O Velho
Adão e a Escravidão do Sistema//05
I
O
Brasil é o país como maior índice de negros, oriundos do período da escravidão no
Brasil.
A Bahia
é o estado que possui uma concentração superior aos demais estados.
Na
realidade, existe uma enorme variação de cores, nuances, nas epidermes dos
baianos.
A luta
pela acessibilidade aos direitos continua existindo.
Por que
o homem rejeita outro homem pela sua cor?
Por que
os próprios negros vendiam seus irmãos?
Outros
eram raptados... Aprisionados.
Por que
tanta falta de respeito e desamor?
II
Breve
Histórico:
A
Bíblia menciona diversas figuras de pele escura, frequentemente associadas a
Cus (região da Etiópia/Núbia), destacando os filhos de Cã (Gênesis 10), povos
africanos no Êxodo, a Rainha de Sabá, e no Novo Testamento, o eunuco etíope
(Atos 8) e Simão Níger (Atos 13), representando uma presença constante desde as
origens até a igreja primitiva. 
Principais
referências a negros na Bíblia:
Descendentes
de Cã: A Bíblia indica que os filhos de Cã habitaram regiões africanas (Gênesis
10:6-20), sendo frequentemente associados aos povos de pele escura (Cusitas).
Azenate,
Efraim e Manassés: José casou-se com Azenate, uma egípcia (Gn 41:45), e seus
filhos, Efraim e Manassés, tornaram-se líderes tribais de Israel, possuindo
ascendência africana.
A
Rainha de Sabá: Visitou o rei Salomão (1 Reis 10), trazendo riquezas da região
da Etiópia/Iêmen.
O
Eunuco Etíope: Um oficial da corte da rainha Candace, batizado por Filipe (Atos
8:27), marcando o início da evangelização na África.
Simão Níger:
Líder da igreja em Antioquia (Atos 13:1), "Níger" significa negro em
latim.
Simão,
o Cirineu: Ajudou Jesus a carregar a cruz (Mateus 27:32), vindo de Cirene, no
norte da África. 
Além
desses, a "multidão mista" que saiu do Egito com os israelitas
provavelmente incluía negros (Êxodo 12:37-38).
III
A venda
de pessoas negras para a escravidão envolveu uma complexa rede de nações,
incluindo países europeus que organizavam e financiavam o tráfico e reinos e
líderes africanos que capturavam e vendiam pessoas de grupos rivais. 
Países
e Impérios Europeus Envolvidos
As
principais nações europeias que dominaram o comércio transatlântico de
escravizados, transportando milhões de africanos para as Américas. Portugal: Foi o primeiro e, no geral, o maior
traficante de pessoas escravizadas, responsável por transportar quase 6 milhões
de africanos, a maioria para o Brasil.
Grã-Bretanha:
Tornou-se a principal transportadora de escravizados no século XVIII,
responsável por mais de um quarto do total de pessoas traficadas.
Espanha:
Embora usasse muita mão de obra escravizada nas suas colónias, muitas vezes
contratava o transporte a outras nações (como Portugal, Holanda e
Grã-Bretanha).
França:
Envolveu-se ativamente no comércio, especialmente no século XVIII.
Países
Baixos (Holanda): Competiram com Portugal e Espanha e tornaram-se grandes
traficantes durante partes dos anos 1600.
Dinamarca
e Suécia: Também participaram, embora em menor escala. 
Essas
nações estabeleceram postos de comércio (feitorias) na costa africana, onde
mantinham as pessoas capturadas em cativeiro enquanto aguardavam o transporte
nos navios negreiros. 
Reinos
e Líderes Africanos Envolvidos
Na
África, a captura e venda de indivíduos a comerciantes europeus eram realizadas
por vários reinos, líderes políticos e mercadores locais. Cerca de 90% dos
africanos vendidos aos europeus foram escravizados por outros africanos. 
Chefes
políticos e mercadores da África Centro-Ocidental: Foram a principal fonte de
escravizados para a América portuguesa (Brasil).
Impérios
e Reinos: Nações como o Império Oyo (Iorubá) e a Confederação Ashanti (atual
Gana), o Reino do Daomé e os Imbangala (Angola) prosperaram com o comércio,
muitas vezes travando guerras para fazer prisioneiros e trocá-los por bens
europeus, como têxteis, álcool e armas de fogo.
