“Me deixou triste essas notícias”: erro ou alternativa?
“Me deixou triste essas notícias”
No dia a dia, a gente costuma usar a língua de modo diferente
daquele que é ditado como sendo o uso correto pela gramática normativa. A
frase acima, de acordo com o dito padrão culto de linguagem, tem dois
problemas; o primeiro diz respeito à colocação pronominal; o segundo, à
concordância verbal. Essas duas formas de se usar a língua
já se transformaram em regra, uma vez que nenhum brasileiro irá deixar
de dizer “Me dá um cigarro [uma caneta, um copo, uma mão, etc.]” para
passar a dizer “Dê-me um cigarro”, como bem mostrou Oswald de Andrade em
seu poema “Pronominais”. Além dessa primeira característica, que
pronominal, há outra também bastante relevante. O português em sua
variante brasileira tem como regra a não flexão do verbo quando
anteposto ao sujeito. Ou seja, o brasileiro geralmente diz “Existe
muitas expectativas” e não “Existem muitas expectativas”. Para que se
tenha uma melhor ideia de onde está o “erro” é só fazer a inversão e pôr
o sujeito [muitas expectativas] na frente do verbo [existem]: “Muitas
expectativas existem”. O linguista Marcos Bagno, em seu livro “A Norma
Oculta” (Parábola Editorial), trata dessa questão com bastante
propriedade e comprova com dados de textos como os da Folha de São Paulo
que a questão da não flexão do verbo, neste caso, é uma regra clara de
nossa língua brasileira. Por isso tudo não podemos falar de
erro linguístico, mas sim de variedades linguísticas. Ao lado do padrão
culto de linguagem exigido pelas regras da gramática normativa existem
outras formas de linguagem mais “naturais”, que não se prendem tanto
àquilo que é pregado como sendo o correto. Portanto, não
vamos dizer que a frase acima está errada, porque não está. Ela somente é
uma forma alternativa, é uma possibilidade dentre tantas outras
possíveis na língua. Entretanto, em se tratando de linguagem culta,
formal - porque há muitas situações em que se exige formalidade na vida
-, é importante conhecer as regras da gramática normativa que é a que
regula as relações interpessoais nos contextos formais de usos da
linguagem, mais em textos escritos e um pouco menos nos falados.
Em suma, dizer “Me deixou triste essas notícias” é tão correto
quanto dizer “Deixaram-me tristes essas notícias”. Em casa, com os
amigos, familiares e em contextos até não muitos formais, a primeira
frase é adequada. Já em contextos mais formais (muito mais!) é adequado o
uso da segunda possibilidade. É isso aí!
Aconselhou-me a não desistir... Sem ambiguidades...
No dia a dia, a gente costuma usar a língua de modo diferente daquele que é ditado como sendo o uso correto pela gramática normativa. A frase acima, de acordo com o dito padrão culto de linguagem, tem dois problemas; o primeiro diz respeito à colocação pronominal; o segundo, à concordância verbal.
Essas duas formas de se usar a língua já se transformaram em regra, uma vez que nenhum brasileiro irá deixar de dizer “Me dá um cigarro [uma caneta, um copo, uma mão, etc.]” para passar a dizer “Dê-me um cigarro”, como bem mostrou Oswald de Andrade em seu poema “Pronominais”. Além dessa primeira característica, que pronominal, há outra também bastante relevante. O português em sua variante brasileira tem como regra a não flexão do verbo quando anteposto ao sujeito. Ou seja, o brasileiro geralmente diz “Existe muitas expectativas” e não “Existem muitas expectativas”. Para que se tenha uma melhor ideia de onde está o “erro” é só fazer a inversão e pôr o sujeito [muitas expectativas] na frente do verbo [existem]: “Muitas expectativas existem”. O linguista Marcos Bagno, em seu livro “A Norma Oculta” (Parábola Editorial), trata dessa questão com bastante propriedade e comprova com dados de textos como os da Folha de São Paulo que a questão da não flexão do verbo, neste caso, é uma regra clara de nossa língua brasileira.
Por isso tudo não podemos falar de erro linguístico, mas sim de variedades linguísticas. Ao lado do padrão culto de linguagem exigido pelas regras da gramática normativa existem outras formas de linguagem mais “naturais”, que não se prendem tanto àquilo que é pregado como sendo o correto.
Portanto, não vamos dizer que a frase acima está errada, porque não está. Ela somente é uma forma alternativa, é uma possibilidade dentre tantas outras possíveis na língua. Entretanto, em se tratando de linguagem culta, formal - porque há muitas situações em que se exige formalidade na vida -, é importante conhecer as regras da gramática normativa que é a que regula as relações interpessoais nos contextos formais de usos da linguagem, mais em textos escritos e um pouco menos nos falados.
Em suma, dizer “Me deixou triste essas notícias” é tão correto quanto dizer “Deixaram-me tristes essas notícias”. Em casa, com os amigos, familiares e em contextos até não muitos formais, a primeira frase é adequada. Já em contextos mais formais (muito mais!) é adequado o uso da segunda possibilidade. É isso aí!