MULHERES
26/07/2014
15:06 -03 | Atualizado 06/07/2017 13:04 -03
11 coisas que você não
sabia sobre Frida Kahlo (e que vão te inspirar)
Única.
Intensa. Revolucionária.
Frida
Kahlo pode ser
considerada uma mulher a frente de seu tempo. E não é para menos. Apaixonada
pela arte e motivada pela intensidade inerente á vida, Frida se transformou em
um ícone do surrealismo e do universo feminino na década de 50. E fez com que
sua força se perpetuasse no tempo.
Mesmo com todas as intempéries que a vida lhe impôs
(poliomielite na infância e o acidente de ônibus na adolescência que deixou sérias
sequelas), Frida foi uma feminista, incorporou com autenticidade símbolos
mexicanos e indígenas em sua arte e teve um relacionamento explosivo com Diego
Rivera.
Se o que você está precisando é de uma 'pitadinha'
de inspiração para seguir em frente, que tal conhecer um pouco mais sobre a
vida – incrível – de Frida, que prometem fazer você se apaixonar (mais ainda)
por ela?
1. Ela viu beleza em meio à
tragédia
Bettmann
via Getty Images
A inspiração de Frida para suas pinturas e
fotografias, vieram de suas angústias e dificuldades em lidar com sua própria
condição. Quando criança, Frida contraiu poliomielite que deixou uma lesão no
seu pé esquerdo, e ganhou o apelido de 'Frida perna de pau'.
Mais tarde, em 1925, a artista sofreu um acidente
em que teve múltiplas fraturas e precisou fazer 35 cirurgias. Foi nesse
período, em que ficou presa à sua cama e com problemas na coluna, que começou a
pintar e retratar suas angústias e frustrações em suas criações.
A biógrafa Hayden Herrera, no livro Frida – A
Biografia, cita uma fala da artista que demonstra a vontade de viver:
"Por eu ser jovem", ela disse, "o
infortúnio não assumiu o caráter de tragédia: eu sentia que tinha energias
suficientes para fazer qualquer coisa em vez de estudar para virar médica. E,
sem prestar muita atenção, comecei a pintar."
2.
Transformou suas limitações em arte
Bettmann
Archive
Cheias de cores e ricas em elementos florais, as
roupas de Frida Kahlo viraram tendência e ícones de estilo e até ganharam
exposição e livro só para elas.
Enquanto, na verdade, sua autenticidade era uma
forma de esconder suas deficiências provocadas pelo acidente, em 1925, e pela
poliomielite que teve quando pequena, que deixou sequelas em seu pé esquerdo.
Seus sapatos, inclusive, eram adaptados
exclusivamente para ela, com um salto maior do que o outro para nivelar sua
altura. Seus 'corpetes', na verdade, eram coletes ortopédicos.
3. Viveu
um relacionamento controverso
Bettmann
Archive
Na maioria de suas obras, Frida se autorretratou:
as angústias, as vivências, os medos e principalmente o amor incondicional que
sentia pelo marido, o pintor e muralista mexicano, Diego Rivera, com quem se
casou em 1929.
Frida batalhou para se casar com Diego, que era um
homem mais velho -- e sua família, de certa forma, tentou se opor a isso.
Os dois viveram de forma intensa um relacionamento
difícil de explicar (e muitas vezes abusivo) até para pesquisadores.
"A tenacidade com que ela mantinha a ligação
com Diego podia estar baseada em uma tentativa de dominar a situação
traumática, ou ainda em uma forma de manutenção do elo com a "mãe
morta", a mãe ausente e deprimida. Por meio da pintura e de seus
autorretratos, Frida Kahlo podia ser "mãe de si mesma", e encontrava
um canal criativo para lidar com suas emoções e sua dor."
Frida e Diego chegaram até a se separar, mas só
conseguiram ficar longe um do outro por um ano. Entre brigas, separações,
relações extraconjugais de ambas as partes, etc. foram os dois que, de certa
forma, projetaram o cenário das artes latino-americanas para o mundo.
4. Frida
sofreu três abortos
Bettmann
Archive
Após
muitos altos e baixos na carreira e na vida ao lado de Diego Rivera, Frida
sofreu três abortos. Em um dos registros encontrados em seu diário, ela afirma:
"A
pintura tem preenchido a minha vida. Perdi três crianças e uma série de coisas
que poderiam ter preenchido esta vida miserável. A pintura substituiu tudo. Eu
acho que não há nada melhor do que o meu trabalho."
Não á toa, uma de suas litografias mais famosas
reflete a imagem de uma mulher sendo anatomicamente estudada. Em outras, ela
explorou o anseio em se tornar mãe de outra forma: expressando o nascimento de
si mesma e talvez, confortando sua desilusão ao se pintar como uma criança no
colo de uma mulher. Tudo em nome da superação da dor infinita de não poder ser
mãe. A litografia e as outras pinturas podem ser vistas neste
link.
5. Teve
uma perna amputada
Bettmann
Archive
Com o tempo, Frida foi ficando mais sensível e seu
estado de saúde também. Em 1950, em decorrência da poliomielite que teve na
infância, os médicos diagnosticaram que seria necessário amputar sua perna
direita, o que a fez entrar em depressão. Mesmo assim, a artista continuou a
pintar: uma de suas últimas obras foi "Natureza
Morta (Viva a Vida)".
