sexta-feira, 5 de agosto de 2022

VELHOS 5 e 6...

 

                                                            



05

VELHOS?

 Tenho observado nos dias atuais, a discriminação
quanto aos mais idosos!
Chamam-nos de velhos.
Velhos,  não são sucatas, pois até elas são reaproveitáveis. Idosos são pessoas  com desgaste
natural, biológico,  psicológico,  social, financeiro...
·... Voltando no tempo, vejo estes idosos, lutando, batalhando,  suando, doando-se, deixando seus interesses em pro dos "jovens de hoje".
Deram tudo, fizeram o que podiam, e não podiam.
Também o que não deveriam ter feito.
Não era o tempo certo... Nem as pessoas certas...
Tudo que é fácil,  não se dá valor, não é reconhecido.
Hoje, o favor dos jovens é obrigação,  quando deveria ser gratidão.
Entendo que relações biológicas não são tão essenciais, mas sim , as da alma.
A alma amiga, é compreensiva,  agregadora, buriladora... Presente!
Trabalha o amigo, luta pelo crescimento em todos os aspectos. Sente a dor do outro, a tristeza, a luta...
É o amigo ideal!
Contudo, amigo está em falta! Na verdade, custa caro!
O ser humano só se interessa pelo seu ego.
Tudo gira em torno dos seus interesses imediatos.
Que saudade dos meus velhos!
Fizeram a minha história,  aprendi com eles, me alegraram, serviram, deram mais que eu para eles.
Obrigada meus velhos, tenho de todas gratas lembranças. .!
Hoje, os entendo melhor!

10.07.2009

Dionê Leony Machado

 

 

 

 

 

 

 06

Eclesiastes - capítulo 12

 

O último capítulo de Eclesiastes é um poema belíssimo sobre a decadência inexorável da vida de cada um de nós, ou seja, o envelhecimento que nos acomete a todos os que tivemos o prazer de passar pela juventude e ver os anos bons em que tínhamos força, curiosidade e vitalidade para experimentar os prazeres da vida, desde os mais simples até os mais complexos. 

O chamado constante do Pregador à sabedoria não deixa de ser um lembrete para que todos os jovens (de corpo e de espírito) se preparem para o destino inevitável – a morte – e quando este preparo é feito sabiamente, não deixa de ser uma espécie de "décadence avec élégance" ("decadência com elegância"), já que tolo é aquele que se revolta contra o processo orgânico inevitável que nos leva ao fim da vida. 

E a morte deve ser vista, também, como uma celebração da vida, como um retorno à casa do Pai (12:7), por mais que seja doloroso pensar que existe um fim para a existência, seja a nossa própria, seja a dos nossos queridos. 

É nesse espírito que Coélet escreve as palavras finais de Eclesiastes, chamando a atenção do jovem para Deus, que é o grande Provedor de todas as coisas, que é o grande sustentador da vida, mas é também Aquele que nos recebe de braços abertos depois de uma vida entregue a Ele.

Assim, a primeira parte do capítulo 12 de Eclesiastes exorta o leitor a lembrar-se do Criador em três momentos (três "antes"), um no v. 1 (que mostra a perda da alegria de viver), outro nos versículos 2 a 5 (que falam do envelhecimento físico) e o terceiro nos versículos 6 e 7 (que se referem ao fim propriamente dito, à morte). 

No primeiro ANTES (v. 1), o Pregador fala da perda da alegria de viver, da importância de se lembrar de Deus e do dom da vida "antes que venham os maus dias" e cheguem os anos em que se possa dizer que neles não há mais prazer, alegria e felicidade. 
Este não deixa de ser um reforço à pregação que ele vinha fazendo, ou seja, de se aproveitar a vida, pelo simples fato de existir, nos bons e maus momentos. 

Nos vv. 2-5, o Pregador diz que devemos lembrar do Criador ANTES que a decadência física seja incontornável, e a partir daí começa a descrever de uma maneira poética belíssima, como o nosso corpo – definitivamente – não responde mais aos estímulos que no circundam. 

 

É claro que a tendência natural do ser humano é passar por uma fase de esplendor físico na juventude, e a partir de uma certa idade, o organismo começa, por assim dizer, a se desconstruir, assim como o Pregador vinha desconstruindo – nos capítulos anteriores - toda a pHá um momento final, entretanto, em que o corpo entra em colapso, e a partir daí a vista escurece, os ouvidos mal conseguem detectar o sussurro, o corpo treme, os dentes caem, o prazer sexual (o perecer do "apetite" do v. 5) se esvai, e o sono não serve mais de repouso (o "levantar-se à voz das aves" do v. 4). 

Depois dessa descrição triste, mas realista, vem o desenlace final, o terceiro ANTES (vv. 6), que é o rompimento do cordão de prata e do copo de ouro, o cântaro que quebra junto à fonte, e para mais nada serve senão ser jogado fora. Perde a sua utilidade, simplesmente não existe mais. 

Tudo poderia terminar por aí, mas Salomão conclui dizendo que ainda que o pó volte à terra, inservível para os propósitos humanos, por outro lado o espírito volta a Deus, que o deu (v. 7), porque "vaidade de vaidade, diz o pregador, tudo é vaidade" (v. 8). 

Não por acaso, esta é a sublime conclusão do discurso do Pregador, a mesma que ele já adiantara ao iniciá-lo (1:2). 

Mais que um discurso, este é um percurso que ele apresenta, o seu percurso "debaixo do sol", expressão tão repetida em Eclesiastes, que dá a idéia de que a nossa vida é como um dia que amanhece, transcorre e se vai ao escurecer:
exceção da vida que o senso comum dita. 

 1:3 Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
1:4 Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
1:5 Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
1:6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
1:7 Todos os rios vão para o mar, e, contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
1:8 Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
1:9 O que foi isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

 

 

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