sexta-feira, 29 de setembro de 2023

MARIA 3a. Parte

 

3-A História do Nascimento de Jesus

Thomas Lieth

 

A Bíblia contém dois relatos do nascimento do Senhor Jesus – nos evangelhos de Mateus e de Lucas. Se compararmos esses dois relatos, nota-se que não coincidem plenamente, o que, afinal, não deixa de ter sua lógica; caso contrário, bastaria um único relato. Assim, Mateus escreve em seu evangelho sobre pontos que Lucas não menciona, e vice-versa.

 

Meu objetivo aqui será então combinar os relatos dos evangelhos de Mateus e de Lucas para apresentar um decurso possível da história do Natal.

 

Visitas Angelicais aos Pais

Comecemos com o anúncio do nascimento do Senhor Jesus no evangelho de Lucas: “No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria” (Lucas 1.26-27).

 

Lucas confirma que Maria vivia em Nazaré e que ali o anjo apareceu a ela. Este foi o primeiro acontecimento: Maria recebe em Nazaré o anúncio do nascimento do Senhor Jesus ainda antes de engravidar, pois a continuação do texto diz: “Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus” (Lucas 1.31).

 

Quando o anjo lhe apareceu, Maria ainda não estava grávida, mas então, tendo em vista sua confiança em Deus e sua declaração ao dizer: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra” (v. 38), o Espírito Santo veio sobre Maria e ela engravidou.

 

Em seguida, um anjo apresentou-se a José a respeito disso num momento em que Maria já estava grávida, conforme se lê no evangelho de Mateus – uma vez que Lucas não cita José, totalmente atropelado pela ocorrência: “Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: ‘José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo’” (Mateus 1.18-20).

 

O fato de que José “pretendia anular o casamento secretamente” significa que de algum modo e em algum momento ele havia descoberto a gravidez da sua noiva, e só depois disso é que também apareceu um anjo a ele. Essa circunstância permite supor que a visita de Maria a Isabel – que somente Lucas relata – tenha ocorrido quando José ainda não sabia nada da gravidez.

 

Portanto, poderá ter ocorrido o seguinte: Maria recebe o anúncio do nascimento: “Você ficará grávida”. Após sua resposta “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra”, ela engravida. Segue-se então sua visita a Isabel (Lucas 1.39-56), e o versículo 56 termina dizendo: “Maria ficou com Isabel cerca de três meses e depois voltou para casa”. Ou seja, Maria retorna a Nazaré grávida de três meses e não sabe como o seu ingênuo noivo reagirá a essa situação... correndo mesmo o risco de talvez ser apedrejada como prostituta e adúltera ou, no mínimo, ser repudiada. Enquanto, então, José decide chocado separar-se de Maria, o anjo lhe aparece com as palavras: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o quer nela foi gerado procede do Espírito Santo” (Mateus 1.20b). Este é o segundo acontecimento: um anjo também anuncia a José, em Nazaré, o iminente nascimento do Senhor Jesus.

 

O nascimento do Senhor Jesus ocorreu em Belém, exatamente como Deus quis e como havia sido predito pelos profetas.

Com isso já chegamos ao nascimento propriamente dito do Senhor Jesus. – E onde ele nasceu? “É claro que em Nazaré – é evidente!” Mas não: quem crê isso, nunca esteve presente num culto natalino, e talvez até suponha que Pôncio tenha sido o irmão de Pilatos. O nascimento do Senhor Jesus ocorreu em Belém, exatamente como Deus quis e como havia sido predito pelos profetas.

 

O Nascimento de Jesus

Com isso, deixamos Nazaré temporariamente e vamos a Belém. Este é o terceiro acontecimento: o nascimento do Senhor Jesus em Belém. Lucas explica-nos então como foi que isso aconteceu: “Naqueles dias, César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2.1-7).

