quarta-feira, 30 de setembro de 2026
NOTÍCIAS...02
N2
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NOTÍCIAS...01
N1
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ESCRAVIDÃO...7a.Parte
Racismo
no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista, diz
Djamila Ribeiro
'Se
estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem
resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo', diz Djamila
Ribeiro.
A
filósofa e escritora Djamila Ribeiro define assim o comportamento do brasileiro
em relação ao racismo: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é
racista.
Nesta
entrevista à BBC News Brasil, a autora do Pequeno Manual Antirracista diz o que
deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na
educação antirracista de seus filhos.
"Não
basta só reconhecer o privilégio, precisa ter ação antirracista de fato. Ir a
manifestações é uma delas, apoiar projetos importantes que visem à melhoria de
vida das populações negras é importante, ler intelectuais negros, colocar na
bibliografia. Quem a gente convida pra entrevistar? Quem são as pessoas que a
gente visibiliza?"
Djamila
Ribeiro e Tábata Amaral estão em lista da BBC de 100 mulheres influentes no
mundo
O que
aconteceu antes da prisão de George Floyd e como foram seus últimos 30 minutos
de vida
Ribeiro
é mestre em filosofia política pela Unifesp e uma das vozes mais influentes do
movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil. Ela está na lista da
BBC de 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo.
Sobre o
assassinato de George Floyd nos Estados Unidos e os protestos contra violência
policial, Djamila destaca que é importante se indignar, mas aponta que no
"racismo à brasileira" temos "tendência de olhar pra fora e não
enxergar o que acontece no Brasil".
Ribeiro
diz que os protestos são importantes, mas lembra que não são a única forma de
resistência. "Se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o
povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse
povo."
Morte
de Miguel 'mostra como ideia de supremacia branca funciona no Brasil', diz
historiadora
Djamila
Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem
sido debatido historicamente pelos movimentos negros, mas nos EUA, o que tem
acontecido nos últimos tempos — as manifestações, as reações em relação ao
assassinato do George Floyd — pelo que acompanhei, só teve uma manifestação dessa
magnitude na época do movimento dos direitos civis, mas isso não quer dizer que
as pessoas não estivessem se manifestando.
No
Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as
pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse
uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos
reduzir resistência somente a manifestações.
Claro
que as manifestações são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que
está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações
e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem
enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. Esse é um dos pontos
mais críticos pra mim, de ver pessoas se manifestando nas redes sociais, muito
indignadas, sendo que Brasil é um dos países que mais mata, tem uma das
polícias mais violentas.
Claro
que o que acontece lá tem que gerar nossa indignação, mas eu fico refletindo
sobre o racismo à brasileira, que a gente tem muito mais uma tendência de olhar
pra fora e não olhar pra nossa própria realidade, a não enxergar o que acontece
no Brasil.
Sinto
um cinismo por parte de muitas pessoas que quando a gente convoca atos no
brasil essas pessoas não vão ou naturalizaram esses assassinatos e depois elas
ficam muito chocadas ou muito surpresas com o que acontece nos EUA sem enxergar
nossa realidade aqui.
Estados
Unidos: assassinato de George Floyd despertou grande onda de protestos.
É
importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar aqui no Brasil esses
assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é
assassinado no Brasil. E o quanto a gente precisa pensar esses desafios aqui
dentro do nosso país, sobretudo num momento de muita repressão aos movimentos
sociais, num momento de corte de políticas públicas para populações negras.
Acho
extremamente importante o que acontece nos Estados Unidos, mas chamo atenção
para que as pessoas tenham mais consciência sobre o que se passa aqui no
Brasil, na nossa realidade, que as pessoas negras historicamente vêm
denunciando mas que infelizmente as pessoas parece que não enxergam quão grave
é esse problema ético que temos no país, de assassinato de pessoas negras.
BBC
News Brasil - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer
resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?
Ribeiro
- Historicamente, desde o período da escravidão, os próprios quilombos, que
foram organizações políticas de resistência e enfrentamento à escravidão, o
Quilombo dos Palmares teve mais de cem anos de existência incomodando a Coroa
Portuguesa. As próprias revoltas, como Balaiada e dos Malês, diversas revoltas
indígenas.
No
Brasil, a gente às vezes é privado da nossa própria história de resistência. O
que nos contam é que os negros foram escravizados e ponto, não falam que
existiram resistências. É muito importante saber que os quilombos foram
organizações políticas de resistência e até hoje temos comunidades descendentes
de quilombos, os quilombolas, ainda lutando para ter direito à titulação das
suas terras.
A gente
tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por
ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil - a primeira universidade a
adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei
federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos
movimentos negros.
A
própria questão de hoje ter aumentando o número de pessoas que se declaram
negras no Brasil é luta dos movimentos negros. A gente vive num país que foi
fundado sob esse mito da democracia racial, de que aqui não existiria racismo e
quanto isso dificultou a construção de uma identidade negra, o fato de a gente
não ter acesso aos nossos ancestrais, no sentido de que documentos referentes à
escravidão foram destruídos, então eu não sei, por exemplo, se meus ancestrais
vieram da Nigéria ou de Guiné Bissau. Isso gera um abismo, uma lacuna na
construção da nossa identidade. O descendente de italiano sabe de onde o
tataravô veio, a cidade na Itália. A gente não sabe.
Essas
construções todas — e não foram a toa, são deliberadas —, essa ideia de que no
Brasil somos todos mestiços, de que não tem como saber quem é negro, mas na
hora de discriminar todo mundo sabe quem é, dificultou uma construção de
identidade negra e os movimentos negros vêm denunciando isso, e isso também é
forma de resistência.
E
vieram conscientizando a população negra a respeito da nossa ancestralidade. As
próprias religiões de matriz africana no Brasil, historicamente criminalizadas.
