domingo, 3 de dezembro de 2017

VOCÊ ESCOLHEU!


 HERANÇA MALDITA

 Pense em seu nascimento,
Pais felizes, tão esperado,
Um herdeiro, festejavam,
Almejando um futuro promissor,
Nada faltou, tudo corria bem,
Estudos os melhores,
Queremos que seja doutor,
Tem o perfil do avô,
Inteligente, bem apessoado,
Com jovem formosa,
Também formada,
Farão um grande casal,
Com filhos, que seguirão,
Os passos do genitor.
Mas, nem tudo seguiu o esperado,
Na política ingressou,
Já vinha nela meti
A todos enganou,
Como é um vício, tão ou mais cruel,
Como os demais, pois destrói não só a si,
Como todos os demais.
Trambiques, mutretas, mentiras, vende-se,
E compra quem impedir as  transações.
Pobre coitado vendeu a alma ao diabo,
Dele não se livrará,
Verá fantasmas dia e noite, pois é seu
Servo, sem nenhum domínio,
Obedecerá ao seu novo, patrão.
Acorrentado, amaldiçoado,  deixará,
Para seus filhos, netos e familiares,
O destino que escolheu,
Sem exemplos positivos,
Seguirão, aquele para o qual se vendeu,
Com remorso acabou numa corda com a qual se enforcou...!
Fim eterno, de quem ouviu triste,
Mas, por trinta moedas se vendeu...!

Dionê Machado
Dezembro de 2017.





 

sábado, 2 de dezembro de 2017

O FLAUTISTA DE HAMELIN!




O Flautista de Hamelin é um conto folclórico, reescrito pela primeira vez pelos Irmãos Grimm e que narra um desastre incomum acontecido na cidade de Hamelin, na Alemanha, em 26 de junho de 1284.[1][2]
A história
Em 1284,[3] a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um "caçador de ratos" dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos - uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser.


O flautista de Hamelin (ilustração de Kate Greenaway)
Apesar de obter sucesso, o povo da cidade abjurou a promessa feita e recusou-se a pagar o "caçador de ratos", afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.
GOOGLE.

A LEVEZA DO SER!

 NÃO É UM COITADO!



APARÊNCIA...!



Pareciam uma família



Pai, mãe, filho.
Tudo parecia aparentemente bem.
Mas, era só aparência.
Sem consistência,
Sem alicerces profundos,
Os ventos batiam e assustavam,
Mas, as rachaduras suaves,
Eram amparadas por um escorão.
Certa vez deu medo,
Exigiu muita prudência,
Tudo foi resolvido.
O tempo foi passando,
Não  amadurecia,
Sentia no peito, pressão,
Pois  estagnada, sufocava,
Perdia tudo que pretendia...
Confusa nem sei o que buscava,
Outros ares,
Corri, para onde não devia,
Tudo desmoronou,
O escorão partiu,
A casa veio ao chão...
Destroços, físicos, emocionais,
Materiais, da alma sofrida
Sem merecer tamanha agressão.
Tudo era falsidade, mentiras que sangraram
Para acobertar um falsário,  mentiroso,
Amparado por  pessoas iguais  que nada
Sentiam,   farinha do mesmo saco,
Até Deus eu desprezava, perguntava:
Por quê?
Não compreendia que na dor a alma cresce,
Ele não desampara depois de tantos embates, gritei: Meu Deus! Saiu de dentro de mim... Das entranhas...
Lutas, batalhas, ardis, mentiras, tudo para,
Se librar do compromisso que fugia, enganava, ludibriava, sem uma trégua,
Sem um arrependimento.
Frio, calculista, manobrava,
Para arrancar tudo, que eu resgatei,
Sozinha. Criatura sem valor,
Bijuteria barata, quinquilharia,
Made in Paraguai, China, ou da feira do rolo.
Mas a vitória é certa!
Aceitei o meu Senhor,
Entreguei as chaves da minha vida,
Os embates continuam de outros lados,
Já entreguei meu relatório, assinado, registrado,
Só a espera do carimbo, do Meu Salvador!
As dores fizeram crescer as raízes, robustecer,
O ser que nasceu para dar frutos,
Alimentar quem precisasse,
Deixar sementes íntegras, seguindo seus passos,
É a vitória que experimento,
Aqui na Terra, antes de partir...!

