sábado, 7 de março de 2026

REFLEXÃO...01

 

O problema não é fazer bem, é fazer para ser maior...

Por Ronaldo Lidório

 

A nossa sociedade nos lança à competição em todas as áreas da vida. Somos empurrados a querer sempre ser o primeiro, ou ser o melhor. O segundo lugar raramente é valorizado, muito menos o último. Há, sim, competições saudáveis, como vemos em muitos esportes, quando os adversários buscam a melhor performance com disciplina e respeito. Ou mesmo no comércio, quando se busca a excelência acima da média e dos demais. Mas a Palavra nos alerta contra as competições pessoais, aquela busca nociva por se sentir melhor e maior do que quem está ao nosso lado. A raiz desta busca é o orgulho, a velha idolatria do eu, que precisa vencer alguém para acreditar que tem valor.

 

Jesus percebeu isso no coração dos discípulos. O texto diz: “Então, eles se calaram, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles era o maior. E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Mc 9:34-35). O Senhor inverte a lógica do mundo. No reino de Deus, grandeza não é subir acima dos outros, mas descer para servir. Não é ocupar o centro, mas pegar a toalha para lavar os pés dos demais. Não é buscar a superioridade, mas a humildade.

 

Paulo alinha o mesmo ensino: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3). Note que ele não proíbe a excelência, mas sim a vanglória. O problema não é fazer bem, é fazer para ser maior. O problema não é crescer, é crescer pisando no outro. O problema não é liderar, mas liderar para ser visto.

Portanto, três aplicações práticas para o cristão em relação àquele que está ao seu lado. Primeiro, celebre o bem do outro. Quando alguém avançar, frutificar ou receber honra, alegre-se e dê graças a Deus. Quem ama não se sente ameaçado com a vitória alheia.

Segundo, sirva de modo concreto. A melhor cura para a vaidade é a prática humilde do serviço. Ajude sem alarde, encoraje sem disputa e carregue as cargas dos outros sem exigir aplauso. O servo não compete, ele cuida.

 

Terceiro, ajuste o seu alvo. A sua referência não deve ser o desempenho do outro, mas a sua fidelidade diante de Deus.

 

O Senhor não lhe pedirá contas do chamado do seu irmão, mas do seu. Das ações e motivações do seu irmão, mas das suas. E, quando a tentação de ser o primeiro surgir, lembre-se de Cristo na cruz. Assim, vista-se com a roupa da humildade.

 


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