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– A matriz religiosa do movimento progressista – Pr Alfredo de Sousa
Ideologias
e Sociedade
O
pensamento de esquerda como religião pagã – A matriz religiosa do movimento
progressista – Pr Alfredo de Sousa
O
pensamento de esquerda como religião pagã – A matriz religiosa do movimento
progressista – Pr Alfredo de Sousa
Este
artigo sustenta que o pensamento de esquerda — progressista, socialista e
comunista — não é uma mera filosofia política, mas uma religião: uma
religiosidade pagã que, partindo da estrutura evangélica de criação, queda,
redenção e consumação, cria substitutos para cada uma dessas categorias e
propõe transformar a própria natureza humana. Com fundamento em Romanos
1.16–32, no sensus divinitatis de Calvino, na antropologia religiosa do
neocalvinismo e no diagnóstico de John McWhorter sobre o movimento “woke”,
examina-se a matriz religiosa do marxismo, o preço histórico do projeto — mais
de cem milhões de vidas no século XX — e a incompatibilidade, assinalada por
Raymond Aron, entre o cristianismo e o comunismo. Conclui-se, a partir de 2
Coríntios 10.3–6, que a resposta cristã é espiritual: destruir fortalezas e
levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo. Palavras-chave: religião
civil; marxismo; sensus divinitatis; movimento woke; apologética.
Introdução:
uma religião disfarçada de projeto político
A
percepção de que os movimentos políticos contemporâneos são mais do que ideias
ou projetos — são, na verdade, religiões — tem assento na própria academia, sob
o nome de religiões civis. O movimento progressista, o movimento
comunista-socialista, carrega um grande projeto: instalar na terra a chamada
“nova humanidade”, moldar as pessoas na mente e no coração, transformar a
natureza humana. Daí a pergunta que este artigo busca responder: como um
movimento historicamente demonstrado como falência — que destrói, que mata, que
é autoritário e que se manifesta contrário ao evangelho — conserva, ainda hoje,
fanáticos? A resposta exige descer da superfície política para o solo religioso
em que o movimento germina: ele é uma religião satânica, pecaminosa, que busca
transformar a natureza humana. Quem ensina em universidade há mais de três
décadas testemunha o fenômeno: filhos de crentes que entraram com um discurso
tão evangélico, tão voltado à Escritura Sagrada, saíram de lá absolutamente
transformados no coração e na alma. Não se trata, portanto, de uma simples
disputa de ideias: é uma atuação satânica direta, voltada a destruir, no
coração daqueles que buscam ao Senhor, a fé genuína. Estamos num campo de
batalha, não num shopping center nem numa praia. Paulo, ao falar do escudo da
fé, indica exatamente o alvo do ataque do inimigo: as convicções na Escritura
Sagrada. É isso que o movimento pretende: fazer que os nossos jovens duvidem
ou, na menos pior hipótese, relativizem a fé, compartimentem-na, restrinjam-na
ao ambiente do culto e da escola dominical, enquanto o restante da vida é
regido por uma cosmovisão destruída.
O
fundamento bíblico: a ira de Deus contra os que detêm a verdade (Romanos
1.16–32)
A tese
de que o pensamento de esquerda é uma religião pagã não nasce da observação
sociológica, mas da Escritura. Em Romanos 1.16–17, Paulo afirma: “Pois não me
envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de
Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por
fé”. A graça de Deus, portanto, se revela no evangelho; e, no verso 18, a ira
de Deus também se revela — do céu, contra toda a impiedade e perversão dos
homens que detêm a verdade pela injustiça. O apóstolo explica por que os homens
são indesculpáveis: “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder,
como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem desde o princípio
do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas”. Negar ao
Criador aquilo que a criação mostra — como faz toda cosmologia que reduz o
universo à evolução — não é ignorância; é a supressão deliberada de uma verdade
manifesta. Por isso Deus os entregou: primeiro a uma disposição mental
reprovável, para praticarem coisas inconvenientes (1.28), culminando na lista
de injustiça, malícia, avareza e maldade — e no agravante final: “não somente
as fazem, mas também aprovam os que assim procedem”. Aí está o limite dessa
religiosidade falsa, dessa religiosidade satânica, gestada no inferno. O ensino
teológico da passagem é simples e profundo: o ser humano foi feito, na sua
estrutura, para adorar. Cada pessoa — o filho, a filha, o neto, o esposo, o
próximo — existe para depositar a sua fé e a sua confiança naquilo que tem como
o melhor desta vida. Ali está a raiz do problema: onde o coração recusa ao Deus
verdadeiro essa adoração, transfere-a para um substituto.
