REFLEXÃO :
A todos os que lutam por um Brasil ético, e, realmente, brasileiro.
GETÚLIO
VARGAS um paradoxo político, correto e astuto, uma águia de pouso único
e real, o trabalhismo, ditador e democrata, amigo ou adversário nos
objetivos que defendia. Um paralelo de ações que lembram umas tantas dos
nossos dias.
Ao término
do livro “Getúlio, 1945 -1954, Da volta pela consagração popular ao
suicídio”, Companhia das Letras, presente - no dia dos pais – da filha
Elise e do neto Lucas Dias Machado Vicente Lima, que vai se fazendo
político, 19 anos, a impressão é a de que nada mudou - antes piorou. As
mesmas tramas, idênticas distorções de falas, de notícias, palavras fora
do contexto, pinçadas para adubar discursos vazios, de objetivos
ideológicos, perseguindo fins de qualquer jeito e modo.
Causou-me
tristeza sua leitura. Notar como os atores na busca do poder, ao longo
do tempo, posicionavam-se em trincheiras que antes lhes eram contrárias.
Um sindicalismo aliado à direita radical e a militares na luta fratricida para derrubar o presidente eleito por maioria esmagadora. O
comunismo alinhado, os áulicos do poder, cortesãos (puxa-sacos no
popular), amigos – poucos -, correligionários, pessoas próximas,
parentes, todos ou quase todos na defesa de interesses pessoais.
Os
últimos anos da era Vargas foram conturbados. O governo não
deslanchava, as intrigas, o congresso, a imprensa, as associações não o
permitiam, não aceitavam o ex-ditador. Inimigos poderosos e extremados:
Carlos Lacerda, os baianos: Antônio Balbino e Aliomar Baleeiro, Eduardo
Gomes, Juarez Távora, entre outros, atiravam pedras à vontade.
Aparavam-nas, ou tentavam aparar, alguns modestamente, Tancredo Neves,
João Goulart, Café Filho, Juscelino Kubitscheck e mais alguns.
Uma figura de destaque: Alzira Vargas, filha, confidente, assessora e, sobretudo, amiga.
Personificam-se
distorções nas figuras de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal
de Getúlio, que teria mandado assassinar o polêmico jornalista Carlos
Lacerda, do irmão Benjamim, do filho Lutero.
Havia, pois, um reconhecido “mar de lama”, acima e além da vontade presidencial.
Lira
Neto, num estilo fácil e envolvente, nas 351 páginas de seu livro,
dedicadas ao tema, assinala a luta astuciosa de Getúlio para o retorno
ao poder. As orelhas do livro trazem o recorte da situação do
ex-ditador:
“...No inicio
de 1949 – após afilhados políticos seus terem sofrido revezes em
eleições regionais -, Getúlio deu sinais à imprensa, com a sagacidade
que lhe era peculiar, de que poderia tentar reconquistar o protagonismo
político. O movimento queremista reemergiu então em todo o país,
exigindo a candidatura do “pai dos pobres” à presidência da república.
O
retorno triunfal ao Catete, com a esmagadora votação obtida nas
eleições de 1950, deu início a um dos períodos mais conturbados da
política brasileira. A oposição ferrenha do udenismo e da imprensa,
personificada por Carlos Lacerda, combateu todas as iniciativas
populares (ou populistas) do segundo governo. O “mar de lama” denunciado
por seus inimigos manietou o envelhecido presidente, dividido entre os
afagos à classe trabalhadora e a obediência devida à praxe
anticomunista da Guerra Fria...”
“...Acuado
por um iminente golpe militar, Getúlio chegou a esboçar uma
resistência, mas, politicamente isolado, preferiu o suicídio à desonra
da renuncia.”
Agosto, 1954 - “...o barulho seco de um tiro ecoou no palácio.”
Em sua carta de homem que preferiu a morte à desonra, Getúlio Dornelles Vargas, registrou:
“Mais uma vez as forças e os interesse contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim.
Não
me acusam, me insultam, não me combatem, caluniam, e não me dão o
direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação
para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e
principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto...”
Um
livro que deveria ser lido por todos os brasileiros, em especial pelos
políticos, para uma fotografia do caráter nacional, entre claros e
escuros, “diversos tons de cinza”, buscarem a prevalência dos interesses
do povo e a liberdade acima de questões quaisquer.
Aqui,
o objetivo é o de incentivar a leitura do aludido livro de Lira Neto
para necessária reflexão, que incentive a todos perseguir a real e
necessária democracia, longe de interesses alienígenas, pessoais ou
partidários.
Geraldo Leony Machado
SSA, 21 de agosto de 2021
SETE (7) DE SETEMBRO - INDEPENDÊNCIA DO BRASIL.

Sem comentários:
Enviar um comentário