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https://youtu.be/SGSOSvaZ33U?si=54UfYzjZzvNEhk1S //Verdade sobre a justiça
OPINIÃO
A tradução da Bíblia como meio de preservação de línguas
indígenas
“Quando um povo perde a língua, perde sua identidade”
(Henrique Terena)
Por Raquel Villela Alves
O mais recente livro publicado em uma língua indígena do
Brasil foi, provavelmente, o Novo Testamento em Ninam, da família linguística
Yanomami, recebido pelo povo em 8 de março de 2024. Antes foram impressos o
Novo Testamento em Oro Wari (Pacaas Novos)1, outros livros da Bíblia e até
alguns com conteúdo distinto, todos convergindo para uma realidade que existe
há décadas e posiciona os evangélicos como responsáveis pela grande maioria dos
registros de línguas indígenas no Brasil.
A motivação para tais publicações sempre foi a de levar as
Escrituras aos povos originários. Os projetos de tradução incluem, em paralelo,
livros didáticos e paradidáticos para ensinar o povo a ler e a escrever em sua
própria língua. Assim, além de vidas transformadas pela Palavra de Deus, a
tradução contribui para preservar línguas – parte essencial da identidade de um
povo e um patrimônio intelectual da nação brasileira.
Identidade preservada
“Quando o povo perde a língua, perde sua identidade”, avalia
Henrique Terena, presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes
Evangélicos Indígenas (CONPLEI). Ele acrescenta que “os esforços de tradução da
Bíblia para as línguas tribais têm contribuído muito para a população ter sua
língua não somente falada, mas também escrita. Uma vez escrita, ela é
preservada para futuras gerações”.
Terena observa o valor também das gravações em áudio das
Escrituras para a língua indígena. “Quando os mais velhos escutam, eles se
motivam, se emocionam, porque ouvem a própria língua. Há um entendimento muito
maior com a Bíblia falada.” As perspectivas são animadoras, segundo ele, com
“os próprios indígenas agora tornando-se tradutores para sua própria língua e
quem sabe, no futuro próximo, teremos mais tradutores indígenas para outras
etnias. Alguns já fazem esse trabalho”.
As línguas indígenas
O Brasil tem uma das maiores diversidades de línguas do
mundo, mas quantificá-las é complexo, devido a critérios utilizados e outros
fatores. Dados de 2010 do IBGE indicam 274 línguas. Linguistas falam de 160 a 180,
sem considerar as línguas de sinais e os dialetos. Quando o Brasil foi
descoberto, acredita-se que havia 1.273 línguas, ou seja, cerca de 85% delas se
perdeu.
As línguas indígenas se distribuem a partir de dois troncos,
o Tupi e o Macro-Jê, em quatro famílias maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano),
seis famílias médias (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami),
três famílias menores (Bora, Guaikuru, Mura) e sete línguas isoladas, segundo o
linguista Denny Moore.
O acervo indígena
É desafiador sistematizar toda a produção editorial
indígena, mas há algumas informações precisas. A Aliança Pró-Tradução da
Bíblia, da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), com base em
pesquisa de 2018 da própria organização, aponta sete línguas com a Bíblia
completa, 48 com o Novo Testamento e 27 com outros livros. São 82 línguas com
registro das Escrituras no papel e, dentre elas, 39 têm também registro em
áudio e dezenove em vídeo. Há outros treze projetos em andamento e quinze
línguas sem projeto, mas vitais o suficiente para as comunidades sustentarem e
se beneficiarem do trabalho de tradução.
Não estão quantificadas as publicações de apoio ao ensino
bíblico e de aprendizagem da língua. Fora da esfera evangélica, há uma
iniciativa do governo federal, o Projeto de Documentação das Línguas Indígenas
(Prodoclin), que, nos últimos dez anos, desenvolveu parceria com dezessete
povos da Amazônia e tem produzido vários registros, como cartilha de
vocabulário e dicionários de línguas indígenas.
Ao longo da história
Nos primeiros séculos da colonização do Brasil, foram
produzidas gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que deixaram de
existir no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau.
