terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O VELHO ADÃO E A ESCRAVIDÃO DO SISTEMA //05

 

O Velho Adão e a Escravidão do Sistema//05

I

O Brasil é o país como maior índice de negros, oriundos do período da escravidão no Brasil.

A Bahia é o estado que possui uma concentração superior aos demais estados.

Na realidade, existe uma enorme variação de cores, nuances, nas epidermes dos baianos.

A luta pela acessibilidade aos direitos continua existindo.

Por que o homem rejeita outro homem pela sua cor?

Por que os próprios negros vendiam seus irmãos?

Outros eram raptados... Aprisionados.

Por que tanta falta de respeito e desamor?

II

Breve Histórico:

A Bíblia menciona diversas figuras de pele escura, frequentemente associadas a Cus (região da Etiópia/Núbia), destacando os filhos de Cã (Gênesis 10), povos africanos no Êxodo, a Rainha de Sabá, e no Novo Testamento, o eunuco etíope (Atos 8) e Simão Níger (Atos 13), representando uma presença constante desde as origens até a igreja primitiva.

Principais referências a negros na Bíblia:

Descendentes de Cã: A Bíblia indica que os filhos de Cã habitaram regiões africanas (Gênesis 10:6-20), sendo frequentemente associados aos povos de pele escura (Cusitas).

Azenate, Efraim e Manassés: José casou-se com Azenate, uma egípcia (Gn 41:45), e seus filhos, Efraim e Manassés, tornaram-se líderes tribais de Israel, possuindo ascendência africana.

A Rainha de Sabá: Visitou o rei Salomão (1 Reis 10), trazendo riquezas da região da Etiópia/Iêmen.

O Eunuco Etíope: Um oficial da corte da rainha Candace, batizado por Filipe (Atos 8:27), marcando o início da evangelização na África.

Simão Níger: Líder da igreja em Antioquia (Atos 13:1), "Níger" significa negro em latim.

Simão, o Cirineu: Ajudou Jesus a carregar a cruz (Mateus 27:32), vindo de Cirene, no norte da África.

Além desses, a "multidão mista" que saiu do Egito com os israelitas provavelmente incluía negros (Êxodo 12:37-38). 

III

A venda de pessoas negras para a escravidão envolveu uma complexa rede de nações, incluindo países europeus que organizavam e financiavam o tráfico e reinos e líderes africanos que capturavam e vendiam pessoas de grupos rivais.

Países e Impérios Europeus Envolvidos

As principais nações europeias que dominaram o comércio transatlântico de escravizados, transportando milhões de africanos para as Américas.  Portugal: Foi o primeiro e, no geral, o maior traficante de pessoas escravizadas, responsável por transportar quase 6 milhões de africanos, a maioria para o Brasil.

Grã-Bretanha: Tornou-se a principal transportadora de escravizados no século XVIII, responsável por mais de um quarto do total de pessoas traficadas.

Espanha: Embora usasse muita mão de obra escravizada nas suas colónias, muitas vezes contratava o transporte a outras nações (como Portugal, Holanda e Grã-Bretanha).

França: Envolveu-se ativamente no comércio, especialmente no século XVIII.

Países Baixos (Holanda): Competiram com Portugal e Espanha e tornaram-se grandes traficantes durante partes dos anos 1600.

Dinamarca e Suécia: Também participaram, embora em menor escala.

Essas nações estabeleceram postos de comércio (feitorias) na costa africana, onde mantinham as pessoas capturadas em cativeiro enquanto aguardavam o transporte nos navios negreiros.

Reinos e Líderes Africanos Envolvidos

Na África, a captura e venda de indivíduos a comerciantes europeus eram realizadas por vários reinos, líderes políticos e mercadores locais. Cerca de 90% dos africanos vendidos aos europeus foram escravizados por outros africanos.

Chefes políticos e mercadores da África Centro-Ocidental: Foram a principal fonte de escravizados para a América portuguesa (Brasil).

Impérios e Reinos: Nações como o Império Oyo (Iorubá) e a Confederação Ashanti (atual Gana), o Reino do Daomé e os Imbangala (Angola) prosperaram com o comércio, muitas vezes travando guerras para fazer prisioneiros e trocá-los por bens europeus, como têxteis, álcool e armas de fogo.

