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Tenho
observado nos dias atuais, a discriminação 10.07.2009 Dionê Leony Machado |
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Eclesiastes - capítulo 12
O último capítulo de Eclesiastes é um poema belíssimo sobre a decadência
inexorável da vida de cada um de nós, ou seja, o envelhecimento que nos acomete
a todos os que tivemos o prazer de passar pela juventude e ver os anos bons em
que tínhamos força, curiosidade e vitalidade para experimentar os prazeres da
vida, desde os mais simples até os mais complexos.
O chamado constante do Pregador à sabedoria não deixa de ser um lembrete para
que todos os jovens (de corpo e de espírito) se preparem para o destino
inevitável – a morte – e quando este preparo é feito sabiamente, não deixa de
ser uma espécie de "décadence avec élégance" ("decadência com
elegância"), já que tolo é aquele que se revolta contra o processo
orgânico inevitável que nos leva ao fim da vida.
E a morte deve ser vista, também, como uma celebração da vida,
como um retorno à casa do Pai (12:7), por mais que seja doloroso pensar que
existe um fim para a existência, seja a nossa própria, seja a dos nossos
queridos.
É nesse espírito que Coélet escreve as palavras finais de Eclesiastes, chamando
a atenção do jovem para Deus, que é o grande Provedor de todas as coisas, que é
o grande sustentador da vida, mas é também Aquele que nos recebe de braços
abertos depois de uma vida entregue a Ele.
Assim, a primeira parte do capítulo 12 de Eclesiastes exorta o leitor a
lembrar-se do Criador em três momentos (três "antes"), um no v. 1
(que mostra a perda da alegria de viver), outro nos versículos 2 a 5 (que falam
do envelhecimento físico) e o terceiro nos versículos 6 e 7 (que se referem ao
fim propriamente dito, à morte).
No primeiro ANTES (v. 1), o Pregador fala da perda da alegria de viver, da
importância de se lembrar de Deus e do dom da vida "antes que venham os
maus dias" e cheguem os anos em que se possa dizer que neles não há mais
prazer, alegria e felicidade. Este não deixa de ser um reforço à pregação que ele
vinha fazendo, ou seja, de se aproveitar a vida, pelo simples fato de existir,
nos bons e maus momentos.
Nos vv. 2-5, o Pregador diz que devemos lembrar do Criador ANTES que a
decadência física seja incontornável, e a partir daí começa a descrever de uma
maneira poética belíssima, como o nosso corpo – definitivamente – não responde
mais aos estímulos que no circundam.
É
claro que a tendência natural do ser humano é passar por uma fase de esplendor
físico na juventude, e a partir de uma certa idade, o organismo começa, por
assim dizer, a se desconstruir, assim como o Pregador vinha desconstruindo –
nos capítulos anteriores - toda a pHá um
momento final, entretanto, em que o corpo entra em colapso, e a partir daí a
vista escurece, os ouvidos mal conseguem detectar o sussurro, o corpo treme, os
dentes caem, o prazer sexual (o perecer do "apetite" do v. 5) se
esvai, e o sono não serve mais de repouso (o "levantar-se à voz das
aves" do v. 4).
Depois dessa descrição triste, mas realista, vem o desenlace final, o terceiro
ANTES (vv. 6), que é o rompimento do cordão de prata e do copo de ouro, o
cântaro que quebra junto à fonte, e para mais nada serve senão ser jogado fora.
Perde a sua utilidade, simplesmente não existe mais.
Tudo poderia terminar por aí, mas Salomão conclui dizendo que ainda que o pó
volte à terra, inservível para os propósitos humanos, por outro lado o espírito
volta a Deus, que o deu (v. 7), porque "vaidade de vaidade, diz o
pregador, tudo é vaidade" (v. 8).
Não por acaso, esta é a sublime conclusão do discurso do Pregador, a mesma que
ele já adiantara ao iniciá-lo (1:2).
Mais que um discurso, este é um percurso que ele apresenta, o seu
percurso "debaixo do sol", expressão tão repetida em Eclesiastes, que
dá a idéia de que a nossa vida é como um dia que amanhece, transcorre e se vai
ao escurecer:exceção
da vida que o senso comum dita.
1:3 Que proveito tem o homem, de todo o seu
trabalho, que faz debaixo do sol?
1:4 Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
1:5 Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde
nasceu.
1:6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai
girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
1:7 Todos os rios vão para o mar, e, contudo o mar não se enche; ao lugar para
onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
1:8 Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não
se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
1:9 O que foi isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que
nada há de novo debaixo do sol.

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