O LUTERO NEGRO
Para
percebermos a presença
negra na Bíblia devemos considerar o seu contexto, não vamos
ver escrito na bíblia: pessoas pretas, negras ou africanas. Mas vamos ler os
termos etíopes, egípcios, hebreus, ou outros termos tribais. Etiópia é
mencionada mais de 40 vezes na Bíblia; Egito é mencionado aproximadamente 700
vezes, e África é mencionada mais do que qualquer outro continente da terra na
Bíblia. Também devemos considerar que o “Oriente Médio”, incluindo a Terra
Santa foi conectado ao mapa da África até 1859, quando o Canal de Suez foi
concluído. Tudo isso nos mostra que a Bíblia é um livro afro-asiático e tem
muitos negros e negros como protagonistas. Nesta direção, vejamos 10 pessoas negras nas histórias bíblicas e
como ilustração as imagens da última série do fotógrafo James C. Lewis.
https://afrokut.com.br/blog/10-pessoas-negras-nas-historias-biblicas/
É preciso se
reescrever a origem dos protestantes ou evangélicos no Brasil.
“A primeira tentativa de estabelecer uma igreja
protestante no Brasil foi em 1555, que pretendia dar refúgio aos calvinistas
franceses, perseguidos pela Inquisição europeia”. A segunda tentativa foi em
1630, quando os holandeses tomaram Recife, Olinda e parte do Nordeste,
registrando a presença do protestantismo. Após a expulsão dos holandeses, em
1654, o Brasil fechou as portas aos protestantes por mais de 150 anos.
“Com a chegada da família real, em 1808, e um
“jeitinho português” abriu-se uma brecha no monopólio católico, permitindo a
presença de outra religião que não fosse a católica. Os protestantes
estrangeiros, no entanto, não podiam pregar nem construir igreja com torre,
mais podiam reunir-se e cultuar a fé, comercializar a Bíblia e até
distribuí-la. Foi através dessa brecha que um negro letrado, alfaiate, chamado
Agostinho José Pereira, conheceu a Bíblia e descobriu outra forma de
cristianismo. Agostinho teve contato com protestantes estrangeiros que passaram
pelo Recife. Por “revelação divina”, em um sonho, tornou-se protestante. Em
1841, Agostinho José Pereira começou a pregar pelas ruas do Recife. Nasceu,
assim, a primeira igreja protestante brasileira, a Igreja do Divino Mestre, com
seus mais de 300 seguidores, negros e negras, todos livres e libertos.
“Agostinho ensinou-os a ler e a escrever, numa
época em que os proprietários de terras eram analfabetos”. No Brasil de 1841,
fora das colônias colonizadas por estrangeiras não havia protestantismo algum.
O negro Agostinho foi o primeiro pregador brasileiro. Só depois, em 1858, o
reverendo Roberto Kalley fundou a Igreja Fluminense, episódio considerado pela
história oficial como data de fundação da primeira igreja protestante do Brasil
“A Igreja do
Divino Mestre era mística e teologicamente negra. A Igreja fundada por
Agostinho falava de libertação bíblica, esperança de uma vida livre da
escravidão, o povo negro como a primeira criação humana de Deus, e de um Cristo
não branco.”
Escravos
letrados entre os negros brasileiros e do séc. XIX.
Os corpos de setenta negros espalham-se pelos
arredores do Quartel de Cavalaria, em Água de Meninos, Salvador. Outros 280 são
presos. Cai à bala a Revolta do Malês, levantamento de escravos e libertos
islâmicos na Bahia, em janeiro de 1835. Nos corpos, amuletos trazem papéis escritos
pelos próprios revoltosos.
“Nas senzalas da Bahia de 1835 havia talvez o maior
número de gente sabendo ler e escrever do que no alto das casas-grandes.” A
frase, de Gilberto Freyre em Casa Grande & Senzala, ilumina um
fenómeno pouquíssimo difundido: o da familiaridade dos escravos com a escrita,
portuguesa ou não (os malês escreviam em árabe as suas orações a Alá).
Por muito tempo a historiografia tradicional difundiu a ideia de que os negros
trazidos ao Brasil até o século XIX não sabiam ler nem escrever. Aos poucos,
esse mito, que alimentou o preconceito secular contra a inteligência negra,
perde espaço na recomposição da escravidão, cuja Lei Áurea completou 120 anos.
Pesquisas em História da Educação levantam evidências de uma disseminação da cultura
escrita entre escravos e alforriados. Há pistas de que, nos séculos XVII e
XVIII, os negros foram decisivos na difusão do português no Brasil.
Um estudo de Christianni Cardoso Morais, do Departamento de Educação da
Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais, reforça a ideia de
que mesmo os escravos e alforriados iletrados sabiam utilizar o escrito numa
época em que eram proibidos de frequentar escolas.
Ter profissão especializada como alfaiate, pedreiro ou carpinteiro, que exigiam
o uso de medidas e cálculos, indica um grau refinado de “letramento”,
termo que ajuda a entender os usos sociais, culturais e históricos atribuídos à
palavra escrita –
O ensino “combinado” da leitura e da escrita se
disseminou só após 1850.
Evidência
ainda mais segura do letramento escravo é a presença de negros nas escolas do
século XIX em Minas Gerais, numa proporção muito superior à dos brancos. Para
Marcus Vinicius Fonseca, autor de Educação dos Negros (Edusf, 2002),
quando se fala em educação elementar nas Minas Gerais do período é preciso ter
em mente uma escola negra. O perfil populacional de 1830 comprova.
Os sinais, desde Gilberto Freyre, abrem um veio
importante a investigar. Já se pode provar a distância entre ser negro e
escravo, por exemplo, e que essa distância parece passar pelo letramento. O
que é a escravatura?
A escravidão (denominada também escravismo, escravagismo e escravatura) é a
prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro
designado por escravo, ao qual é imposta tal condição por meio da força. Em
algumas sociedades, desde os tempos mais remotos os escravos eram legalmente
definidos como mercadorias.
História
Há diversas ocorrências de escravatura, sob diferentes formas, ao longo da
História, praticada por civilizações distintas.
Apesar de na Antiguidade ter havido comércio escravagista, não era
necessariamente este o fim reservado a esse tipo de espólio de guerra. Ademais,
algumas culturas com forte senso patriarcal reservavam à mulher uma hierarquia social
semelhante à do escravo, negando-lhe direitos básicos que constituiriam a
noção de cidadão.
A escravidão era uma situação aceita e logo se
tornou essencial para a economia e para a sociedade de todas as civilizações
antigas, embora fosse um tipo de organização muito pouco produtivo. A
Mesopotâmia, a Índia, a China e os antigos egípcios e hebreus utilizaram
escravos.
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