A ESCRAVIDÃO HUMANA...
Abril de 2023
(1a. Parte)
Diferenças entre escravidão
indígena e escravidão africana
A escravidão foi implantada no Brasil durante a década de 1530, e,
durante grande parte da colonização, a escravidão indígena e a africana
coexistiram em quase toda a colônia.
Ao longo de três séculos, cerca de 5 milhões de africanos foram
desembarcados no Brasil como escravos.
A escravidão foi uma instituição implantada
no Brasil em meados da década de 1530 e que se estendeu até o final do século
XIX, quando a Lei Áurea, de 1888, proibiu o trabalho escravo. Ao longo
da história colonial e imperial do Brasil,
os grupos escravizados foram, primeiramente, os indígenas e, depois, os africanos.
Acesse também: A
história da revolução realizada por escravos africanos em um país do Caribe
Implantação
da escravidão no Brasil
A escravidão foi implantada aqui na década de 1530,
quando os portugueses iniciaram a ocupação sistemática da América Portuguesa,
por meio da ocupação das Capitanias
Hereditárias. A princípio, no dito Período
Pré-Colonial, a relação de trabalho existente foi a do escambo,
em que os indígenas trabalhavam com a exploração
do pau-brasil.
Com a ocupação sistemática do território e a
implantação de um sistema econômico que necessitava de grande número de
trabalhadores braçais, os portugueses viram a necessidade de adquirir
trabalhadores escravos. O primeiro grupo disponível para isso foram os
indígenas, e a escravização indígena foi utilizada, em alta escala, em todo o
continente americano, não somente na América Portuguesa.
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Escravização
indígena
Os indígenas, como mencionado, foram o primeiro
grupo a ser escravizado em nosso país, quando ainda colônia. Aos poucos, essa
mão de obra foi sendo gradativamente substituída pela dos escravos africanos,
mas essa foi uma transição lenta e que não aconteceu de maneira
uniforme.
Sendo assim, em alguns locais da América
Portuguesa, os trabalhadores indígenas foram substituídos pelos africanos em
meados do século XVII, enquanto em outros isso aconteceu somente no século
XVIII.
Os indígenas foram primeiramente escravizados
justamente por ser o único grupo disponível em grande quantidade para
que os portugueses pudessem explorar. A escravização dos indígenas era mais
barata, mas uma série de fatores tornavam-na mais complicada de
sustentar-se.
Primeiro, havia uma questão cultural, pois
os indígenas não estavam acostumados com uma rotina de trabalho que visasse a
produção de excedentes, já que sua cultura de trabalho era a de subsistência. Além
disso, há o fato de que o trabalho na lavoura, na visão dos grupos indígenas,
era um trabalho realizados pelas mulheres.|1|
Outro complicador relacionava-se com a questão
demográfica. A população de indígenas, sobretudo no litoral, reduziu-se
sensivelmente na medida em que avançava a colonização
portuguesa. Isso se explica pelo fator biológico, pois
doenças trazidas pelos portugueses eram fulminantes para os nativos, mas também
pelos conflitos com os portugueses e pela escravização, os quais resultavam na
morte de indígenas aos milhares.
As fugas também eram uma questão relevante,
pois os indígenas, que possuíam amplo conhecimento do território, conseguiam
fugir e dificilmente eram recapturados. Por último, há a questão dos jesuítas, que
criavam dificuldades para a escravização dos indígenas pelos colonizadores.
Os jesuítas criavam suas missões no interior da
América Portuguesa, iniciavam o processo de catequização dos indígenas e
exploravam a mão de obra desses na produção de itens agrícolas. As
historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling comentam que a concentração de
indígenas nas missões jesuíticas mostrou-se nefasta porque favoreceu a
proliferação de epidemias.|2|
Saiba mais: Formas
de trabalho na América Hispânica
A atuação dos jesuítas contra a escravização dos
indígenas criou diversos conflitos com colonos interessados nessa atividade. A
pressão dos jesuítas para que a Coroa portuguesa proibisse a escravização
indígena resultou em leis que determinaram a proibição da escravização indígena
em 1570, 1587, 1595 e 1609. Essas leis defendiam que somente em caso de “guerra
justa” é que os indígenas poderiam ser escravizados.
