quarta-feira, 2 de outubro de 2019

BAHIA AFRO 5


Caruru e Carurus

O caruru é uma comida consagrada na cultura de matriz africana. Ele é feito com quiabos, azeite de dendê, camarões defumados; e nos temperos há o destaque para o gengibre.
O caruru é também um banquete na tradição ioruba que é dedicado aos Ibejis, gêmeos protetores das famílias, das localidades, verdadeiros ancestrais que são responsáveis pela fertilidade de mulheres que desejam ter filhos.
Assim, de uma maneira ampla, os Ibejis passam a ser os protetores das crianças e, em especial, das crianças gêmeas, que são interpretadas segundo a tradição ioruba como uma marca sagrada.
foto de Jorge Sabino
O caruru dos Ibejis, popularmente conhecido como caruru de Cosme, caruru das crianças, caruru de dois-dois, traz o sentido da dupla, que reúne o masculino e o feminino.
Além de ser uma comida consagrada, o caruru nomina um conjunto de comidas que formam um cardápio nas festas, nas casas, nos terreiros de candomblé, nos mercados e nas feiras.
A festa do caruru cria uma verdadeira mobilização de milhares de pessoas para homenagear os Ibejis, que no processo da história religiosa afro-brasileira com a Igreja são representados pelos santos São Cosme e São Damião, por meio do oferecimento de comidas que têm como destaque o quiabo e o dendê, e dessa forma louvam e agradecem aos santos gêmeos.
Esta festa-obrigação, o caruru, é um amplo banque feito à base de azeite de dendê: acarajé, abará, vatapá, caruru; efó, farofa de dendê, xinxim de galinha; além de acaçá branco, rolete de cana, pipoca; cocada branca e preta; e, bebidas doces e bem populares, como o vinho Moscatel; e o aluá, uma bebida artesanal feita de rapadura e milho vermelho; e muitas outras comidas que fazem esta celebração de sabores sagrados.
Na comensalidade do caruru, que é uma festa, reúnem-se adultos e crianças; e segundo a tradição, todas as comidas salgadas devem ser servidas em um único prato, e assim as porções oferecidas são de uma colher de sopa para cada tipo de preparo, porque este prato é uma verdadeira síntese do banquete ritual.
O caruru de quiabo e dendê, consagrado enquanto um prato e denominação de uma festa-banquete, são criações afrodescendentes.  Isso mostra que há na cozinha de matriz africana uma relação através desta nominação com os povos nativos, pois o termo caruru é possivelmente indígena.
A palavra caruru é também uma denominação para ampla variedade de tipos de folhas comestíveis brasileiras. Caruru-rasteiro, caruru-de-porco, caruru-da-Bahia; espécies também conhecidas como bredo, bredo-rasteiro. Todas estas folhas fazem parte de preparos que integram um elenco de comidas verdes que estão nos hábitos alimentares de muitos brasileiros.  São espécies nativas que mostram possibilidades de usos e formas de aproveitamento do que popularmente se chama de “mato”.
Ainda, pode-se dizer de algumas receitas tradicionais de caruru de quiabo são acrescidas de bredo-de-santo-Antônio, ou outra folha, num preparo essencialmente verde, sempre com azeite de dendê, e temperos como camarões defumados e gengibre.
São muitos os temas que trazem à boca este variado entendimento sobre o caruru, que vai a mesa para revelar os estilos do brasileiro comer verde.

BAHIA AFRO 4









BAHIA AFRO 3

BOLO DE ESTUDANTE



COMIDAS DA BAHIA- AFROS! 2

PARA O CARURU

ACAÇÁ

ACAÇÁ

PLANTA PARA O EFÓ









A BAHIA E SUA CULINÁRIA AFRO!!!


Fé e festas de largo do São Salvador


http://www.viamagia.org/images/quadrado_preto2.gifCaruru
Momento de reunir para preparar, para produzir nas panelas e nos fogões, e momento para partilhar, ampliar contatos com o mundo, com o que é sagrado, oferecendo muito quiabo. Quiabo gostoso e temperado por mãos e corações que têm axé, que tem um amor plural, posto que originário da santa-orixá que domina principalmente as mulheres.

O caruru é um prato em si, mas também assume, cada vez mais, o significado de cardápio. Agrega ao prato principal – feito com quiabos em rodelinhas, camarão seco, amendoim, castanha-de-caju, dendê e temperos – o xinxim de galinha, o vatapá, o abará, o acarajé, o arroz branco, além do acaçá branco e outros complementos.

