terça-feira, 7 de julho de 2026

REFLEXÃO...02

 

A vida no Brasil

 

*Stephen Kanitz*

(Consultor de empresas e Conferencista brasileiro, Professor na USP,

Mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School

e Bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo)

 

Quem tem muito dinheiro já foi embora. Quem ficou, ficará — para sempre. Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano. Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão.

 

No Brasil do futuro — que já começou — você somente obedecerá. Obedecerá calado. Pagará impostos cada vez mais pesados, aceitará uma saúde pública em colapso, verá seus filhos estudarem em escolas sucateadas. E ainda agradecerá, pois reclamar será crime.

 

Desde o fim do regime militar, único período de crescimento sustentado, nossa renda _per capita_ foi cortada pela metade. Dado escondido pelo IBGE, abafado pela imprensa. Caímos do 40º onde hoje está a Grécia, para o 81º lugar no ranking global de renda. Sim, caímos — e acreditamos todo este tempo estar subindo. Foram 40 anos de doutrinação.

 

Nossos jornalistas, intelectuais e professores venceram: conseguiram fazer o país regredir em nome de justiça social — uma justiça que só distribui miséria. Como ex-professor universitário, afirmo: nunca ouvi na USP uma conversa séria sobre crescimento. Só sobre distribuição. Nunca discutimos eficiência. Só aumento de gastos. Nunca produtividade. Só aumento de salários do funcionalismo.

 

Agora, quando o Brasil se tornar verdadeiramente inviável, Flórida e Portugal não estarão com os braços abertos para nos receber. Estarão com os portões trancados. E com razão. A esperança de que Tarcísio, Caiado ou Ratinho, poderão mudar tudo isso sozinhos, é uma ingenuidade atroz. Como se trocar o piloto mudasse o avião em queda. A verdade é amarga, mas colocaram no poder um condenado em três instâncias. Mesmo que a primeira instância fosse falha, a segunda e a terceira confirmaram a condenação e isso ainda não foi contestado.

 

Prepare-se. O Brasil caminha para mais cinquenta anos de estagnação, comandado por políticos e economistas que vivem do que você produz, sem entregar nada em troca.

 

Mas ainda há tempo para reagir. Comece se educando, politicamente e economicamente. Exija reformas, desmascare as mentiras, confronte o discurso único. Ensine seus filhos a pensar — e não a repetir slogans. Denuncie o populismo, o aparelhamento, a corrupção sistêmica. Vote com coragem, com lucidez, com memória.

 

O futuro do Brasil não será diferente enquanto os brasileiros forem os mesmos. Mude. Agora. Ou se conforme em assistir o país definhar — por sua culpa.

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