Apesar dessas leis, os indígenas foram escravizados
em grande quantidade e locais, como Paraná, São Paulo, Maranhão,
entre outros. Isso porque muitos desses lugares não tinham economias tão
prósperas para adquirirem escravos africanos em grande número, e, assim, o
sequestro de índios para escravizá-los foi comum, pois era uma
alternativa que supria a demanda por mão de obra desses locais.
Os bandeirantes paulistas
abasteceram partes importantes do país com índios escravizados. Esses eram
utilizados para trabalharem na lavoura e em atividades relacionadas à produção
do açúcar, assim como existem evidências de que, até a
década de 1710, existiam índios trabalhando em zonas de mineração em Minas
Gerais. Em 1757, durante o período Pombalino, foi
proibida definitivamente a escravização de indígenas.
Os indígenas foram o primeiro grupo escravizado na América Portuguesa, e sua
escravização foi definitivamente proibida em 1757.*
Acesse também: Racismo,
um grave problema que ainda persiste na sociedade brasileira
Escravização
africana
A substituição da mão de obra dos indígenas pela
dos africanos foi uma tendência que aconteceu em toda a América. No caso da
América Portuguesa, essa migração não foi uniforme e cada local teve fatores
específicos que contribuíram para uma migração mais rápida ou mais lenta. A
migração para a mão de obra escrava de africanos deu-se com o crescimento de um
comércio que atravessou séculos: o tráfico
negreiro.
O tráfico negreiro era a atividade que obtinha
africanos escravizados em regiões litorâneas da África e transportava-os para a
América, a fim revendê-los. A substituição do indígena pelo africano está
diretamente relacionada com a necessidade contínua por trabalhadores
escravizados e com a diminuição da disponibilidade dos indígenas.
Além dessa necessidade, a alta lucratividade desse
comércio fez com que o tráfico negreiro tomasse proporções gigantescas na
América Portuguesa e fosse responsável pelo desembarque de quase 5 milhões
de africanos aqui. O preço de um escravo africano, por sua vez, era um
impeditivo, pois era cerca de duas ou três vezes mais caro que um indígena.
Durante todo o século XVI, os africanos eram
escravizados em menor número que os indígenas na América Portuguesa e somente
se tornaram a maioria nas primeiras décadas do século XVII. Em alguns locais,
isso só aconteceu no século XVIII. Lugares como a Bahia, devido a sua
prosperidade, conseguiram fazer essa transição já na passagem do século XVI
para o XVII.
A alimentação dos escravos era muito ruim, e
por isso esses faziam o complemento dela com base em uma plantação de
subsistência, embora nem todos os escravos tivessem esse direito. O trabalho
era exaustivo, podendo chegar a 20 horas por dia, e as violências eram
rotineiras. Esses escravos eram transportados para a América em condições
degradantes e, no dia a dia, eram violentados de todas as formas. Essa rotina
desumana fazia com que alguns deles optassem por cometer o suicídio.
Entre as formas de punição, os escravos poderiam
ser açoitados até a morte, enforcados, queimados vivos,
marcados com ferro etc. Os horrores da escravidão
motivavam a resistência dos escravos, que se revoltavam contra seus
senhores e feitores, fugiam, formavam quilombos,
continuavam praticando sua religião e cultura às escondidas etc.
Acesse também: A
história da princesa que assinou a lei de abolição da escravatura no Brasil
Fim da
escravidão
A escravidão de indígenas foi totalmente
substituída pela de africanos no século XVIII. Essa instituição seguiu em nosso
país, mesmo depois de conquistada a Independência, e só teve
fim em 1888, quando foi aprovada a Lei Áurea. A abolição
da escravidão foi resultado do engajamento popular, que
pressionou e forçou o império a extinguir a atividade.
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Dionê
Leony Machado
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