Bíblia
O Brasil assistiu aterrorizado ao incêndio que
dizimou o acervo do Museu Nacional na cidade do Rio de Janeiro. As causas da
tragédia ainda são desconhecidas. Porém algo fundamental para a vida cristã
chamou a atenção: a importância de se preservar a memória dos feitos do
passado. As lágrimas desesperadas das centenas de empregados ao chegar ao Museu
não são injustificadas. Desde as belíssimas pinturas no teto, cartas, jóias até
aos móveis, e tantas outras relíquias do período imperial brasileiro, ainda que
fossem objetos inanimados, travavam conosco um diálogo, de pai para filho,
sobre a história de uma nação. Vê-los serem consumidos pelas labaredas
flamejantes provoca-nos um sentimento de orfandade irreparável.
A própria Bíblia é para nós um grande museu e como
é importante preservá-la. Nela estão registrados os atos redentivos do Senhor
sem os quais não é possível caminhar avante. A Confissão de Fé de Westminster
resume bem o intento divino de legar ao seu povo a Palavra. Declara o
documento: “…E depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o
mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e
a malícia de Satanás e do mundo, entregou a mesma para que fosse plenamente
escrita (Rm 15.4). Isso torna a Sagrada Escritura totalmente indispensável…(2Tm
3.15,16)” ( CFW, Cap. 1, seç. 1).
As Escrituras além de patentear o conhecimento de
Deus revelam quem somos nós. Seja sobre a nossa origem, seja a respeito da
queda humana. Conversamos com os personagens bíblicos que nos contam acerca da
sua obediência e pecados. Adão, Abraão, José, Davi, Elias e tantos outros ajudam-nos
a entender o lado obscuro de nossas vidas. Mexem com nossa imaginação pois se
vivermos situações semelhantes experimentadas por eles saberemos como agir. E
se, todavia, cairmos no mesmo pecado, temos como tomar o caminho de volta uma
vez que somos informados de que Deus os restaurou (Hb 12.1; 1 Co 10.1-13) .
Quanta misericórdia que o passado nos proporciona!
Cecília Meireles é uma das maiores poetisas do
planeta. A sua obra prima Romanceiro da Inconfidência vasculha a
tradição das Minas Gerais, seu passado de glórias, ganância e tragédias durante
o ciclo do ouro em nosso país. A corajosa poetisa adentra o terreno da morte
através dos museus, igrejas, os casarões e as ruas de Ouro Preto, Mariana e
Tiradentes para destilar seus versos maravilhosos. Ela sabe, no entanto, que os
mortos não falam e sobre os seus ombros está a responsabilidade de interpretar
aquelas mensagens.
Eis a questão! Como interpretar o passado sem o
passado no presente? Sem ambos não há futuro também. É o pretérito aqui, hoje,
que nos permite não só entendê-lo como o nosso presente e o que faremos
adiante. Mas isto tudo não basta. Precisamos de um narrador universal que saiba
toda a história justamente porque a estabelece. Cecília a despeito do seu
enorme talento não poderia obter todas as respostas sozinha. A Bíblia é a voz
deste grande narrador que nos ampara dando testemunho que a história não é um
amontoado de fatos sem nexo algum. Seria também vã a nossa leitura da Bíblia e
de tudo o mais a nossa volta sem a bondosa mão do Espírito Santo a nos guiar
neste museu da glória de Deus. A Bíblia é o museu de todos os museus, o nosso
presente, passado e futuro explicados pelo mais bendito dos cicerones.
Torah que
pertencia a D. Pedro II e que compunha parte do acervo do Museu Nacional
Sabidamente o nosso honrado rei D. Pedro II, o
maior homem público desta nação, conhecia a importância da Bíblia. Ele a amava
e a colecionava. Ele a ouviu pela pregação de Moody e em visita a Robert
Kalley, missionário escocês no Brasil. Adquiriu volumosos tomos de couro da
Torah que estavam no Museu Nacional. Aprendeu hebraico com um Cônsul sueco e
vertia vários livros das Escrituras do hebraico para o português. Referia-se à
Palavra de Deus nestes termos: “eu amo a Bíblia, leio-a todos os dias e, quanto
mais a leio mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Eu não os entendo,
não compreendo tais pessoas, mas eu a amo, amo a sua simplicidade e amo as suas
repetições e reiterações da verdade.”
Felizmente esse legado não virou cinza com o
incêndio. A Palavra de Deus é indestrutível, jamais passará. O próprio D. Pedro
II entendeu esta glória e boa parte de sua nobreza se explica pelo respeito ao
passado, a história e a história das histórias, a Bíblia. Que amemos a
Escritura, visitando-a frequentemente e guardando-a em nosso coração acima de
tudo ( Sl 1.1; 119.9,11,105). Que não entreguemos às chamas do descaso as suas
páginas como todos nós fizemos com o Museu Nacional pois este passado das
Escrituras importa, importa muito, a nossa existência.
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