O que a Bíblia diz sobre escravidão? 14 a.Parte
A escravidão não faz parte do plano de Deus. Cada pessoa é
criada à imagem e semelhança de Deus e deve ser tratada com amor e respeito.
Mas a Bíblia também reconhece que a escravidão existe e defende a dignidade dos
escravos.
Quem ama a Deus deve lutar contra a opressão (Isaías 58:6).
Diante de Deus todos somos iguais. Uma pessoa não é um objeto que pode ser
vendido e abusado. A Bíblia nos ajuda a ver os outros como nossos irmãos.
Quando isso acontece, a resposta natural é libertar da escravidão.
Paulo escreveu para Filemom em favor do escravo Onésimo.
Paulo explicou que, em Jesus, Onésimo era irmão de Filemom e deveria ser
tratado como tal. Paulo recomendou libertar Onésimo e mandou Filemom tratá-lo
como se fosse o próprio apóstolo Paulo! - Filemom 1:15-17
A escravidão era parte da realidade do tempo de Jesus. Os
apóstolos exortaram os escravos serem exemplos de trabalho e dedicação mas
também avisaram os senhores a tratar os escravos com respeito e dignidade. Quem
pudesse era encorajado a conseguir sua liberdade (1 Coríntios 7:21-23).
Ao longo dos séculos, a Bíblia tem sido usada tanto para
defender como para abolir a escravatura. A carta a Filemom inspirou muitos
senhores cristãos a libertar seus escravos. Muitos escravos encontraram
esperança nas palavras da Bíblia.
Leis sobre escravidão no Velho Testamento
Deus permitiu a escravidão em algumas situações em Israel.
Em outros povos, escravos não tinham nenhuma proteção. Mas os escravos em
Israel tinham direitos e deveriam ser tratados com dignidade. As leis sobre
escravos em Israel eram radicais e progressistas:
Um escravo deveria ser libertado no sétimo ano de
escravidão; só seria escravo a vida inteira quem escolhesse ser – Êxodo 21:2
Quando fosse libertado, o dono do escravo deveria lhe dar
sustento para ajudá-lo a começar a viver em liberdade – Deuteronômio 15:12-14
Escravos tinham direito a folga no sábado e nas festas
religiosas, assim como pessoas livres.
Quem causasse danos físicos tinha de libertar seu escravo em
compensação; se um senhor matasse seu escravo, seria punido – Êxodo 21:26-27
Escravas não poderiam ser usadas como prostitutas e uma
escrava que se tornasse esposa tinham direito de proteção à vida toda
Raptar alguém para vender como escravo era punido com morte;
essa lei destruía o negócio do tráfico humano – Êxodo 21:16
Um escravo poderia ser resgatado por um parente; em algumas
situações o próprio escravo conseguia pagar seu resgate
Se um escravo fugisse, não deveria ser entregue ao seu
senhor contra sua vontade nem receberia punição – Deuteronômio 23:15-16
Escravos de outros povos não tinham o direito de ser
libertados no sétimo ano, mas tinham todos os outros direitos
A escravatura não era um grande negócio em Israel. Um
escravo podia até ter uma vida melhor que uma pessoa livre. Alguns escravos de
confiança eram adotados e recebiam herança (1 Crônicas 2:34-35). As únicas
situações em que alguém poderia se tornar um escravo eram:
Por dívida – se alguém não conseguisse pagar, poderia vender
seu trabalho, se tornando escravo de outra pessoa até quitar a dívida.
Por pobreza – quem não conseguia se sustentar poderia se
vender como escravo; o senhor tinha o dever de garantir suas necessidades
básicas.
Por nascimento – o filho de um escravo era escravo (mas
todos os escravos acabavam por ser libertos depois de alguns anos)
Como prisioneiro de guerra – pessoas capturadas poderiam ser
escravizadas (mas com todos os direitos listados acima)
Veja também: o que Deus diz sobre a guerra?
O objetivo dessas regras era garantir que todos tivessem
sustento e segurança, mesmo em tempos de pobreza. Quase todos os escravos
teriam a oportunidade de alcançar a liberdade. Infelizmente, o povo hebreu não
obedeceu sempre a essas regras e muitos abusos aconteceram, contra a vontade de
Deus (Jeremias 34:17).
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Dionê Leony Machado
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