: Por Juliana Leony Ribeiro
Tenho estantes repletas de livros; três dentre eles caíram acidentalmente. Inconformada com o desajuste, tirei todos os títulos do lugar, ansiosa por arrumá-los de novo. Que desgaste! Até agora não terminei.
Acalentei, por tantos anos, a ideia de um lugar exato, o clima perfeito. Foram dias dedicados em forjar mentalmente o cenário do tempo calculado, da liturgia certa, de uma agenda. O quadro era colorido e linear; cheio de nuances, mas cartesiano.
Vocês chegaram. A vida mostrou-se dinâmica e antagônica. Realização e caos. Amor extenso, privação. Perdi-me.
Acabo de descobrir que meu olhar mudou. O livro ao chão ganhou status de curiosidade. A mesa, que deveria ser apresentável, ganhou ruídos, olho no olho, migalhas, ordens, muxoxo, riso em cascata (e choro também).
Ganhou vida, eu quis dizer.
E nessa vida vivida, sentida, extasiada, Jesus chegou mais perto. É Ele o amigo da mesa - o amigo à mesa - que nos molda enquanto nos ajustamos. Ele, que à mesa, revelou caráter e personalidades; Ele, que no convívio, sonda o meu coração.
Na nossa dança diária de senta e levanta, arruma e bagunça, acalenta e decepciona, quero aqui, bem pertinho, ressignificando toda (des.) ordem que há em mim. 🙏💙

Sem comentários:
Enviar um comentário