 

Maria e José são forçados a deixar Nazaré e viajar a Belém. É uma distância de aproximadamente 130 quilômetros, em parte através de regiões montanhosas. Não é sem motivo que o texto informa que “subi[ram] da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia” (Lucas 2.4, BKJ). Não foi um passeio plano, e com tudo isso não devemos esquecer que Maria estava em estado adiantado de gravidez quando empreendeu com José essa longa jornada. Devem ter viajado por mais ou menos um semana e, considerando as circunstâncias e as dificuldades da viagem, não teria sido incomum que Maria já tivesse dado à luz a criança quando ainda estavam a caminho. Nesse caso, o Salvador do mundo não teria nascido nem em Nazaré nem em Belém, mas em algum lugar intermediário. Deus, porém, proveu que o parto só ocorresse quando Maria e José chegassem a Belém, encontrando finalmente uma pousada, exatamente segundo a predição de Miqueias 5.2: “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel...”.

 

 

Maria e José são forçados a deixar Nazaré e viajar a Belém. É uma distância de aproximadamente 130 quilômetros, em parte através de regiões montanhosas.

 

Na mesma noite do nascimento do Senhor Jesus, um anjo aparece aos pastores no campo: “Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados. Mas o anjo lhes disse: ‘Não tenham medo. Estou trazendo boas-novas de grande alegria para vocês, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor’. Então correram para lá e encontraram Maria e José e o bebê deitado na manjedoura” (Lucas 2.8-11,16). Este é o quarto acontecimento: os pastores junto à manjedoura.

 

Até aqui, tudo parece encaixar-se bem, mesmo porque Lucas nos fornece um belo quadro cronológico. Porém, como já vimos, Lucas não dá um relato completo, mas deixa a palavra com Mateus para completar aquilo que ele omite. Assim ocorre, por exemplo, o evento com os chamados magos do oriente. Voltemos ao evangelho de Mateus: “Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo’” (Mateus 2.1-2). Este é o próximo acontecimento: os magos veem uma estrela e viajam para Jerusalém.

 

O que, porém, não sabemos é quando os magos realmente se puseram a caminho. Teriam partido imediatamente após a primeira aparição celeste, quem sabe já no dia seguinte, ou será que primeiro fizeram investigações a respeito dessa estrela extraordinária? De qualquer modo devem ter necessitado de algum tempo com os preparativos para essa longa viagem. Uma vez que o texto não expõe nada com clareza a respeito, não é possível saber. Contudo, lembremos que neste quinto ponto, em conexão direta com o nascimento do Senhor Jesus e com a visita dos pastores à manjedoura, uma estrela brilha para os magos a uma distância de aproximadamente mil quilômetros, uma estrela que os alerta sobre o nascimento do Senhor Jesus. Em razão disso, eles empreendem a longa viagem até Jerusalém porque era lá que esperavam encontrar o rei dos judeus.

 

Continuando com Lucas: “Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer” (Lucas 2.21). Maria e José ainda permanecem em Belém – e supõe-se que nesse meio tempo tenham encontrado um alojamento normal. Então, oito dias após o nascimento e a visita dos pastores, o bebê é circuncidado conforme exige a lei. Este é o sexto acontecimento: a circuncisão do Senhor Jesus em Belém enquanto os magos do oriente se põem a caminho para render homenagem ao recém-nascido rei dos judeus.

 

Lucas não dá um relato completo, mas deixa a palavra com Mateus para completar aquilo que ele omite.

Em seguida, lemos: “Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: ‘Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor’)” (Lucas 2.22-23). Este é o sétimo acontecimento: a apresentação do Senhor Jesus no templo em Jerusalém a fim de atender ao mandamento de Levítico 12.1-4. Portanto, cerca de 40 dias depois, Maria e José vão a Jerusalém, distante apenas cerca de 10 quilômetros de Jerusalém. O que quer dizer que Maria e José permaneceram no mínimo 40 dias em Belém, e que toda a parentela – primos, primas, vovó, vovô – até então ainda não tinham visto o bebê Jesus em Nazaré, a cerca de 130 quilômetros de distância. Somente agora, após cerca de 40 dias, a família se encontra em Jerusalém e os magos do oriente estão em algum lugar num congestionamento junto ao Eufrates.