Dionê Machado
Dezembro 2017.






sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CRIME IGNORADO!




SÍNTESE DO ARTIGO PUBLICADO NO GOOGLE.
Por inúmeros caminhos a analogia entre “comer” e “sexo” chegou aos tempos atuais, onde pesquisadores apontam na gíria do verbo comer sua conotação sexual.
Esse sentido “chulo” do verbo comer é encontrado na literatura brasileira desde os anos 20, ainda que, os arawetés somente tenham entrado em contrato com a civilização nos anos 70 e  por esta razão, considera-se que outras populações indígenas também utilizavam a conotação sexual de comer com o sexo que terminaram por influenciar a cultura nacional.  Essa conotação não existe apenas na língua portuguesa, mas também em espanhol, havendo referências para seu uso no México em função de sua população indígena.
Quer dizer, aquilo que Bataille identifica com animalidade, “aquele que come outro”, adquire um novo sentido quando buscamos o significado simbólico que as situações de estupro encarnam. Aqui, o estupro é entendido como o retorno do recalcado, retorno da animalidade em estado puro:  estuprar é  “comer” (sic) alguém a força e isto é também o retorno do feitio canibal do festim diabólico. Esse é, segundo Baudrillard, o problema do simbólico, do religioso, ele nunca desaparece, sempre retorna sob outras formas. Se o ato amoroso tem a ver com a vida, se a prática consensual do sexo tem relação com a alegria, o estupro é seu contrário.
Negação da humanidade
O ponto de vista que Bataille sugere é que toda vez que um animal come outro ele nega sua transcendência ”animais de uma determinada espécie não comem uns aos outros…” afirma o autor. Exceto o homem porque ele é capaz de estupro é o que queremos sugerir. Mas a interpretação do estupro como retorno de nossa animalidade é ainda mais difícil a partir de  Bataille, já que o autor reconhece que quando nos distinguimos do objeto  podemos nos identificar ao humano  ”a rigor, o animal pode ser visto como um sujeito para o qual o resto do mundo é objeto, mas nunca lhe é dada a possibilidade de ver a si mesmo assim.
Elementos dessa situação podem ser apreendidos pela inteligência humana, mas o animal não pode realiza-los”(p. 24). Não é essa  exatamente a posição do estuprador, ele não consegue sequer ver o Outro porque não pode reconhecer a ihumanidade do ato que pratica?
Só isso pode explicar porque os estupradores da jovem de 17 anos colocaram as imagens na internet, e o ponto é importante porque,  se o estuprador é um animal, isto é, um ser humano que permitiu que seus institutos animais guiassem sua razão, significa que, na realidade, sequer a distinção entre sujeito e objeto foi lhe posta porque ela simplesmente não existe na relação dos animais com sua vítima “o animal (sic) que outro animal come ainda não está dado como objeto”, diz Bataille.
A razão, afirma o autor de “A experiência interior”, dá-se porque  “ na medida em que somos humanos [é] que o objeto existe no tempo em que sua duração é apreensível”. O estuprador não é um homem decaído em sua moral, é um homem decaído em sua ontologia, em sua natureza de ser humano, que permite o retorno de sua animalidade recalcada. O estuprador é ihumano (Lyotard).
Atentar à humanidade
O ponto é compreender o inteiro significado que atribuímos ao estupro como retorno da animalidade. É essa total falta de consciência da existência do Outro que faz do estuprador um animal, ele afirmar que ele é incapaz de considerar a mulher como sujeito significa que o estuprador está no limite da consciência do ser, o que não deve servir para desresponsabiliza-lo, ao contrário, deve servir para entender o significado das maneiras como falamos dele. Ou antes, a maneira correta de falar de um estuprador não é falar juridicamente, que atentou a Lei, aos regulamentos, etc, etc, mas que atentou à humanidade, aquilo que nos faz humanos.
É só nesse sentido que o ato do estupro é um ato negador da política: o salto interpretativo se faz na medida em que o ser humano se faz humano pela capacidade de reconhecer e negociar com outro – exatamente como se faz no relacionamento amoroso –,  centro do campo social. Para o estuprador, sequer esse horizonte é vislumbrado porque nele tudo é animal, o estupro é sua forma violenta de “comer” (sic) o outro, exatamente porque em nossa cultura associamos o sexo ao “comer”. Talvez a verdadeira luta das mulheres  esteja na ressignificação desses termos, de que de agora em diante, possamos educar as gerações sem a identidade entre “comer” e “sexo”.

