O que fazer com a dor?
A fé madura que não nega as lágrimas
Por Ronaldo Lidório
A dor pode gerar cansaço, desespero ou revolta. Quando não é
tratada diante de Deus, ela se torna um terreno perigoso para a alma. Pode
endurecer o coração, alimentar pensamentos distorcidos, enfraquecer a fé e nos
levar a conclusões precipitadas sobre Deus, sobre nós mesmos e sobre a vida.
Por isso, precisamos aprender a lidar com a dor à luz da
Palavra. E Ana nos ensina muito sobre isso. Ao compararmos 1 Samuel 1 com 1
Samuel 2, percebemos que ela não apenas sofreu, mas também soube o que fazer
com o sofrimento.
Primeiramente, Ana não ignorou a sua dor. Ela não anestesiou
a alma como se nada estivesse acontecendo. Nem tampouco escondeu a aflição
atrás de uma aparência religiosa. A Escritura é clara ao dizer que ela estava
“com amargura de alma” e que “orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1Sm
1.10). Mais adiante, ela mesma declara: “sou mulher atribulada de espírito”
(1Sm 1.15). Ana reconheceu sua dor diante de Deus. Há uma fé madura que não
nega as lágrimas, mas as entrega ao Senhor.
Em segundo lugar, Ana levou sua dor ao Senhor. Ela não a
deixou presa na garganta, não a jogou sobre outra pessoa, não a transformou em
agressividade, nem permitiu que se tornasse rancor. Ela fez da dor uma oração.
A Palavra afirma que Ana “orou ao Senhor” (1Sm 1.10). Essa é uma verdade
simples e profunda. Aquilo que pesa sobre a alma precisa ser derramado diante
daquele que sustenta os cansados e consola os aflitos.
Por fim, Ana transformou sua dor em adoração. Mesmo antes de
receber a resposta visível do Senhor, ela já se colocou diante dele em
reverência, fazendo um voto e reconhecendo sua soberania: “Senhor dos
Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te
lembrares, e da tua serva te não esqueceres...” (1Sm 1.11). Mais tarde, em seu
cântico, ela proclama: “O meu coração se regozija no Senhor” (1Sm 2.1). A dor
que antes era choro tornou-se louvor.
Assim, quando a dor chegar, não a ignore. Leve-a ao Senhor.
Derrame sua alma em oração. E permita que Deus transforme suas lágrimas em
adoração. A dor nas mãos de Deus nunca é inútil. Ela pode se tornar escola de
fé, altar de entrega e testemunho vivo da graça do Senhor.
Um dia estaremos perante o Senhor face a face. Ali não
haverá mais dor, morte, tristeza ou dúvida. Ali viveremos de forma plena,
santa, em completa comunhão com o Altíssimo. Aqui, porém, ainda temos vales
profundos e dias escuros. E alguns são difíceis de atravessar. Por outro lado,
temos aqui, neste mundo quebrado pelo pecado, uma oportunidade única: adorar ao
Senhor, com confiança e gratidão, em meio à dor. Portanto, não desperdice esta
oportunidade. Leve o seu sofrimento a Cristo! Confie e descanse.
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