quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

LINKS:

 

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=5823971164318657&id=100001174947253&sfnsn=wiwspwa&mibextid=VhDh1V
 
 

https://www.youtube.com/live/-NKz9bSXmgw?feature=share
 
    
 

https://youtu.be/aePb7WSw184
 


    
 

https://www.amazon.com.br/Jair-Bolsonaro-fen%C3%B4meno-ignorado-entenderam/dp/8595071268
 
 

https://youtu.be/7ueG8nzICsA
 
 

 

https://m.facebook.com/luizphilippebr/videos/o-grande-reset-global/724747028132641/
 
 

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/01/rui-costa-tenta-emplacar-esposa-enfermeira-em-tribunal-de-contas-na-bahia.shtml

CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO...

 

 Criação e Evolução, não Criação ou Evolução.


por R.J.Berry


Este artigo argumenta que é um equívoco contrapor os conceitos de criação e evolução. ‘Criação’ é um termo teológico que reconhece a dependência de tudo que existe sobre a autoria do Criador. ‘Evolução’ refere-se a nossa compreensão atual de como Deus trouxe à diversidade biológica a existência. Ambos os conceitos são obrigados a fazer jus ao que nós, como cientistas observamos.
________________________________________
A Bíblia começa com um relato da criação do universo: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” Diante disto, esta parece ser uma declaração simples e inequívoca, mas ela provocou debates intermináveis durante os últimos séculos. Quando isto aconteceu? Como Deus fez isso? Que material Deus usou? Será que Deus foi realmente o criador e designer de tudo? Estas questões se tornaram mais claras no final do século XVIII, quando ficou claro que a Terra era assombrosamente mais velha do que a suposição geral de 6000 anos, um período de tempo com base contagem de trás para frente das genealogias na Bíblia (por exemplo, Gênesis 4, Mateus 1: 1-16; Lucas 3: 23-38).
A razão para se aprofundar na história da criação não tinha nada a ver com crença ou descrença religiosa, mas foi baseada no estudo das rochas sedimentares e a associação de fósseis particulares com estratos particulares. As suas conclusões foram confirmadas e quantificadas por calibrações rádio-isotópicas e por muitos outros métodos1. O período de tempo prolongado, inevitavelmente, levou a perguntas sobre a interpretação da Escritura, aguçadas pelos debates entre “uniformitaristas” (que acreditavam que processos semelhantes vinham acontecendo no mesmo ritmo ao longo do tempo geológico) e “catastrofistas” (algumas vezes chamados de “diluvialistas”, por causa de sua ênfase nas inundações pré-históricas; eles acreditavam que um ou mais cataclismas tiveram um grande impacto na sobrevivência de plantas e animais). Embora o debate prosseguiu por bastante tempo, em meados de 1860, era difícil encontrar qualquer clérigo argumentando que os “dias” de Gênesis 1 deveriam ser interpretados como períodos literais de vinte quatro horas2. Como Francis Schaeffer destacou, o tempo no início dos capítulos de Gênesis não é usado em ordem cronológica e as genealogias (que são a base das datas calculadas) não estão completas. E para ele,
‘No que diz respeito ao uso da palavra hebraica  dia em Gênesis 1, não é que nós temos que aceitar o conceito de longos períodos de tempo que a ciência moderna coloca, mas sim que … antes da época de Abraão não há nenhuma meio possível de datar a história do que encontramos nas Escrituras.’³
Na época em que a idade da Terra estava sendo prolongada, ideias sobre mudança biológica (ou evolução) começaram a circular. Os traços dos registros dos fósseis estavam se tornando mais nítidos, mostrando organismos cada vez mais parecidos com os seres viventes das rochas mais jovens, ao invés das rochas mais antigas. Não obstante, a visão predominante permaneceu de um mundo inalterado e imutável, criado por um artesão divino, que, em seguida, se retirou para cima do céu azul brilhante e olhou com bondade para a sua criação. O defensor chave desta interpretação era William Paley, arcediago de Carlisle. Em sua Teologia Natural de (1802) ele argumentou que Deus criou cada coisa perfeitamente e deseja o bem de todas as suas criaturas. Darwin ficou impressionado; ele escreveu em sua autobiografia,
“A lógica deste livro me deu tanto prazer como fez Euclides. O estudo cuidadoso das obras [de Paley] era a única parte do curso Acadêmico [na Universidade de Cambridge] que tinha menos utilidade para mim na educação da minha mente.’
Em 1844, Edimburgo editor Robert Chambers publicou Vestígios da história natural da criação, de fato era um tratado contra o deísmo de Paley. Chambers escreveu: “Se há uma escolha entre a criação mágica e a operação de leis gerais instituídas pelo criador, eu diria que eu prefiro muito mais esta última, uma vez que ela implica numa visão muito maior do poder divino e da dignidade do que a primeira. “Para Darwin,” a narração era perfeita, mas a geologia parecia tão ruim e sua zoologia ainda muito pior”. No entanto, este livro gerou muito debate na GrãBretanha: então Darwin o acolheu, alegando que “este livro prestou um excelente serviço ao chamar a atenção do país para este assunto e o afastamento dos preconceitos”.
A Origem das Espécies foi publicada em 1859. A percepção de Darwin se baseava na combinação de dois conceitos facilmente testáveis – a luta pela existência na natureza e a existência de variações hereditárias. Nele, Darwin apresentou um mecanismo (seleção natural) por meio do qual a adaptação ao ambiente poderia ocorrer, eliminando assim a necessidade de um designer. O relojoeiro divino de Paley (Richard Dawkins), tornou-se uma máquina impessoal, “O Relojoeiro Cego”.4 O que era mais importante na época, é que Darwin reuniu evidências para o fato de que a evolução tivesse ocorrido, fazendo sentido de uma gama de fenômenos: a possibilidade de classificar racionalmente organismos, explicando semelhanças entre supostos parentes e seus anversos (órgãos rudimentares) e interpretar anomalias biogeográficas (ou seja, a restrição dos cangurus na Austrália, pinguins para o Antártico, ursos polares ao Ártico, etc.)
Os argumentos da Origem foram rapidamente aceitos, apesar das afirmações contínuas de oposição feitas por aqueles não familiarizados com a literatura histórica relevante. Declarações sobre um grande conflito entre a ciência e a religião são muito exageradas. Por exemplo, o debate infame entre o bispo de Oxford e Thomas Huxley na Associação Britânica em1860 sobre o Avanço da Ciência não era realmente sobre a evolução versus criação ou mesmo ciência versus religião.
Do lado do Bishop era sobre o perigo de legitimar essa mudança num período em que acreditava-se que isso teria efeitos deletérios tanto sociais quanto teológicos; Huxley estava destacando a secularização da sociedade e seu objetivo era estabelecer a legitimidade da ciência contra o que ele considerava ser uma influência imprópria de líderes da igreja5.  Em 1884, uma sanção episcopal havia sido dada à Origem por Frederick Temple, Bispo de Exeter e que em breve se tornaria arcebispo de Canterbury:
” Podemos dizer que [Deus] não criou as coisas, mas ele deu a elas o poder de se refazerem … isso tem ido muitas vezes contra o argumento de Paley que apresenta o Todo-Poderoso como um artífice, em vez de um criador … mas essa objeção desaparece quando colocamos o argumento nos moldes que a doutrina da evolução exige6.”
‘Em 1884, uma sanção episcopal havia sido dada à Origem por Frederick Temple, Bispo de Exeter e que em breve se tornaria arcebispo de Canterbury’.
Cinco anos mais tarde, o teólogo de Oxford Aubrey Moore escreveu, “O desmembramento do sistema medieval de pensamento e de vida resultou em um atomismo que se tivesse sido mais coerente consigo mesmo, teria sido fatal tanto ao conhecimento quanto à sociedade … Deus estava “entronizado numa magnífica inatividade em um canto remoto do universo”… A ciência tinha afastado o Deus dos deístas para cada vez mais longe e no momento em que parecia que ele seria jogado completamente para fora, o Darwinismo apareceu, e sob o disfarce de um inimigo fez o trabalho de um amigo.7
________________________________________
________________________________________
A Evolução Darwiniana
Embora em meados de 1880 houve pouca discordância de que a evolução tivesse acontecido8 ou que a seleção natural darwiniana era um mecanismo plausível para ela, não havia nenhuma compreensão clara dos detalhes dos mecanismos evolutivos e, em particular, sobre suas causas e a manutenção dessa variação. Isso mudou em 1900, com o “redescobrimento” dos resultados de Mendel e a fundação da ciência da genética. Alterações (“mutações”) nos fatores hereditários (ou genes) estudados pelos primeiros mendelistas (ou geneticistas) eram a fonte óbvia de novas variações, que forneciam o material para que a seleção acontecesse. No entanto, as mutações foram, em geral:
•    Efeitos deletérios (e.g. remoção de um órgão ou função);