 

Continuando a ler o evangelho de Lucas, vemos que Maria e José retornaram com seu filho a Nazaré: “Depois de terem feito tudo o que era exigido pela Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na Galileia” (Lucas 2.39). – Finalmente de volta ao lar, na sua cidade. E finalmente também a parentela curiosa pode abraçar a jovem família e entregar seus presentes... se, pois é, se não fosse Mateus...

 

Ainda falta algo. Como ficaram os magos do oriente? Será que não chegaram ao seu destino? E não houve aí ainda uma matança de crianças em Belém e uma fuga para o Egito? Sim, de fato: mas quando e como? Conforme dissemos, o relato de Lucas permite supor que a família retornou de Jerusalém para Nazaré. Segundo Mateus, porém, parece que a família só retornou bem mais tarde. Examinemos melhor essa aparente contradição na próxima semana.

VÍDEOS...+03



NÃO ACEITAMOS...

 

REFLEXÃO 02

 

Olhando para dentro

 “Porque de dentro do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios”

Por Esther Carrenho

 

Como teóloga e psicóloga vejo uma semelhança entre o evangelho e o trabalho da psicoterapia. Tanto um como o outro nos convida a olhar para dentro. Em psicoterapia a proposta principal é olhar para si mesmo, tomar consciência das próprias sombras e mazelas e escolher novos caminhos e ações para uma vida mais integrada. Nos evangelhos encontramos pelo menos três situações em que Jesus Cristo exorta seus ouvintes e interlocutores a examinarem a si mesmos para perceberem a própria miserabilidade que tanto mal podem fazer para si mesmos e para os outros.

 

A primeira situação está no relato de Mateus 7.3 - 5 (trecho do Sermão do Monte) e de Lucas 7.1 – 6. Trata-se da advertência tanto para a avaliação que fazemos dos outros quanto para a iniciativa de querer ajudar depois da avaliação feita. Jesus deixa bem claro que se quisermos ajudar a reformar o outro, precisamos primeiro reformar a nós mesmos. E usa um tratamento bem duro chamando de hipócrita aquele que quer tirar um cisco do olho do outro sem primeiro tirar a trave que está no próprio olho.

 

A segunda, está no relato de Marcos 7.1 - 23 e Mateus 15.1 - 20 em que os discípulos são criticados pelos líderes judeus por comerem ser lavar as mãos, um rito religioso. Jesus exorta tanto os religiosos quanto os seus discípulos a avaliarem com seriedade o que está no interior, porque isto sim pode sair e contaminar muito mais do que a falta de limpeza externa enquanto ritual. E faz uma lista de maus desígnios que dizem respeito a você e a mim: maus pensamentos, imoralidades sexuais, roubos, homicídios, adultérios, cobiças, maldades, engano, devassidão, inveja, calunia, arrogância, insensatez. Com isto fica claro que precisamos nos concentrar, e investir tempo em limpar as impurezas que estão no nosso interior. As limpezas e belezas externas podem alegrar os olhos, mas não cativam coração. A beleza interior atrai o olhar e prende o coração. Não prejudica outros e é prazerosa para quem se aproximar.

 

A terceira situação registrada em João 8.1 - 11 é a intrigante história de uma mulher pega em adultério e trazida a presença de Cristo pelos escribas e fariseus para que Ele autorize o apedrejamento estabelecido na lei judaica. Aqueles homens estavam ali para exercer juízo contra uma mulher que fora pega numa falha. Jesus diz claramente que depois de eles se autoavaliarem e, olhando para as próprias vidas, não descobrirem nada de errado, estão autorizados a apedrejarem a mulher. O texto diz que rodos saem do local, deixando a mulher livre, obviamente porque rapidamente viram pelo menos um pouco das próprias vidas. E a vida da mulher foi preservada, dando-lhe a oportunidade de mudar seus caminhos.

 

Neste relato fica bem claro que antes de exercer qualquer juízo ou condenação contra uma pessoa é necessário olhar com sinceridade, a própria vida. Cristo não condenou a mulher adúltera, apenas ordenou que mudasse seu jeito de viver.

 

O que fazer quando olharmos para dentro e descobrirmos nossas próprias misérias?