Para Cosme, no tão tradicional caruru de Cosme, acrescenta-se ainda farofa de dendê, pipoca, feijão de azeite, feijão preto, ebô, cana-de-açúcar, ovos cozidos, queimados (balas).

A fama dos carurus está no número de quiabos utilizados. Então é comum ouvir-se: “o caruru que eu ofereci foi de 10 mil quiabos”, dando assim a dimensão da grandeza do evento e da tradição do fazer caruru para grandes grupos. É comida que rende que une as pessoas, que celebra pelo gosto gostoso dos ingredientes esse sabor de Bahia africana, por isso Bahia mais brasileira, no mergulho gastronômico dos paladares caprichados e sofisticados das mulheres que cozinham. Pois os elos entre as cozinhas dos terreiros de candomblé, territórios do mundo feminino, se mantêm nas outras cozinhas, nas casas, na rua, fazendo caruru, tratando cerimonialmente cada quiabo.

Cid Teixeira, notável historiador das coisas da Bahia, trouxe algumas informações que ajudam a entender as festas de hoje, as devoções, as comidas, essa magnífica interação entre a vida e o sagrado.

Aponta o autor a variedade de carurus que se comia na Bahia no início do século 20. Caruru de diferentes ingredientes, inclusive o 'caruru de quiabo'. Caruru é comida feita de folha, de qui ioiô, de bertalha, de bredo de Santo Antônio, de azedinha de vinagreira. Aqui me lembro da receita tradicional da cozinha afro-maranhense, o cuxá, um tipo de caruru feito de folha, de vinagreira, recebendo ingredientes como o camarão seco, a pimenta e um novo acréscimo, que é a farinha-d'água, tipo de farinha de mandioca; misturando-se tudo no pilão, resulta em alimento pastoso e saboroso que é acompanhado de arroz branco e peixe frito.

De certa forma, trata-se de prato muito próximo do efó, também à base de folha e temperos em que se destaca o azeite-de-dendê. É sempre acompanhado de arroz branco, geralmente insosso, para pontuar o temperado e o colorido do dendê.

No imaginário afro-baiano, entretanto, o caruru ficou sacralizado pelo uso de quiabos, inclusive alguns inteiros; segundo o costume, quem destes últimos se servir deverá interpretá-lo como um anúncio de que o santo homenageado está pedindo para o próximo ano um novo caruru.

Oferecer caruru é uma obrigação religiosa, um pagamento de promessa, mas, quase o mesmo que festa, caruru é um bom motivo para reunir amigos, devotos e familiares, e, juntos, celebrar datas pessoais ou coletivas e partilhadas, como aquelas que evocam os santos populares, entre elas 4 de dezembro, dia da 'Moça', da 'Santa', da Bárbara, de Iansã.

Consulta Google. Todas as receitas.



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terça-feira, 1 de outubro de 2019

PÓVOA DE VARZIM - TERRA DO AVÔ!


O que faz de Póvoa de Varzim um dos melhores destinos de verão na Europa?