•    Importante no que diz respeito às consequências, no entanto, Darwin sugeriu que as variantes úteis para a seleção teriam efeitos pequenos; e
•    Herdadas como características recessivas, enquanto traços ‘vantajosos’ na natureza foram quase todos herdados como dominantes.
Isso levou à percepção de que a evolução não foi impulsionada pela seleção natural e uma infinidade de especulações sobre possíveis mecanismos alternativos, incluindo nomogenesis, ‘idade e área geográfica’, o holismo e uma variedade de operadores internos que dependiam de um impulso interior ou élan vital.
Por sorte, três histórias convencionais de biologia (por Nordenskiöld, Radl e Singer) foram escritas na década de 1920, num período em que a seleção natural era vista como um processo totalmente negativo e irrelevante para a evolução e a descrição errônea deles sobre isso, ainda continua em circulação.
“Há certamente dados que poderiam, em princípio, minar a teoria da evolução”
A divisão entre geneticistas e evolucionistas (principalmente Paleontologistas) foi resolvida na década de 1930 pelo trabalho teórico de R.A. Fisher, J.B.S. Haldane e Sewall Wright e estudos experimentais por Theodosius Dobzhansky e E.B. Ford.9 Ele envolveu:
1.    uma melhor compreensão da herança de variação contínua (ajudada especialmente pela teoria de Fisher sobre a evolução da predominância) e a percepção de que as mutações estudadas pelos geneticistas laboratoriais foram eventos extremos;
2.    a reformulação de ideias sobre eventos na natureza em termos de populações em vez de “tipos”, levando em conta a existência das variações e o erro do conceito estático clássico das espécies, que remonta a Platão; e
3.    aceitação por especialistas de diferentes disciplinas que eles pudessem aprender e contribuir para as disciplinas vizinhas.10
A “síntese neodarwinista” resultante permanece como sendo a ortodoxia atual. Um grande desafio veio nos anos 60 e 70, quando a introdução de técnicas moleculares revelou uma grande quantidade inesperada de variações hereditárias que pareciam ser “neutras”, ou seja, não ter nenhum efeito sobre seus portadores. O problema foi resolvido por uma série de abordagens que não tem relevância direta aqui, mas que em grande parte confirmou o acerto da compreensão dos selecionistas.11 O que vale comentar é que a controvérsia mostrou a ciência em ação, testando novas ideias e modificando a doutrina existente. Não é verdade, como às vezes se afirma, que a evolução é puramente um dogma instável.
Dois outros pontos gerais sobre a evolução:
•    quando os cientistas falam da “teoria da evolução”, eles estão usando a palavra “teoria”, no sentido de um “grupo de compreensões científicas aceitas”, e não da maneira que a palavra “teoria” é usada em romances policiais; e
•    A descrição da evolução como “não sendo ciência” feita pelo filósofo Karl Popper, dizendo que ela era “infalsificável” foi retirada rapidamente por ele mesmo. Ele aceitou que as “ciências históricas” (ele incluiu a astronomia nesta categoria) eram ciências válidas, ainda que com uma metodologia diferente de ciências experimentais como física ou química.
Existem, certamente, dados que poderiam em princípio minar a teoria da evolução: por exemplo, se houvesse sido constatado que o código genético era diferente para diferentes grupos de animais, ou se tivéssemos descoberto que os humanos modernos tinham vivido no mesmo período que os dinossauros. Na realidade, todos os seres vivos estudados até agora têm essencialmente o mesmo código genético (com algumas variantes menores), e os humanos modernos definitivamente não estavam vivos na época dos dinossauros. Mas questões como “e se?” são importantes para a ciência, pois ponderam sobre o fato de que a teoria da evolução é uma teoria refutável, assim como qualquer outra teoria científica.
________________________________________
A Evolução e a Bíblia
Há uma grande diferença entre aceitar a Bíblia como fidedigna e acreditar que ela pode funcionar como um livro de ciência. Se ela é para ser entendida ao longo dos séculos, ela tem que ser escrita em linguagem não técnica. É comum usarmos esse tipo de linguagem, por exemplo: dizemos que ‘o sol se põe’ e não que o ‘sol se tornou invisível no meu ponto de vista, porque a Terra rodou de forma que eu não posso mais ver o sol’. Galileu escreveu sobre sua própria convicção de que a Terra se move em torno do Sol e não vice-versa, “a Bíblia nos ensina a ir para o céu e não como os céus se vão”, mas ele foi ridicularizado por seus contemporâneos porque “a terra é fixa de modo tão firme que não pode ser movida” (Sl 96:10; ver também Sl 19:5,6). Exemplos como este devem nos tornar conscientes da importância de distinguir entre o texto da Bíblia e sua interpretação. No final do século XIX, o teólogo de Princeton e defensor da infalibilidade bíblica, BB Warfield escreveu:
“Eu não acho que há qualquer declaração na Bíblia ou em qualquer parte do relato da criação, seja como é descrita em Gênesis 1 e 2 ou insinuado em qualquer outra parte, que precisa ser oposta à evolução.”12
Um exemplo crucial da necessidade de cuidados é visto na interpretação do relato de Gênesis 1 da criação como tendo acontecido em seis “dias”. Como Henri Blocher13 expõe com detalhes, “dia” no contexto pode ser legitimamente interpretado como uma passagem de tempo (talvez uma era geológica), como um período de revelation14, como um tempo de reconstrução (após um período de caos), ou como um artifício literário para destacar o Shabat – “o sétimo dia”. Uma vez que aceitamos que a criação pode ter acontecido ao longo de mais do que seis vezes vinte e quatro horas, a mudança na extensão da criação pode ser considerada: do nada para alguma coisa, do inorgânico para o orgânico, de animais para humanos. Na verdade, toda a Escritura é um relato de mudanças: de jardim a cidade, de deserto a terra prometida, do pecado para a salvação, de encarnação ao apocalipse.
O Deus bíblico é aquele que supervisiona a mudança e não aquele que preserva a estagnação. E mais: algo que não aparece nas traduções é que o texto original usa duas palavras diferentes para ‘criar’ ou ‘fazer’: bara que implica uma obra soberana de Deus com Deus como seu sujeito (e que é usado neste contexto só para a criação da matéria, dos grandes monstros e a humanidade), enquanto a palavra mais comum asah e é uma palavra mais geral com o sentido de dar forma (e é usado em todas as outras ocasiões no relato da criação).
Uma coisa que não é dito na Bíblia é como Deus criou. Isso não é incomum: é raro na escritura termos descrições sobre como Deus fez qualquer um de seus atos poderosos, embora a Bíblia está cheia de descrições deles. No entanto, a Bíblia é clara ao dizer que a criação é obra de Deus (Sl 24: 2, 95: 5, 148; Jo. 1:. 3; Cl 1:16; Hebreus 1:. 2; Rev. 4:11) e nós é dito explicitamente que devemos entender isso pela fé e não porque necessariamente compreendemos todos os processos envolvidos (Heb. 11: 3).
“As palavras nesta página podem ser consideradas como realidades físicas, mas elas também são símbolos que transmitem uma mensagem para quem as lê. De forma semelhante podemos tratar o mundo tanto como a criação maravilhosa de Deus como o resultado de milhões de anos de evolução”
A melhor abordagem é a de reconhecer que qualquer evento pode ser considerado como tendo mais de uma causa. Aristóteles identificou quatro: material, formal, eficiente e final. Muitas vezes distinguimos entre mecanismo (como algo acontece) e propósito (por que algo acontece). As palavras nesta página podem ser consideradas como realidades físicas, mas eles também são símbolos que transmitem uma mensagem para quem as lê.15 De forma semelhante podemos tratar o mundo tanto como a criação maravilhosa de Deus como o resultado de milhões de anos de evolução. Nós estamos falando sobre a mesma coisa, mas as duas explicações não se contradizem de forma alguma. As duas explicações podem ser descritas como “complementares’ 16; seria logicamente errado afirmar que uma explicação qualquer esgota todas as possibilidades; este é o erro de reducionistas doutrinários como Richard Dawkins”. Deus é o criador. Aqueles que acreditam em Deus são livres para crer que Ele tem usado o mecanismo da evolução para realizar seu propósito.
Algumas vezes opõe-se ao fato de que a evolução por seleção natural seja um processo acaso e, portanto, não pode ser obra de Deus. Há duas respostas para isso: primeiro, que “acaso”, geralmente nada mais é do que uma confissão de ignorância. Mas o mais importante é que a evolução é impulsionada pela adaptação e não pelo acaso. Embora não sabemos todas as causas da mutação (que é o principal fundamento das variações), não devemos deixar de salientar o papel do acaso [mutação] na produção das variações: a maioria das variações observadas (que é o material para a seleção e, portanto, a adaptação) são o resultado de recombinações e não simplesmente mutações. De fato, Simon Conway Morris argumentou que as possibilidades de qualquer nova variação são tão restritas que a evolução pode quase ser considerada como conduzida. 17
