Geraldo L.Machado
MUNDO
DE KAFKA - Num ambiente de desordem mundial que se está a viver, o
cansaço domina e impõe buscar alternativas para desentupir o cérebro e
o próprio fígado. E lá se vão – embora voltem – para o lixo políticos e
integrantes de instituições poderosas, importantes, indignos à
maioria.
CPIs vergonhosas, numa luta diária de objetivos toscos, enviesados, destituídos de valor, insuportáveis, nojentas mesmo.
Fui
ao Poesia Completa e Prosa, de nosso Manuel Bandeira, logo na pg. 515,
entre suas deliciosas crônicas, encontrei uma cujo titulo em muito diz
de nossa situação nacional: MUNDO DE KAFKA.
O
grande poeta discorre sobre sua andança para conseguir um atestado de
bons antecedentes e folha corrida para uma senhora holandesa que
desejava rever a terra natal. Um ir e vir à repartições governamentais
que o levaram a codificar o nosso país como mundo kafkiano.
Antes,
Manoel Bandeira (não ousei chama-lo de Bandeira) cita o poeta Augusto
Frederico Schmidt, por dizer, como afirma em sua dissertação, que o
Presidente Kubitschek – ao construir Brasília - estaria “fundando, como Eneias, uma nova Roma".
Predição
correta e atual. Estamos num mundo de aberrações, de coisas
fantásticas, irreais, subvertida a ordem do certo, do ético, sem
preocupação com a própria dignidade. Leva-se em conta apenas o poder ou
a pretensão de alcançar ditatoriais objetivos de grupos internacionais.
Aqui
fala-se em nova ordem mundial, apocalipse, cavalos vindo, selos em
número de sete a serem abertos, anticristo, em duas bestas que
assumiriam a hegemonia mundial, em tribulações até a interferência do
Cristo de Deus, o juízo final, Armagedom. Muito triste e preocupante.
Em realidade o xadrez está posto e os jogadores jogam. Em todo jogo há sujeira por debaixo do pano, portanto...
Em
seu diário, 21.06.1016, Kafka expressa sua agonia: “O gigante mundo que
tenho em minha cabeça. Mas como me libertar e libertá-los sem rasgos. E
uma centena de vezes rasgam-se em mim para então serem segurados ou
enterrados. Por isso estou aqui, isso está bastante claro para mim”.
“Pérez-Álverez
sustentou que Kafka provavelmente tinha transtorno de personalidade
esquizoide. Seu estilo, ele afirma, não somente em A Metamorfose, mas em
várias de suas obras, aparentemente mostra características esquizoides
de nível baixo a médio, o que explica muito da sua obra surpreendente”.
Só
os verdadeiros poetas podem entender este louco mundo porque habitam em
outro, mundo de utopias, de verdades metafísicas, de um ideal
absoluto.
A lógica, ao
extremo, afasta-nos da leveza do espírito, leva-nos, por vezes, à
insensatez de uma realidade tocando os nossos narizes e, portanto, sem
condição de visualização adequada. As imagens se apresentam em
distorção.
Talvez
Kafka tenha afastado as imagens do seu nariz e percebido melhor. Quem
sabe não. anteviu as tribulações, os horrores mentais e físicos que
todos estavam prestes a experimentar.
É difícil acompanhar a celebração dos gênios e, mesmo, a dos loucos.
O
certo é que, com Bandeira, temos o mundo de Kafka, submisso à Roma, a
nacional, fantástica, absurda, de grupelhos amorais, de atitudes
sórdidas, antipatrióticos, contrária ao sentimento de amor à pátria,
com tentáculos em outras pequenas “romas”, as estaduais.
SSA, 10.06.2021
Geraldo Leony Machado
A CPI DA COVID DESCE A LADEIRA
A COPA AMÉRICA VIRÁ?
Dolorosa interrogação.

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