6. Viveu
um romance com Trotsky
Getty
Images
Amigos de revolucionários da época, Frida e Diego
chegaram a abrigar um dos ícones da revolução russa em casa: Leon Trotsky, sua
mulher e netos foram acolhidos pelo casal. O que é menos sabido é que Trotsky e
Frida tiveram um romance que durou quase um ano e havia recém terminado quando
Rivera o descobriu. Eis
uma evidência.
A foto
acima foi feita em 9 de janeiro de 1937 quando Trotsky e sua esposa chegaraam
em Tampico, no Mexico, e foram rodeados de policiais. Frida e Diego também
aparecem na imagem. Ambos foram receber o revolucionário que, por um curto
período de tempo, de exilou no México.
No livro Frida - A Biografia, a historiadora
Hydden Herrera escreve:
"Sem dúvida, a óbvia admiração de Diego pelo
russo tornava a situação ainda mais intensa. Um caso com o amigo e ídolo
político do marido seria a retaliação perfeita para a traição de Rivera com sua
irmã Cristina. Em todo caso, Frida fez uso de todos os seus consideráveis
poderes de sedução para atrair Trotsky."
Ou seja, o tórrido mas breve affair foi em parte
motivado pelo desejo de vingança, sugere a autora, fundamentando a tese
juntamente com informações adquiridas com a transcrição de cartas de todos os
envolvidos no caso. Mas isso não quer dizer que Frida não tenha se envolvido
profundamente com Trotsky.
7. Era
bissexual
Bettmann
Archive
Na
biografia escrita por Hydden Herrera, não fica explícita a bissexualidade de
Frida. A historiadora chama a atenção para a presença implícita desta
característica – que ela interpreta como sinal de uma complexa dualidade
psíquica – curiosamente estimulada ou até negligenciada por Diego Rivera.
Ela
escreve:
"Rivera estimulava os casos homossexuais de
Frida; alguns dizem que era porque, sendo um homem mais velho, Diego não
conseguia (ou não queria) satisfazer sexualmente sua esposa mais jovem. (...)
Não há dúvida de que ela sentia fortes necessidades sexuais. (...) A ideia que
tinha da vida era fazer amor, tomar um banho e fazer amor de novo. Estava na
natureza dela."
Existem outros relatos que dizem que, ao sofrer com
os adultérios constantes do marido, que chegou a levar para a cama a irmã dela,
para se vingar, Frida começa também ter relações sexuais com outras mulheres,
inclusive com quem o marido já havia tido relacões.
Mas dizer
que Frida começou a se relacionar com mulheres apenas para dar o troco é
reduzi-la a um papel que não cabe às figuras femininas. Ambas as hipóteses
citadas acima são facilmente contestadas e só nos deixam apenas uma evidência
sobre Frida: ela vivia seus romances com intensidade.
8. Frida cursou faculdade
de medicina
Bettmann
Archive
Frida tinha um destino traçado: antes de começar
sua carreira nas artes, ela chegou a fazer alguns anos de faculdade de medicina
no México. Mas sua relação com as artes vinha desde pequena, quando, seu pai,
Guillermo Kahlo, fazia pinturas autorais para passar o tempo e tiravas fotografias.
Ele foi quem deu força e apoiou Frida em tudo o que
fez.
Frida, inclusive, gostava de se vestir com roupas
masculinas desde a adolescência e era vista como "estranha" e até
"moleca" por algumas pessoas da família, exceto seu pai que, muitas
vezes, incentivava a ousadia que Frida tinha ao desconstruir conceitos e
ultrapassar barreiras culturais.
9. Ganhou
homenagem na capa da Vogue
Nicholas
Muray/Vogue Mexico
Em 2012,
a Vogue México deixou de lado as modelos para sua capa de novembro e estampou a
publicação com Frida.
Quase 60
anos após a morte da artista mexicana, com imagem feita pelo fotógrafo Nickolas
Muray, Frida estampou pela primeira vez a capa de uma revista de moda como um
ícone.
A capa
com a artista fazia parte da divulgação de uma ação da revista que exibiu no
Museu Frida Kahlo (Casa Azul), em Coyoacan, suas roupas, joias, sapatos e
objetos pessoais. Todas as peças foram exibidas ao público pela primeira vez.
10. Morreu jovem
Getty Images
Na
madrugada do dia 13 de julho de 1954, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon
foi encontrada morta dentro de casa. Ela tinha 47 anos.
As
últimas palavras foram encontradas em seu diário: "Espero alegre a minha
partida – e espero não retornar nunca mais". O caderno com diversas
anotações secretas da artista virou livro.
11. Mexer nos baús do casal
era proibido
Bettmann Archive
Após a morte da pintora, Diego Rivera exigiu 15
anos de segredo para os pertences do casal. No entanto, ele morreu três anos
depois e deixou Dolores Olmedo, uma colecionadora de arte, como administradora
de seu acervo e ela se recusou a dar acesso às peças até para o Museu Frida
Kahlo.
Somente após sua morte, em 2004, os objetos foram
desbloqueados e formaram a exposição sobre as roupas e pertences de Frida nunca
antes vistos pelo público.

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