segunda-feira, 27 de maio de 2024

LINKS: 01

 

LINKS ...01

https://youtu.be/afVAWZq38SM?si=3BMcIyAHxdT-gFNq

 

https://youtu.be/SGSOSvaZ33U?si=54UfYzjZzvNEhk1S //Verdade sobre a justiça

REFLEXÃO...02

 

OPINIÃO

A tradução da Bíblia como meio de preservação de línguas indígenas

 

“Quando um povo perde a língua, perde sua identidade” (Henrique Terena)

 

Por Raquel Villela Alves

 

O mais recente livro publicado em uma língua indígena do Brasil foi, provavelmente, o Novo Testamento em Ninam, da família linguística Yanomami, recebido pelo povo em 8 de março de 2024. Antes foram impressos o Novo Testamento em Oro Wari (Pacaas Novos)1, outros livros da Bíblia e até alguns com conteúdo distinto, todos convergindo para uma realidade que existe há décadas e posiciona os evangélicos como responsáveis pela grande maioria dos registros de línguas indígenas no Brasil.

 

A motivação para tais publicações sempre foi a de levar as Escrituras aos povos originários. Os projetos de tradução incluem, em paralelo, livros didáticos e paradidáticos para ensinar o povo a ler e a escrever em sua própria língua. Assim, além de vidas transformadas pela Palavra de Deus, a tradução contribui para preservar línguas – parte essencial da identidade de um povo e um patrimônio intelectual da nação brasileira.

 

Identidade preservada

“Quando o povo perde a língua, perde sua identidade”, avalia Henrique Terena, presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI). Ele acrescenta que “os esforços de tradução da Bíblia para as línguas tribais têm contribuído muito para a população ter sua língua não somente falada, mas também escrita. Uma vez escrita, ela é preservada para futuras gerações”.

 

Terena observa o valor também das gravações em áudio das Escrituras para a língua indígena. “Quando os mais velhos escutam, eles se motivam, se emocionam, porque ouvem a própria língua. Há um entendimento muito maior com a Bíblia falada.” As perspectivas são animadoras, segundo ele, com “os próprios indígenas agora tornando-se tradutores para sua própria língua e quem sabe, no futuro próximo, teremos mais tradutores indígenas para outras etnias. Alguns já fazem esse trabalho”.

 

As línguas indígenas

O Brasil tem uma das maiores diversidades de línguas do mundo, mas quantificá-las é complexo, devido a critérios utilizados e outros fatores. Dados de 2010 do IBGE indicam 274 línguas. Linguistas falam de 160 a 180, sem considerar as línguas de sinais e os dialetos. Quando o Brasil foi descoberto, acredita-se que havia 1.273 línguas, ou seja, cerca de 85% delas se perdeu.

 

As línguas indígenas se distribuem a partir de dois troncos, o Tupi e o Macro-Jê, em quatro famílias maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), seis famílias médias (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), três famílias menores (Bora, Guaikuru, Mura) e sete línguas isoladas, segundo o linguista Denny Moore.

 

 

 

O acervo indígena

É desafiador sistematizar toda a produção editorial indígena, mas há algumas informações precisas. A Aliança Pró-Tradução da Bíblia, da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), com base em pesquisa de 2018 da própria organização, aponta sete línguas com a Bíblia completa, 48 com o Novo Testamento e 27 com outros livros. São 82 línguas com registro das Escrituras no papel e, dentre elas, 39 têm também registro em áudio e dezenove em vídeo. Há outros treze projetos em andamento e quinze línguas sem projeto, mas vitais o suficiente para as comunidades sustentarem e se beneficiarem do trabalho de tradução.

 

Não estão quantificadas as publicações de apoio ao ensino bíblico e de aprendizagem da língua. Fora da esfera evangélica, há uma iniciativa do governo federal, o Projeto de Documentação das Línguas Indígenas (Prodoclin), que, nos últimos dez anos, desenvolveu parceria com dezessete povos da Amazônia e tem produzido vários registros, como cartilha de vocabulário e dicionários de línguas indígenas.

 

Ao longo da história

Nos primeiros séculos da colonização do Brasil, foram produzidas gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que deixaram de existir no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau.