 

Primeiro, dê nome ao que você descobriu. É inveja? Ciúmes? Maldade? Roubo? Hipocrisia? Ou o quê?

 

Segundo, arrependa-se. Arrependimento gera mal-estar e requer lamento, desejo de reparo. Desejo de ir por outro caminho.

 

Terceiro, confesse a Deus. De preferência, num lugar privado e audivelmente, para escutar a sua própria voz. Quando confessamos em voz audível o próprio lamento, a dor diminui dando forças para buscar novos caminhos.

 

Quarto, compartilhe com uma pessoa amorosa a experiência. Pode ser um amigo, um familiar, um conselheiro ou um profissional.

 

No advento da graça em Cristo Jesus, podemos olhar para dentro e mesmo diante da coisa mais vergonhosa e feia não mais carregar culpa. E muito menos condenar ou punir-se. As Escrituras deixam bem claro, que todo e qualquer peso ou culpa pelos nossos erros e pecados foram expiados na cruz do Gólgota. “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Is 53.5). A única coisa necessária é a conscientização, mesmo que dolorida, e a confissão mesmo que vergonhosa. E desse momento em diante, podemos caminhar como pessoas autênticas e livres!

Esther Carrenho, teóloga, psicóloga e autora dos livros: Raiva: Seu bem, Seu Mal e Caminhos de Vida.

REFLEXÃO... 01

 

Revolução e niilismo

 

“Uma nova era de explicação mágica do mundo está chegando, uma experiência baseada na vontade, mais que no conhecimento. Não existe verdade, seja no sentido moral, seja no sentido cientifico” — Adolf Hitler

 

[Nihilismo: Visão de mundo que nega os fundamentos dos valores e crenças tradicionais e que considera a própria existência sem sentido e inútil. Doutrina que nega a existência de fundamento à verdade, principalmente à verdade moral, assegurando que as condições da organização social são tão ruins, que merecem ser destruídas, sem compromisso com nenhum programa de reconstrução]

 

Hermann Rauschning, alto prócer nazista, íntimo colaborador, conselheiro e confidente do Führer, tendo chegado ao posto de Presidente do Senado da Cidade de Dantzig, ao perceber o rumo de terrorismo e chantagem internacional que o regime adotara, foge para o Ocidente e escreve The Revolution of Nihilism – A Warning to the West.  O livro foi publicado na Europa logo após a anexação da Sudetenland, região da então Tchecoslováquia com população de origem predominantemente germânica, e em 1939 nos Estados Unidos. Imediatamente considerado pela imprensa o livro mais importante sobre o Nacional Socialismo depois de Mein Kampf, mostrou ser também profético.  Predisse o Pacto Germano-Soviético num momento em que a campanha anti-soviética pela imprensa oficial alemã estava no seu auge. O Ministro da Propaganda, Goebbels, vociferava pelo rádio e em artigos no Voelkischer Beobachter, contra os comunistas como os maiores inimigos da Vaterland e da construção do nacional-socialismo. Predisse a invasão da Polônia e a anexação da Dinamarca como um Estado títere de Berlim.

 

 Embora valorizado pela imprensa, os políticos, com exceção de Churchill, não lhe deram a devida importância, tão hipnotizados estavam pela Paz a qualquer preço, que os levava a aceitar as promessas do Führer de que ‘a Alemanha não tem outros interesses territoriais’.  Movimentos pacifistas louvavam Hitler como dirigente pacífico e Churchill como um belicoso maldito. A cada nova conquista ‘sem interesses territoriais’ Chamberlain, Halifax e Daladier voltavam exultantes e otimistas dos encontros com o afável e simpático Herr Hitler.  O que ocorria é que os eternos pacifistas achavam, como ainda hoje, que podem apaziguar os tiranos com promessas e concessões, transformar pessoas essencialmente más e dispostas a matar até seus concidadãos, em “boa gente’’. Lênin foi claro ao dizer que os tolos liberais do Ocidente, são “idiotas úteis” para quem tem fins a esconder. Cal Thomas sugeriu recentemente, que poder-se-ia construir um Hall of Infamy com os líderes políticos, diplomáticos, religiosos, acadêmicos e intelectuais que tiveram fé em políticas de apaziguamento para impedir guerras, gerando conflitos ainda piores e mais sangrentos como resultado de sua credulidade ingênua.