Outra objeção é que a evolução seja um processo dispendioso e cruel, ‘vermelho com dentes e garras’. Este era um problema que perturbou ao próprio Darwin. Ele escreveu para seu amigo e protagonista americano, Asa Gray, professor de Botânica na Universidade de Harvard, “Eu não posso me convencer de que um Deus benevolente e onipotente teria concebido o Ichneumonidae [vespas parasitas] com a intenção expressa de se alimentarem dentro do corpo de lagartas vivas”.
Não obstante, temos de reconhecer que a dor é um mecanismo de proteção valioso e, também, que a Bíblia é clara que o sofrimento é o caminho para a maturidade (Pv 23:13; Romanos 5: 3; Hebreus 5: 8). A resposta final para o cristão é que Deus nos deu um caminho para sair do sofrimento através da morte de Cristo na Cruz (1 Pe 3:18.), uma expiação que afeta tanto o mundo natural como o reino humano (Col. 1:20). A Bíblia deixa claro que a criação e sua metodologia é assunto de Deus e não nosso (Jó 38, 39). Enquanto todas as grandes religiões esperam alguma forma de julgamento divino, não há nenhuma evidência para o progresso inevitável como imaginado por alguns teólogos (como Teilhard de Chardin).18
________________________________________
Evolução Humana?
Para as pessoas religiosas, a possibilidade de os seres humanos serem evoluções de formas “inferiores” é uma das principais razões para rejeitar toda a noção de evolução. A figura frequentemente reproduzida de uma “procissão sombria e grotesca” mostrando a silhueta evolutiva de macacos como gibão, orangotango, chimpanzé, gorila até chegar no homem19 implicitamente coloca o ser humano no cume de um continuum progressivo. Em contraste, o próprio Darwin questionava que pudéssemos evoluir os traços morais característicos da humanidade. Ele escreveu: “Aquele que estava pronto a sacrificar sua vida, por mais selvagem que ele possa ter sido, ao invés de trair seus companheiros, muitas vezes não deixava descendência para herdar sua natureza nobre… Não parece provável que o número de homens dotado de tais virtudes poderia ser aumentado através da seleção natural “.20
Meio século depois, J.B.S. Haldane qualificou isso, destacando que, se o altruísmo individual (chegando ao ponto de auto sacrifício) tinha uma base hereditária e (crucialmente) ajudava os parentes próximos, então os ‘genes altruístas’ poderiam ser selecionados e, portanto, se espalhar nas famílias. Poderiam haver situações em que a cooperação (ou generosidade) fosse uma vantagem para um grupo de indivíduos, mesmo que determinados indivíduos ficassem em desvantagem. W. D. Hamilton21 formalizou este argumento como “aptidão inclusiva” (ou ‘seleção de parentesco’); ele é hoje é descrito na biologia geral como o mecanismo que fundamenta a “sociobiologia”22, mais recentemente chamado de “psicologia evolutiva”.
Mas estas considerações não são críticas para humanidade cristã, porque a distinção entre os seres humanos e todos os outros animais é que nós (e só nós) somos a “imagem e semelhança de Deus” (Gênesis 1: 26, 27) e esta não é uma característica genética ou anatômica. A ideia da humanidade sendo feita à imagem de Deus é introduzida no âmbito das responsabilidades delegadas para cuidar da terra, envolvendo responsabilidades e confiabilidade.
A maneira mais simples (embora claramente não seja a única maneira) de se considerar a espécie biológica Homo Sapiens, vindo de uma descendência de símios primitivos e relacionados com os macacos vivos (para os quais o fóssil e a evidência genética é muito forte)23, é porque fomos transformados por Deus em algum momento da história em Homo Divinus, biologicamente inalterados, mas espiritualmente distintos.24 Gênesis 1 descreve a criação de seres humanos como um evento bara, um ato específico de Deus, enquanto Gênesis 2:7 o descreve como um ato divino ao respirar vida em uma ser já existente.
Não há nenhuma razão para insistir que este evento teve lugar ao mesmo tempo que o surgimento de H. Sapiens, os humanos anatomicamente modernos (de cerca de 200.000 anos atrás); Adão é retratado em Gênesis como um fazendeiro, o que o colocaria nos períodos neolíticos, ou seja, algo em torno de 10.000 anos atrás. Adão e Eva foram os progenitores espirituais de toda a humanidade e que a partir desse momento tiveram o potencial para vir a conhecer a Deus de forma pessoal pela fé.
Neste cenário e, seguindo o exemplo de Derek Kidner no comentário de Tyndale sobre Gênesis, após a criação do Homo Divinus, ‘… Deus pode ter agora conferido sua imagem em características secundárias de Adão, para trazê-los para a mesma esfera de Deus. A liderança de Adão sobre a humanidade se estendeu para fora, se fosse esse o caso, para seus contemporâneos, bem como para a sua descendência, e sua desobediência o fez perder ambos da mesma forma.25
Na verdade, Gênesis 3 nos diz que Adão e Eva desobedeceram a Deus e foram banidos da presença de Deus. Deus havia advertido Adão e Eva que a desobediência levaria à morte no ‘dia’ em que ela acontecesse (Gn 2:17 – o texto hebraico diz que “no dia em que dela comeres…”). Mas eles não morreram fisicamente, em vez disso, “morreram” espiritualmente por perder a comunhão íntima com Deus da qual dispunham anteriormente e foram banidos do jardim. A exclusão do jardim é um símbolo poderoso de afastamento de Deus, um afastamento que influenciou o seu trabalho e as suas relações. O Apóstolo Paulo compara o aparecimento da morte como resultado do pecado através de Adão para toda a humanidade e, em contraste, a nova vida que todos podem experimentar através de Cristo pelo caminho do arrependimento e da fé (Rm 5: 12-21; 1 Cor. 15: 20-28).
Essas passagens fazem muito mais sentido se entendermos que a morte que veio sobre Adão refere-se a uma morte espiritual e não a morte física. A fé em Cristo, resulta em um renascimento espiritual, não físico, um ponto que Jesus teve que deixar claro para Nicodemos (João 3: 3-6). Portanto, se aceitarmos que a evolução física do ser humano e sua relação espiritual com o Criador não são a mesma coisa, não há conflito entre os relatos científicos e os relatos bíblicos das origens humanas.
________________________________________
Conflito? Que conflito?
Todos os membros de religiões monoteístas reconhecem um Criador divino. No entanto, o criacionismo no sentido usual da palavra é efetivamente antievolucionista. Praticamente todos aqueles que negam a possibilidade da evolução o fazem por motivos religiosos. Eles justificam sua crença por causa de sua interpretação das escrituras – a Bíblia, o Alcorão ou algum outro livro sagrado. Adventistas, por exemplo, estão entre os anti-evolucionistas mais fervorosos com base nos ensinamentos de George McCready Price, que pode ser considerado como o fundador do criacionismo ‘moderno’ em meados de 192026.  Essa oposição é baseada em interpretações particulares; ela não é intrínseca à crença religiosa per se27.
Anti-evolucionistas sustentam suas crenças, alegando deficiências seja nos dados científicos ou em sua análise28, muitas vezes associada com extrapolações imaginativas, como por exemplo, o dilúvio de Noé torna a estratigrafia ortodoxa geológica impossível29, ou que algumas características não possam ter evoluído porque são “irredutivelmente complexas”30 – críticas que foram respondidas a princípio, há cinquenta anos por RA Fisher31.  Outra estratégia é tratar a metodologia científica padrão como se fosse imbuída de “naturalismo filosófico” e, portanto, exclui a possibilidade de um Criador32 (uma acusação que muitos autores têm que abordar)33.
Por sua vez, os evolucionistas desabafam seu rancor em cima de seus críticos, muitas vezes a partir de um ponto de vista dogmaticamente reducionista34. Possivelmente, os polos opostos nestes debates precisam uns dos outros para a sua própria existência. Tem sido sugerido que a tentativa de Dawkins de caracterizar a evolução com conotações ateias na verdade estimulou a popularidade do criacionismo.
É fácil se perder em argumentos negativos sobre criação e evolução35.  Há debates científicos e apropriados sobre as incertezas com relação aos mecanismos que causam a evolução, mas não existem dúvidas significativas sobre o fato de que a evolução de fato ocorreu e que ela aconteceu ao longo de muitos milhões de anos. O estudo do mundo natural deve nos encher de espanto e admiração (Sl 8.), mas ele não pode por si só nos levar a um Criador; só podemos conhecer a Deus e sua obra através da fé. Quando colocamos juntas a fé e a razão, podemos nos juntar com toda a criação em louvores ao nosso Criador e Redentor e nos regozijar na perfeição que é o verdadeiro fim da humanidade. Não temos de escolher entre evolução ou criação. A fé bíblica nos leva a aceitar ambas.
 