Houve época em que as pessoas negras não podiam cultuar seus orixás — e aí vem
o sincretismo, que muitas pessoas veem como negativo, mas pelo sincretismo
conseguiram continuar cultuando seus orixás.
Se hoje
ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz
africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente
visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se
a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos,
lutando pelo direito à terra, quantos líderes indígenas, em regiões do Brasil
que muitas vezes a gente não noticia porque não é Sudeste, não é Sul.
Então,
existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas
organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda
hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com
tantas ações que visam o extermínio desse povo.
BBC
News Brasil - No mesmo momento em que a violência policial ganha destaque no
debate público, vimos viralizar um vídeo de um homem branco, morador de
condomínio de luxo de São Paulo e suspeito de violência doméstica, dizer que
ganha 300 mil reais, xingar o policial de 'lixo', dizer que ele poderia ser
macho na periferia e que 'Aqui é Alphaville, mano'. O que esse episódio diz
sobre a política de segurança pública do nosso país? E quem são os policiais no
Brasil?
Ribeiro
- Muitas pessoas ficaram chocadas com esse vídeo, mas pra nós, pessoas negras,
é o retrato do privilégio branco no Brasil. Ele sabia muito bem que nada ia
acontecer com ele. Ele sabe muito bem como a polícia age nas periferias, mas
ele sabia que ali a polícia não ia fazer nada, tanto que ele fala para o
policial 'vem aqui se você é macho' e o policial não vai. Então, ele sabe que o
lugar social dele, pessoas como ele, não vão sofrer esse tipo de violência, ele
reconhece o privilégio dele. Aquele vídeo é a síntese do privilégio branco no
Brasil.
Nós,
como pessoas negras, jamais falaríamos assim com a polícia. Eu tenho dois
irmãos e desde muito cedo meus pais falavam pros meus irmãos: 'saiam sempre com
seus documentos, se a polícia parar, abaixa a cabeça e não responda'. Isso faz
parte da educação de crianças negras no Brasil: como lidar com a polícia se a
polícia te parar. Nossos pais e nossas mães têm medo da abordagem.
Meus
irmãos já foram parados várias vezes voltando do trabalho, por exemplo. Isso
faz parte da educação de pessoas negras. As pessoas brancas se surpreendem com
isso, mas a gente sabe que não pode sair sem documento de forma alguma e se a
polícia para, a gente tem que responder 'sim, senhor' e 'não, senhor'. E mesmo
fazendo isso a gente não sabe o que acontece.
É
importante dizer: se o Brasil é um dos países em que mais mata, também é o país
em que mais morrem policiais nesse confronto. Então, é o Estado financiando
esse confronto de pessoas pobres, de territórios periféricos, contra outras
pessoas de territórios periféricos. Esses policiais na maioria das vezes saíram
desses mesmos lugares periféricos, muitos deles são negros, e são esse braço
armado do Estado e o Estado financiando essa guerra às drogas que nada mais é
do que guerra à população negra.
É
necessário pensar uma outra forma de segurança pública no brasil, que não seja
de criminalização dos espaços periféricos, uma política de descriminalização
das drogas no Brasil, porque a gente sabe a quem serve essa criminalização —
serve ao encarceramento em massa de pessoas negras e ao extermínio de pessoas
negras, como se nos territórios ricos as pessoas não consumissem drogas.
Se a
gente for pra qualquer festa de universidade, a gente sabe que as pessoas
consomem, mas onde vão dizer que esse combate será feito? Então, é necessário
pensar, como muitos países têm discutido, em descriminalizar algumas drogas,
porque isso impacta diretamente nessa guerra dessas pessoas que vêm dos mesmos
espaços e territórios enquanto beneficia a estrutura branca, rica e patriarcal
no Brasil.
Djamila
Ribeiro
'Não tem
como discutir antirracismo se a gente apoia projetos que visam o sucateamento
de políticas públicas importantes para populações historicamente discriminadas'
BBC
News Brasil - No Pequeno Manual Antirracista, você aponta que 'é impossível não
ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e
contra o que devemos lutar sempre'. Você poderia explicar por que é tão
prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo
individual, com frases como 'eu não sou racista'?
Ribeiro
- Esse é comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas
ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de
S.Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o
racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que
não.
Tem no
Brasil uma discussão de achar que o racismo é só uma questão individual, só
quando alguém destrata uma pessoa negra ou a discrimina. E falta um
entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente
conhecer nossa história como povo brasileiro.
Muitos
brasileiros desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a
abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos
históricos que construíram essas desigualdades, a própria constituição do
Império de 1824, de que só os cidadãos livres podiam estudar — e quem eram os
cidadãos livres em 1824 —, a própria lei de terras de 1850, que a partir
daquele momento, pra ter terra, só comprando terra do Estado—- e quem podia
comprar terra em 1850 —, foram várias ações que criaram essas desigualdades.
As
pessoas têm dificuldade de entender que durante três séculos, quase quatro
séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as
riquezas desse país sem ter acesso a essas riquezas. E a partir daí essas
desigualdades foram sendo construídas, então se pessoas negras hoje não ocupam
espaços de poder, eles partem de um lugar social que suas oportunidades são restringidas
por causa do racismo.
Então,
às vezes é esse entendimento que falta às pessoas — e de não discutir o lugar
social da branquitude também. De chegar em um espaço em um país de maioria
negra e só ter pessoas brancas nesse espaço e isso ser naturalizado e não ser
questionado. Se pessoas brancas estão ocupando esses espaços, será que é por
que elas são mais inteligentes e geniais ou por que tiveram condições concretas
para estar naqueles espaços?
O
grande problema do brasileiro é naturalizar o lugar do privilégio como se ele
tivesse sido providencialmente fixado e não construído à base da opressão de
outros grupos, então isso faz com que as pessoas achem que basta o indivíduo
querer — 'é só ele se esforçar' — negando toda essa estrutura que impossibilita
condições concretas para que as populações negras tenham mobilidade social,
consiga acessar lugar de dignidade e cidadania no Brasil.