 

A grande retomada ocorreu a partir de 1956, quando o Summer Institute of Linguistics (SIL) foi convidado pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro para cooperar em pesquisas científicas das línguas indígenas do Brasil e na formação de linguistas brasileiros. O primeiro grupo iniciou os estudos em 1957, com a língua Kaiwa. Com a criação da Universidade de Brasília, em 1962, a SIL passou a dar aulas de linguística e a cooperar no Centro de Estudos das Culturas e Línguas Indígenas. Em 1973, a Wycliffe Bible Translators (WBT), coirmã da SIL, formatou um curso de linguística e missiologia, que durou até 1982, quando a WBT deixou o país e o trabalho foi assumido pela então recém-criada Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), a primeira organização brasileira com foco em tradução da Bíblia.

 

Esse movimento continua a crescer, com participação decisiva da igreja brasileira e o trabalho de organizações como ALEM, Missão Novas Tribos do Brasil, Missão Evangélica da Amazônia, Associação Missionária para Difusão do Evangelho, Missão Pioneiros da Bíblia, A Fé Vem Pelo Ouvir, CONPLEI, Gravações Brasil, Horizontes América Latina, Jocum, Junta de Missões Nacionais, Junta de Missões Mundiais, Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, WEC/Projeto Amanajé, Jesus Film Project e Movida.

 

A maioria dos projetos tem sido financiada pela Seed Company e quando finalizados, os livros são impressos em Barueri, na gráfica da Sociedade Bíblica do Brasil. A integração entre organizações no Brasil para colaboração mútua tem recebido apoio da AMTB, com a parceria essencial da Aliança Global Wycliffe para capacitações e conexões estratégicas com outros países da América Latina e outras regiões do mundo.

 

Nota

1. A dedicação do Novo Testamento na língua Oro Wari, os Pacaas Novos, foi em agosto de 2023. A tradução começou em 1962 e levou cerca de 50 anos de muito aprendizado e esforço dos primeiros missionários. Hoje 35 aldeias, das 36 existentes, têm igrejas plantadas e pastoreadas por pastores Oro Wari. Agora eles pregarão com o NT, na sua língua, em suas mãos, e o povo poderá crescer ainda mais, na graça e no conhecimento do Senhor Jesus, lendo e meditando na palavra que transforma.

 

Artigo publicado originalmente na seção “Os evangélicos no Brasil” da edição 407 de Ultimato.

Raquel Villela Alves é membro colaboradora da Missão ALEM, coordenadora de tradução na área de comunicação de COMIBAM, coordenadora da Aliança Pró-Tradução da Bíblia e da intercessão missionária na AMTB e representante no Brasil da Rede de Oração Ethne (formada por organizações comprometidas com povos não alcançados).

FATOS...01






 

VÍDEOS...+03

WAGNER, JERÔNIMO E  RUI CORRUPTOS...




 

REFLEXÃO: 01

 


Caetano Veloso

 

Não é à toa que queiram regular a Internet hoje. Sem regulação, sem exercer controle sobre o fluxo de informações na rede, quem não quer uma Internet livre não consegue impedir que pérolas como esta circulem livremente e escancararem a hipocrisia atual de certos sujeitos que fecham com agendas petistas e psolistas em função da ostensiva liberação de dinheiro do pagador de impostos, mesmo que sob a forma de renúncia fiscal. O quê mudou, o mais idiota de todos consegue perguntar, dessa entrevista pra cá, porquê o sujeito, hoje, fecha com a agenda da esquerda que acha que o marginal pode roubar para quem sabe"tomar uma cervejinha" ou vê no assalto uma forma justificável de vida? Nada mudou além dos dígitos a mais nas contas da classe artística. Simples assim. O PT só não consegue comprar aquilo que não está à venda. Por fim, cuidado com a propalada “direita sensata”, pois nada mais são que aqueles que corroboram com a agenda imposta pelo sistema, usando sua inocência para tentar crescer e voltar ao cenário.

domingo, 26 de maio de 2024

REFLEXÃO...02

 

 

https://www.youtube.com/live/m8i6cfZaB3c?si=uI0xLG23DLYHKnP_

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*Acompanhe Ao Vivo o II° Seminário sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), com as participações dos Deputados federais Capitão Alden, Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira, do deputado estadual Diego Castro e da Dra Raissa Soares*

 

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Escola baderneira de esquerda

 