CONTROVERSIA...

 

 
A “mais bela” explicação sobre a Criação, segundo Albert Einstein

.
O belga Georges Lemaître também foi sacerdote, além de um formidável matemático.
Enrique Joven Álvarez


Einstein e Lemaître, juntos na Califórnia, em 1933.
Sabemos que ciência e religião nunca se deram muito bem. Houve um tempo, já distante, que conciliar os dois termos não só era aconselhável, mas quase obrigatório. Caso contrário, perguntem às cinzas de Giordano Bruno ou a seu compatriota Galileu, forçado muito a contragosto a reposicionar a Terra no centro do Universo quando esta já havia encontrado seu lugar. Se para os católicos a situação era difícil, os protestantes não ficavam muito atrás, e Kepler, um contemporâneo de Galileu e Bruno, esteve a ponto ver sua mãe queimada na fogueira assim como a imaginação de Bruno por suposta bruxaria.
No entanto, nem sempre os preconceitos circulam na mesma direção. Mesmo em tempos mais recentes.
Talvez um exemplo disso seja o físico e matemático belga Georges Lemaître. Nem mesmo uma cratera na Lua e o nome de uma nave espacial da ESA —o ATV5, que também já virou cinza— nos faz lembrar dele. E isso porque estamos falando do homem que se atreveu a corrigir —educadamente, é verdade— o próprio Albert Einstein, antevendo o que Edwin Hubble comprovaria mais tarde com telescópios de Mount Wilson: a expansão do Universo. O que todos nós conhecemos hoje como o Big Bang.
Lemaître nasceu em Charleroi (Bélgica), em 1894. Apaixonado pelas ciências e engenharia, teve que interromper seus estudos aos 20 anos para defender seu país, imerso na Primeira Guerra Mundial, sendo até mesmo condecorado como oficial de artilharia. Não deve ter gostado nada da experiência e, horrorizado, decidiu virar padre.
Era o ano de 1923. Mas Lemaître não abandonou sua primeira vocação. Sua formação acadêmica em física e matemática foi formidável, começando por sua passagem pela Universidade de Cambridge e terminando com um doutorado no ainda mítico Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Pouco depois, em 1927, publicaria em uma revista local o esboço de seu modelo de universo. Partindo dos postulados de Einstein —um cosmos estático de massa constante—, chega a um resultado totalmente diferente: o raio do universo tinha de crescer continuamente para ser estável. Ao tomar conhecimento da hipótese, o gênio alemão rejeita a ideia veementemente: "Seus cálculos estão corretos, mas o modelo físico é atroz". E isso mesmo levando em conta que Lemaître sempre fazia uso da famosa constante cosmológica inventada pelo próprio Einstein, a qual mais tarde o alemão renegaria com mais veemência do que a utilizada por Galileu para escapar da fogueira purificadora. Em 1931, seu trabalho chegou às páginas da Nature, detalhando sua teoria completa do "átomo primordial" ou "ovo cósmico", e de suas linhas surgiria o que depois foi chamada exclusivamente Lei de... Hubble.
Nunca será possível reduzir o Ser Supremo a uma hipótese científica
Einstein e Lemaître concordaram em várias ocasiões. Einstein, agnóstico, duvidava do padre belga, já que seu modelo cosmológico logicamente era acompanhado de uma origem divina (?) no espaço-tempo, e tanto ele quanto muitos astrofísicos não gostavam nada disso. Mas o admirava. Uma vez, durante uma estadia em Bruxelas e dando uma palestra diante de um público erudito, Einstein espetou: "Suponho que não devem ter entendido nada, exceto, claro, o abade Lemaître". Em território comanche, juntos em Princeton, Einstein também deixou escapar ao ouvir seu colega belga pregar: "Esta [de Lemaître] é a mais bela explicação da Criação que já ouvi". O detalhe é que realmente estava falando sério.
Naturalmente, a fama de Lemaître não demorou para chegar ao Vaticano. Apesar das tentativas depreciativas do tão brilhante quanto desbocado Fred Hoyle e dos seguidores da teoria do universo estacionário — o mesmo Hoyle, durante um programa da rádio BBC, batizaria com bastante veneno a teoria de Lemaître como Big Bang, em 1949 —, o modelo de universo em permanente expansão era imparável. Lemaître ocupou diferentes cargos na Academia Pontifícia das Ciências, sendo assessor pessoal do Papa Pio XII. E este não queria deixar passar tal oportunidade. Se o Universo tem 13,7 bilhões de anos, importaria muito se fosse criado em sete dias bíblicos ou em pouco mais de 10 segundos? Para o grande pesar de Pio XII —que, curiosamente, foi elogiado por Einstein em sua defesa dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial—, Lemaître evitou explorar a ciência para o benefício da religião. São suas as palavras:
Einstein, agnóstico, duvidava do padre belga, já que seu modelo cosmológico era acompanhado de uma origem divina Mas o admirava
Depois de escutar Lemaître, o prudente Pio XII abandonou a ideia de transformar o Big Bang em um dogma de fé
"O cientista cristão tem os mesmos meios que seu colega não crente. Também tem a mesma liberdade de espírito, pelo menos se a ideia que tem das verdades religiosas está à altura de sua formação científica. Sabe que tudo foi feito por Deus, mas também sabe que Deus não substitui suas criaturas. Nunca será possível reduzir o Ser Supremo a uma hipótese científica. Portanto, o cientista cristão avança livremente, confiante de que sua pesquisa não pode entrar em conflito com sua fé". Depois de escutar Lemaître, o prudente Pio XII abandonou a ideia de transformar o Big Bang em um dogma de fé.
Lemaître morreu em 1966, apenas dois anos após a descoberta irrefutável da radiação de fundo em micro-ondas, o eco proveniente da origem do Universo, de seu Big Bang. Talvez seu nome pintado na placa de uma nave espacial não faça justiça suficiente a uma mente —crente ou não— divina.
Enrique Joven Álvarez é doutor em Ciências Físicas e trabalha como engenheiro no Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC). Combina suas tarefas técnico-científicas com a divulgação e publicação de obras de ficção. Publicou dois romances com a astronomia como eixo principal: El Castillo de las Estrellas (RocaEditorial, 2007) e, recentemente, El Templo del Cielo (RocaEditorial, 2013).