O
primeiro passo é desnaturalizar esse olhar e conhecer a nossa história enquanto
povo brasileiro. Para discutir diversidade, a gente precisa discutir
desigualdade. Quando a gente conhece a origem social das desigualdades, a gente
vai entender as reivindicações históricas dos movimentos negros e as pessoas
brancas vão entender a importância de discutir a partir do seu lugar social e
como ele foi construído historicamente.
Manifestantes
protestam contra declarações que minimizam o racismo no Brasil proferidas pelo
presidente da Fundação Palmares em 28 de novembro de 2019.
BBC
News Brasil - Você mostra que ser antirracista passa por uma série de ações,
que vão desde se informar sobre negritude e reconhecer os privilégios das
pessoas brancas… Você pode dar alguns exemplos de atitudes antirracistas que as
pessoas podem tomar no dia a dia? No momento atual, o que é mais urgente?
Ribeiro
- No livro Pequeno Manual Antirracista, eu trago dez capítulos — na educação,
no trabalho, no afeto. Na educação, se a gente é educador, tem que questionar a
nossa bibliografia. Será que na nossa bibliografia tem autores e autoras negros
e negras? Se nós elaboramos o mundo, por que nossas elaborações de mundo não
estão presentes nessas bibliografias?
Se for
empregador, está empregando pessoas negras, criando de fato programas com metas
de diversidade para que pessoas negras tenham acesso? Se você coloca em uma
vaga que tem que ter inglês fluente, você já está delimitando ali que tipo de
pessoas vão se candidatar. Se você só coloca anúncios em universidades ditas de
ponta, você também já está escolhendo que pessoas você quer que trabalhem ali.
É
preciso ter uma consciência, de fato, de como combater isso. O primeiro passo é
se informar. No livro, eu quis trazer essas ações propositivas — ler autores
negros, refletir sobre projetos de governo que você apoia — geralmente as
pessoas não leem programas de governo, elas vão no calor da emoção, no calor do
que está sendo dito no momento e não tem como discutir antirracismo se a gente
apoia projetos que visam o sucateamento de políticas públicas importantes para
populações historicamente discriminadas, se são governos autoritários, o que
significa que movimentos sociais vão sofrer muito mais repressão naquele
momento… Então, para além das ações do dia a dia que podemos tomar, precisamos
pensar no macro os projetos que estamos apoiando.
BBC
News Brasil - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a
refletir sobre sua condição racial e dizque aos seis anos entendeu que ser
negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não
precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação
de crianças (e depois adultos) antirracistas?
Ribeiro
- É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram da mesma escola que eu vim,
que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto e que a princesa
Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a
lei de diretrizes e bases da educação, incluindo a obrigação do estudo da
história africana e afro-brasileira nas escolas, uma lei muito importante, que
ainda sofremos com os desafios da implementação dela. Em alguns lugares foi
implementada, mas a depender da vontade política de quem está no poder acaba
não sendo.
Essa
lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem
que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e
construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o
filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que
seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo
brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos
referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer
de fato pessoas negras, que as crianças convivam com espaço diverso.
Muitas
vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e
as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras
referências para o convívio. Os pais precisam se conscientizar da educação que
estão oferecendo aos seus filhos, quais são as possibilidades, porque a partir
delas as crianças vão criar suas visões de mundo - que podem ser limitadas e
empobrecidas, que só contempla um grupo social, ou pode ser uma visão muito
mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as
humanidades dos diferentes grupos.
E
também entender que não basta só a educação dentro de casa. Essa criança vai
para a escola, ela encontra os amigos. É um desafio. Eu tenho uma filha de 15
anos, uma menina negra, que desde cedo foi apresentado a ela as referências de
pessoas negras, imagens positivas de pessoas negras, e ela foi para a escola e
sofreu racismo. As instituições são racistas. Então eu entendi que não bastava
só eu fazer ali e não estar atenta aos espaços que minha filha frequentava. É
importantíssimo eu estar atenta a isso para que eu vá nesses espaços também,
cobrar que fossem espaços que de fato a respeitassem. Fora isso, tem televisão,
a mídia, internet. É necessário ter essa atenção a esses outros espaços que as
crianças têm acesso.
BBC
News Brasil - Ponto crucial desse debate é que negros, que são mais da metade
da população brasileira, ocupem posições de poder e visibilidade. Nesta semana,
ouvimos o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chamar o movimento
negro de 'escória maldita'. Como você viu esse comentário? O que ele
representa?
Ribeiro
- Eu tenho até evitado falar sobre esse senhor porque para mim a questão é o
governo que ele representa. Independente de ele estar lá, esse governo tem
muito claro quais são suas políticas em relação à população negra e aí usa de
bode expiatório um homem negro para dizer que não é racista, pra se esquivar
dessa responsabilidade e dizer 'olha, é um de vocês que está dizendo isso, não
sou eu'.
Então,
essa é uma artimanha muito utilizada por pessoas conservadoras para se esquivar
da responsabilidade de ter um governo extremamente violento para com a
população negra. Ali ele não está como um indivíduo, mas como representante de
um governo. Claro que vamos combater o discurso dele politicamente, porque é um
discurso extremamente violento e vejo até como criminoso, sem dúvida. Mas não
podemos tirar o foco do governo que ele representa.
E é
interessante que não temos a mesma fúria com a Damares, que é uma mulher,
ministra das mulheres, e fala coisas absurdas em relação às mulheres. Mas em
relação às pessoas negras a gente pesa mais a mão, como se automaticamente, por
ser negra, ela deveria ser militante. E pessoas negras são diversas, como todas
as outras.