 

            As pessoas comuns não se dão conta em tempo, de que tais líderes – diferentemente daqueles líderes realistas que pretendem implementar políticas racionais – se sentem imbuídos de uma missão sagrada à qual submetem todos seus atos e pensamentos. Hitler declarou que sua vida mudou quando, aos doze anos de idade, assistiu pela primeira vez uma obra de Wagner, Lohengrin.  Tornou-se um ardente admirador do mestre de Bayreuth desde então, chegando a afirmar que “quem quiser entender a Alemanha Nacional Socialista, deve conhecer Wagner”. É sintomático que Hitler tenha resistido à pressão da cúpula nazista para banir a ópera Parsifal, uma obra de fundo profundamente religioso que trata da busca do Santo Graal e da Lança Sagrada, ou do Destino, usada para curar as feridas de Cristo, e com uma mensagem de renúncia cristã, compaixão e pacifismo. Aceitou a contragosto a proibição, pouco antes da guerra e da intensificação da campanha antimonástica, da qual a Irmandade do Santo Graal é uma alegoria.  Sua hesitação se deveu ao fato de considerar Parsifal um dos mais importantes heróis arianos do panteão wagneriano.  Embora considerasse Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos) e seu herói Siegfried como a mais germânica das obras de Wagner, Parsifal sempre mereceu um destaque especial.

 

 

O Dr Walter Stein, místico austríaco, explicou que Hitler esteve, na juventude, envolvido com estudos de ocultismo e que ao se deparar pela primeira vez com a Lança do Destino (ou a lança que há séculos se acredita que seja esta relíquia), no Hofbergmusaeum, em Viena, foi tomado por violentas emoções e visões do destino glorioso que lhe estava reservado. No Mein Kampf ele disse que estes foram os anos mais importantes de sua vida, quando ele aprendeu tudo o que necessitava para liderar o povo alemão. Sentia-se Parsifal com a lança mágica que continha o sangue – não de Cristo – mas o puro sangue ariano que curaria todas as feridas da Vaterland. E que não eram poucas, depois da derrota na Grande Guerra e do Tratado de Versailles.

 

            A isto se deve o fato de Hitler ter abandonado os estudos regulares e nunca ter mantido uma atividade profissional definida, levando a vida ora como flaneur, ora como pintor medíocre, ora como ativista político, vivendo, inexplicavelmente, de uma pensão de veterano de guerra certamente corroída pela brutal inflação do período ou às custas do Partido e de amigos, com todas as propriedades originadas em doações, como sua casa em Oberzalsberg.

 

Faz parte da construção da figura mítica a ausência de origem clara – o herói Parsifal surge do nada, sem saber quem é e de quem descende – o mistério sobre o sustento, e a aura de predestinado.  O grande herói não necessita de conhecimento, basta a predestinação e a vontade que deve predominar sobre qualquer conhecimento objetivo. Neste domínio, a noção de verdade perde todo o sentido, pois esta está contida na vontade dominadora, geralmente uma afirmação simplista, de fácil apreensão por qualquer um, mesmo sem instrução. Esta falsa verdade suscita o fanatismo.

 

O caminho para o nihilismo

“O fanatismo é a única forma de verdade que pode ser incutida nos fracos e nos tímidos” — Friedrich Nietzche

 

Construção da figura mítica do Líder Herói, defesa do mesmo para que se torne inatacável e qualquer crítica seja respondida com profunda indignação, abolição de qualquer conceito válido, científico ou moral, de verdade objetiva, destruição sistemática do conhecimento racional e afirmação da vontade como superior a todo conhecimento. Com tais ingredientes, grande parte do caminho está feita. A ‘blindagem’ do Líder deve ser de tal monta que qualquer crítico ou discordante, seja visto como um ET. Tanto o Líder como seus adeptos devem falar de forma a mais genérica possível, sobretudo jamais entrar em discussões ou debates, nem tentar ser informativo ou usar algum argumento racional.

