A Resposta. Adoração não é dança da chuva.
Por Marcos Almeida
Se
me perguntassem qual seria a relação entre liturgia e presença de
Deus, responderia aquilo que aprendi com os meus mentores espirituais.Nosso rito é resposta.
Pelo menos dentro da mística cristã antiga, adoração não é dança da chuva, é dançar por causa da chuva.
Por isso o ato mais poderoso da liturgia se dá neste milagre: quando olhos e ouvidos se tornam sensíveis ao Eterno.
Precisamos ver e ouvir o mistério, antes de falar.
[Antes de falar com Deus, é preciso saber pra quem eu oro.]
Acho
que o Eterno é como uma criança brincando de esconde esconde com
adultos pragmáticos e objetivos, adultos cheios de ordens e comandos;
é por isso que a saudade desaparece, é por isso que a vontade de
manipular o poder molda a nossa religiosidade. Somos adultos chatos.
Precisamos, antes de tudo, trilhar o caminho para a infância.
Desejar ver o Eterno, ouvir suas histórias, correr pra ver se ele está atrás da cortina, brincando com a gente.
Ver cair o véu.
Quando descubro que meu pai está cuidando da casa, não há mais espaço para ansiedade.
Quem fica querendo arrumar a casa o tempo todo, como se Ele não estivesse aqui, perde o prazer da presença.
O rito da orfandade é o fim da espiritualidade.
Acaba
que o rito dos adultos vira um tolo trabalho de fazer aparecer a
divindade desaparecida. Bora invocar pra ver se ele aparece.
Bora cantar pra ver se ele desce. Bora caprichar pra ver se ele comovido com nosso “amor” nos dá aquilo que precisamos.
O rito dos adultos é baseado na necessidade. É falta. É vazio. É vaidade.
Se
me perguntassem qual seria a relação entre liturgia e presença de
Deus, responderia aquilo que aprendi com os meus mentores espirituais.
Nosso rito é resposta. A vida que a gente vive é a resposta que damos à este amor sem fim.
Antes
do rito, Ele já estava sorrindo. Antes de abrir minha boca, Ele já
estava ouvindo. Antes de começar a pedir, ele já estava suprindo.
Antes de respirar, o mundo já estava cheio de ar.
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