Algumas
têm perspectivas emancipatórias e outras infelizmente vão legitimar discursos
do status quo. Assim como você tem pessoas brancas da esquerda, da direita, da
extrema direita. Mas quando uma pessoa branca é conservadora, ou como a
Damares, por exemplo, que vai contra as reivindicações do movimento feminista,
não se tem tanta cobrança em relação a isso, mas com as pessoas negras se tem.
É
importante entender que nós, enquanto pessoas negras conscientes das questões
raciais do Brasil não têm que dar respostas em relação ao que esse senhor fala.
A sociedade tem que cobrar do governo que autoriza esse tipo de discurso, esse
tipo de cidadão ocupando esse espaço.
Tenho
muito receio de que isso se torne uma briga de negros contra negros, que é isso
que esse governo que aconteça, e a gente deixe de ver o que está por trás desse
bode expiatório que é colocado ali pra falar esse tipo de absurdo que na
verdade é o que o governo Bolsonaro representa. Então, a gente tem sim que
combater a fala desse senhor, mas não podemos esquecer que nosso alvo é o
governo Bolsonaro utilizando homem negro de uma maneira a atingir pessoas
negras conscientes no Brasil.
PESQUISA
GOOGLE:
Dionê
Leony Machado
terça-feira, 29 de setembro de 2026
NOTÍCIAS...04
https://youtu.be/wWFF815H9T8?is=YQbde4O7DWG57PdD
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NOTÍCIAS...03
N3
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NOTÍCIAS...02
N2
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NOTÍCIAS...01
N1
Fonte: YouTube
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ESCRAVIDÃO...6a.Parte
Mães, babás, amas de leite: escravidão e maternidade
artigos, História do Brasil
A historiadora Tania Quintaneiro informa que uma vez o
rebento chegado, a maternidade não parecia interessar muito às classes
dominantes brasileiras. O principal papel das senhoras se reduzia a parir um
grande número de filhos e, em seguida, entregá-los para que uma ama de bom
leite os amamentasse e criasse e, “assim que as crianças se tornam incomodas ao
conforto da senhora, são despachadas para a escola” contaram Kidder e Fletcher.
Fragilidade psicológica das mães muito jovens? Saúde precária da mãe, depressão
pós-parto, desnutrição? Faltam respostas.
As amas negras,
ao contrário, eram tidas como notáveis no cuidado dos pequenos além de
possuidoras de físico robusto e rico leite. Elas levavam nos braços e
amamentavam seus pequenos, e mesmo os filhos dos senhores eram “por vezes carregados
dessa maneira, e é extraordinário ver como se encarinham rapidamente das pretas
que parecem ter uma verdadeira aptidão para cuidar das crianças”, registrou
James Wetherell, morador de Salvador entre 1842 a 1857. Ele não parecia
perceber a competição que havia entre bebes negros e brancos, pelo acesso aos
alimentos. Reduzidas, muitas vezes, a anúncios de compra e venda nos jornais,
as amas eram uma substituta afetuosa, ainda que inferiorizada, responsabilizada
pela educação de crianças brancas, dos seus filhos e dos bastardos de seu
senhor. As sessões de anúncios nos grandes periódicos da capital do Império,
como o Jornal do Comércio, em 14 de abril de 1835, exibiam propostas:
“Compra-se uma boa
ama de leite parda, do primeiro ou segundo parto, mucama recolhida, que saiba
coser e engomar perfeitamente, sem vícios, nem manchas nem moléstias. ”
Em famílias de
poucas posses não era incomum que as mulheres livres se oferecessem para
amamentar ou “vender” seu leite. Era uma forma de aumentar a renda, como se vê
no anúncio do mesmo Jornal do Commércio de 04 de setembro de 1864: “Uma família
moradora num arrabalde desta cidade, tendo uma parda com muito e bom leite,
toma uma criança para criar”. Ou, nesse de 1º. de março de 1857: “Uma senhora
branca, parida há vinte e tantos dias, com muito e bom leite, recebe uma
criança para criar, na Rua da Carioca 103”. Mulheres pobres, forras ou brancas
presas às suas obrigações domésticas, se ofereciam para amamentar ou criar
crianças em domicílio.
Na metade do século
XIX, a opinião dos viajantes estrangeiros sobre tal prática era divergente.
Houve quem, como o escritor francês Charles Expilly, destacasse o fato de que
tais cativas recebiam roupas novas, alimentação suplementar e mesmo ostentavam
“luxo insolente”, pois exprimiam a “prosperidade da casa”. Ou o viajante W.
Heine que sublinhava que tais amas sofriam em amamentar seus filhos e os filhos
de outrem. Dramas não faltaram. Amas sob cujos cuidados perdiam-se crianças,
eram acusadas, julgadas e muitas vezes presas e condenadas.
Ver mais O
"jeitinho" brasileiro
Por vezes, os
menores tinham cada qual a sua babá, enquanto os mais crescidos contavam com
amas secas, mas, também, com a companhia de “crias”, ou seja, crianças, filhos
de escravos da casa e outros criados domésticos – diz Quintaneiro. Mini
acompanhantes também podiam ser alugados como se vê num anúncio do mesmo Jornal
do Commércio, em 21 de janeiro de 1835: “precisa-se de uma negrinha para andar
com uma criança, que esta seja carinhosa, e não exceda o seu aluguel de 6$rs.
Mensais”.
No final do
século, a situação mudou. Médicos condenavam a presença da escrava no ambiente
do lar, fustigando a vaidade e a futilidade das mães que não queriam estragar
os seios, aleitando. Em 1867, surgiu na Europa a primeira fórmula
industrializada de amamentação de recém-nascidos. A novidade logo bateu aqui.
Discutia-se também o emprego de leite de jumenta ou de vaca, fervido ou não,
servido em “vasos” para nutrir o bebe. A ama de leite passou a ser indesejada e
signo de atraso aos olhos dos estudos “científicos”.
