sexta-feira, 16 de outubro de 2026

ESCRAVIDÃO 1a.Parte

 

1a.Parte

O termo "escravidão patriarcal" no contexto baiano e brasileiro é frequentemente utilizado por historiadores, sociólogos e antropólogos para descrever as dinâmicas sociais e de trabalho que herdaram estruturas do período colonial e imperial, mantendo relações de profunda dependência, submissão e exploração, especialmente contra mulheres, populações negras e trabalhadores rurais.

Historicamente, autores como Gilberto Freyre e, posteriormente, críticos de sua obra, analisaram como o patriarcalismo moldou a sociedade nordestina, estabelecendo a figura do "senhor de engenho" ou do coronel como o centro do poder político, econômico e afetivo. Na Bahia contemporânea, o debate sobre a permanência dessas amarras costuma ser dividido em três frentes principais:

1. Relações de Trabalho e o Trabalho Doméstico

Muitos especialistas apontam que o emprego doméstico, setor fortemente composto por mulheres negras na Bahia, ainda guarda sequelas do modelo patriarcal e escravista. A expectativa de total disponibilidade da trabalhadora, salários baixos e a ausência de direitos formais em casos de informalidade são vistos como reflexos modernos de uma mentalidade colonial. Nos casos mais extremos, operações de fiscalização do Ministério do Trabalho frequentemente resgatam pessoas em condições análogas à escravidão no estado, muitas vezes submetidas a décadas de servidão sob o pretexto de "fazerem parte da família".

2. O Coronelismo e a Dependência Econômica no Interior

No interior da Bahia, a estrutura do coronelismo se transformou, mas a dependência econômica de grandes proprietários de terras ou de oligarquias políticas locais ainda ditas à vida de comunidades vulneráveis. O controle sobre o acesso à água, ao trabalho e até a benefícios sociais por lideranças locais reproduz a lógica patriarcal de dominação e clientelismo.

3. Violência de Gênero e Raça

O patriarcado se manifesta diretamente nos índices de violência doméstica e feminicídio. Movimentos sociais e pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) argumentam que a intersecção de gênero, raça e classe mantém mulheres negras em uma posição de vulnerabilidade acentuada, onde o corpo e a autonomia feminina ainda enfrentam a tentativa de controle e posse por parte de figuras masculinas.

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Dionê Leony Machado

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