O escancaramento da podridão da mídia comprada a peso de ouro ao sol do meio-dia. Com base em que fatos a Rede Goebbels diz que as escolas cívico-militares não respeitam a diversidade? Será que é porque elas não toleram a indisciplina dos marginais que a Globo tanto relativiza? A Globo tem provas de atos de violência e preconceito contra qualquer aluno que tenha estudado ou que ainda estude numa escola cívico-militar ? Ou é, como realmente é, pura militância, a tentativa canhestra de simplesmente manter a doutrinação nas escolas do Brasil porquê sem doutrinação não há futuro na revolução comuno-woke-ambientalista que a Rede Globo apoia ? Não sentir nojo sobre um comentário mentiroso e apodrecido como este é ou não estar conectado minimamente à realidade objetiva ou de fato compactuar com esse absurdo.

 

 

https://youtu.be/E0Sdzx6GMz4?si=bPigN6lwzr7cSq8N

REFLEXÃO...01

 

A ciência da gratidão

 

Por Ester Utrilla de Figueiredo

 

Caracterizando a gratidão

No prefácio da obra The Psychology of Gratitude,¹ o filósofo Robert C. Solomon destaca que a gratidão é uma das virtudes mais subestimadas. Mesmo que não seja considerada uma das virtudes por excelência (conforme Aristóteles), Mark McMinn, em The Science of Virtue,² ressalta que Cícero a descreveria como pai de todas as virtudes.

 

Como qualquer afeto, a gratidão pode ser considerada como um traço de caráter, um humor ou uma emoção. Quando é considerada um traço de caráter, é entendida como uma tendência a reconhecer e responder com a emoção de gratidão à benevolência dos outros nas experiências positivas e nos resultados que obtemos.³ À diferença do otimismo, que espera por resultados futuros positivos, a gratidão está orientada a reconhecer os resultados.⁴ A gratidão também pode ser entendida como nossa atitude de resposta a um “presente”, seja este do tipo que for; podendo responder com gratidão (e celebração!) ou com queixas e sugestões.⁵

 

Os instrumentos utilizados nas pesquisas para medir a gratidão nos orientam para entender melhor sua conceitualização. Estas medidas⁶ focam na apreciação pelas coisas; quantidade de coisas pelas quais sou grato (“tenho muitas coisas pelas quais ser grato”), a frequência das vezes que sinto gratidão (“demoro até sentir gratidão por algo”) ou a visão geral da gratidão ao longo do tempo (“conforme envelheço, consigo apreciar melhor as pessoas que formaram parte de minha vida”). Outras questões que refletem a apreciação teriam a ver com o encantamento (pela natureza e pela arte) ou o desfrute das coisas simples da vida. Já os itens contrários são aqueles relacionados com ressentimento (“comigo acontecem mais coisas ruins do que com os outros”).

 

Coletando dados

No começo dos anos 2000, os pesquisadores cristãos Emmons e McCullough publicaram os achados de vários estudos sobre gratidão, associando-a com uma melhor saúde física e mental; “contar as bênçãos” aumentava o otimismo e a satisfação com a vida, melhorava o sono e diminuía as visitas ao médico. A interpretação dos autores foi que a gratidão nos fazia ser mais pró-sociais: gentis, perdoadores e confiantes nos outros.⁷ Posteriormente também apareceram nos estudos sobre felicidade.⁸

 

Os estudos desta área se encaixam, na teoria broaden-and-build, dentro da psicologia positiva, que pode ser entendida como uma forma de ampliar nossa percepção sobre as circunstâncias e construir uma solução a partir desta nova visão.⁹ Entretanto, as pesquisas sobre gratidão costumam apresentar limitações metodológicas e os efeitos das intervenções são pequenos. Ainda assim, sua relação com uma boa saúde (demonstrada por pesquisas quantitativas) é incompleta quando não conseguimos entender como funciona essa relação, sendo necessários mais estudos qualitativos.¹⁰

 

Mas se exercitar voluntariamente a gratidão não é comprovadamente benéfico, por que trabalhar no seu exercício constante? Em 1 Tessalonicenses 5:18 está escrito: Em tudo/em todas as circunstâncias dai graças. Este versículo (além de muitos outros que falam sobre ações de graças no Novo Testamento) parece indicar não um momento episódico, mas uma disposição do coração. Como cristãos, somos chamados a isso, independentemente dos achados científicos. Para Paulo, quem confia em Deus tem razões suficientes para agradecer em qualquer situação, mesmo nas dificuldades.