A
semente religiosa: Calvino e o sensus divinitatis
Calvino
descreve esse dado antropológico como sensus divinitatis, o senso do divino: a
consciência de que existe algo além, algo em que confiar, algo que pode
transformar. Desse senso nascem as sementes religiosas que geram a visão
religiosa que cada homem tem de mundo. O reformador, porém, mostra também a
decadência desse senso: concebida a partir de um coração pecaminoso, toda
religião que o homem constrói é corrupta, idólatra e falsa. Tudo aquilo que o
ser humano, colocando-se como alguém independente de Deus, constrói é religioso
— e falso. A aplicação pastoral é direta, pois essa é a nossa luta: ou estamos
totalmente tomados e submissos à fé no evangelho, ou começamos a partilhar a
convicção do nosso coração com outras religiosidades, que não se importam em
conviver, num mesmo peito, ao lado da fé do evangelho. Batalha é guerra.
Cientificismo
e evolucionismo: a ciência transformada em religião
O
princípio pode ser aplicado a qualquer área do pensamento humano. O
cientificismo — a crença de que a ciência é a verdade absoluta e de que a maior
evolução humana se engendra no conhecimento científico — tem caráter religioso.
No século XIX houve, do ponto de vista da ciência, um verdadeiro complô, uma
guerra contra Deus: primeiro consolidou-se a falsa separação entre razão e fé,
herdada da Idade Média, como se o homem pendesse ou para a racionalidade ou
para a fé; depois lutou-se, mentiu-se e falsearam-se teorias científicas para
cobrir todas as áreas antes atribuídas ao Senhor Deus. O evolucionismo — uma
das maiores contradições risíveis da filosofia do século XIX — é a expressão
dessa rebelião: não é mais criação, é natureza; a natureza está por si só. E o
ataque de toda a falsa religiosidade é sempre o mesmo: contra Deus e o seu
evangelho.
Bonald,
De Maistre e Donoso Cortés: a teologia por trás da política
Outros
teóricos da modernidade perceberam o mesmo fenômeno. Louis de Bonald, Joseph de
Maistre e Donoso Cortés têm algo em comum: afirmam que toda a prática política,
assim como toda a prática humana, possui uma teologia por trás — uma visão de
divindade, algo inerente à religiosidade humana. Quem passou pela universidade
já ouviu a sentença: “Aqui não é lugar para discutir religião; aqui é lugar
para discutir filosofia e ciência”. A resposta correta é: isso também é outra
religião.
O
neocalvinismo e o homem inevitavelmente religioso
A
teologia reformada mais recente consolida o ponto. Herman, figura conhecida do
chamado neocalvinismo, ensina que a religiosidade não está ao lado das artes,
da política, da ciência ou da filosofia: está no coração, é a base do ser
humano. O homem é inevitavelmente religioso; tudo o que existe em nós é reflexo
daquilo que adoramos. E toda religião traz elementos dogmatizados — proposições
que, para o crente nela, são a verdade absoluta. É por isso que o pensamento de
esquerda não pode ser olhado apenas como um conjunto filosófico, político ou
doutrinário: é uma religião agressiva, que possui o desejo de roubar a alma
daqueles que, diante dela, são expostos.
O
nascimento religioso do marxismo
O
pensamento de esquerda, embora faça parte do grande conjunto da religiosidade
falsa, tem certidão de nascimento: surge do pensamento moderno, fruto de uma
caminhada iniciada no século XVIII e marcada, no século XIX, pelo
cientificismo. É revelador o contraste: coloque-se a fotografia de Edmund
Burke, de Michael Oakeshott ou de BöhmBawerk, e quase ninguém reconhecerá; o
rosto de Karl Marx, porém, é conhecido até de quem jamais passou pela
universidade — e isso, por si só, assusta. Karl Marx manifesta o seu ódio pelo
evangelho e a sua ira contra a religiosidade verdadeira; e, precisamente por
isso, cria a sua corrente filosófica a partir da matriz do evangelho. O marxismo
surge, no seu início, intencionalmente, como um confronto: por trás de tudo o
que ele traz está a rebelião contra Deus.
