NÃO DÁ MAIS...
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Suportar esta falsa calmaria, Sem saber ou prever de onde vem O afago ou o bofetão... Se a música que ouvimos nos acalma o peito Ou ao ouvir ao longe como Um trovão nos impulsiona A marchar ou guerrear... Não sabemos se entramos ou saímos... Choramos ou gargalhamos. Avançamos ou recuamos... Vencemos ou perdemos... Vivemos uma democracia ou Tudo é engano, somos inocentes, Retardados, vendidos sem recibo Sem carimbo ou a assinatura do Patrão... Não dá mais... Não tenho todos os cursos aqui. O tratamento médico lá fora, o carro, as roupas As bebidas até a água tem que ser a do francês... Comprar o soutien, a caneca, e outros objetos e ler: Made in China... Ou Brasil com z... Ou de outros países, menos daqui... Até os falsos políticos roubam aqui, Mas, gastam lá, muito mais que gastariam aqui... Não dá mais para ter algozes que falam de mim e nada posso fazer Ou questionar ou arguir... Sem defesa, posso ser preso ou usar tornozeleiras, pagar fiança por dizer O que todos já sabem ou pensam com medo de proferir... Para que nasci? Para ser amordaçado e ter que partir? Não me querem aqui... Ou terei que fugir? Meus direitos abocanhados? Os poucos bens sequestrados? Meus diplomas rasgados? Estudei aqui... Vivi sem desfrutar dos bens alheios. Não posso falar... Prefiro guerrear que morrer sem lutar... Covarde não sou... Nem serei... Morre o homem não sua essência... A sua altivez seu destemor aguerrido. Aqui passei e vivi... Sobrevivi... Não fui apenas um sopro, um óvulo Que venceu... Mas um ser que lutou, sofreu, sobreviveu... E morrerá...
Dionê Leony Machado |

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