VÍDEOS...+03




 

A FANTASIA DAS POLÍTICAS...

 
Publicado originalmente nos Estados Unidos em 1995, somente no finalzinho de 2022 foi lançado no Brasil um dos melhores livros do economista a analista político Thomas Sowell: “Os ungidos –

A fantasia das políticas sociais  progressistas” (LVM Editora).

O livro permanece atualíssimo. Sowell escreve, por exemplo, sobre as massas que abrem mão da liberdade com a esperança de serem “alimentadas pelo governo e arrebanhadas e cuidadas pelos intelectuais”, bem como de terem suas necessidades básicas providas pela generosidade do Estado.

Esse fenômeno só é possível em um ambiente no qual se desqualificam o mérito e o esforço individuais, e no qual a autoestima baseada no ressentimento é distribuída nas salas de aula como uma dádiva dos professores preocupados com a justiça social.

O resultado é cada vez mais evidente, no Brasil e no mundo: adultos infantilizados, incapazes de tomar decisões e de assumir responsabilidades, dependentes que são do Estado paternalista e da orientação iluminada das elites, que sempre sabem o que é melhor para você.


A convicção de que uma pequena classe de ungidos deve ter o poder de decidir o que é certo e errado, de determinar o que pode ou não pode ser dito (ou mesmo pensado) e até de impor  mudanças estruturais - e nos costumes e valores - da sociedade se baseia em um senso de superioridade moral típico das esquerdas.

Estas, quando no poder, inevitavelmente, acabam por constituir uma casta intelectual e política de autoridade quase religiosa, que usa a pretensa preocupação com a justiça social e a defesa das minorias como escudo e pretexto para impor suas pautas à maioria silenciosa da sociedade, inclusive – e cada vez mais - na esfera da moral e dos costumes.

Segundo Sowell, esta visão de mundo que já prevalecia já nos anos 90 (hoje, então, nem se fala) parte de um conjunto de suposições tácitas sobre as pessoas e o mundo, suposições que são impermeáveis e refratárias a qualquer tipo de contestação.

Na visão dos ungidos, evidência empíricas são ignoradas. Qualquer feedback negativo da realidade é cegamente bloqueado. Em uma estranha inversão da lógica causal, é como se eles realmente acreditassem que narrativas podem transformar os fatos


Os pensadores de gabinete mandam e determinam o curso a ser seguido pela sociedade, e obedece quem tem juízo – especialmente quando a mídia, os tribunais, a academia e as instituições políticas se unem em torno de definições muito particulares da democracia e do Estado de Direito, que permitem relativizar a liberdade de expressão e justificar a censura, por exemplo.

O problema é que, invariavelmente, os benefícios prometidos por essas elites nunca chegam: estão sempre em um horizonte inalcançável, porque estão desconectados das leis que regem a vida real e a realidade concreta.

O que chega, muito mais depressa, são as consequências severas e dolorosas de decisões erradas e políticas equivocadas, sobretudo (mas não apenas) na área econômica. No final do dia, o resultado líquido é manter os pobres na pobreza - até porque os ungidos dependem da manutenção da pobreza para se perpetuar no poder.

Nesse sentido, escreve Sowell, o propósito do seu livro “não é simplesmente ver que tipo de mundo existe na mente da elite auto-ungida; é ver como este mundo afeta a realidade em termos concretos, como a criminalidade, a desintegração familiar e outros fenômenos sociais”.


Uma característica peculiar da visão dos ungidos, segundo o autor, é que evidências empíricas são solenemente ignoradas. Qualquer feedback negativo da realidade é cegamente bloqueado. Em uma estranha inversão da lógica causal, é como se eles realmente acreditassem que narrativas podem transformar os fatos.

Derivam dessa crença a demonização dos oponentes e o direito auto-concedido de tratar quem pensa de forma diferente como alguém moralmente inferior, mal intencionado, desprovido de caráter, socialmente insensível e mesmo criminoso.

Os oponentes dos ungidos são os responsáveis por todos os problemas do mundo, porque não são tão sábios nem virtuosos quanto os ungidos – e, por isso mesmo, devem ser perseguidos, calados e, se possível, exterminados.


Mas o que acontece quando as coisas não saem conforme o planejado? Os ungidos reconhecem que erraram e pedem desculpas? Nada disso. Sowell identifica um padrão de comportamento que merece ser transcrito:

“1. Afirmação de um grande perigo que ameaça a sociedade, um ´perigo de que as massas sequer têm consciência;

2. Necessidade urgente de ação para impedir a catástrofe iminente;

3. O governo limita drasticamente o comportamento perigoso de muitos, em resposta à conclusão presciente de poucos;


4. Rejeição desdenhosa dos argumentos contrários, tidos como desinformados, irresponsáveis ou motivados por propósitos maléficos.”

Não é difícil aplicar o esquema acima ao Brasil de hoje: a democracia está ameaçada e em grande risco; por isso são necessárias medidas extremas que parem a ação dos golpistas; em defesa do Estado de direito, justificam-se restrições à liberdade de expressão e de reunião; qualquer um que discorde merece ser cancelado e exposto, ter suas contas banidas das redes sociais e ser objeto de um inquérito. Tudo em defesa da democracia.

Não é um padrão casual, é um método.