Os filhos
ilegítimos recebiam, no mais das vezes, o mesmo tratamento afetivo que os
legítimos. E não raras vezes, os filhos de uma ama-de-leite a quem se
alforriara, eram criticados por se comportar como filhos mimados, sentindo-se
ofendidos se não recebiam as mesmas atenções, como, por exemplo, passear de
carruagem com suas senhoras. Muitos viajantes os viram metidos na privacidade
dos cômodos internos, exigentes de carinho e atenção.
As crianças brasileiras eram consideradas
atrevidas por observadores europeus. Maria Graham relatou uma conversa com
certa senhora, num baile onde se agitavam crianças pequenas. Ao adverti-la de
que na Inglaterra tal comportamento seria considerado “maléfico para elas, sob
todos os pontos de vista”, a interlocutora perguntou: e o que faziam os
ingleses com as suas? Resposta britânica: estariam na cama, dormindo, ou com
suas amas e governantas. Contra resposta: os ingleses seriam felizes neste
ponto; mas, no Brasil não havia tais pessoas e as crianças ficavam entregues ao
cuidado e exemplo dos escravos. Depois era preciso separar-se dos próprios
filhos para educá-los longe dos cativos!
Texto de Mary del Priore. “Histórias da Gente Brasileira:
Império (vol.2)”, Editora LeYa, 2016.
Pesquisa Google:
Dionê Leony Machado
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
REFLEXÃO...01
ESCRAVOS:
https://youtube.com/shorts/1ViMgj-bRDI?is=ArFi5G6xa1VC_Lh0
GOVERNO:
VID-20260922-WA0064(1).mp4
PÁSSARO CATIVO:
O Pássaro Cativo https://share.google/DI4dCFhMnY0gcYqmY
NOTÍCIAS...03
N3
https://youtu.be/SLW6vT3-B6o?is=KzmVTIPO2jbY8106
https://www.instagram.com/reel/DdwbJVnx4zg/?l=1
https://www.instagram.com/p/Ddh5wGOOCjy/?stkn=ajlrZXI1bW4xMHo3
https://youtu.be/sVIb4sWZwE0?is=NtTtVaDivMuLW8QF
https://www.instagram.com/p/DdsFCtyorhl/?stkn=MXU1b2d1YmU3ODBlNg%3D%3D
https://www.instagram.com/reel/Ddu-ocCMmPm/?l=1
NOTÍCIAS...02
N2
https://youtu.be/v9byyM7OcLI?is=LJA_zFH-09Ore5yw
https://youtube.com/shorts/NPI3VGovEOk?is=yvc9-Hp9zF20OjPr
https://www.instagram.com/reel/Dbk4x3Oudul/?l=1
https://www.facebook.com/reel/1339400232585809/?referral_source=external_deeplink&original_uri=https://www.facebook.com/share/v/1HxqFRDdah/
https://youtu.be/5NwldblTNgw?is=-jIGc1e9rIHiB6rp
NOTÍCIAS...01
N1
https://youtu.be/XEQ-04zwsjg?is=3sbsk8ABxUOk65KZ
https://x.com/Valdir13604261/status/2103491737440178594
https://www.tiktok.com/@soudireita3/video/7689255209159216436?_r=1&_t=ZS-9A3OsJCVfts
https://youtube.com/shorts/SBWeYxTov5o?is=MVu1LFxXeEubxvRE
Fonte: YouTube
https://share.google/Jkl3iSxh4TlbkVs9d
https://www.instagram.com/reel/DdtbIkRsIdO/?l=1
https://www.instagram.com/reel/DdsBFRLCjXl/?l=1
ESCRAVIDÃO...5a.PARTE
Conselho Regional de Enfermagem da Bahia
Trabalhadoras negras sustentam a enfermagem brasileira
Contra toda imagem embranquecida construída, maioria de
enfermeiras, técnicas e auxiliares de enfermagem negras resiste contra a Covid.
No contexto da maior crise sanitária mundial diversa são os
problemas enfrentados pelos cidadãos brasileiros decorrentes do manejo
desastroso da pandemia no país, dos limites impostos, desigualmente, à vida da
população em isolamento social, e ainda as dificuldades enfrentadas pelas
equipes de saúde no desenvolvimento do seu trabalho.
No que se refere diretamente ao trabalho da enfermagem há
reconhecimento de que o nosso país alcançou o maior índice de contaminação e
mortalidade no âmbito mundial. Nesse poço turbulento de eventos quero
problematizar as iniquidades raciais no acesso e ocupação dos postos de
trabalho da enfermagem brasileira.
A Enfermagem constitui o maior contingente de profissionais
dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
É responsável por cerca de 60% das ações assistenciais
desenvolvidas. Segundo os dados da pesquisa realizada pelo Conselho Federal de
Enfermagem divulgado em 2017, que levantou dados sobre enfermeiras, técnicas e
auxiliares de enfermagem, do total de profissionais pesquisados, 53% são
Negras, 42% Brancas, 1,9% Amarelas e 0,6% Indígenas.
Quando confrontamos o quantitativo de profissionais e sua
distribuição por raça e escolaridade constata-se que 57,4% são trabalhadoras
negras no nível médio, sob o comando de 57,9% de Enfermeiras Brancas. Os dados
relativos à formação exacerbam ainda mais as desigualdades: 72% das auxiliares
e técnicas qualificaram-se em instituições privadas; 43,8% na modalidade curso
noturno e 28,5% concluíram cursos de graduação, certamente particulares. Esses
resultados reproduzem a realidade dos serviços de saúde no país há muito tempo.
Do ponto de vista histórico há reconhecimento que no Brasil
colonial coube às mulheres pretas e pardas as práticas de cuidados e curas.
Intensa foi a participação delas como parteiras, amas de leite, negras
domésticas, babás, mães pretas, isto é, mulheres que cuidavam de enfermos,
velhos e crianças, mesmo que para tanto devessem abandonar os seus próprios
filhos. Contudo, o processo de profissionalização iniciado por volta de 1860
lhes negou o espaço de atuação.
