Como ser generoso quando você depende da generosidade de
outros?
Nosso chamado à generosidade vem antes do nosso chamado a
receber
Por Jason Garder, Via Brasil
Minha família levanta sustento pessoal e ministerial há mais
de vinte anos. Como a maioria dos missionários, vivemos períodos de abundância
e períodos de incertezas.
Ao longo de todos esses altos e baixos, uma coisa permanece
constante: nosso compromisso com a generosidade. É uma dádiva poder participar,
ainda que de forma pequena, daquilo que Deus está fazendo por meio de vários
ministérios. Na verdade, uma das principais motivações da minha esposa para
levantar mais sustento não é conforto ou segurança, mas o desejo de ser ainda
mais generosa.
Viver de sustento traz uma tensão que todo obreiro cristão
acaba enfrentando e um questionamento substancial: Como podemos ser generosos
quando dependemos da generosidade de outros?
Nosso chamado à generosidade vem antes do nosso chamado a
receber
Muito antes de qualquer um de nós ser chamado para o ministério
ou se tornar beneficiário da generosidade de outros, fomos chamados a seguir
Jesus. Antes de sermos recebedores, fomos chamados a ser doadores. Como
seguidores de Cristo, somos instruídos a contribuir para o reino de Deus e a
abençoar outras pessoas.
Gênesis 12.1-3 expressa isso de forma belíssima. Desde o
início, as Escrituras apresentam a generosidade como uma resposta à graça de
Deus. Deus abençoa o seu povo para que, por meio dele, possa alcançar outros e
isso se deu muito antes de surgirem perguntas sobre renda, salário ou sustento.
Quanto mais compreendemos a missão de Deus e as necessidades
do reino, mais profundo deve ser o nosso compromisso com a generosidade.
Generosidade não é definida pela renda ou pela fonte
O Antigo Testamento nos oferece uma imagem esclarecedora por
meio dos levitas, a tribo sacerdotal de Israel. Por terem sido separados para o
ministério e não receberem herança de terra, Deus proveu para eles por meio dos
dízimos das outras onze tribos de Israel (Nm 18.21). A generosidade de outros
lhes permitia dedicar-se plenamente ao serviço que Deus lhes havia confiado.
Ainda assim, o fato de serem recebedores não os isentava da
generosidade. Em Números 18.26, os levitas são instruídos a entregar o dízimo
daquilo que eles próprios recebiam, o chamado “dízimo do dízimo”. Mesmo vivendo
das ofertas de outros, continuavam sendo chamados a dar. O princípio é
enfático: receber sustento e viver com generosidade não são opostos. A fonte da
nossa renda não muda o chamado de Deus.
Quão generoso você é?
Tudo isso nos leva a uma pergunta simples, porém importante:
“Quão generoso você é?”. Vale a pena parar e examinar com honestidade a nossa
própria vida.
Como missionários, desejamos ver outras pessoas crescerem em
generosidade. Mas é justo fazermos uma pergunta mais difícil: “Nós mesmos
estamos dispostos a praticar a generosidade?”.
No livro A Presença de Deus em Seu Levantamento de Sustento
(Via Brasil), Scott Morton propõe um exercício útil de autoavaliação. Ele nos
encoraja a “reservar um momento para calcular com precisão quanto você
contribuiu para a obra do Senhor no último ano. Depois, calcule isso como uma
porcentagem da sua renda. Compare com anos anteriores. Sua generosidade está
acompanhando a sua renda?”.
Se a ideia de aumentar o valor de suas contribuições
desperta medo ou ansiedade, volte às Escrituras. Releia o que Deus diz sobre
provisão, chamado e valor. Muitas vezes, nossa dificuldade não é falta de
recursos, mas a falta de confiança. Será que confiamos que Deus proverá ou que
somos dignos de receber aquilo que Ele provê por meio de outros? O livro O
Pedido de Deus, de Steve Shadrach (Via Brasil), oferece estudos bíblicos e
reflexões que ajudam a fortalecer nossa confiança e a renovar uma vida marcada
pela generosidade.
Vale a pena considerar para que Deus pode estar despertando
em seu coração: será que existem pessoas, lugares ou necessidades que você
gostaria de ver impactados pelo Evangelho? Podemos participar da obra de Deus
para além dos limites do nosso próprio ministério.
Por fim, uma das maiores motivações para a generosidade é a
alegria. As Escrituras nos lembram que Deus ama quem dá com alegria, não quem
dá movido por culpa ou medo. Há uma alegria profunda em contribuir, em
participar daquilo que Deus está fazendo por meio do trabalho de outros, e em
saber que nossa generosidade faz parte de uma história muito maior do que a
nossa. Que sejamos um povo que dá por gratidão, confiança e alegria no Deus que
tão generosamente nos abençoa.
Texto escrito com a colaboração de Natália de Morais,
nataliathaysdemorais@gmail.com.
Jason Gardner, norte-americano, é mobilizador há 25 anos,
servindo tanto no Brasil quanto no Sudeste Asiático. Atualmente, ele é diretor
nacional da Via Brasil, uma organização multinacional de mobilização
missionária presente em mais de 35 países. A missão da Via: Alcançar as nações
através das nações.