A
matriz religiosa de Karl Marx: criação, queda e redenção
A
cosmovisão bíblica tem quatro momentos: criação, queda, redenção e consumação.
O que está fora dessa estrutura é antibíblico, é contra o Senhor Deus. Ao
construir o seu sistema, Marx segue exatamente a mesma estrutura do evangelho —
talvez sem sistematizá-la dessa maneira — e, para cada momento, cria um
substituto. É essa arquitetura que revela, de forma inconfundível, o caráter
religioso do marxismo.
A
“criação”: a sociedade matriarcal e “inocente”
Os
cristãos creem num momento originário: o Éden, a inocência, um casal que não
tinha pecado. Marx responde com a sua “criação”: houve uma sociedade originária
que era inocente — a sociedade tribal, onde não havia propriedade privada e
onde as mulheres exerciam poder, porque não tinham marido; criavam os seus
filhos e exerciam autoridade sobre eles. Uma sociedade absolutamente matriarcal,
inocente porque todos viviam em comum. Nota-se, aí, a mesma inversão edênica: o
diabo, no Éden, não procurou Adão, que era o líder, mas procurou a mulher, que
lhe era submissa — porque ele inverte o padrão, inverte o que o Senhor Deus
estabeleceu. Marx completa a subversão ao afirmar que a sociedade perfeita não
é a que foi conduzida pelo homem, mas a que foi regida e conduzida pelo
feminino.]
A
“queda”: o pecado chama-se propriedade privada
Para
explicar a queda, Marx lança mão de grandes teóricos como Jean-Jacques
Rousseau: o problema da humanidade chama-se propriedade privada. Como o pecado
entrou no mundo? Quando um homem — não foi a mulher; foi o homem — riscou no
chão um quadrado e disse: “Isto aqui é meu. Ninguém vai roubar isso de mim. Eu
não vou partilhar com mais ninguém; isto é minha propriedade”. E, em seguida,
tomou uma mulher pelos cabelos, aprisionou-a e determinou: “Você agora não vai
gerar filhos de todos os homens da aldeia; você vai gerar os meus filhos,
porque os meus filhos vão herdar aquilo que é meu”. A construção está repleta
de pecados — e o alvo escolhido denuncia a sua origem: herança e propriedade
privada são de Deus. Não são do capitalismo, não são do comércio, não são do
mercado: são de Deus. Por isso são os mais atacados. O pensamento de esquerda
odeia a propriedade privada e a herança aos filhos — dos outros; dos seus,
mantém. Nesse mesmo trilho corre a paranoia da “construção social” do chamado
feminismo de terceira onda — “não, eu não sou nem homem, nem mulher; eu serei
aquilo que desejo” —, que não é novidade alguma: é a rebelião contra o Senhor
Deus que nasce, sobretudo, no pensamento de Karl Marx.
A
“redenção”: revolução e destruição
Tudo o
que Marx constrói é antítese do evangelho. Como se deu a redenção cristã? Pelo
Servo: aquele que veio para servir, que lavou os pés dos seus discípulos, que
se fez escravo, se fez homem, experimentou as nossas dores e voluntariamente
morreu na cruz — a pior pena de morte que existia no império romano.
Submeteu-se ao que havia de pior, como servo; foi manso e humilde de coração.
Para Marx, ao contrário, a redenção não vem pela submissão: vem pela rebelião.
Todo o pensamento de esquerda — progressista, socialista ou comunista — afirma
que a transformação da sociedade só pode se dar pela rebelião; por isso celebra
o ato de rebeldia. O punho erguido, gesto-símbolo do movimento, diz tudo:
rebeldia, força, revolução, destruição para um mundo melhor. O projeto é
explícito: transformar a natureza humana — de uma natureza voltada para a propriedade,
a herança e a posse, numa natureza comunitária — e, assim, reconciliar a
sociedade. Mas somente o Senhor Deus transforma a natureza humana: só Ele faz
do ímpio um salvo, do inimigo de Deus um filho de Deus. Acreditar que uma
corrente política pode fazer isso é a essência mesma da religião política.