Sempre segundo Sowell, o esquema também se aplica, de forma geral, a quase todas as políticas sociais esquerdistas. O modus operandi é sempre o mesmo: apresentar-se como o único salvador capaz de resolver uma crise qualquer, para conquistar o poder. Quando a solução apresentada fracassa, a culpa não é deles, é de fatores complexos que somente um ignorante ousaria descartar - ou da herança maldita deixada pelo antecessor.


Por tudo isso, “Os ungidos” é uma leitura fundamental para se entender o Brasil de hoje – bem como, aliás, a recentemente lançada biografia de Thomas Sowell escrita por Jason L. Riley (Faro Editorial).

Luciano Trigo é escritor, jornalista, tradutor e editor de livros. Autor de 'O viajante imóvel', sobre Machado de Assis, 'Engenho e memória', sobre José Lins do Rego, e meia dúzia de outros livros, entre eles infantis.**Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

VÍDEOS...+03




 

CARTA ABERTA...

 

 "Porto Alegre, RS, janeiro de 2023.
 
Carta Aberta ao “SUID DISSANT GENERAL”
TOMÁS MIGUEL RIBEIRO PAIVA
Recentemente nomeado Comandante do Exército.
 
Jamais imaginei ver o Brasil numa situação tão deplorável, tão desmoralizada, tão sórdida, isto depois de ter servido no Exército por vinte anos, dos quais dez deles no DOI-CODI do então III Exército, aquele velho Exército que, aos poucos, foi sendo corroído por uma geração destemperada, totalmente avessa àquela forja iluminada e inquebrantável, alimentada - ao longo dos séculos - por uma têmpera prolífera de condutores de Armas, verdadeiros GENERAIS, que alicerçaram uma INSTITUIÇÃO indissociável da brasilidade e da cidadania civil, mesmo porque, o EXÉRCITO BRASILEIRO sempre foi e sempre será uma parcela do POVO EM ARMAS, e, como tal, jamais faltou à Nação em seus momentos decisivos!

Com esse preâmbulo inicio essa missiva que lhe é nominalmente endereçada, por ser o Exército a arma principal das nossas FFAA, principalmente porque dele sou oriundo e profundo conhecedor.

 No entanto, seu conteúdo, de igual forma ou termos estende-se aos demais Comandos (Força Aérea e Marinha de Guerra), bem como a todos os comandantes de Força que TRAÍRAM o povo brasileiro e/ou se OMITIRAM de agir no sentido de, mais uma vez, a exemplo de 1935 e 1964, salvarem o Brasil do comunismo, agora de braços dados com a mais espúria bandidagem político-institucional já vista em nossa História.

Há poucos dias tive o desprazer de ouvi-lo vociferar diante de um microfone; em menos de 30 segundos pude traçar um quadro completo de sua pequenez intelectual.

Vejamos: você – numa empolgação bem ao estilo Hugo Chaves – aventou que “O resultado das Urnas tinha de ser respeitado”... Ao depois, asseverou: “Continuaremos a defender a Democracia”... E, mais adiante: “Não interessa quem está no comando, a gente vai cumprir a missão do mesmo jeito”!!
 
Em primeiro lugar, quem lhe soprou que o resultado das URNAS foi CORRETO ou ÍNTEGRO?

 Por acaso você não teve conhecimento, não ouviu, não leu, não participou dos inúmeros debates, perícias e conclusões de que as eleições FORAM fragorosamente FRAUDADAS, inclusive com o contundente questionamento das FFAA, por seu Ministro da Defesa, e a consequente NEGATIVA do TSE em fornecer o PENDRIVE-CHAVE para apurar tal ilícito?

Em segundo lugar, onde você aprendeu algo sobre “Democracia”?
Ora, pelo que li do seu currículum, você ingressou no Exército ainda muito novo, e dele não se afastou; jamais exerceu um cargo público, eletivo ou privado; então, me diga onde você aprendeu sobre Democracia; se foi no Exército (e somente pode ter sido no Exército), então, se digne pelo menos especificar quando e onde você viu - numa Unidade Militar – alguém aventando ou praticando Democracia, a exemplo de um soldado questionando o sargento, um sargento contestando o tenente, um capitão impondo estratégia ou discutindo ordens dadas pelo coronel?

Pois, toda vez que ouço um militar falar em Democracia, eu que fui e ainda sou advogado há mais de 30 anos, arrepia-me tal ignorância!

Você, por acaso, não se lembra daquela Regra que devem ter lhe ensinado ainda quando aluno da Escola Preparatória: “No Exército manda quem pode e obedece quem tem juízo”? Não lembra?

Por outro lado, qual a Democracia que, nas suas palavras, o Exército quer continuar a defender? ESTA – que já está defendendo – desde que o conluio de TRAIDORES, capitaneado pelo “Melancia” Edson Pujol, quando se reuniu secretamente com o famigerado Ministro da Suprema Corte Gilmar Mendes, tendo como objeto estabelecer no Brasil a DITADURA DO JUDICIÁRIO?

ESTA, com a ditadura já instalada, em que o Ministro Alexandre de Moraes, por diversas vezes submeteu generais de 4 estrelas a prestarem depoimentos na Polícia Federal?

ESTA, que esse mesmo “Capa Preta”, rasgando a Constituição Federal de modo sistemático e contínuo, determina a busca e apreensão de bens, prisão de suspeitos, inclusive deputados federais, bloqueios de contas bancárias, tudo sem o devido processo legal, totalmente ao arrepio da Lei Penal, pisoteando sobre a PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA, princípio pétreo de nosso DIREITO?

ESTA, em que agora, recentemente, esse DITADOR CAPENGA e ASQUEROSO, colocando tudo e todos sob suas patas opressoras, criou seu próprio CAMPO DE CONCENTRAÇÃO, isolando crianças, mulheres, idosos, tudo sob o manto de “AÇÕES TERRORISTAS” que, segundo ELE, foram praticadas pelos “golpistas”, também chamados “BOLSONARISTAS”, quando, na verdade, esses atos (que repudiamos) foram obras de um plano muito bem elaborado, infiltrando-se elementos da esquerda entre a população pacífica e ordeira que estava defronte ao Quartel General do Exército, em Brasília, isto desde o final das Eleições, em outubro de 2022, fato esse causador da DEMISSÃO DO COMANDANTE DO EXÉRCITO que lhe precedeu, simplesmente por argumentar diante do CONDENADO-CHEFE não serem aqueles manifestantes -exclusivamente contrários ao resultado das URNAS - os autores das destruições ocorridas?

ESTA, na qual a Ministra da Suprema Corte Rosa Weber, em voto decisivo, dá maioria de modo a não se aplicar cumprimento de prisão aos condenados em Segunda Instância, tudo no intuito de dar liberdade ao ex-presidente LADRÃO?

 ESTA, certamente a mais absurda de todas: na qual o Ministro Edson Fachin, do mesmo STF, monocraticamente, determina a soltura de Lula por ter ANULADO SUAS CONDENAÇÕES?

ESTA, em que o TSE admite Lula como candidato à Presidência sem apresentar ANTECEDENTES CRIMINAIS NEGATIVOS, imprescindíveis para tal cargo, “IGNORANDO” a Lei da FICHA LIMPA?
 
Como bem se pode observar, seu despreparo (ou sua personalidade de duas faces, uma verde, outra vermelha) caiu como uma luva para o ILETRADO, mas singularmente MALICIOSO, CRIMINOSO, MENTIROSO e SAFADO PRESIDENTE LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA – chefe da QUADRILHA-MATRIZ – a usá-lo como BOI FARDADO, submetendo-o à CANGA e ao AJOUJO, considerando-o como ELEMENTO FUNDAMENTAL da QUADRILHA-CONIVENTE!

Daí resulta e se justifica seus dizeres: “Não interessa quem está no comando”...