 

Porém, hoje em dia nos encontramos numa época diferenciada: a das redes sociais. Como ser grato em um universo onde aparece na minha frente tudo o que os outros têm (e fazem) e que eu não posso ter (nem fazer)? Na comparação social você usa os outros para avaliar a si mesmo, dando lugar a uma tendência entendida como orientação de comparação social.¹¹ Curiosamente, aqueles com uma alta orientação de comparação social são os que mais usam as redes sociais. Já uma menor orientação de comparação social estaria associada com uma tendência disposicional de ser grato ao longo do tempo e em diversas situações. Parece que as pessoas mais gratas aceitam a si mesmos não pela negação das coisas ruins, mas pela escolha de aproveitar o que se tem.¹²

 

 

 

Exercitando o coração

As raízes da gratidão podem ser vistas em muitas tradições religiosas ao redor do mundo. Nas grandes religiões monoteístas, a gratidão permeia textos, ensinamentos e orações; a doutrina tradicional de Deus retrata este como o doador supremo. Depois de reconhecer os favores de Deus, os seres humanos respondem apropriadamente com um afeto grato, e por isso as pessoas religiosas buscam evocar e manter essa emoção de gratidão.¹³

 

Hoje em dia, a imediatez e a autoafirmação parecem nos impedir de ter esse tipo de disposição. Você não precisa agradecer por nada porque os outros não fazem mais do que sua obrigação; transferimos essa visão, inclusive, para Deus: “É claro que tenho cobertor e comida! Não é o mínimo que um Deus bom ofereceria?”.

 

Mas a gratidão se encaixa numa vida humilde. Apesar disso, essa atitude está longe de acompanhar o homem, como vemos ao longo da Bíblia¹⁴ (desde Gênesis, com Adão, Eva e seus descendentes, até os Evangelhos, com a parábola do fariseu e o publicano; o único leproso que voltou a agradecer Jesus e a traição de Judas). Em Levítico, Deus dá instruções explícitas sobre como oferecer as oferendas para que elas agradassem a Deus; curiosamente, a raíz latina para gratidão é gratus, que quer dizer “agradável”. Inclusive, todo o Antigo Testamento associa a gratidão com o perdão, porque ao receber os presentes queimados a Deus eles recebem a expiação dos pecados.¹⁵ A dinâmica ideal e efêmera entre Deus e os israelitas era a de pessoas humildes que recebem perdão pelos seus erros, incluindo a ingratidão.

 

Numa época de insatisfação, na qual ansiamos por sempre mais, a ciência da gratidão nos ajuda, como cristãos, a desenvolver a condição de ser grato através da prática de realizar atos de gratidão de maneira intencional e específica. Neste sentido, a ciência da psicologia positiva nos guia no como, mesmo que o efeito em nossa saúde não esteja totalmente comprovado, enquanto a teologia possibilita uma compreensão mais profunda, o porquê.¹⁶

 

Podemos praticar a gratidão direcionada para Deus escrevendo uma carta ou passeando.¹⁷ Por exemplo, você pode escrever um salmo começando com afirmações de gratidão pela bondade de Deus, incluindo as lutas que você está vivenciando e finalizando com ações de graças pela Sua fidelidade. Também, enquanto passeia, pode agradecer a Deus pelas cores e cheiros, refletindo sobre o que você ama nisso. Ainda, o Talmud instrui os judeus a recitar cem bênçãos por dia (acordar, lavar as mãos, comer etc.).¹⁸ E um exame diário jesuíta, realizado à tarde, consiste em parar e meditar sobre o que Deus fez no seu dia; sentindo Sua presença, lembrando o dia com gratidão e escolhendo algum momento sobre o qual refletir.¹⁹

 

Uma das práticas comuns é registrar aquilo pelo qual você é grato. Algumas dicas para aprimorá-la seriam agradecer pelas pessoas mais do que pelas coisas e subtrair bênçãos (como seria minha vida sem…?).²⁰ Também é importante prezar pela especificidade (por exemplo, não se mostrar apenas grato pelo amor de Deus, mas pelo ventilador num dia quente), e ter reflexões mais pessoais e profundas ao invés de fazer listas intermináveis.²¹ Dessa forma, consigo agradecer não apenas pelo meu marido, mas também pelo seu companheirismo que me ensina a ser uma melhor amiga dos outros.