Bandos
itinerantes: Grupos como os Nyamwezi (Tanzânia) atuavam como intermediários ou
bandos que guerreavam contra outros estados para capturar pessoas. 
O
comércio de escravizados foi um sistema global complexo, impulsionado pela
procura de mão de obra para as plantações nas Américas e envolvendo a
colaboração de várias nações e grupos em diferentes continentes.
IV
A
perseguição aos negros reflete uma história de racismo estrutural e violência,
manifestada em episódios como a escravidão, segregação (Jim Crow), linchamentos
nos EUA e perseguições nazistas. No nazismo, negros sofreram esterilização
forçada, prisões e assassinatos. No Brasil, a população negra é a maior vítima
de racismo, desigualdade social e violência letal.
Perseguição
Nazista: Apesar de não haver um extermínio centralizado como o dos judeus, os
nazistas consideravam negros racialmente inferiores. As Leis de Nuremberg
restringiram seus direitos.
Bastardos
da Renânia: Crianças multirraciais alemãs, filhas de soldados africanos e
mulheres brancas alemãs, foram esterilizadas à força.
Contexto
Brasileiro: O racismo antinegro no Brasil é uma herança colonial, resultando na
inferiorizarão e exclusão estrutural, com altos índices de violência policial e
letalidade.
Resistência:
Ativistas negros historicamente lutaram contra a repressão, apesar das
limitações impostas pela violência do Estado.
A
perseguição inclui racismo antinegro, que inferioriza pessoas com base na cor
ou etnia, sustentando relações de dominação.
V
A
afirmação de que Jesus e Deus não fazem acepção de pessoas baseia-se na
doutrina bíblica de que o amor, a graça e a salvação divina são universais, não
baseados em aparências, status social, raça ou nacionalidade. O critério divino
é o temor a Deus e a justiça, aceitando a todos.
Aqui
estão os pontos principais sobre esse tema:
Fundamento
Bíblico: Atos 10: 34-35 declara: "Reconheço, por verdade, que Deus não faz
acepção de pessoas; mas que lhe é agradável àquele que, em qualquer nação, o
teme e faz o que é justo".
Contraste
com a Humanidade: Diferente dos humanos, que muitas vezes julgam pela
aparência, riqueza ou posição social, Jesus olha para o coração.
Igualdade
no Amor: O amor de Deus está disponível para todos, sem favoritismos.
Proibição
na Fé Cristã: Tiago 2 condena o favoritismo ou preconceito dentro da comunidade
de fé, tratando a acepção de pessoas como pecado.
Exemplos
de Jesus: Jesus quebrou barreiras sociais e culturais, demonstrando compaixão
por todos, incluindo marginalizados e pecadores, focando na transformação de
vidas.
O
entendimento bíblico é que Deus ama o pecador, mas rejeita o pecado, e a
acepção de pessoas é uma atitude que afronta a justiça divina.
VI
A
religiosidade negra no Brasil é diversa e central para a resistência cultural,
com forte presença no Candomblé e Umbanda, embora a maioria se declare
evangélica (61,1%) ou católica. Essas crenças, de matriz africana, incluem o
culto aos orixás, toques de atabaques e tradição oral, frequentemente sofrendo
racismo.
Religiões
de Matriz Africana (Principais):
Candomblé:
Cultua orixás com forte influência de povos iorubás e jejes, baseando-se em
tradições orais e danças.
Umbanda:
Religião brasileira que mescla o culto de matriz africana com o catolicismo e
espiritismo, cultuando entidades como pretos-velhos e caboclos.
Outras
vertentes: Jarê, Terecô, Xangô de Pernambuco, Tambor de Mina.
VII
Panorama
Religioso Atual:
Cristianismo
e outros: Apesar da forte ligação histórica com religiões de matriz africana, a
maioria da população negra brasileira é evangélica (61,1%), seguida por
católicos (53,3%).
Resistência
e Racismo: A fé de matriz africana foi usada como resistência à escravidão e,
ainda hoje, enfrenta intolerância religiosa e perseguição.
VIII
Não
está claro quem é o primeiro homem negro da Bíblia. A Bíblia não está
interessada na cor de nossa pele, mas sim na salvação de nossas almas. Ela
nunca fala sobre a cor da pele das pessoas como um assunto pelo qual devemos
nos interessar. Porém, se por curiosidade quisermos saber, ainda podemos
encontrar alguns indícios na Bíblia sobre a cor da pele.