 

Rauschning diz que as pessoas geralmente levam a sério os programas revolucionários, mas não dão a devida atenção às táticas utilizadas pelas forças efetivas que se escondem atrás do programa. O programa é a exposição racional de metas aceitáveis; aquelas forças atuam no emocional de forma hipnótica, gerando o fanatismo.  O programa deve conter elementos de forte apelo popular, no caso do nazismo foi a superioridade racial e a injustiça da convivência na Vaterland com raças inferiores com os mesmos direitos; em outros casos pode ser, p. ex., a “justiça” social. Mas este elemento não passa de isca para esconder o verdadeiro anzol: as táticas revolucionárias extremistas e a avidez pelo poder. Os objetivos devem ser descritos de forma vaga pois servem apenas como elementos de recrutamento para atrair a militância, ou ao menos o voto, de todas as pessoas insatisfeitas com suas condições de existência. Os programas e objetivos são para as massas, a elite do movimento não respeita padrões éticos ou filosóficos e não deve se sentir comprometida senão com a mais absoluta lealdade aos companheiros.

 

            A destruição do sentido das palavras é fundamental de modo que não reste mais nenhuma idéia digna deste nome, mas apenas substitutos das mesmas que possam ser instiladas nas massas por sugestão emocional de modo a criar um mito que dê às mesmas, a energia para a ação.  Faz-se necessária a apropriação das idéias das genuínas elites sociais e políticas – que costumam usa-las de forma racional – para enganar e hipnotizar uma nação perplexa com palavras que já não têm mais nenhum significado racional. Ausência de idéias e triunfo da vontade: eis o âmago do nihilismo. Uma nação desprovida de idéias é fácil de ser hipnotizada; um povo sem idéias não é mais do que massa amorfa e moldável.

 

O triunfo da vontade!

“A mais importante mudança produzida por um controle governamental profundo, é uma mudança psicológica, uma alteração no caráter das pessoas” — Friedrich Hayek

 

Tomar o poder via insurreição das massas já não era mais possível naqueles tempos. O voluntarismo de Röehm e das Tropas de Assalto (SA-Sturm Abteilungen) tinha que ser substituído pelo pragmatismo de Hitler, Goebbels e Goering: usar a via parlamentar, apresentando-se como um partido que amadurecera desde a prisão de seu chefe e a primeira edição do Mein Kampf. Uma ‘versão light’ do Nacional Socialismo foi apresentada aos eleitores, alianças com a burguesia tradicional, industriais e banqueiros foi formada. A maioria dos que tinham medo, perdeu.

 

Na última eleição para Presidente, em Março de 1932, Hitler concorreu com o Marechal Hindenburg ficando em 2o lugar com 30.1% dos votos no primeiro turno; no segundo perdeu com 36.8%, tendo Hindenburg sido re-eleito. Mas nas eleições parlamentares de 31 de julho do mesmo ano o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães conseguiu 230 cadeiras no Reichstag tornando-se a maior representação com quase 38% de um Parlamento de 608 cadeiras, ganhando o direito de eleger seu Presidente, ninguém menos que Hermann Goering.

 

É neste ponto das revoluções nihilistas que os eleitores que ingenuamente votaram no partido revolucionário, podem começar a vislumbrar o que de fato ocorreu. Diferentemente dos partidos clássicos, que aceitam as regras do jogo e pretendem governar durante o período constitucional e se submeter a novo sufrágio, o partido revolucionário, ao chegar ao poder, começa a dar os primeiros passos para se perpetuar. Geralmente, aproveitando a onda de desejo de mudanças profundas que os levou lá, induzem a população a crer que o período constitucional, seja qual for, é pequeno para implantar todas as medidas desejadas pelo povo e que é no interesse deste que algumas modificações institucionais e constitucionais devem ser adotadas. Na verdade, o Líder e a cúpula do partido já sabiam há muito que esta era a finalidade de aceitarem se submeter ao que consideram ‘farsa eleitoral’.