O ingresso na Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional
de Saúde Pública em 1923, posteriormente batizada de Escola de Enfermeiras D.
Anna Nery “passou a depender não só da posse do diploma do curso normal, como
de um pré-requisito não formalizado: ser de raça branca”. A enfermagem
brasileira institucionalizada nasceu sob o escudo do ‘branqueamento’. A imagem
da “enfermeira padrão” cristalizou a identidade profissional via elitização e
branqueamento, sinônimo de respeito social.
A ENFEMEIRA SOTEROPOLITANA JAQUELINE DOS SANTOS FOI UMA DAS
100 MIL MORTES PELA COVID-19. DEIXA SAUDADES NA FAMÍLIA E NOS COLEGAS DE
PROFISSÃO.
Para parcela significativa da produção científica da área
prevalece a compreensão de que esse perfil decorre da divisão social e técnica
do trabalho, organização que identificou a enfermagem moderna e consolidou-se
no parcelamento das ações assistenciais segundo a formação educacional,
atribuindo-se o cuidado direto às profissionais de nível médio e o
planejamento, gerenciamento, supervisão e ensino às universitárias. A população
negra permaneceu apartada da prestação de cuidados até meados de 1930, quando a
expansão dos serviços de saúde pelo governo de Getúlio Vargas absorveu
contingentes de trabalhadores, possibilitando a ascensão de grupos sociais
subalternizados.
Nas décadas de 1960 e 70, a proliferação de cursos
profissionalizantes, voltados para as ‘populações mais pobres’ consolidou essa
dinâmica de relações na área, naturalizando a ocupação de maioria negra nos
postos de nível médio. Numa outra perspectiva de análise compreendemos essa
‘desigualdade de oportunidades’ como materialização do “sistema de opressão
interligado”, expressa pelo racismo sistemático da sociedade brasileira’, tanto
na sua concepção estrutural, quanto na institucional de forma a reproduzir
padrões, normas, relações de poder que mantém privilégios de um grupo social,
invisibilizando outro(s), além de lhe(s) dificultar ou impedir a mobilidade
social. Essas são expressões das intersecções de gênero, raça e classe.
Diante disso, reconhecemos como injusta a invisibilidade das
mulheres negras na identidade profissional da área, assim como a coexistência
de salários aviltantes, condições precárias de trabalho, extensa e intensamente
negligenciadas, implicando no número absurdo de adoecimento e mortes, que não
foram sequer nomeadas nem homenageadas. Lamentavelmente esse é o cenário que a
enfermagem brasileira atua profissionalmente, ano em que a Organização Mundial
da Saúde em conjunto com o Conselho Internacional de Enfermeiros decreta 2020
como o ano da enfermeira e da parteira, a fim de destacar os impactos do
trabalho.
Estamos em construção de projetos sociais que de fato
reconheçam a contribuição dos grupos sociais que compõe a sociedade brasileira
e que respondam às necessidades dos sujeitos na sua condição de humanos.
Conclamamos a todos os envolvidos a se posicionarem sobre os caminhos possíveis
para atribuir à enfermagem brasileira o seu “real padrão”, tanto no aspecto
imagético quanto no efetivo quadro de profissionais, contemplado por todos os
grupos étnicos que construíram a verdadeira história sanitária do país e que
efetivamente suportam o sistema de saúde brasileiro.
Que sejam reverenciadas as histórias das Marias, Luizas,
Isabel, Regina, Conceição…
Texto de ALVA HELENA DE ALMEIDA, enfermeira. Mestre em Saúde
Pública, Doutora em Ciências. Ativista pelo SUS público, de qualidade e SEM
RACISMO. Integrante da Soweto Organização Negra.
Fonte: Carta Capital
PESQUISA GOOGLE:
Dionê Leony Machado
domingo, 27 de setembro de 2026
ESCRAVIDÃO...04a. Parte
Babás Negras 4ª.Parte
Presente em todos os momentos da história do país, a babá
negra é uma importante personagem para entender as relações de desigualdade que
perturbam e atrasam o desenvolvimento do país
O trabalho de babá (cuidadora) e servidora doméstica é,
ainda hoje, uma das formas mais recorrentes de inserção da mulher negra no
mercado de trabalho. Segundo o IPEA, essas funções são responsáveis pelo
emprego de aproximadamente 22% das mulheres de cor negra.
A quantidade significativa de negras nessa área não é
coincidência, mas, sim, resultado de um processo histórico de formação nacional
ligado ao escravismo e ao funcionamento desse sistema.
As babás eram conhecidas no período colonial como Amas de
Leite. Mulheres escravizadas eram levadas para amamentar os filhos brancos dos
donos de engenhos e fazendeiros. Muitas vezes, esse trabalho era comercializado
para outras fazendas, o que estafava os seios dessas mulheres e secava suas
glândulas, fazendo com que não sobrasse um único pingo de leite para os
próprios filhos.
Durante o período da escravidão, a maioria dessas mulheres
teve a ingrata missão de criar os filhos brancos da elite do país, muitas
vezes, perdendo seus próprios filhos, os quais eram vendidos, e ficavam sem ter
direito à própria mãe e a uma infância minimamente decente.
Com a abolição da escravidão, o mercado de trabalho
continuou atribuindo essa função às mulheres negras, só que, ao invés da
senzala, elas foram habitar as periferias das cidades e passaram a se locomover
até a casa do patrão através dos veículos precários e superlotados do
transporte público.
Mudaram os trapos cedidos pelos senhores de engenho pelo
uniforme branco, item com a função perversa de distinguir sua posição social
subalterna em lugares de prestígio que as elites brancas frequentam, como
clubes, haras e praias do Leblon. Nesses mais de 100 anos do fim legal da
escravidão, a mulher negra continuou criando filhos brancos sem pertencer à
família que a emprega, continuou, por falta de condições, deixando seus filhos
nas periferias das pequenas e grandes cidades para olhar e educar os meninos
brancos das áreas nobres da cidade.