O preço
do projeto: cem milhões de vidas
Os
números concretos expõem o projeto. No século XX, mais de 100 milhões de
pessoas foram brutalmente assassinadas neste projeto de transformação da
natureza humana. Não 100 mil; não 1 milhão; não 10 milhões: mais de 100 milhões
de seres humanos, mortos da pior maneira possível. Cem milhões de pessoas
assassinadas porque um pensador do século XIX dizia ser possível transformar a
natureza humana. E é por isso que a grande empreitada do movimento está,
sobretudo, em transformar jovens nas universidades.
Testemunho:
a jovem que quase perdeu a alma
Uma
experiência pessoal ilustra o preço dessa guerra. Uma aluna bateu à porta da
sala do professor: não fizera a prova da semana anterior e estava arrasada,
porque um amigo se matara. Perguntada sobre religião — a porta para trazer o
evangelho —, respondeu: “Eu sou evangélica”. Ele então a pastoreou e a
conclamou: “Não permita que os meus colegas professores roubem a sua alma. Não
permita que o seu corpo seja deshonrado. Não permita que o seu coração seja
destruído. Não permita que a fé que você possui seja levada por uma avalanche
de mentiras. Aproxime-se do seu pastor”. Três anos depois, ela saiu da
universidade homossexual, feminista, militante e com o corpo completamente
desfigurado. Não é brincadeira: não se está lidando simplesmente com um
pensamento, mas com uma força espiritual religiosa cujo objetivo é destruir os
nossos entes queridos.
A
religião “woke”: o diagnóstico de John McWhorter
O
diagnóstico da religião política contemporânea tem uma testemunha improvável:
John McWhorter, professor progressista, da Universidade de Columbia, em Nova
York, alinhado à esquerda americana dos democratas — e que, justamente por
isso, dá peso ao seu veredito: ele já não suporta o movimento woke, o movimento
identitarista. Em um de seus livros, McWhorter mostra que o movimento, mais do
que do racismo, alimenta-se do racialismo — e o descreve, ponto por ponto, como
uma religião. Há, primeiro, uma superstição: certas proposições são aceitas
como axiomas e resistem ao questionamento; o movimento não se baseia na realidade.
Daí a estratégia mais simples contra ele: colocar a realidade diante do
esquerdista — “como defender um sistema que destruiu, que matou, que acabou com
nações?”. Há, segundo, um clero: os intelectuais e autores que fornecem a
linguagem e os dogmas fundamentais — e cuja tendência, a arrogância acadêmica,
os convence de que podem conduzir as pessoas àquilo em que acreditam. Há,
terceiro, um pecado original: o privilégio constitui culpa herdada e permanente
— o “nasci branco, peço perdão”, o “nasci homem; mulheres, perdoem-me” que
inundam a internet; a culpa impressa na pessoa é exatamente o alvo do
pensamento de esquerda. Há, quarto, uma evangelização: os não inseridos
precisam ser conscientizados e convertidos; há uma luta para isso. Há, quinto,
um apocalipse: uma visão de futuro, uma futura prestação de contas da sociedade
— ou você se torna woke, ou se torna identitarista, ou vai pagar a conta por
causa disso. Há, sexto, heresias: dissidentes não apenas erram — devem ser
moralmente denunciados. O preço da dissidência é conhecido de quem o paga: há
anos não se é mais convidado para nenhuma banca em um curso de história — isso
se chama cancelamento; somente pela graça de Deus se alcança, ainda assim, o
título de professor titular. E há, por fim, uma substituição: a nova moral
passa a ocupar funções antes exercidas pelas religiões tradicionais.
