quarta-feira, 13 de abril de 2022

QUE REI SOU EU?

 

 




                                          


 

 

 


QUE REI SOU EU?

 





 

 

Não sou...

Numa sociedade desmontada, sucateada,

Pergunto, quem sou?

Talvez uma voz  tentando

Gritar: Erramos o caminho...

Só ouço o eco perdido no vazio...

Ouvidos tapados, ou ensurdecidos,

Vazados, distraídos...

Não, estão se fazendo de coitados.

Quando na verdade, estão a pisar...

A dor do aflito, a lágrima escondida,

A fome esquecida, apenas uma lata esquecida, no poço do lado de lá...

Como dói não ser letrado,  ter os dentes corroídos, e o corpo sofrido,  

A pele rachada de tanto buscar...

O sol a torturar...

Correr atrás do ensandecido que aparece nos momentos mais sofridos e diz: Vim te buscar...

Para assentar o meu dedo para o safado ganhar...

E faço isto para uns trocados levar.

Acaba no mesmo instante que passo no boteco do seu Nonô... Pego farinha,

Um taco de carne, fubá, um pouco de fumo para mastigar... Nem milho pude comprar...

Os poucos animais comem o mato, baratas, insetos sem precisar capinar...

Em outra estação virão me buscar...

Vou acertar as contas, pedirei um cabrito para começar...

Vida de gado... Sem boi e sem a vaca,

Eu sou o próprio cabrito, grito e peço aos céus para as chuvas mandar...

E o Deus que ouve os aflitos, manda.

Para alagar... 

Lá vem à noite chegando, preciso acender o fifó, antes que a patroa comece a gritar...

Pode ter algum animal querendo se alojar...

Esta é a vida de um sertanejo que vive por ser teimoso, o Coroné  só lembra quando preciso votar...

 

Dionê Leony Machado 

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