Os poemas mais lindos
e marcantes da literatura brasileira
A literatura brasileira está recheada de belíssimas obras
dos mais variados e talentosos artistas. Foi difícil, mas conseguimos reunir
alguns dos poemas mais lindos e marcantes da literatura nacional.
1. Soneto de Fidelidade (Vinicius de Moraes)
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.Quero vivê-lo em cada
vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.E assim, quando mais tarde
me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem amaEu possa me dizer do
amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Sem dúvida um dos poemas mais famosos e lindos da literatura
brasileira! O eterno “poetinha” (Vinicius detestava o seu apelido) se
transformou em sinônimo da figura tradicional do boêmio apaixonado.
2. Ora direis ouvir estrelas (Olavo Bilac)
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…E conversamos toda a
noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.Direis agora: “Tresloucado
amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”E eu vos direi: “Amai
para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Além de ser conhecido pela criação da letra do Hino à
Bandeira, o carioca Olavo Bilac também é considerado um dos principais poetas
nacionais do parnasianismo, representado pelo soneto XIII do livro Via Láctea
que, embora não seja um dos seus mais populares é, sem sombra de dúvidas, um
dos mais belos!
3. Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Nesta obra icônica, o poeta maranhense Gonçalves Dias
expressa todo o seu amor pelos pequenos e intensos valores naturais
brasileiros, enquanto esteve ausente do país (estudava em Portugal). Os seus
versos se transformaram no mais forte poema nacionalista do Brasil!
4. José (Carlos Drummond de Andrade)
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
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