A grande retomada ocorreu a partir de 1956, quando o Summer
Institute of Linguistics (SIL) foi convidado pelo Museu Nacional do Rio de
Janeiro para cooperar em pesquisas científicas das línguas indígenas do Brasil
e na formação de linguistas brasileiros. O primeiro grupo iniciou os estudos em
1957, com a língua Kaiwa. Com a criação da Universidade de Brasília, em 1962, a
SIL passou a dar aulas de linguística e a cooperar no Centro de Estudos das
Culturas e Línguas Indígenas. Em 1973, a Wycliffe Bible Translators (WBT),
coirmã da SIL, formatou um curso de linguística e missiologia, que durou até
1982, quando a WBT deixou o país e o trabalho foi assumido pela então
recém-criada Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), a primeira
organização brasileira com foco em tradução da Bíblia.
Esse movimento continua a crescer, com participação decisiva
da igreja brasileira e o trabalho de organizações como ALEM, Missão Novas
Tribos do Brasil, Missão Evangélica da Amazônia, Associação Missionária para
Difusão do Evangelho, Missão Pioneiros da Bíblia, A Fé Vem Pelo Ouvir, CONPLEI,
Gravações Brasil, Horizontes América Latina, Jocum, Junta de Missões Nacionais,
Junta de Missões Mundiais, Agência Presbiteriana de Missões Transculturais,
WEC/Projeto Amanajé, Jesus Film Project e Movida.
A maioria dos projetos tem sido financiada pela Seed Company
e quando finalizados, os livros são impressos em Barueri, na gráfica da
Sociedade Bíblica do Brasil. A integração entre organizações no Brasil para
colaboração mútua tem recebido apoio da AMTB, com a parceria essencial da
Aliança Global Wycliffe para capacitações e conexões estratégicas com outros
países da América Latina e outras regiões do mundo.
Nota
1. A dedicação do Novo Testamento na língua Oro Wari, os
Pacaas Novos, foi em agosto de 2023. A tradução começou em 1962 e levou cerca
de 50 anos de muito aprendizado e esforço dos primeiros missionários. Hoje 35
aldeias, das 36 existentes, têm igrejas plantadas e pastoreadas por pastores
Oro Wari. Agora eles pregarão com o NT, na sua língua, em suas mãos, e o povo
poderá crescer ainda mais, na graça e no conhecimento do Senhor Jesus, lendo e
meditando na palavra que transforma.
Artigo publicado originalmente na seção “Os evangélicos no
Brasil” da edição 407 de Ultimato.
Raquel Villela Alves é membro colaboradora da Missão ALEM,
coordenadora de tradução na área de comunicação de COMIBAM, coordenadora da
Aliança Pró-Tradução da Bíblia e da intercessão missionária na AMTB e
representante no Brasil da Rede de Oração Ethne (formada por organizações
comprometidas com povos não alcançados).
Caetano Veloso
Não é à toa que queiram regular a Internet hoje. Sem
regulação, sem exercer controle sobre o fluxo de informações na rede, quem não
quer uma Internet livre não consegue impedir que pérolas como esta circulem
livremente e escancararem a hipocrisia atual de certos sujeitos que fecham com
agendas petistas e psolistas em função da ostensiva liberação de dinheiro do
pagador de impostos, mesmo que sob a forma de renúncia fiscal. O quê mudou, o
mais idiota de todos consegue perguntar, dessa entrevista pra cá, porquê o
sujeito, hoje, fecha com a agenda da esquerda que acha que o marginal pode
roubar para quem sabe"tomar uma cervejinha" ou vê no assalto uma
forma justificável de vida? Nada mudou além dos dígitos a mais nas contas da
classe artística. Simples assim. O PT só não consegue comprar aquilo que não
está à venda. Por fim, cuidado com a propalada “direita sensata”, pois nada
mais são que aqueles que corroboram com a agenda imposta pelo sistema, usando
sua inocência para tentar crescer e voltar ao cenário.
https://www.youtube.com/live/m8i6cfZaB3c?si=uI0xLG23DLYHKnP_
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*Acompanhe Ao Vivo o II° Seminário sobre o Plano Nacional de
Educação (PNE), com as participações dos Deputados federais Capitão Alden,
Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira, do deputado estadual Diego Castro e da Dra
Raissa Soares*
https://www.youtube.com/live/m8i6cfZaB3c?si=_qiCuBjR2m2fToiC
Escola baderneira de esquerda
O escancaramento da podridão da mídia comprada a peso de
ouro ao sol do meio-dia. Com base em que fatos a Rede Goebbels diz que as
escolas cívico-militares não respeitam a diversidade? Será que é porque elas
não toleram a indisciplina dos marginais que a Globo tanto relativiza? A Globo
tem provas de atos de violência e preconceito contra qualquer aluno que tenha
estudado ou que ainda estude numa escola cívico-militar ? Ou é, como realmente
é, pura militância, a tentativa canhestra de simplesmente manter a doutrinação
nas escolas do Brasil porquê sem doutrinação não há futuro na revolução
comuno-woke-ambientalista que a Rede Globo apoia ? Não sentir nojo sobre um
comentário mentiroso e apodrecido como este é ou não estar conectado
minimamente à realidade objetiva ou de fato compactuar com esse absurdo.