 

Mas não vemos mais as coisas e as criaturas do mundo como dádivas sagradas.²² Assim, essa falta de sacralidade nas coisas ao redor (ainda nas mais simples!) prejudica nossa capacidade de agradecer, pois elas não são realmente vistas como bênçãos de Deus.

 

Celebrando as bênçãos

O exercício “Alegria sob demanda” foi elaborado por alguns pesquisadores que entendem que nosso estado padrão de alegria pode ser preestabelecido pela exposição repetida ao estado de gratidão.²³ Previamente, precisamos pensar sobre alguma lembrança pela qual somos gratos e nos perguntar o que sentimos e o que Deus pode estar nos comunicando com isso. Depois, compilamos uma lista de lembranças e passamos cinco minutos por dia refletindo sobre algumas delas, passando a fazer isso três vezes por dia durante 30 dias. Contudo, alguns especialistas entendem que fazer isso todo dia pode ser fatigante, sendo mais efetivo fazer isso apenas algumas vezes por semana.²⁴ Mas o compromisso e a constância continuam sendo essenciais. Como seu cérebro já estará sendo treinado para esse estado de contentamento, quando a mente começa a se distanciar, será capaz de retornar porque já estará sendo o mais habitual para você.²⁵

 

A celebração pode ser considerada como gratidão externalizada. A maioria das festas da Bíblia tinham o intuito de agradecer: pela libertação (Páscoa), pela provisão (festa das Semanas), pelo sustento no deserto (festa das Cabanas), etc. Todo o calendário litúrgico parece implicar uma constante gratidão pelas dádivas ao longo do ano. Entretanto, além do problema do desaparecimento dos rituais, outra dificuldade para a celebração é a falta de pausas. Como observa Byung Chul-Han:

 

Hoje em dia o tempo de celebração desapareceu totalmente em prol do tempo de trabalho, que acabou se tornando totalitário. A própria pausa se conserva implícita no tempo de trabalho. Ela serve apenas para nos recuperar do trabalho, para poder continuar funcionando.²⁶

 

A celebração pode ser considerada como gratidão externalizada.

 

Sem tempo para parar, refletir e apreciar as dádivas do céu, mergulhamos no caos da vida apenas para sobreviver. Na sobrevivência não há gratidão; apenas coisas pelas quais lutar para continuar vivendo. A falta de gratidão também é um problema espiritual. Eu quero mais e exijo mais. A gratidão parte do saber de que eu tenho tudo o que preciso (“o meu cálice transborda”²⁷), mesmo que isso não seja tudo o que (eu acho que) anelo.

 

A gratidão parte do saber de que eu tenho tudo o que preciso (“o meu cálice transborda”), mesmo que isso não seja tudo o que (eu acho que) anelo.

 

Essa gratidão também nos leva à generosidade. Nosso Deus, que se tornou um de nós, é um Deus de abundância. A própria encarnação é a generosidade de Deus.²⁸ Somos capazes de dar (e receber) porque nos foi dado tudo para sermos generosos: tudo provém dEle e tudo a Ele damos. A gratidão não anseia nada, o que subverte a cultura do consumo, da competição e da conquista.²⁹ Por isso, uma mentalidade em sintonia com a gratidão abre a porta para o contentamento e alimenta a generosidade, porque quanto mais somos conscientes do que temos recebido, mais conseguimos retorná-lo.

 

Nos bons tempos, o cristão é grato pelas bênçãos por causa da bondade de Deus; nas dificuldades, é grato pela pessoa e sacrifício de Jesus.³⁰ Desta forma, se considerarmos a virtude da gratidão como uma disposição para ser grato pela pessoa adequada no momento adequado, a gratidão cristã seria a disposição de sentir gratidão para com Deus pela dádiva do filho sobre todas as coisas e em todo momento; o mal restante é mantido na perspectiva do maior presente de Deus.³¹

 

Como os israelitas no Antigo Testamento, estamos em constante necessidade de perdão pela nossa ingratidão. Posso sim perguntar onde está Deus no sofrimento. Posso duvidar e me entristecer. Mas ele sempre responde: “Eu estou aqui: no teu café de manhã, no mergulho na praia. Estou aqui; na chamada do amigo, no abraço da avó. Estou aqui”.

NOTÍCIAS...03

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