Por toda essa trajetória, de grande sofrimento e
persistência, em condições muitas vezes humilhantes de trabalho, com o
agravante de abdicar de parte da educação e vida dos filhos para ver crianças
de outra cor e origem crescerem, tendo as oportunidades que seus rebentos nunca
terão, é que as babás negras fazem parte da construção social do nosso país, e
merecem toda nossa atenção e o singelo, mas saudoso adjetivo de guerreiras.
Salve todas as babás, salve todas as negras!
PESQUISA GOOGLE:
Dionê Leony Machado
NOTÍCIAS...04
N4
https://youtu.be/GZioVFsy0Vc?is=1p_dFewdu9MKzHgx
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https://www.instagram.com/reel/DYXQaNWxNop/?l=1
https://youtu.be/jpp3XZTs9bA?is=l1wiAcGZHKSekH-s
NOTÍCIAS...03
N3
https://www.youtube.com/live/GfE49Qpts6M?is=YGkcrP1D67zlQT2z
https://www.instagram.com/reel/Ddts6w9pAAt/?l=1
https://www.instagram.com/reel/DdjnuDDtyB8/?l=1
https://www.instagram.com/reel/DduBMQYBN0w/?l=1
https://m.youtube.com/watch?v=T7YmsrTu7Pk
NOTÍCIAS...02
N2
https://www.instagram.com/reel/DdtqIeetpKe/?l=1
https://www.instagram.com/reel/Ddrka2bDG1f/?l=1
https://youtu.be/xjSsYhwM6Fk?is=EsamtL9Gr2X8UG2r
https://youtu.be/xjJ7XSfSqEY?is=rfbOz1zeVrCQI5CR
https://www.instagram.com/reel/DdsB5IjgRYy/?l=1
NOTÍCIAS...01
N1
https://www.instagram.com/reel/DXRxRK1gMc0/?l=1
https://www.instagram.com/reel/DdthOp-RXI1/?l=1
https://www.instagram.com/reel/DdsHCwHTrTb/?l=1
https://youtu.be/glktxz5tIQ4?is=PSC4Or0wB3uT7l4V
https://noticias.uol.com.br/colunas/natalia-portinari/2026/09/25/grupo-de-jaques-wagner-na-bahia-recebia-r-3-milhoes-por-mes-diz-vorcaro.htm
sábado, 26 de setembro de 2026
DITADURA DA TOGA
DITADURA
DA TOGA:
Vai vendo povão *SAIU A ATUALIZAÇÃO DA LISTA DE ALEXANDRE DE
MORAES, UMA TORTURA E Perseguição COLETIVAS SEM PRECEDENTES EM NOSSA HISTÓRIA,
PARA DESPERTAR OS PASSIVOS E OS QUE AJUDARAM ESTA RAÇA TOMAR O PODER DE NOSSO
PAÍS!...*
*MORTO*
Clezão
*A MORRER*
Roberto Jefferson?
*INELEGÍVEL:*
- Jair Bolsonaro ( massacrado, amordaçado e preso)
*PRESOS:*
* General Braga Neto
* General Heleno
01) Anderson Torres - ex-ministro da justiça
02) Daniel Silveira - ex-deputado federal
03) Bismark - humorista, canal Hipócritas
04) Ivan Papo Reto - influencer
05) Sererê - cacique
06) Gabriel Monteiro - ex-vereador, RJ
07) Mauro Cid - auxiliar de Bolsonaro
08) Max Guilherme - auxiliar de Bolsonaro
09) Sérgio Cordeiro - aux. de Bolsonaro
10) João Carlos - aux. de Bolsonaro
11) Ailton Gonçalves - aux. de Bolsonaro
12) Luís Marcos - aux. de Bolsonaro
13) Allan Frutuozo - jornalista
14) Divesos patriotas - 1.800 - 08/01/23
*FORAGIDOS:*
15) Paulo Figueiredo - jornalista
16) Allan dos Santos - jornalista, site 3° Livre
17) Adriano Castro - Ex-BBB
18) Oswaldo Eustáquio - jornalista
19) Ludmila Lins Grilo - juíza
*CASSADOS:*
20) Pablo Marçal
21) Deltan Dallagnol
22) Eduardo Bolsonaro
*DESMONETIZADOS E MULTADOS:*
23) MONARK
24) WALTER SOUZA BRAGA NETTO
25) CARLOS BOLSONARO
26) EDUARDO BOLSONARO
27) FLAVIO BOLSONARO
28) NIKOLAS FERREIRA
29) KIM PAIM
30) CARLA ZAMBELLI (também exilada)
31) GUSTAVO GAYER
32) LEANDRO RUSCHEL
33) SILVIO NAVARRO PEREJON
34) HENRIQUE DAMASCENO
35) LUCAS FERRUGEM
36) FILIPE SCHOSSLER
37) BARBARA ZAMBALDI
38) LUIZ PHILIPPE DE O. E BRAGANCA
39) PAULO EDUARDO LIMA MARTINS
40) BERNARDO PIRES KUSTER
41) ELISA BROM DE FREITAS
42) BEATRIZ KICIS DE SORDI
43) ERNANI FERNANDES B. NETO
44) THAIS RAPOSO DO AMARAL PINTO
45) ANDERSON AZEVEDO ROSSI
46) OTAVIO OSCAR FAKHOURY
47) RICARDO DE AQUINO SALLES
48) ANDRE PORCIUNCULA A. ESTEVES
49) ALEXANDRE RAMAGEM R. (também exilado)
50) PAULA MARISA C. DE OLIVEIRA
51) SARITA GONCALVES COELHO
52) DIEGO HENRIQUE GUEDES
53) MARCELO DE C. FRAGALI
54) JOSE PINHEIRO TOLENTINO
55) ROBERTO BEZERRA MOTTA
56) MARIO LUIS FRIAS
57) ROGER ROCHA MOREIRA
58) MICARLA ROCHA MELO
59) SILVIO GRIMALDO DE C.
