Por Juliana Ribeiro
Diante do desafio de um solo árido, em que tudo parece seca e mesmice, encontrei vida. Ao primeiro olhar, o que enxerguei foi uma terra que se quebrava toda, a fome - de ideias e de palavras - que alimentava a todos. Parecia ser difícil conversar, porque ali os lábios estão mais pesados.
É a saliva que vem quase seca, é a face queimada da lida diária, é a mente confusa por entre pensamentos que não (se) sabem ser expressos. No lugar, porém, em que havia escassez, eu encontrei fartura. Fui eu quem cheguei carregada de versos, mas foram eles que me fizeram poesia.
Eu insisti em levar suco e água, mas foi o gesto deles que me aqueceu o coração e molhou os meus olhos. Iludida ao pensar que levaria alento, foram eles que me abraçaram no conforto das suas atitudes dispostas, escancarando a porta dos seus sorrisos amarelados. Deixaram-me mais à vontade, como criança entretida em brinquedo preferido.
Nessa troca, foi eu quem fui favorecida; a arrogância do meu - pretenso - conhecimento derreteu-se ao ritmo do calor que ali fazia. Vida seca que traz bênção para mim.
Por esse olho que brilha tanto, irradiou uma luz que me apaziguou o dia. Cheguei cheia de vento, mas foi por ali que encontrei calmaria.
10/06/2021 14:00 - Rosely: Boa tarde,Neinha!Outro texto de Juliana, indo para Ipirá (cidade perto de Feira de Santana),numa congregação que Marcus toma conta! Nesse lugar, o solo é seco e as pessoas analfabetas e carentes!Mas,estão aprendendo o evangelho!

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