https://youtu.be/E0Sdzx6GMz4?si=bPigN6lwzr7cSq8N
A ciência da gratidão
Por Ester Utrilla de Figueiredo
Caracterizando a gratidão
No prefácio da obra The Psychology of Gratitude,¹ o filósofo
Robert C. Solomon destaca que a gratidão é uma das virtudes mais subestimadas.
Mesmo que não seja considerada uma das virtudes por excelência (conforme
Aristóteles), Mark McMinn, em The Science of Virtue,² ressalta que Cícero a
descreveria como pai de todas as virtudes.
Como qualquer afeto, a gratidão pode ser considerada como um
traço de caráter, um humor ou uma emoção. Quando é considerada um traço de
caráter, é entendida como uma tendência a reconhecer e responder com a emoção
de gratidão à benevolência dos outros nas experiências positivas e nos
resultados que obtemos.³ À diferença do otimismo, que espera por resultados
futuros positivos, a gratidão está orientada a reconhecer os resultados.⁴ A
gratidão também pode ser entendida como nossa atitude de resposta a um “presente”,
seja este do tipo que for; podendo responder com gratidão (e celebração!) ou
com queixas e sugestões.⁵
Os instrumentos utilizados nas pesquisas para medir a
gratidão nos orientam para entender melhor sua conceitualização. Estas medidas⁶
focam na apreciação pelas coisas; quantidade de coisas pelas quais sou grato
(“tenho muitas coisas pelas quais ser grato”), a frequência das vezes que sinto
gratidão (“demoro até sentir gratidão por algo”) ou a visão geral da gratidão
ao longo do tempo (“conforme envelheço, consigo apreciar melhor as pessoas que
formaram parte de minha vida”). Outras questões que refletem a apreciação
teriam a ver com o encantamento (pela natureza e pela arte) ou o desfrute das
coisas simples da vida. Já os itens contrários são aqueles relacionados com
ressentimento (“comigo acontecem mais coisas ruins do que com os outros”).
Coletando dados
No começo dos anos 2000, os pesquisadores cristãos Emmons e
McCullough publicaram os achados de vários estudos sobre gratidão, associando-a
com uma melhor saúde física e mental; “contar as bênçãos” aumentava o otimismo
e a satisfação com a vida, melhorava o sono e diminuía as visitas ao médico. A
interpretação dos autores foi que a gratidão nos fazia ser mais pró-sociais:
gentis, perdoadores e confiantes nos outros.⁷ Posteriormente também apareceram
nos estudos sobre felicidade.⁸
Os estudos desta área se encaixam, na teoria
broaden-and-build, dentro da psicologia positiva, que pode ser entendida como
uma forma de ampliar nossa percepção sobre as circunstâncias e construir uma
solução a partir desta nova visão.⁹ Entretanto, as pesquisas sobre gratidão
costumam apresentar limitações metodológicas e os efeitos das intervenções são
pequenos. Ainda assim, sua relação com uma boa saúde (demonstrada por pesquisas
quantitativas) é incompleta quando não conseguimos entender como funciona essa
relação, sendo necessários mais estudos qualitativos.¹⁰
Mas se exercitar voluntariamente a gratidão não é
comprovadamente benéfico, por que trabalhar no seu exercício constante? Em 1
Tessalonicenses 5:18 está escrito: Em tudo/em todas as circunstâncias dai
graças. Este versículo (além de muitos outros que falam sobre ações de graças
no Novo Testamento) parece indicar não um momento episódico, mas uma disposição
do coração. Como cristãos, somos chamados a isso, independentemente dos achados
científicos. Para Paulo, quem confia em Deus tem razões suficientes para
agradecer em qualquer situação, mesmo nas dificuldades.