muitas e boas razões para se visitar Portugal. Uma delas é Póvoa de Varzim. No ranking dos municípios portugueses, essa cidade está apenas depois de Porto e Braga, em termos de qualidade de vida, capacidade de atrair turistas e impactar a economia. Póvoa é moderna, animada, dinâmica, empreendedora e cosmopolita. Tem um arranjo urbanístico impressionante. E, nas últimas décadas, tem se tornado um dos melhores e mais importantes destinos de verão na Europa.
Póvoa de Varzim é um dos melhores e mais importantes destinos de verão na Europa. (imagem de Wikipedia)
+ Conhecendo a Póvoa
Póvoa de Varzim é uma cidade costeira, que está localizada na Região Norte de Portugal. Situa-se em uma planície de solo arenoso, às margens do Oceano Atlântico e com o Cabo de Sandro André ao fundo. Tem em torno de oitenta quilômetros quadrados e cem mil habitantes. É formada por sete freguesias – divisão administrativa – e apresenta clima ameno nas diferentes estações do ano.
Suas raízes sempre estiveram ligadas à proximidade com o mar. Possíveis vestígios de sua fundação estão presentes em uma área fortificada, que data de 900 a.C., mas somente em 1308 foi oficializada a primeira comunidade. No século XVIII, Póvoa já era o principal porto de pesca e centro de construção naval do norte do país. Com a chegada do século XIX, a cidade ganhou força, desenvolveu-se e cresceu. Houve, então, um aumento significativo no turismo.
Centro Histórico de Rates, do período da Idade Média. Na aldeia há inúmeros tesouros históricos, como a Igreja de São Pedro de Rates, a torre do relógio e o pelourinho. Desde local, há saída para o percurso de Santiago de Compostela. (imagem de Wikipedia)Fortaleza da Póvoa de Varzim ou Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, construída entre 1701 e 1740 para proteger a cidade dos piratas. Possui layout pentagonal e quatro baluartes. Foi, recentemente, restaurado. (imagem de Wikimedia)
+ Desenvolvimento urbano
Desde o século XIX, muitos portugueses sobem para as praias poveiras, buscando realizar banhos terapêuticos em suas águas. Essa região é bastante rica em iodo. Mas, atualmente, não é isso que chama mais a atenção dos turistas. Póvoa de Varzim, na contemporaneidade, tornou-se uma bela cidade, que sabe valorizar muito bem os seus espaços públicos.
Tradicionais cabanas dos banhistas em praia de Póvoa de Varzim. (imagem de Wikimedia)
Quem visita Póvoa consegue perceber o quanto foi pensado, à dimensão do homem, as ruas dessa cidade. Um exemplo é a sua bela ciclovia, com extensão de mil e novecentos metros, prolongando-se até a cidade vizinha,Vila do Conde, e paralela ao Oceano Atlântico. Outro é o arranjo urbanístico no Porto de Pesca, que ganhou uma menção honrosa em 2006, através do Instituto Português do Turismo. O projeto ajudou a recuperar uma grande e importante área junto ao mar, que estava degradada.
Em 2007, uma menção honrosa lhe foi dada, através da categoria ‘ambiente praia’. Póvoa foi classificada como “um modelo a seguir”. Isso porque fez uma excelente intervenção urbana, melhorando as condições para usufruto de suas praias. Houve melhorias quanto à acessibilidade, às estruturas físicas e arquitetônicas, à higiene, entre outros. E no ano passado, 2015, Póvoa foi reconhecida, novamente, pelos seus esforços em requalificação e valorização da cidade.
Ciclovia à beira-mar em Póvoa. (imagem de Wikimedia) Região de interesse histórico, contemplada com as obras de requalificação urbana e restauração do seu elevado. Na imagem estão o conhecido Hotel da Póvoa e o neoclássico Cassino da Póvoa (1934), um importante marco em Portugal. (imagem de Grande Hotel da Póvoa)
+ Atrações turísticas
Póvoa de Varzim sempre proporcionou boas atrações aos turistas. Já foi um centro de teatro e música orquestral, no final do século XVIII. Entre os séculos XIX e XX, foi ponto de encontro de artistas, como o escritor Eça de Queiroz, nascido na região. Há uma estátua sua e de outros símbolos portugueses na Praça do Alamada, o centro cívico da cidade. Dentre os edifícios ao redor, nos Paços do Conselho, destaca-se a Câmara Munipal, revestida com os tradicionais azulejos portugueses.
O turista pode conhecer mais das histórias de Póvoa de Varzim visitando o Museu Municipal de Etnografia e História, localizado no Solar dos Carneiros. Lá, veem-se antigos barcos de pesca em madeira, achados arqueológicos romanos, peças artesanais, como a famosa ‘camisola poveira’; entre outrosPraça do Almada – Monumento à Eça de Queiroz, feito em bronze pelo escultor Leopoldo de Almeida, em 1952. (imagem de Wikimedia) Edifício da Câmara Municipal de Póvoa de Varzim. (imagem de Wikimedia)
Andando pela Rua da Junqueira, de 1694, podem-se ver construções dos séculos XIX e XX. Ela une o centro cívico com a praia. Lá, próxima ao mar, está a construção em pedra da Fortaleza da Póvoa. Depois de 2014, ela passou por um processo de reabilitação do equipamento. Atualmente, está aberta à visitação a sua pequena capela, de 1743; a esplanada, onde eventualmente ocorrem feiras e exposições; assim como um restaurante.
Igreja Matriz, construída no século XVIII, em estilo barroco. (imagem de Wikimedia)
Nos roteiros turísticos também está incluído a visitação à Igreja Românica de São Pedro de Rates e às construções barrocas da Capela de Nossa Senhora das Dores, Igreja de Nossa Senhora da Lapa e Igreja Matriz. Nos parques desportivos pode-se realizar uma série de outras coisas, como jogar golfe. São oferecidas muitas atividades ligadas à diversão e cultura. Na Monumental Praça de Touros da Póvoa de Varzim, onde antes havia corrida de touros e espetáculos de cavalos, são realizados outros shows.
Conheça mais pontos importantes de Póvoa de Varzim, assistindo ao vídeo abaixo:



VÍDEOS...+03