A
maioria das pessoas era de pele “bronzeada”
Como a
história da Bíblia aconteceu principalmente no Oriente Médio, é muito provável
que a grande maioria das pessoas mencionadas na Bíblia fosse bronzeada (pele
castanha). Para se tornarem ancestrais de pessoas negras e brancas, Adão e Eva
devem ter os genes para pele negra e branca. Isso significa que eles seriam de
cor castanha escura. Um provável candidato para a primeira pessoa que a Bíblia
parece indicar que tinha a pele negra é Cush. Ele era filho de Cãn, filho de
Noé. Seus descendentes, os cusitas, são os habitantes da África, ao sul do
Egito. Frequentemente, isso é referido como Etiópia, mas Núbia (norte do Sudão)
provavelmente é mais correto.
Cusitas
Mais
tarde na Bíblia, os cusitas são mencionados com frequência. Em Jeremias 13:23,
encontramos a pergunta retórica ‘pode o etíope [a palavra real usada aqui é‘
Cusita ’] mudar de pele?’, Em uma referência óbvia à pele escura ou negra desse
povo. Os cusitas sobre os quais lemos na Bíblia incluem:
Esposa
de Moisés (Números 12: 1). Há uma discussão sobre as circunstâncias desse
casamento e sobre o significado de “Cusita” neste versículo, mas a maioria dos
estudiosos da Bíblia acredita que Moisés se casou com uma mulher negra.
Um
mensageiro no exército de Davi (2 Samuel 18:13). Isso pode indicar que, muito
antes de os etíopes ganharem medalhas de ouro nas Olimpíadas, em corridas de
longa distância, eles eram conhecidos por serem corredores rápidos. O mesmo é
sugerido em Isaías 18: 2, onde lemos sobre os cusitas ‘Vão, seus mensageiros
rápidos’.
Ebed-Melech,
um oficial do palácio de Jerusalém. Ele ajuda Jeremias quando ninguém mais o
faz (Jeremias 38: 7-13).
IX
Novo
Testamento
No Novo
Testamento, lemos sobre duas pessoas importantes que provavelmente eram negras.
O primeiro é o oficial da corte etíope (Atos 8:27) que é batizado. Ele pode
muito bem ser o início da igreja etíope na antiguidade. O segundo é Simão Niger
(Níger significa “negro”), um dos líderes da Igreja em Antioquia.
Pode
haver mais negros na Bíblia. Por exemplo, quando Israel saiu do Egito, uma
“multidão mista” foi com eles (Êxodo 12: 37-38), o que provavelmente incluía
negros também. Mas como a cor da pele não é uma questão importante para Deus,
nunca é explicitamente mencionado na Bíblia se alguém é negro, mistura ou
branco.
X
As 136
cores da pele brasileira, uma ferida que é também um poema
50 anos
atrás, o IBGE perguntou aos brasileiros a cor da pele. O resultado é um
poema-palavra com as expressões que brasileiros escolheram
Conceição
Freitas
19/11/2025
Há um
retrato colorido, criativo, metafórico, bem humorado, por vezes irônico, e
muito revelador do quanto nós, brasileiros, continuamos sem saber lidar com as
muitas cores da nossa pele. Haverá outro país no mundo com tantas variedades de
lápis de cor? Se essa é a ferida aberta da alma brasileira, nela é possível
identificar nosso modo muito criativo de lidar com as nossas dores.
XI
Acastanhada,
agalegada, alva, alva escura, alvarenta, alva rosada, alvinha, amarela,
amarelada, amarela queimada, amarelosa, amorenada, avermelhada, azul, azul
marinho.
Baiano,
bem branca, bem clara, bem morena, branca, branca avermelhada, branca melada,
branca pálida, branca queimada, branca sardenta, branca suja, branquiça,
branquinha, bronze, bronzeada, burguesinha escura, burro quando foge.
Cabocla,
cabo verde, café, café com leite, canela, canelaça, cardão, castanha, castanha
clara, castanha escura, chocolate, clara, clarinha, cobre, corada, cor de café,
cor de canela, cor de cuia, cor de leite, cor de ouro, cor de rosa, crioula.
XII
Depois,
de uma geral sobre o Adão multicolorido, percebemos que nessas lutas raciais,
econômicas, sócias, religiosas, patrimoniais,
Somente
Satanás “ganha”...!
Antropofagia,
um engolindo o outro... E a fome não passa...!
Pesquisa:
Dionê
Leony Machado
26.01.2026
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