Porém, hoje em dia nos encontramos numa época diferenciada:
a das redes sociais. Como ser grato em um universo onde aparece na minha frente
tudo o que os outros têm (e fazem) e que eu não posso ter (nem fazer)? Na
comparação social você usa os outros para avaliar a si mesmo, dando lugar a uma
tendência entendida como orientação de comparação social.¹¹ Curiosamente,
aqueles com uma alta orientação de comparação social são os que mais usam as
redes sociais. Já uma menor orientação de comparação social estaria associada
com uma tendência disposicional de ser grato ao longo do tempo e em diversas
situações. Parece que as pessoas mais gratas aceitam a si mesmos não pela
negação das coisas ruins, mas pela escolha de aproveitar o que se tem.¹²
Exercitando o coração
As raízes da gratidão podem ser vistas em muitas tradições
religiosas ao redor do mundo. Nas grandes religiões monoteístas, a gratidão
permeia textos, ensinamentos e orações; a doutrina tradicional de Deus retrata
este como o doador supremo. Depois de reconhecer os favores de Deus, os seres
humanos respondem apropriadamente com um afeto grato, e por isso as pessoas
religiosas buscam evocar e manter essa emoção de gratidão.¹³
Hoje em dia, a imediatez e a autoafirmação parecem nos
impedir de ter esse tipo de disposição. Você não precisa agradecer por nada porque
os outros não fazem mais do que sua obrigação; transferimos essa visão,
inclusive, para Deus: “É claro que tenho cobertor e comida! Não é o mínimo que
um Deus bom ofereceria?”.
Mas a gratidão se encaixa numa vida humilde. Apesar disso,
essa atitude está longe de acompanhar o homem, como vemos ao longo da Bíblia¹⁴
(desde Gênesis, com Adão, Eva e seus descendentes, até os Evangelhos, com a
parábola do fariseu e o publicano; o único leproso que voltou a agradecer Jesus
e a traição de Judas). Em Levítico, Deus dá instruções explícitas sobre como
oferecer as oferendas para que elas agradassem a Deus; curiosamente, a raíz
latina para gratidão é gratus, que quer dizer “agradável”. Inclusive, todo o
Antigo Testamento associa a gratidão com o perdão, porque ao receber os
presentes queimados a Deus eles recebem a expiação dos pecados.¹⁵ A dinâmica
ideal e efêmera entre Deus e os israelitas era a de pessoas humildes que
recebem perdão pelos seus erros, incluindo a ingratidão.
Numa época de insatisfação, na qual ansiamos por sempre
mais, a ciência da gratidão nos ajuda, como cristãos, a desenvolver a condição
de ser grato através da prática de realizar atos de gratidão de maneira
intencional e específica. Neste sentido, a ciência da psicologia positiva nos
guia no como, mesmo que o efeito em nossa saúde não esteja totalmente
comprovado, enquanto a teologia possibilita uma compreensão mais profunda, o
porquê.¹⁶
Podemos praticar a gratidão direcionada para Deus escrevendo
uma carta ou passeando.¹⁷ Por exemplo, você pode escrever um salmo começando
com afirmações de gratidão pela bondade de Deus, incluindo as lutas que você
está vivenciando e finalizando com ações de graças pela Sua fidelidade. Também,
enquanto passeia, pode agradecer a Deus pelas cores e cheiros, refletindo sobre
o que você ama nisso. Ainda, o Talmud instrui os judeus a recitar cem bênçãos
por dia (acordar, lavar as mãos, comer etc.).¹⁸ E um exame diário jesuíta,
realizado à tarde, consiste em parar e meditar sobre o que Deus fez no seu dia;
sentindo Sua presença, lembrando o dia com gratidão e escolhendo algum momento
sobre o qual refletir.¹⁹
Uma das práticas comuns é registrar aquilo pelo qual você é
grato. Algumas dicas para aprimorá-la seriam agradecer pelas pessoas mais do
que pelas coisas e subtrair bênçãos (como seria minha vida sem…?).²⁰ Também é
importante prezar pela especificidade (por exemplo, não se mostrar apenas grato
pelo amor de Deus, mas pelo ventilador num dia quente), e ter reflexões mais
pessoais e profundas ao invés de fazer listas intermináveis.²¹ Dessa forma,
consigo agradecer não apenas pelo meu marido, mas também pelo seu
companheirismo que me ensina a ser uma melhor amiga dos outros.