 

Os outros partidos que formaram a aliança eleitoral devem ser descartados rapidamente, pois este primeiro governo é visto apenas como um governo de transição. As palavras de Goebbels, em abril de 1933, são eloqüentes: “Devemos nos dissociar o mais rápido possível deste gabinete burguês de transição”.

 

Um dos passos mais importantes é manter o País num stress contínuo, criando e estimulando crises, reais ou fictícias, impedindo com isto a população de ‘parar para pensar’ racionalmente, e aumentar a pressão no sentido da ação, do aprofundamento do nihilismo. Criar continuamente novos inimigos, internos ou externos, os que se adequarem mais à ocasião: classes sociais, raças, países estrangeiros, capital especulativo que sufoca a economia nacional, e, principalmente, os aliados do governo de “transição” e o próprio Parlamento do qual supostamente aceitaram participar. Dir-se-á ao povo que o governo não pode ficar refém de um Parlamento corrupto, mas sim recorrer às forças vivas da Nação. Algumas vezes, como ocorreu na Alemanha, medidas mais drásticas devem ser tomadas. Ao invés de simplesmente fecharem o Reichstag, o que dificilmente seria aceito pelo povo, tocaram fogo no prédio e culparam a oposição! De quebra, justificaram, assim, o aumento da repressão aos “inimigos do povo e do Reich alemão”.

 

            É importante, ainda, a aliança diplomática com outros Estados aliados contra as democracias, principalmente com aqueles cujo Líder é um dos ídolos do Líder da revolução. Hitler venerava Mussolini, que havia tomado o poder 11 anos antes. A admiração inabalável levou o Führer a apoiar o Duce até o trágico final deste, mandando até mesmo um comando especial das SS (Schutzstaffel ) para liberta-lo da prisão.

 

            Talvez a mais importante de todas as tarefas seja a de criar uma polícia política e um serviço de censura que impeça a livre divulgação de idéias. Hoje, com a Internet, ficou mais difícil, mas não impossível.  Refiro-me aqui a algo que poderia ser chamado de Polícia do Pensamento, antes de tudo algo que o povo aceite como inexorável, como a famigerada OVRA (Oranizazzione Vigilanza i Repressione all’Antifascismo), imitada na Alemanha pela GESTAPO (Geheime Staats Polizei, Polícia Secreta do Estado) ou como na Cuba atual, a G2 e seus Comandos de Defensa de la Revolución.

 

O eterno retorno

“Mesmo as Sociedades primitivas, que já conhecem alguma forma de história, se obstinam em não a levar em conta”— Mircea Eliade

 

Este artigo não pretende mais do que ser um brevíssimo estudo de caso, alguns aspectos da ascensão do Nacional Socialismo na Alemanha da ultraliberal República de Weimar, fundada após a derrocada do Império Germânico com a derrota na Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, porém, contém uma advertência contra a possibilidade de ocorrerem outras revoluções nihilistas em outros lugares e tempos, pois não é dado à Humanidade aprender com a experiência e evitar catástrofes idênticas às anteriores. Ao simplismo de Marx, de que a história se repete, primeiro como tragédia, depois como comédia, prefiro a abordagem mais complexa e erudita de Mircea Eliade, do Mito do Eterno Retorno, no livro homônimo.  Mesmo porque, no caso em apreço, houve o inverso: de uma trágica comédia, de uma pantomima, com um Duce ridículo e falastrão, no Stato Fascista Italiano, seguiu-se o trágico Terceiro Reich com um Führer nada risível, tragédia em estado puro!

 

No final, não aconteceu a apoteose de Parsifal, a entrada do herói na Irmandade do Santo Graal e com o mágico aparecimento do mesmo, mas sim, o Grand Finale dos Nibelungen, o Götterdämerung, o Crepúsculo dos Deuses, no qual Wotan, põe fogo no Valhala, com Hitler incendiando a Alemanha.

 

 

Heitor De Paola

Heitor De Paola é escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, e Membro do Board of Directors da Drug Watch International. Possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. É ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

FIM DO RIO...

 

*O RIO DE JANEIRO ACABOU.* PODEM MIGRAR PARA OUTROS ESTADOS.

