O problema não é fazer bem, é fazer para ser maior...
Por Ronaldo Lidório
A nossa sociedade nos lança à competição em todas as áreas
da vida. Somos empurrados a querer sempre ser o primeiro, ou ser o melhor. O
segundo lugar raramente é valorizado, muito menos o último. Há, sim,
competições saudáveis, como vemos em muitos esportes, quando os adversários
buscam a melhor performance com disciplina e respeito. Ou mesmo no comércio,
quando se busca a excelência acima da média e dos demais. Mas a Palavra nos
alerta contra as competições pessoais, aquela busca nociva por se sentir melhor
e maior do que quem está ao nosso lado. A raiz desta busca é o orgulho, a velha
idolatria do eu, que precisa vencer alguém para acreditar que tem valor.
Jesus percebeu isso no coração dos discípulos. O texto diz:
“Então, eles se calaram, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual
deles era o maior. E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém
quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Mc 9:34-35). O Senhor
inverte a lógica do mundo. No reino de Deus, grandeza não é subir acima dos
outros, mas descer para servir. Não é ocupar o centro, mas pegar a toalha para
lavar os pés dos demais. Não é buscar a superioridade, mas a humildade.
Paulo alinha o mesmo ensino: “Nada façais por partidarismo
ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si
mesmo” (Fp 2:3). Note que ele não proíbe a excelência, mas sim a vanglória. O
problema não é fazer bem, é fazer para ser maior. O problema não é crescer, é
crescer pisando no outro. O problema não é liderar, mas liderar para ser visto.
Portanto, três aplicações práticas para o cristão em relação
àquele que está ao seu lado. Primeiro, celebre o bem do outro. Quando alguém
avançar, frutificar ou receber honra, alegre-se e dê graças a Deus. Quem ama
não se sente ameaçado com a vitória alheia.
Segundo, sirva de modo concreto. A melhor cura para a
vaidade é a prática humilde do serviço. Ajude sem alarde, encoraje sem disputa
e carregue as cargas dos outros sem exigir aplauso. O servo não compete, ele
cuida.
Terceiro, ajuste o seu alvo. A sua referência não deve ser o
desempenho do outro, mas a sua fidelidade diante de Deus.
O Senhor não lhe pedirá contas do chamado do seu irmão, mas
do seu. Das ações e motivações do seu irmão, mas das suas. E, quando a tentação
de ser o primeiro surgir, lembre-se de Cristo na cruz. Assim, vista-se com a
roupa da humildade.
Sem comentários:
Enviar um comentário