Bandos itinerantes: Grupos como os Nyamwezi (Tanzânia) atuavam como intermediários ou bandos que guerreavam contra outros estados para capturar pessoas.

O comércio de escravizados foi um sistema global complexo, impulsionado pela procura de mão de obra para as plantações nas Américas e envolvendo a colaboração de várias nações e grupos em diferentes continentes. 

IV

A perseguição aos negros reflete uma história de racismo estrutural e violência, manifestada em episódios como a escravidão, segregação (Jim Crow), linchamentos nos EUA e perseguições nazistas. No nazismo, negros sofreram esterilização forçada, prisões e assassinatos. No Brasil, a população negra é a maior vítima de racismo, desigualdade social e violência letal.

Perseguição Nazista: Apesar de não haver um extermínio centralizado como o dos judeus, os nazistas consideravam negros racialmente inferiores. As Leis de Nuremberg restringiram seus direitos.

Bastardos da Renânia: Crianças multirraciais alemãs, filhas de soldados africanos e mulheres brancas alemãs, foram esterilizadas à força.

Contexto Brasileiro: O racismo antinegro no Brasil é uma herança colonial, resultando na inferiorizarão e exclusão estrutural, com altos índices de violência policial e letalidade.

Resistência: Ativistas negros historicamente lutaram contra a repressão, apesar das limitações impostas pela violência do Estado.

A perseguição inclui racismo antinegro, que inferioriza pessoas com base na cor ou etnia, sustentando relações de dominação. 

V

A afirmação de que Jesus e Deus não fazem acepção de pessoas baseia-se na doutrina bíblica de que o amor, a graça e a salvação divina são universais, não baseados em aparências, status social, raça ou nacionalidade. O critério divino é o temor a Deus e a justiça, aceitando a todos.

Aqui estão os pontos principais sobre esse tema:

Fundamento Bíblico: Atos 10: 34-35 declara: "Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável àquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo".

Contraste com a Humanidade: Diferente dos humanos, que muitas vezes julgam pela aparência, riqueza ou posição social, Jesus olha para o coração.

Igualdade no Amor: O amor de Deus está disponível para todos, sem favoritismos.

Proibição na Fé Cristã: Tiago 2 condena o favoritismo ou preconceito dentro da comunidade de fé, tratando a acepção de pessoas como pecado.

Exemplos de Jesus: Jesus quebrou barreiras sociais e culturais, demonstrando compaixão por todos, incluindo marginalizados e pecadores, focando na transformação de vidas.

O entendimento bíblico é que Deus ama o pecador, mas rejeita o pecado, e a acepção de pessoas é uma atitude que afronta a justiça divina. 

VI

A religiosidade negra no Brasil é diversa e central para a resistência cultural, com forte presença no Candomblé e Umbanda, embora a maioria se declare evangélica (61,1%) ou católica. Essas crenças, de matriz africana, incluem o culto aos orixás, toques de atabaques e tradição oral, frequentemente sofrendo racismo.

Religiões de Matriz Africana (Principais):

Candomblé: Cultua orixás com forte influência de povos iorubás e jejes, baseando-se em tradições orais e danças.

Umbanda: Religião brasileira que mescla o culto de matriz africana com o catolicismo e espiritismo, cultuando entidades como pretos-velhos e caboclos.

Outras vertentes: Jarê, Terecô, Xangô de Pernambuco, Tambor de Mina.

VII

Panorama Religioso Atual:

Cristianismo e outros: Apesar da forte ligação histórica com religiões de matriz africana, a maioria da população negra brasileira é evangélica (61,1%), seguida por católicos (53,3%).

Resistência e Racismo: A fé de matriz africana foi usada como resistência à escravidão e, ainda hoje, enfrenta intolerância religiosa e perseguição.

VIII

Não está claro quem é o primeiro homem negro da Bíblia. A Bíblia não está interessada na cor de nossa pele, mas sim na salvação de nossas almas. Ela nunca fala sobre a cor da pele das pessoas como um assunto pelo qual devemos nos interessar. Porém, se por curiosidade quisermos saber, ainda podemos encontrar alguns indícios na Bíblia sobre a cor da pele.