 

*GRAÇAS AOS* GOVERNADORES, DEPUTADOS ESTADUAIS E OUTROS GESTORES EXTREMAMENTE CORRUPTOS, *COM A AJUDA MAIS CORRUPTA AINDA DO STF.* MEU DEUS, ATÉ QUANDO?

 

*MILICIA cresce no Rio:*

*A milícia vem expandindo seus domínios no Rio em virtude das "parcerias" com o tráfico,* para se ter uma noção de como  é grave o problema, *vários bairros estão tendo problemas na distribuição de serviços tais como* TV, Internet, luz e telefone.

*OI:*

*A OI teve toda a sua estrutura destruída por bombas e tiros* nos bairros de Cavalcanti e Engenheiro Leal, com isso os seus serviços foram cancelados, atingindo 25 mil pessoas, o tráfico está obrigando todos os moradores a migrarem para uma internet do tráfico, com velocidades inferiores e péssimos serviços. *A Oi também já enfrenta problemas em bairros como* Santa Cruz, Cascadura, Piedade, Quintino, Madureira, Pilares, Cachambi, Jacaré, partes do Méier e Lins, com sabotagens, ataques e até mesmo proibições de novos cabeamentos. Segundol fontes próximas ouvidas a OI deve deixar de atender 1.5 milhões de pessoas por ordens e ataques da Milícia e tráfico.

*VIVO Fibra:*

 

*Outra empresa que vem enfrentando grandes problemas em sua expansão é a Vivo Fibra,* que já apresenta um grande número de ataques a sua rede de fibra ótica na cidade do Rio. Bairros como Vila Isabel, Engenho Novo, Riachuelo, Engenho de Dentro, já são considerados territórios perdidos, em virtude do grande número de Vandalismo, tudo a mando do Tráfico e da Milícia.

*TIM Live:*

 

*A Tim Live é outra que só consegue operar em bairros nobres,* vem sofrendo ataques por parte de milícia e tráfico e já perdeu 15% do território, onde possui cabeamentos de fibra.

*NET:*

*Já a NET cancelou novos investimentos no Rio* e mira agora em outros estados, já perdeu ou foi expulsa de 20% do território onde possui cabeamentos em bairros do Rio.

*LIGHT:*

 

*A empresa responsável pela distribuição da energia do município,* perdeu 35% de suas reses para a milícia, isso mesmo que você leu, bairros como Recreio, Santa Cruz, Campo Grande (Sub-bairros), Cascadura, Madureira, Cavalcanti, Engenheiro Leal, Tomás Coelho, Pilares e mais 35 bairros ( em sua totalidade ou parcialmente), a Light teve sua estrutura toda tomada, as cobranças são feitas por empresas ligadas à milícia, em dinheiro vivo e quem não paga sofre sessões de torturas e espancamentos.

 

*CEG:*

 

*A CEG, gás natural fenosa,* vem enfrentando problemas em virtude de pedágios que o tráfico ou milícias cobram para que reparos sejam feitos em sua rede de distribuição de gás, o problema já afeta 2 milhões de pessoas. Bairros inteiros estão sem gás encanado, para obrigar os moradores a comprarem botijões de gás da Milícia ou tráfico por até 120 reais.

 

*ANTENAS de telefonia:*

 

*Fontes fidedignas e próximas a mim* afirmaram que até as torres de telefonia móvel estão sofrendo ataques, o motivo seria um alto pedágio de 30 mil por semana, que cada operadora está tendo que pagar a traficantes ou milicianos, em municípios da baixada e bairros do subúrbio carioca.

 

*INTERIOR de SÃO PAULO:*

 

*Cidades do interior de SP estão tendo um boom do mercado imobiliário,* tudo em virtude de cariocas que estão fugindo do caos e da guerra do Rio para viver tranquilamente em cidades como São José dos Campos, Taubaté, Tremembé entre outras.

 

*O Rio de Janeiro ACABOU.* 😢😢😢

Triste realidade *herança maldita da esquerda hoje potencializada pelo Supremo STF.* 🤬🤬🤬

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