sábado, 12 de junho de 2021

MUNDO KAFKA...

 


Geraldo L.Machado



MUNDO DE KAFKA - Num ambiente de desordem mundial que se está a viver, o cansaço domina e impõe  buscar alternativas para desentupir  o cérebro e o próprio fígado. E lá se vão – embora voltem – para o lixo  políticos e integrantes de instituições poderosas, importantes,  indignos à maioria. 

CPIs vergonhosas, numa luta diária de objetivos toscos, enviesados, destituídos de valor, insuportáveis, nojentas mesmo.

Fui ao Poesia Completa e Prosa, de nosso Manuel Bandeira, logo na pg. 515, entre suas deliciosas crônicas, encontrei uma cujo titulo em muito diz de nossa situação nacional: MUNDO DE KAFKA. 

O grande poeta discorre sobre sua andança para conseguir um atestado de bons antecedentes e folha corrida para uma senhora holandesa que desejava rever a terra natal. Um ir e vir à repartições governamentais que o levaram a codificar o nosso país como mundo kafkiano.

Antes, Manoel Bandeira (não ousei chama-lo de Bandeira) cita o poeta Augusto Frederico Schmidt, por dizer, como afirma em sua dissertação, que  o Presidente Kubitschek – ao construir Brasília -  estaria “fundando, como Eneias,   uma nova Roma".

Predição correta e atual. Estamos num mundo de aberrações, de coisas fantásticas, irreais, subvertida a ordem do certo, do ético, sem preocupação com a própria dignidade. Leva-se em  conta apenas o poder ou a pretensão de alcançar ditatoriais objetivos de grupos internacionais.

Aqui fala-se em nova ordem mundial, apocalipse, cavalos vindo, selos em número de sete a serem abertos, anticristo, em duas bestas que assumiriam a hegemonia mundial, em tribulações até a interferência do Cristo de Deus, o juízo final, Armagedom.  Muito triste e preocupante.

Em realidade o xadrez está posto e os jogadores jogam. Em todo jogo há sujeira por debaixo do pano, portanto... 

Em seu diário, 21.06.1016, Kafka expressa sua agonia: “O gigante mundo que tenho em minha cabeça. Mas como me libertar e libertá-los sem rasgos. E uma centena de vezes rasgam-se em mim para então serem segurados ou enterrados. Por isso estou aqui, isso está bastante claro para mim”.

“Pérez-Álverez sustentou que Kafka provavelmente tinha transtorno de personalidade esquizoide. Seu estilo, ele afirma, não somente em A Metamorfose, mas em várias de suas obras, aparentemente mostra características esquizoides de nível baixo a médio, o que explica muito da sua obra surpreendente”.

Só os verdadeiros poetas podem entender este louco mundo porque habitam em outro, mundo de utopias, de verdades metafísicas, de um ideal absoluto. 

A lógica, ao extremo, afasta-nos da leveza do espírito, leva-nos, por vezes, à insensatez de uma realidade tocando os nossos narizes e, portanto, sem condição de visualização adequada. As imagens se apresentam em distorção.    

Talvez Kafka tenha afastado as imagens do seu nariz e percebido melhor. Quem sabe não. anteviu as tribulações, os horrores mentais e físicos que todos estavam prestes a experimentar.

É difícil acompanhar a celebração dos gênios e, mesmo, a dos loucos. 

O certo é que, com Bandeira, temos  o mundo de Kafka, submisso à Roma, a nacional, fantástica, absurda, de grupelhos amorais, de atitudes sórdidas, antipatrióticos,  contrária ao sentimento de amor à pátria, com tentáculos em outras pequenas “romas”, as estaduais.

SSA, 10.06.2021
Geraldo Leony Machado
A CPI DA COVID DESCE A LADEIRA
A COPA AMÉRICA VIRÁ?
Dolorosa interrogação.










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