Manifestação de mulheres contra o machismo e a cultura do estupro na Avenida Paulista. | Créditos: Rovena Rosa/Agência Brasil
Um estuprador não é o extremo, é a redução
O estupro é uma ação animal porque reduz a imanência, “humanidade”, à imediatez dos sentidos. O mundo do estuprador – além de ilegal, é claro, contrariando a Lei, os direitos, etc, etc – é um mundo fechado onde seu sujeito é incapaz de alcançar a transcendência. O estuprador não leva ao extremo o que pode fazer um ser humano, ao contrário, ele é prova da redução de homens ao estado de animais ”inevitavelmente, diante de nossos olhos, o animal está no mundo como a água está na água”.
Quer dizer, com a civilização e a Lei, imaginávamos que havíamos superado o animal que existe no homem, mas ele está a espreita: “O animal tem diferentes condutas de acordo com as diferentes situações”, diz. Neste ponto, Bataille abre a perspectiva para entender o estupro não apenas como uma violência animal que emerge contra a razão, mas como uma expressão radical das formas de violência sobre a subjetividade.
Não é o que percebemos em determinadas situações de violência, como o bullyng, o assédio moral, essas violências cotidianas, comezinhas, de homens contra homens e contra mulheres, elas não são  sentidas pelas vitimas exatamente da mesma forma, como estupro? A forma limite da violência simbólica não está assumindo a forma-estupro? ”Não podemos dizer de um lobo que come outro que ele esteja violando a lei que afirma que, normalmente, os lobos não comem uns aos outros. Ele não viola essa lei, simplesmente ele se encontrou em circunstâncias nas quais ela não vigora mais” (p.27).
Nesse sentido, o estuprador é o pior ser humano porque ele é incapaz de reconhecer o Outro – o que exige o Tempo – e portanto, é incapaz de reconhecer a morte  “O animal perdeu a dignidade de semelhante do homem, e o homem, percebendo em si mesmo a animalidade, vê-a como uma tara…comer (sic) o homem é  abominável”(p.36).
Para Bataille, o que nos define como humanos está na relação que estabelecemos com o corpo do Outro. Por esta razão, mesmo o estudo da anatomia foi por muitos anos algo escandaloso. E o que mais mexeu com nossos fantasmas talvez tenha sido Salò ou 120 dias de Sodoma, onde a atitude humana para com o corpo era aterradora “A glória do corpo humano [é] ser o substrato de um espírito”, diz Bataille. No estupro, o homem revela a completa redução ao estado animal, e esse sentido não é porque se trata de um ato violento apenas,  o que é, mas que se trata de um ato redutor de sua humanidade e aniquilamento de seu espírito.
 Jorge Brcellos é Articulista do Estado de Direito, responsável pela coluna Democracia e Política – historiador, Mestre e Doutor em Educação pela UFRGS. É chefe da Ação Educativa do Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre e autor de “Educação e Poder Legislativo” (Aedos Editora, 2014). Escreve para Estado de Direito semanalmente.





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