Assim, para você, não interessa se o Presidente é NAZISTA? Nazismo não é crime?

Certamente você se recusaria a prestar continência e obediência para um COMANDO que usasse a suástica como símbolo, não é isso?

 Afinal, nossos Pracinhas foram à Itália lutar contra o nazi-fascismo, e muitos deles deram a vida pela LIBERDADE, contra a opressão e a prática de crimes indescritíveis!

Então, por que você – agora – abraçando um dos maiores criminosos do Brasil, de forma VERGONHOSA, se VERGA ao crime, à perfídia, ao roubo escancarado (conhecido e reconhecido mundialmente), e, pior, a um COMANDANTE ESQUERDISTA, um dos fundadores e apoiadores incondicionais do FORO DE SÃO PAULO, que tem como meta reunir a AMÉRICA LATINA NUMA GRANDE PÁTRIA SOCIALISTA? (leia-se: NARCO-SOCIALISTA).

Nesse contexto, qual seria a diferença em você ser o braço direito, o homem de confiança de uma Organização Criminosa de narco-traficantes tipo Comando Vermelho?

Afinal, “não importa quem manda”... Porque, na verdade, o Crime Organizado é quem manda no Brasil, principalmente nos morros ou periferias das nossas grandes Metrópoles, e até mesmo de dentro das chamadas prisões de SEGURANÇA MÁXIMA, tudo diante dos olhos complacentes e INERTES de quem tem a MISSÃO principal de manter a segurança e a soberania de nosso território!

Estou faltando com a verdade?
Ora, você sabe muito bem que não estou!

É a mais pura, nua e crua VERDADE, isto porque, na posição ou posto em que você se encontra, não pode ignorar que nos governos petistas de Lula e Dilma, mais de 30 bilhões de reais do BNDES foram dados de mão beijada para Angola, Argentina, Venezuela e República Dominicana, afora os bilhões a fundo perdido alcançados para a construção do PORTO de MARIEL, em Cuba, enquanto aqui no Brasil milhares pereciam de fome, sem água potável e sem esgoto!

Você sabe perfeitamente que o seu COMANDANTE SUPREMO foi condenado em Segunda Instância (e também em Terceira Instância, pelo STJ, no caso do Sítio de Atibaia) na Lava-Jato, ao cumprimento de mais de 20 anos de prisão, ambos em razão de propinas e desvios de verbas em proveito próprio, além de obstrução de Justiça.

Além disso, o seu COMANDANTE ainda responde a outros sete processos na Justiça.

Essas ações são referentes à denúncia de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de influência, entre outros crimes, tudo com origem nas operações Lava-Jato e Zelotes.

Por tudo isso, vocês – traidores da Pátria e do Povo Brasileiro – pelo menos da esmagadora maioria do povo patriota, sério, trabalhador, pagador de impostos, acabaram por ENGOLIR a corja mais nefasta aqui nascida e alimentada pela INVERSÃO DE VALORES, dando guarida ao aparelhamento do Estado pela sempre odiada, combatida e derrotada ESQUERDA, permitindo assim, certamente por meio da Teoria Gramscista, o abarcamento do Poder Total, varrendo da HISTÓRIA de HONRA o Velho Exército de CAXIAS, valoroso e sempre ESTEIO da DIGNIDADE, da ESTABILIDADE, da INTEGRIDADE TERRITORIAL e da SOBERANIA DO BRASIL!
 
Não sou bolsonarista. Nunca fui. Votei nele apenas por um motivo: era o único cartucho que tínhamos contra o PT!

Neste ponto abro um parêntesis: (Jamais segui esse ou aquele “líder” político, jamais me filiei a qualquer sigla partidária; minha luta sempre foi ideológica, contra as esquerdas, contra esse MAL que nos ameaça e nos pressiona permanentemente, e que, GRAÇAS ao VELHO EXÉRCITO, pelo menos até o final do Regime Militar, nunca teve o sabor de escravizar nosso povo!)

Prossigo: Reconheço que Bolsonaro cometeu muitos erros, erros até crassos, isto por não ser um Estadista, mas, afora isso, recuperou a esperança e despertou o patriotismo de milhões de pessoas, promoveu uma verdadeira revolução na nossa infraestrutura, totalmente em abandono, como foi o caso da complementação da obra de canalização de água do Rio São Francisco, construções e/ou recuperação de estradas, então intransitáveis, e também dando impulso às nossas linhas ferroviárias, sem se esquecer de renovar e dar às FFAA equipamentos modernos, a ponto de atualmente estarmos numa situação bélica de vantagem no âmbito da América Latina.

Além disso, a Petrobras que quase foi à falência no governo petista passou a ter lucros bilionários. E não se tem notícias de que ele, pessoalmente, tenha se locupletado ilicitamente por meio do Erário ou por qualquer outra transação espúria, a título  de propinas.

Tudo isso num governo em que inúmeras desgraças ocorreram no Brasil e no Mundo, com destaque para a Pandemia, sendo que, a esquerda raivosa e vingativa nunca lhe deu tréguas, começando com aquela agressão bárbara de uma facada, ainda quando candidato, e ele, Bolsonaro, longe de ser um homem a buscar vingança, entregou seu governo sem que aquele crime fosse esclarecido, quando sabemos que, como Presidente – se fosse um ditador – espremeria o causador do dano até chegar a seus mandantes!

 Governou o Brasil sem sair, em momento algum, das regras Constitucionais.

Mas quando, inarredavelmente e cristalinamente flutuou o fraudulento resultado das URNAS ELETRÔNICAS, que deram a vitória ao conhecido, reconhecido e odiado ex-presidiário, LADRÃO e COMUNISTA, veio Bolsonaro, então – sem se afastar do texto da Carta Magna, - a invocar o art. 142, isto para dar àquele PLEITO a transparência necessária, de modo a fazer com que o Mundo entendesse o Brasil no rumo dos Países sérios, ou das Democracias coerentes com a legalidade e a moralidade!

No entanto, na hora “H”, para estarrecimento do próprio Presidente, seu comandante de Exército – FREIRE GOMES – lhe negou o estribo, sob o covarde argumento de que “Não lhe valia 20 dias de glória para ter ao depois 20 anos de incômodos”  

Sinceramente, se sou eu o Presidente, esse TRAIDOR REPUGNANTE sairia da sala – morto - com um balaço no meio da testa!

Mas Bolsonaro não tem sangue para tanto; nunca foi e nunca será um homem de guerra!
Aliás, passou seus quatro anos de governo nem mesmo sabendo se os seus generais lhe eram fiéis; sem – ao menos – ter a seu dispor um Batalhão de Infantaria devidamente equipado, ali, próximo à sua residência, pronto para qualquer missão, isto para não precisar beber água no ouvido de ninguém!

Porque, não precisaria mais do que 01 (um) Batalhão de Infantaria, ou até mesmo um Esquadrão de Cavalaria para fazer o que tinha de ser feito: fechar o STF, prender todo aquele bando de urubus que não teve e continua não tendo o menor respeito para com a LEI, a ORDEM, a LIBERDADE e/ou a INDEPENDÊNCIA DOS TRÊS PODERES, submetendo o povo brasileiro a um verdadeiro TERRORISMO jurisdicional, e dizer que aquele IMPOSTOR e COVARDE – GOMES FREIRE – que passou sugando a NAÇÃO por meio de seus vencimentos e diárias, não moveu uma palha para cumprir sua missão Constitucional, pelo contrário, URINOU PRA TRÁS, como bem se diz na CASERNA!

Aqui se impõe a pergunta e muitos dos dizeres e imagens que percorrem atualmente as REDES SOCIAIS, por parte de pessoas valorosas e honestas, porém, totalmente inconformadas e revoltadas: “FORÇAS ARMADAS PARA QUÊ?

