terça-feira, 10 de março de 2026

POESIA

 

O Teu Aniversário

Pediste-me sorrindo, ó minha flor gentil,

Uns versos às tuas vinte alvoradas de Abril. //Fevereiro

Vinte anos já!... Não creio, estás equivocada...

Enganas-te. Eu irei perguntar à alvorada

Quantas vezes pousou em êxtase, ao de leve,

A sua boca de rosa em tua fronte de neve.

Vinte anos! Podes crer pomba que eu idolatro,

Que se o corpo fez vinte, a alma, não: fez quatro. //53

A tua alma nasceu inefável, divina,

Para ser sempre grande e sempre pequenina.

É como a estrela d'alva; enche o seu esplendor

O Mundo, e ela não enche o cálix duma flor!...

 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

 

 

 

 

 

 

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