Moralidade,
não filosofia: o “lado certo da história”
O cerne
do pensamento de esquerda não é filosófico: é um conjunto de afetações, de
invenções e de moralidade — uma moralidade de aspas elevadas, o “lado certo da
história”, como costumam dizer. Se você não é de esquerda, você é imoral: é
contra os pobres, contra o negro, contra a mulher, contra o meio ambiente. É
essa moralidade que explica o poder de atração do discurso. E é ela que desarma
o desavisado dentro da igreja, que pensa: “É verdade… a esquerda luta pelos
pobres, pelos negros, pelas mulheres; eu não vejo o meu pastor falando isso; eu
vejo uma calamidade; a nossa igreja fica cheia de riquinhos”. Cuidado. Isso não
significa que não devamos despertar no nosso coração misericórdia e auxílio
para aqueles que precisam; significa que não podemos, por isso, ceder a esse
tipo de pensamento
A mosca
no leite: o perigo das pequenas concessões
O
exemplo é simples e memorável. Alguém lhe serve um copo de leite e, olhando com
mais atenção, você vê que há uma mosca dentro. A reação é imediata: “Pastor, é
só uma mosca pequena. Remova a mosca, e ficaremos com o leite. O leite continua
bom, o leite é proveitoso, o leite tem cálcio, traz benefícios para o meu
corpo; a mosca não contamina o leite”. No leite, sim. Mas há uma qualidade do
leite que é esta: se você retirar a mosca, o leite fica bom. É esse tipo de
raciocínio que a esquerda quer que tenhamos: o evangelho e as moscas. As moscas
são as pequenas concessões — permitir pequenas coisas, pequenos pensamentos,
pequenas liberdades, pequenas aplicações de justiça social, pequenas
interpretações da Palavra de Deus — “porque, no fim, isso não mudará o
evangelho”. Aí está a mudança! Aí está o apóstata! Aí está o herege! Hoje,
infelizmente, o Brasil vive essa ditadura na moral, na cultura e na política —
a ponto de temer-se que quem a denuncia publicamente possa ser preso. E a
captura começa na linguagem: o “boa noite a todos, a todas e a todes”, já
pronunciado por crentes dentro da igreja, é o sinal de que a pessoa já está
sendo captada por eles. É o princípio que Deuteronômio 18 nos ensina: não se
aprendem as abominações das nações impunemente.
Raymond
Aron: o céu é aqui
Raymond
Aron, no livro “O Ópio dos Intelectuais” — obra que bate exatamente na questão
das universidades —, resume a incompatibilidade
“O
cristão nunca poderá ser um autêntico comunista, do mesmo modo que o comunista
não pode crer em Deus, porque a religião secular, animada por um ateísmo
fundamental, declara que o destino do homem cumpre-se todo inteiro nesta terra.
O cristão esquerdista esconde de si mesmo esta incompatibilidade.”
Para
eles, o céu é aqui; o céu lá na frente? Esqueça: é este mundo que eles vão
transformar. É a musiquinha de John Lennon, “Imagine”: aquele mundo perfeito
onde teremos uma natureza humana transformada. Como isto é diabólico.
Conclusão:
mais que vitoriosos
As
peças se encaixam. O pensamento de esquerda tem a sua doutrina de origem (a
sociedade matriarcal e “inocente”), o seu Éden invertido, o seu pecado original
(a propriedade privada), o seu caminho de salvação (a revolução e a
destruição), o seu clero (os intelectuais que dogmatizam), a sua evangelização,
o seu apocalipse, as suas heresias e o seu cancelamento — e promete o céu nesta
terra, com a natureza humana transformada. É uma religião; e uma religião
satânica, pecaminosa, cujo alvo é a fé genuína daqueles que buscam ao Senhor. A
resposta do cristão, porém, não é o pânico nem a retirada: é a guerra
espiritual tal como Paulo a define: “Porque, embora andando na carne, não
militamos segundo a carne; porque as armas da nossa milícia não são carnais,
mas sim poderosas em Deus para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda
altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo
pensamento à obediência de Cristo e estando prontos para punir toda
desobediência, uma vez completa a vossa submissão” (2 Coríntios 10.3–6).
Firmes
nessas convicções, alertando os filhos, recusando as pequenas concessões — as
moscas do leite —, o evangelho permanece o poder de Deus para a salvação. É
guerra; mas nós somos mais que vitoriosos em Cristo Jesus. Encare-se desta
maneira. Amém.
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