 Gastos bilionários que saem do suor do povo para equipar e manter mais de 300 mil homens em armas e equipamentos, aviões, blindados, viaturas e navios de toda espécie, tudo isso para não FAZER NADA, com medo de VER SANGUE, e que assim sendo, preferem se SUBMETER a UMA DÚZIA DE SAFADOS, e ainda apregoam publicamente: BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA, ostentando uma ONÇA, animal valoroso de nossas Florestas, como SÍMBOLO, símbolo esse que, depois dessa CONSTRANGEDORA CANALHICE, passou a ser o da imagem de uma TRAÍRA, com os dizeres: DENTES FORTES PARA OS AMIGOS”!

QUE BAITA CIRCO!

Esse, pois, é o NOVO EXÉRCITO, no meu entendimento!

Esse NOVO EXÉRCITO principiou sua gestação na mente e nos atos daqueles demagogos e/ou esquerdistas e não menos corruptos que deram curso à chamada NOVA REPÚBLICA, começando essa gravidez por meio de uma mobilização nacional para denegrir a imagem das FFAA, em que pese a ANISTIA - AMPLA, GERAL E IRRESTRITA (um dos maiores erros de nossa História), concedida pelo General-Presidente João Baptista Figueiredo.

De pronto tratou-se da confecção da “CONSTITUIÇÃO CIDADÔ, um calhamaço EMOCIONAL e UTÓPICO, que não resistiu ao próprio tempo, sendo atualmente recheada de Emendas, que nada, absolutamente nada contribuiu para o nosso desenvolvimento político-econômico, muito menos para a paz social; tanto isso é verdade, que o SUPREMO MANDATÁRIO DO BRASIL – Ministro Alexandre de Moraes – de forma contínua e sistemática vem a fazendo em pedaços, como se fosse um tosco rolo de papel higiênico!

Não contentes com a ANISTIA, vieram as esquerdas a pressionar INDENIZAÇÕES POR PERSEGUIÇÃO POLÍTICA, fato esse que corrobora minha posição no sentido de que - dar ANISTIA a comunista ou terrorista - é colocar a serpente peçonhenta no próprio bolso!

Assim, centenas e centenas de vermelhos foram indenizados e/ou contemplados com vultosas aposentadorias, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Dilma Rousseff e, obviamente, LULA DA SILVA!

Deu-se aí o primeiro RASPAR DE COFRES do Erário Público, e o NOVO EXÉRCITO ficou em SILÊNCIO, limitando-se a nomear um general para acompanhar a Comissão da Verdade!

E em silêncio novamente ficou o NOVO EXÉRCITO quando LULA, em conluio com EVO MORALES, estendeu à Bolívia a posse das nossas Refinarias de Gás, sendo que, em maio de 2006, o Exército comunista de EVO tomou tudo o que era nosso, SEM QUALQUER REAÇÃO de parte de nossos “bravos VOs”, já em adiantada metamorfose a “MELANCIAS”!

E você, em seu pronunciamento, diz alto e bom som: “O EXÉRCITO É E DEVE SER APOLÍTICO”, numa insipiente contradição no sentido de que ao EXÉRCITO CABE CUMPRIR SUA MISSÃO CONSTITUCIONAL, e, nesse escopo, de modo algum, por motivo nenhum cabe ao EXÉRCITO a INÉRCIA ou a PASSIVIDADE DIANTE DA DINÂMICA DA VIDA PÚBLICA, mormente no quanto essa dinâmica afeta toda a NAÇÃO, ou seja, o POVO,  unicamente o POVO é que constitui o EXÉRCITO e a NAÇÃO, sendo um dependente do outro, devendo, assim, ser essa LEALDADE INDISSOLÚVEL, IRRENUNCIÁVEL e INCONDICIONAL, pois, do contrário, teríamos duas NAÇÕES num mesmo TERRITÓRIO!
 
Entrementes, pelo que tenho observado, ouvido ou falado pessoalmente com vários companheiros da Ativa e da Reserva, NEM TUDO ESTÁ PERDIDO!

O Velho Exército – aquele da honra, do brio, dos valores perenes, da coragem desassombrada, do verdadeiro AMOR PELO BRASIL ainda EXISTE ou luta para continuar EXISTINDO.

E o que dizem eles? Apenas uma palavra: VERGONHA!

Duvido que você, doravante, ao visitar qualquer Estabelecimento Militar estará à vontade junto a seus pares ou subordinados.
Se você tiver um pouco de sensibilidade ou se tiver bem informado, perceberá, de plano, essa VERGONHA, essa REVOLTA, esse RUBOR nas faces dos verdadeiros soldados, em que pese o silêncio, na maioria das vezes, a camuflar tal sentimento!

Você perdeu a credibilidade e o respeito no exato momento em que pensou tê-los adquiridos!

Você me lembra de uma velha história, a história daquele adolescente que, tendo visitado a Zona do Meretrício pela primeira vez, não resistindo seus ímpetos recém florados, atirou-se – ávido e faminto – na primeira “dama” que topou pela frente!
Sentiu o prazer de forma singular, nunca dantes imaginada; todavia, menos de uma semana depois, urrava de dores ao urinar, sem mesmo saber que se tornara portador de uma gonorreia!

TOMÁS MIGUEL RIBEIRO PAIVA, você deve ter notado que, em momento algum desta Carta o chamei por GENERAL.

EXPLICO: seria incoerente comigo mesmo, sendo eu um produto do VELHO EXÉRCITO, nominá-lo ou compará-lo com aqueles VELHOS GENERAIS, verdadeiros Generais com os quais convivi ou prestei subordinação.

Cito o nome de alguns deles: General Breno Borges Fortes, então comandante do III Exército quando eu fazia o CFS, em 1971; com ele no comando preparamos a chamada OPERAÇÃO CHARRUA, ou 30 HORAS, com o objetivo de invadir o Uruguai caso as eleições fossem favoráveis aos tupamaros, o que não ocorreu.

General Antônio Bandeira, comandou o III Exército de 1979 a 1981.
Com este General tive contatos constantes, pois, seguidamente ele visitava o DOI-CODI, órgão pelo qual muito zelava e tinha grande carinho; tinha verdadeira aversão a comunistas, assim como eu; de estatura baixa, pouco falante, no entanto, foi um dos chefes mais corajosos e leais dos muitos que tive o prazer de conhecer e conviver no meu tempo na Ativa.

General Walter Pires de Carvalho e Albuquerque, com este não tive contato pessoal, mas minha admiração por sua coragem, desassombro e lealdade ao General-Presidente Figueiredo fez com que eu inserisse no meu livro BRASIL:SEMPRE uma frase de sua autoria, imortalizada como símbolo de uma época de ouro do Velho Exército: “Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas, de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia”.

Hoje, na INVERSÃO DE VALORES DO NOVO EXÉRCITO, especificamente pelo ALTO ESCALÃO, essa frase contém a seguinte analogia: “Estaremos sempre INERTES ou OMISSOS quando o crime, a anarquia e a ditadura forem instalados contra a Nação, e haveremos de apunhalar todo aquele que intentar contra o rumo desse percurso”

Espero que você leia esta Carta, devidamente sentado na sua poltrona de comando, e tenha, no mínimo, a humildade de corrigir o azimute que o está conduzindo por esse caminho sombrio e desastroso, que tanto tem revoltado aquela grande maioria que constitui a boa, pacífica, correta e patriota gente brasileira!"
 
Subscrevo-me,
 
Marco Pollo Giordani
Advogado e escritor

VÍDEOS...+03