O POBRE
DE ESQUERDA E A PRISÃO IDEOLÓGICA
O pobre
de esquerda não vive apenas a escassez material; ele habita uma prisão
invisível, construída não de grades, mas de ideias. Sua cela é a narrativa. Sua
algema é a ideologia. Ele acredita ser livre porque repete slogans de justiça
social, mas não percebe que sua consciência foi terceirizada ao Estado e aos
seus intérpretes políticos.
Essa
prisão ideológica começa cedo. Ensina-se ao pobre que ele é vítima permanente,
incapaz de prosperar por mérito próprio, condenado a depender eternamente da
tutela estatal. O discurso é sedutor: o Estado como pai, protetor e provedor.
Mas, como todo falso benfeitor, esse “pai” exige obediência absoluta.
Questionar o sistema vira traição. Pensar diferente vira pecado político.
O pobre
de esquerda passa a confundir dependência com dignidade. Migalhas são chamadas
de direitos conquistados. Programas assistencialistas, em vez de serem pontes
para a autonomia, tornam-se correntes que garantem a fidelidade eleitoral.
Quanto mais preso, mais grato ele deve ser. Quanto mais carente, mais útil
politicamente.
A
ironia cruel é que ele defende com fervor o mesmo sistema que o mantém na
miséria. Ataca o empreendedor, demoniza a prosperidade e odeia quem escapa da
pobreza sem pedir permissão ao Estado. Não luta contra a injustiça estrutural;
luta contra qualquer ameaça à narrativa que sustenta sua identidade ideológica.
A prisão passa a ser confortável, porque pensar dói mais do que obedecer.
A
prisão ideológica também anestesia o senso crítico. Escândalos são
relativizados, corrupções são justificadas, fracassos são sempre culpa de
“outros”: do mercado, do imperialismo, da direita, do passado. Nunca do modelo.
Nunca da ideologia. O pobre de esquerda aprende a defender seus carcereiros com
paixão, acreditando que sem eles o caos seria inevitável.
No fim,
a maior violência não é econômica, mas intelectual. Rouba-se do indivíduo a
capacidade de imaginar um futuro diferente daquele autorizado pelo discurso
oficial. A pobreza deixa de ser um problema a ser superado e passa a ser uma
ferramenta de poder. Um ativo político. Um curral ideológico.
Romper
essa prisão exige coragem. Exige assumir responsabilidade, questionar verdades
prontas e encarar a liberdade como um risco — não como uma ameaça. Porque a
verdadeira emancipação não vem do Estado, nem da ideologia, mas da consciência
crítica que se recusa a viver de joelhos, mesmo quando a coleira é pintada de
esperança.
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