terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO...01

 

O POBRE DE ESQUERDA E A PRISÃO IDEOLÓGICA

O pobre de esquerda não vive apenas a escassez material; ele habita uma prisão invisível, construída não de grades, mas de ideias. Sua cela é a narrativa. Sua algema é a ideologia. Ele acredita ser livre porque repete slogans de justiça social, mas não percebe que sua consciência foi terceirizada ao Estado e aos seus intérpretes políticos.

Essa prisão ideológica começa cedo. Ensina-se ao pobre que ele é vítima permanente, incapaz de prosperar por mérito próprio, condenado a depender eternamente da tutela estatal. O discurso é sedutor: o Estado como pai, protetor e provedor. Mas, como todo falso benfeitor, esse “pai” exige obediência absoluta. Questionar o sistema vira traição. Pensar diferente vira pecado político.

O pobre de esquerda passa a confundir dependência com dignidade. Migalhas são chamadas de direitos conquistados. Programas assistencialistas, em vez de serem pontes para a autonomia, tornam-se correntes que garantem a fidelidade eleitoral. Quanto mais preso, mais grato ele deve ser. Quanto mais carente, mais útil politicamente.

A ironia cruel é que ele defende com fervor o mesmo sistema que o mantém na miséria. Ataca o empreendedor, demoniza a prosperidade e odeia quem escapa da pobreza sem pedir permissão ao Estado. Não luta contra a injustiça estrutural; luta contra qualquer ameaça à narrativa que sustenta sua identidade ideológica. A prisão passa a ser confortável, porque pensar dói mais do que obedecer.

A prisão ideológica também anestesia o senso crítico. Escândalos são relativizados, corrupções são justificadas, fracassos são sempre culpa de “outros”: do mercado, do imperialismo, da direita, do passado. Nunca do modelo. Nunca da ideologia. O pobre de esquerda aprende a defender seus carcereiros com paixão, acreditando que sem eles o caos seria inevitável.

No fim, a maior violência não é econômica, mas intelectual. Rouba-se do indivíduo a capacidade de imaginar um futuro diferente daquele autorizado pelo discurso oficial. A pobreza deixa de ser um problema a ser superado e passa a ser uma ferramenta de poder. Um ativo político. Um curral ideológico.

Romper essa prisão exige coragem. Exige assumir responsabilidade, questionar verdades prontas e encarar a liberdade como um risco — não como uma ameaça. Porque a verdadeira emancipação não vem do Estado, nem da ideologia, mas da consciência crítica que se recusa a viver de joelhos, mesmo quando a coleira é pintada de esperança.

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