domingo, 18 de outubro de 2026

ESCRAVIDÃO...4a.Parte

 

4ª.Parte

Negros reinventaram a culinária brasileira

A influência africana na gastronomia brasileira é inegável e não poderia ser diferente. Os negros vindos da África como escravos trouxeram consigo gostos por novos temperos e a habilidade de improvisar receitas misturando ingredientes europeus e indígenas, sem falar na criatividade de aproveitamento das "sobras" da Casa Grande. A feijoada é o melhor exemplo disso.

 

Usamos como pretexto o Dia da Consciência Negra, que se comemora hoje, para lembrar um pouco dessa influência e trazer duas das receitas mais conhecidas desse caldeirão cultural. A influência africana na dieta dos brasileiros se reflete tanto no modo de preparar os alimentos, como na introdução de novos ingredientes. A condição de escravos foi determinante para explicar como a técnica culinária dos africanos desenvolveu-se no Brasil. Como vieram aprisionados da África, os negros não traziam nenhuma bagagem, muito menos ingredientes culinários. Isso reforçou a necessidade de improvisação e é justamente daí que vem a riqueza dessa nova gastronomia genuinamente brasileira.

 

Na falta do inhame, usaram a mandioca. Carentes das pimentas africanas que faziam parte de seu cotidiano usaram e abusaram do azeite-de-dendê, que já conheciam da África. A cozinha africana privilegia os assados em detrimento das frituras e o caldo, proveniente do alimento assado ou simplesmente preparado com água e sal, é um item importante. É misturado com a farinha de mandioca no popular pirão, ou com fubá de milho no angu.

 

Da dieta portuguesa, vieram as galinhas e os ovos, aos poucos incluídos nas receitas afro-brasileiras, como o vatapá e o xinxim.

 

Da dieta indígena, foram incorporadas, além da mandioca, frutas e ervas e o prato afro-indígena mais conhecido é o caruru.

 

Muitos alimentos vieram da África, trazidos pelos contrabandistas, como o coco, a banana, o café, a pimenta malagueta e o azeite-de-dendê. Receitas também foram "importadas". A pamonha de milho origina-se de um prato africano chamado acaçá. O acarajé mistura feijão fradinho, azeite-de-dendê, sal, cebola, camarões e pimenta também vem d"além-mar.

 

A nova gastronomia brasileira acabou influenciando a africana e muitos pratos afro-brasileiros são apreciados até hoje no continente africano. Ingredientes e formas de preparo fizeram o caminho de volta atravessando o Atlântico com os negros que retornaram a seu país de origem.

 

No Nordeste Colonial, o açúcar, sinal de opulência, não era item básico apenas das famílias donas de engenho, mas também na de escravos, forros e brancos pobres. A rapadura, a cachaça, a garapa e o pé-de-moleque difundiram-se nesse período como artifícios culináios de negros e pobres para "matar" ou "enganar" a fome, complementando as refeições, via de regra sem carne, arroz ou feijão.

 

O engenho foi o espaço onde se fundiram o mel, o açúcar, as frutas tropicais e outros ingredientes locais, como a macaxeira, o cará, o inhame e a fruta-pão, criando doces muito apreciados até hoje.

 

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Dionê Leony Machado

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