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Não sou...
Numa sociedade desmontada, sucateada,
Pergunto, quem sou?
Talvez uma voz tentando
Gritar: Erramos o caminho...
Só ouço o eco perdido no vazio...
Ouvidos tapados, ou ensurdecidos,
Vazados, distraídos...
Não, estão se fazendo de coitados.
Quando na verdade, estão a pisar...
A dor do aflito, a lágrima escondida,
A fome esquecida, apenas uma lata esquecida, no
poço do lado de lá...
Como dói não ser letrado, ter os dentes
corroídos, e o corpo sofrido,
A pele rachada de tanto buscar...
O sol a torturar...
Correr atrás do ensandecido que aparece nos
momentos mais sofridos e diz: Vim te buscar...
Para assentar o meu dedo para o safado
ganhar...
E faço isto para uns trocados levar.
Acaba no mesmo instante que passo no boteco do
seu Nonô... Pego farinha,
Um taco de carne, fubá, um pouco de fumo para
mastigar... Nem milho pude comprar...
Os poucos animais comem o mato, baratas,
insetos sem precisar capinar...
Em outra estação virão me buscar...
Vou acertar as contas, pedirei um cabrito para
começar...
Vida de gado... Sem boi e sem a vaca,
Eu sou o próprio cabrito, grito e peço aos céus
para as chuvas mandar...
E o Deus que ouve os aflitos, manda.
Para alagar...
Lá vem à noite chegando, preciso acender o
fifó, antes que a patroa comece a gritar...
Pode ter algum animal querendo se alojar...
Esta é a vida de um sertanejo que vive por ser
teimoso, o Coroné só lembra quando preciso votar...
Dionê Leony Machado
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