Mas não vemos mais as coisas e as criaturas do mundo como
dádivas sagradas.²² Assim, essa falta de sacralidade nas coisas ao redor (ainda
nas mais simples!) prejudica nossa capacidade de agradecer, pois elas não são
realmente vistas como bênçãos de Deus.
Celebrando as bênçãos
O exercício “Alegria sob demanda” foi elaborado por alguns
pesquisadores que entendem que nosso estado padrão de alegria pode ser
preestabelecido pela exposição repetida ao estado de gratidão.²³ Previamente,
precisamos pensar sobre alguma lembrança pela qual somos gratos e nos perguntar
o que sentimos e o que Deus pode estar nos comunicando com isso. Depois,
compilamos uma lista de lembranças e passamos cinco minutos por dia refletindo
sobre algumas delas, passando a fazer isso três vezes por dia durante 30 dias.
Contudo, alguns especialistas entendem que fazer isso todo dia pode ser
fatigante, sendo mais efetivo fazer isso apenas algumas vezes por semana.²⁴ Mas
o compromisso e a constância continuam sendo essenciais. Como seu cérebro já
estará sendo treinado para esse estado de contentamento, quando a mente começa
a se distanciar, será capaz de retornar porque já estará sendo o mais habitual
para você.²⁵
A celebração pode ser considerada como gratidão
externalizada. A maioria das festas da Bíblia tinham o intuito de agradecer:
pela libertação (Páscoa), pela provisão (festa das Semanas), pelo sustento no
deserto (festa das Cabanas), etc. Todo o calendário litúrgico parece implicar
uma constante gratidão pelas dádivas ao longo do ano. Entretanto, além do problema
do desaparecimento dos rituais, outra dificuldade para a celebração é a falta
de pausas. Como observa Byung Chul-Han:
Hoje em dia o tempo de celebração desapareceu totalmente em
prol do tempo de trabalho, que acabou se tornando totalitário. A própria pausa
se conserva implícita no tempo de trabalho. Ela serve apenas para nos recuperar
do trabalho, para poder continuar funcionando.²⁶
A celebração pode ser considerada como gratidão
externalizada.
Sem tempo para parar, refletir e apreciar as dádivas do céu,
mergulhamos no caos da vida apenas para sobreviver. Na sobrevivência não há
gratidão; apenas coisas pelas quais lutar para continuar vivendo. A falta de
gratidão também é um problema espiritual. Eu quero mais e exijo mais. A
gratidão parte do saber de que eu tenho tudo o que preciso (“o meu cálice
transborda”²⁷), mesmo que isso não seja tudo o que (eu acho que) anelo.
A gratidão parte do saber de que eu tenho tudo o que preciso
(“o meu cálice transborda”), mesmo que isso não seja tudo o que (eu acho que)
anelo.
Essa gratidão também nos leva à generosidade. Nosso Deus,
que se tornou um de nós, é um Deus de abundância. A própria encarnação é a
generosidade de Deus.²⁸ Somos capazes de dar (e receber) porque nos foi dado
tudo para sermos generosos: tudo provém dEle e tudo a Ele damos. A gratidão não
anseia nada, o que subverte a cultura do consumo, da competição e da
conquista.²⁹ Por isso, uma mentalidade em sintonia com a gratidão abre a porta
para o contentamento e alimenta a generosidade, porque quanto mais somos
conscientes do que temos recebido, mais conseguimos retorná-lo.
Nos bons tempos, o cristão é grato pelas bênçãos por causa
da bondade de Deus; nas dificuldades, é grato pela pessoa e sacrifício de
Jesus.³⁰ Desta forma, se considerarmos a virtude da gratidão como uma
disposição para ser grato pela pessoa adequada no momento adequado, a gratidão
cristã seria a disposição de sentir gratidão para com Deus pela dádiva do filho
sobre todas as coisas e em todo momento; o mal restante é mantido na perspectiva
do maior presente de Deus.³¹
Como os israelitas no Antigo Testamento, estamos em
constante necessidade de perdão pela nossa ingratidão. Posso sim perguntar onde
está Deus no sofrimento. Posso duvidar e me entristecer. Mas ele sempre
responde: “Eu estou aqui: no teu café de manhã, no mergulho na praia. Estou
aqui; na chamada do amigo, no abraço da avó. Estou aqui”.
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