As primeiras orações da Bíblia e as razões para orar
Por Mario Rost
No Novo Testamento, Jesus e os apóstolos ensinam sobre a importância de orarmos sempre. Mas quando aparecem
as primeiras orações na Bíblia? Quando Adão e Eva, ainda no jardim do
Éden falavam com Deus, quando dialogavam com o Criador... podemos dizer
que eram orações? Onde se ensina, no início da Bíblia, que os seres
humanos podem continuar falando com Deus mesmo depois de terem sido
expulsos do paraíso? Existe, no começo da Bíblia, um mandamento dizendo:
“Orem”?Que situações nos levam a orar? As primeiras orações mencionadas na Bíblia nos ensinam sobre as razões para orarmos.
1 – É
conhecida a oração de Abraão (Gênesis 18) que clama por misericórdia
para que os justos que eventualmente existissem em Sodoma não fossem
destruídos junto com os maus. Uma oração de puro atrevimento, não em
favor de si mesmo, mas pelos moradores da cidade prestes a ser
destruída. Parece um duelo: “Talvez haja cinquenta pessoas direitas na
cidade” (vs.23ss). “Pode acontecer que haja apenas quarenta e cinco
pessoas direitas” (vs.27ss). “E se houver somente quarenta bons?”
(vs.29). “E se houver só trinta?” (vs.30). “E se houver somente vinte?”
(vs.31). “E se houver só dez?” (vs.32).
A resposta de
Deus foi sempre a mesma: “Por causa desses (50... 40...10...), não
destruirei a cidade”. Mas, como sabemos, a cidade pereceu.
Anotemos
para nós o exemplo de Abraão. É legítimo “falar com Deus” intercedendo
pelos nossos vizinhos, pelas pessoas do nosso bairro, da nossa cidade.
2 – Vamos
encontrar a primeira oração, digo, um texto que se reconheceria como
tendo formato de oração, em Gênesis 24, a oração de Eliezer. Por um
lado, sublinha que assuntos das famílias são assuntos de oração. Era uma
grande preocupação de Abraão encontrar uma esposa para seu filho
Isaque. Deu ao seu fiel empregado Eliezer, a tarefa de encontrá-la. Por
outro lado, esta oração, feita pelo empregado, põe que é legítimo
orarmos pelo sucesso do nosso trabalho, que a bênção de Deus é
importante e necessária para realizarmos bem o nosso trabalho.
A
oração de Eliezer foi: “Ó Senhor, Deus do meu patrão Abraão, faze com
que tudo dê certo e sê bondoso para o meu patrão. Eu estou aqui perto do
poço aonde as moças da cidade vêm para tirar água. Vou dizer a uma
delas: "Por favor, abaixe o seu pote para que eu beba um pouco de água".
Se ela disser assim: "Beba, e eu vou dar água também para os seus
camelos", que seja essa a moça que escolheste para o teu servo Isaque.
Se isso acontecer, ficarei sabendo que foste bondoso para o meu patrão.”
Neste
caso, aconteceu exatamente como Eliezer apresentara a Deus. Rebeca
seguiu com ele para ser esposa de Isaque na tranquilidade de que essa
era a vontade de Deus para ela. Como diríamos: Rebeca foi resposta de
oração!
3 – Notem como o assunto
de mulheres estéreis é bem recorrente na Bíblia. Muitas mulheres
estéreis tiveram filhos em resposta a suas orações. Ana que gerou
Samuel, Isabel que gerou João e tantas outras. Que acontecia? O que
explica? Eram “bloqueios psicológicos” que ficavam atenuados quando o
assunto era entregue a Deus? Ou foram milagres que Deus realizou para
que tivessem os filhos? Entre as primeiras orações da Bíblia também
destacamos esta, em Gn 25.21: “Rebeca não podia ter filhos, e por isso
Isaque orou a Deus, o SENHOR, em favor dela. O Senhor ouviu a oração
dele, e Rebeca ficou grávida. Na barriga dela havia gêmeos”, Esaú e
Jacó.
A formação da família, o nascimento de filhos é motivo de orarmos.
4 – As
tensões e conflitos entre membros de uma família são motivos de oração.
Em Gn 32.9, Jacó está voltando para sua terra de origem, donde tivera
que fugir por desavenças com o irmão Esaú. Agora que o reencontro com o
passado se aproximava, Jacó recorre a Deus em oração.
Está
voltando carregado de ansiedade e tensões por um reencontro difícil e
imprevisível com o irmão. Sente culpa por trapaças realizadas contra os
interesses do irmão Esaú. Não tem controle da situação e há muito
potencial para um desfecho desfavorável. Então orou dizendo: “Ó Senhor,
eu te peço que me salves do meu irmão Esaú. Tenho medo de que ele venha e
me mate e também as mulheres e as crianças. Lembra que prometeste que
tudo me correria bem e que os meus descendentes seriam como a areia da
praia, tantos que ninguém poderia contar.”
A
resposta traria, como de fato trouxe, paz ao coração do próprio Jacó e
traria benefícios para toda a família, restaurando a relação dos irmãos.
Este
olhar sobre a oração no tempo dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó só
pode nos animar a nos dirigirmos intencionalmente a Deus pela família,
pelo trabalho e pela cidade. Oremos.

Sem comentários:
Enviar um comentário