voou
longe e atingiu a vidraça da casa vizinha. O dono da casa saiu para ver o que
tinha acontecido. A reação inicial dos meninos foi fugir, mas decidiram
enfrentar e confessar que foram eles que quebraram a vidraça. Pediram perdão e
o dono da casa, vendo que os meninos assumiram a culpa, concordou em perdoá-los.
Mas ficou o prejuízo. Quem vai assumir o custo? Com certeza, o dono da casa ou
os pais dos meninos. Quanto maior a vidraça, maior é o prejuízo.
De modo semelhante acontece com o perdão dos pecados. O
pecado é a quebra dos mandamentos de Deus, assim como a quebra da vidraça, e
não reflete a glória de Deus. Ao confessarmos, somos perdoados dos nossos
pecados e purificados de toda injustiça – mas há uma necessidade de reparação
dessa glória que foi perdida. Assim como no caso da vidraça, alguém tem de assumir
“o custo” da reparação.
Além de nos defender como advogado, Jesus Cristo também
assume a culpa de todos nós, afirma o apóstolo João. Ele mesmo é o sacrifício
para o perdão de nossos pecados. Na cruz, ele assumiu esse custo e pagou a pena
dos nossos pecados.
Mas o que nos surpreende é o apóstolo João dizer que Jesus é
o sacrifício não apenas pelos nossos pecados, mas pelos pecados de todo o
mundo.
Jesus pagou pelos pecados de toda a humanidade? Sim, ele
morreu pelos pecados do mundo todo. Então o mundo todo está salvo? Não, nem
todos estão salvos, somente aqueles que aceitam Jesus como seu Salvador.
Jesus estendeu sua mão para toda a humanidade, mas nem todos
aceitam a mão estendida de salvação de Jesus. Preferem permanecer em sua
rebeldia, não querem se reconciliar com Deus; recusando, assim, a vida eterna.
Porque, além de perdoar pecados, o objetivo de Deus é nos dar a vida eterna, a
reconciliação total com Deus.
Com isso, o apóstolo João reafirma que o caminho de comunhão
com Deus está desimpedido: a refeição foi preparada, a mesa está posta e o
convite foi distribuído. Só depende de nós aceitarmos o convite para essa
gostosa comunhão e experimentarmos a alegria plena.
A generosidade de Deus nos surpreende. É uma graça tão
abundante, que chega à beira do desperdício! Foi pago o preço também dos
pecados daqueles que o desprezam, que são seus inimigos, que recusam a sua mão
estendida.
O perdão de Deus é abrangente, inclui toda a humanidade. Por
isso, o preço também é alto: custou o sacrifício de seu próprio filho.
Por que ele pagou este preço tão alto? Por causa do amor.
Por que é tão difícil para nós perdoarmos uns aos outros? Porque não amamos o
suficiente.
Para terminar, é bom ouvir as palavras de Hebreus 2.3: “O
que nos faz pensar que escaparemos se negligenciarmos essa grande salvação,
anunciada primeiramente pelo Senhor e depois transmitida a nós por aqueles que
o ouviram falar?”.
>> Um alto preço foi pago para que eu pudesse me
reconciliar com Deus. Como viver essa verdade no dia a dia?”
Artigo publicado originalmente no livro O Cultivo da Vida
Cristã – Meditações a partir de 1 João, Roberto Koo (Editora Ultimato).
Robert Liang Koo é casado com Elizabeth e eles têm três
filhos e nove netos. É Ph.D. em engenharia elétrica e computação. Foi
professor, empresário e pastor por mais de quarenta anos. Atuou na Aliança
Bíblica Universitária nas décadas de 1960 e 1970. Aposentado, dedica-se às
obras do reino de Deus e é um dos integrantes do núcleo facilitador do
Movimento Cristão 60+. É membro da Igreja Evangélica dos Cristãos de São Paulo.
É autor de Encorajamento Que Vem do Alto e Ouvindo Paulo na Prisão.