A maioria das pessoas era de pele “bronzeada”

Como a história da Bíblia aconteceu principalmente no Oriente Médio, é muito provável que a grande maioria das pessoas mencionadas na Bíblia fosse bronzeada (pele castanha). Para se tornarem ancestrais de pessoas negras e brancas, Adão e Eva devem ter os genes para pele negra e branca. Isso significa que eles seriam de cor castanha escura. Um provável candidato para a primeira pessoa que a Bíblia parece indicar que tinha a pele negra é Cush. Ele era filho de Cãn, filho de Noé. Seus descendentes, os cusitas, são os habitantes da África, ao sul do Egito. Frequentemente, isso é referido como Etiópia, mas Núbia (norte do Sudão) provavelmente é mais correto.

Cusitas

Mais tarde na Bíblia, os cusitas são mencionados com frequência. Em Jeremias 13:23, encontramos a pergunta retórica ‘pode o etíope [a palavra real usada aqui é‘ Cusita ’] mudar de pele?’, Em uma referência óbvia à pele escura ou negra desse povo. Os cusitas sobre os quais lemos na Bíblia incluem:

 

Esposa de Moisés (Números 12: 1). Há uma discussão sobre as circunstâncias desse casamento e sobre o significado de “Cusita” neste versículo, mas a maioria dos estudiosos da Bíblia acredita que Moisés se casou com uma mulher negra.

Um mensageiro no exército de Davi (2 Samuel 18:13). Isso pode indicar que, muito antes de os etíopes ganharem medalhas de ouro nas Olimpíadas, em corridas de longa distância, eles eram conhecidos por serem corredores rápidos. O mesmo é sugerido em Isaías 18: 2, onde lemos sobre os cusitas ‘Vão, seus mensageiros rápidos’.

Ebed-Melech, um oficial do palácio de Jerusalém. Ele ajuda Jeremias quando ninguém mais o faz (Jeremias 38: 7-13).

IX

Novo Testamento

No Novo Testamento, lemos sobre duas pessoas importantes que provavelmente eram negras. O primeiro é o oficial da corte etíope (Atos 8:27) que é batizado. Ele pode muito bem ser o início da igreja etíope na antiguidade. O segundo é Simão Niger (Níger significa “negro”), um dos líderes da Igreja em Antioquia.

 

Pode haver mais negros na Bíblia. Por exemplo, quando Israel saiu do Egito, uma “multidão mista” foi com eles (Êxodo 12: 37-38), o que provavelmente incluía negros também. Mas como a cor da pele não é uma questão importante para Deus, nunca é explicitamente mencionado na Bíblia se alguém é negro, mistura ou branco.

 

X

As 136 cores da pele brasileira, uma ferida que é também um poema

50 anos atrás, o IBGE perguntou aos brasileiros a cor da pele. O resultado é um poema-palavra com as expressões que brasileiros escolheram

Conceição Freitas

19/11/2025

Há um retrato colorido, criativo, metafórico, bem humorado, por vezes irônico, e muito revelador do quanto nós, brasileiros, continuamos sem saber lidar com as muitas cores da nossa pele. Haverá outro país no mundo com tantas variedades de lápis de cor? Se essa é a ferida aberta da alma brasileira, nela é possível identificar nosso modo muito criativo de lidar com as nossas dores.

XI

Acastanhada, agalegada, alva, alva escura, alvarenta, alva rosada, alvinha, amarela, amarelada, amarela queimada, amarelosa, amorenada, avermelhada, azul, azul marinho.

 

Baiano, bem branca, bem clara, bem morena, branca, branca avermelhada, branca melada, branca pálida, branca queimada, branca sardenta, branca suja, branquiça, branquinha, bronze, bronzeada, burguesinha escura, burro quando foge.

 

Cabocla, cabo verde, café, café com leite, canela, canelaça, cardão, castanha, castanha clara, castanha escura, chocolate, clara, clarinha, cobre, corada, cor de café, cor de canela, cor de cuia, cor de leite, cor de ouro, cor de rosa, crioula.

XII

Depois, de uma geral sobre o Adão multicolorido, percebemos que nessas lutas raciais, econômicas, sócias, religiosas, patrimoniais,

Somente Satanás “ganha”...!

Antropofagia, um engolindo o outro... E a fome não passa...!

 

Pesquisa:

Dionê Leony Machado

26.01.2026

Sem comentários:

Enviar um comentário

SE FOR POSSÍVEL, AJUDE...!

Salmo 1 Os justos e os ímpios 1 Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se as...