60) FLAVIA FERRONATO
61) JAIRO MENDES LEAL
62) CAROLINE ROD. DE TONI
63) AUGUSTO PIRES PACHECO
64) PAULO VITOR SOUZA
65) BISMARK FABIO FUGAZZA
66) RODRIGO CONSTANTINO
67) ALEXANDRE DOS SANTOS
68) MAX GUILHERME M. DE MOURA
69) BRUNO CASTRO ENGLER
70) FLORENCIO DE ALMEIDA
71) FILIPE TOMAZELLI SABARA
*DESMONETIZADOS NO INSTAGRAM E FACEBOOK:*
72) @Doprimido2
73) @MonicaMachado38
74) @PadraoAlexandre
75) @Damadeferroofic
76) @TexugoWick
77) @PATRIOTAS
78) @viniciuscfp
79) @viniciuscfpires
80) @AXELJORGE92
81) @eumesmavivi_
82) @ruirapina3
83) @rafaelbboa
84) @apropria_bia
85) @oiiuiz
86) @emb_resistencia
87) @thaispsic
88) @clauwild1
89) @dimacgarcia
90) @Fa1ryNight,
91) @Conservadora191
92) @FlviaLeo16
93) @mendesluizpaulo
94) @freu_rodrigues
95) @ViLiMiGu_Tex
96) @iaragb
97) @glovesnews
98) @alepavanellim
99) @BrazilFight
*》POVO DE ESQUERDA《*
*SOLTOS:*
01) André do Rap
02) José Dirceu
03) Sergio Cabral
04) Lula
05) Flordelis
06) Chico Rodrigues
07) Renato Duque
08) Delúbio Soares
09) João Santana
10) Paulo Roberto Costa
11) André Vargas
12) Léo Pinheiro
13) Pedro Corrêa
14) Geddel
15) Jacob Barata Filho
16) Chaaya Moghrabi
17) Anthony Garotinho
18) Daurio Speranzini JR
19) Flávio Godinho
20) Eike Batista
21) Lélis Teixeira
22) Octacilio de Monteiro
23) Claudio de Freitas
24) Marcelo Traça
25) Eneas Bueno
26) Dayse Neves
27) Rogério Onofre
28) David Augusto
29) Miguel Iskin
30) Gustavo Estellita
31) Marco Antônio de Luca
32) Sérgio Côrtes
33) Orlando Diniz
34) Milton Lyra
35) Ricardo Rodrigues
36) Marcelo Sereno
37) Carlos Pereira
38) Adeilson Telles
39) Marcelo Martins
40) Arthur Pinheiro Machado
41) Marcos Lips
42) Carlos Martins
43) Sandro Lahmann
44) Cesar Monteiro
45) Sergio da Silva
46) Hudson Braga
47) Paulo Sergio Vaz
48) Athos Albernaz
49) Rony Hamoui
50) Oswaldo Prado Sanches
51) Antonio Albernaz
52) Roberta Prata
53) Marcelo Rzezinski
54) Daurio Júnior
*ENGAVETADOS:*
55) Renan Calheiros
56) Aécio Neves
57) José Serra
58) Michel Temer
59) Alckmin
60) Guido Mantega
61) Rodrigo Maia
62) Gleisi Hoffmann
63) Eunício
64) Padilha
64) Moreira Franco
65) Jaques Wagner
*_*VAMOS DIVULGAR PRA TODOS NOSSOS CONTATOS, PARENTES E
AMIGOS*_*
*(Se cada um enviar para 10 pessoas milhares de pessoas
tomarão conhecimento desta lista)*
Se você acha que numa Democracia isso é normal, não sabe o
que significa liberdade, tem uma mente escrava e vê justificativas em uma
Ditadura!
NOTÍCIAS..04
N4
https://youtube.com/shorts/CPb8orAvJB4?is=sTiJrmmPUrH5VWlC
https://youtube.com/shorts/mtO_ctgkFww?is=Xlf8CWt9yJrXmei1
https://www.instagram.com/reel/DaoJfc7S0PA/?l=1
N4
VID-20260925-WA0011(1).mp4
NOTÍCIAS...03
N3
https://youtube.com/shorts/iXqERslEObs?is=kCo2QbKFKS9YWIQ4
https://youtube.com/shorts/s79Mo2VD9q4?is=BrxuItHy8PxPGy1z
https://youtube.com/shorts/cEmFBafqdgM?is=Wc38E-DKab2nmBKv
https://youtube.com/shorts/g9M5yW76ric?is=eafYz9z7T2Tsombc
https://www.tupi.fm/entretenimento/cora-coralina-sobre-recomeco-feliz-aquele-que-transfere-o-que-sabe-e-aprende-o-que-ensina-a-licao-de-uma-escritora-que-publicou-o-primeiro-livro-aos-76-anos/
NOTÍCIAS...01
N1
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https://youtu.be/W0Y4eJxLYWs?is=7zjT5-oQba8BvSFN
https://youtu.be/c3NHxTtDKdE?is=3xoDPT1t6rrB_F1S
https://youtube.com/shorts/tuT1RSAxRuM?is=d_LaYRUsYdXfOydQ
https://www.instagram.com/reel/DdmbbJLPzGE/?l=1
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O preço da ditadura A VERDADE APARECENDO NA VENEZUELA COMUNISTA DE CHAVES ( Leia e veja como o COMUNISMO AGE ). O Retorno do "Mor...
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Os Globalistas estão fazendo a farra em um país com mais de 90% dos políticos, corruptos e elegeram o Alexandre STF, como chefe ...












