Uma coisa é saber que
o mel é doce, outra coisa é ter o senso da doçura do mel.
Por Rosifran Macedo
“Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar
na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do
SENHOR e meditar no seu templo” (Salmo 27.4)
Davi expressa dois perigos reais e imanentes no Salmo 27: a
ameaça contra sua vida (v. 2,3), o pior ataque externo; e a sensação de
abandono/o abandono por pessoas que são importantes. (v.10), a pior perda
interna. Se um destes perigos, ou os dois acontecerem, ele confessa que se
tiver acesso ao fator indispensável, tudo estará bem. Podemos enfrentar um ou
ambos perigos com certa frequência em nossas vidas. Por isto, precisamos
exercitar a busca do fator indispensável que nos capacite a estar bem diante
dos perigos. Mas, o que é este fator indispensável? A prática de estar na
presença do Senhor contemplando sua beleza.
Davi não está buscando a face do Senhor para pedir ajuda,
poder ou livramento dos perigos, mas
para contemplar o próprio Deus, isto significa que ele está buscando satisfação
em Deus por quem Ele é em si mesmo. O valor maior da oração, é justamente estar
na presença de Deus, deleitar-se nele, na sua beleza. A oração contemplativa da
beleza de Deus é algo indispensável na vida do cristão.
Fomos criados para deleitarmos diante do belo. Em sua reflexão sobre o Salmo 27, Tim Keller, citando Kant, diz que nossa fome e nosso apetite pela beleza são infinitos, podemos nos cansar de outros prazeres, por exemplo, podemos comer tanto que só pensar em comida pode causar enjoo, mas você não consegue se cansar de contemplar o belo. Quando estamos diante de algo magnificamente belo, um por de sol majestoso, isto enche o nosso coração de gozo e automaticamente temos a necessidade de expressar nosso contentamento. A beleza cria uma comunhão através da alegria do louvor. C. S. Lewis diz que “Nós nos deleitamos em enaltecer o que apreciamos porque o louvor não apenas expressa, mas completa o prazer; ele é incompleto até que seja expresso”. A única beleza que pode satisfazer profundamente esta fome da nossa alma, e criar um comunhão libertadora é a oração de contemplação e deleite na beleza de Deus.
A palavra traduzida por beleza significa agradabilidade;
“deleitabilidade”, esplendor; graça, favor. A referência é à beleza ou
amabilidade do caráter divino. A palavra “contemplar” tem o sentido de meditar;
perceber mentalmente, contemplar (com prazer); especificamente ter uma visão.
Keller diz que “contemplar a beleza de Deus é uma consciência existencial
daquilo que a pessoa já tem cognição.” Davi está falando sobre a diferença
entre saber que Deus é grande e ter um senso no coração de sua grandeza e
glória. Uma coisa é saber que o mel é doce, outra coisa é ter o senso da doçura
do mel. Você sabe mentalmente, você crer acerca da beleza do caráter de Deus, e
é preciso boa teologia bíblica acerca dos atributos de Deus, mas ao entrar na
presença dele você tem um senso de prazer e deleite ao meditar e contemplar
acerca da sua grandeza e atributos. E a consequência natural é expressar este
deleite em louvor a Deus.
Outro aspecto da oração que contempla a beleza de Deus é a
conscientização e confissão de que Deus é a satisfação plena das nossas
necessidades. Davi estava enfrentado vários perigos, perseguição pelos inimigos
(2), guerra (3), perda das relações significativas (10), mas ao entrar na
presença de Deus ele não ora por livramento, ou poder para resolver os
desafios; em primeiro lugar, ele declara que Deus é quem de fato satisfaz o seu
coração. “O Senhor é a minha luz, minha salvação e fortaleza.” Keller diz:
“Nunca peça a Deus por algo sem ver como a própria coisa que você está buscando
já está lá em Deus”.
Devemos orar por saúde, recursos, relacionamentos
significativos, mas nunca esquecer de declarar para Deus que ele dá a vida
plena que mais necessitamos, ele tem todos os recursos necessários para nossa
vida, e ele é a pessoa mais importante na nossa vida. Davi, estava passando por
vários perigos, mas ele começa a oração declarando: “O SENHOR é a minha luz e a
minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a
quem temerei?” Ele não nega os problemas, mas afirma que Deus é a segurança e a
salvação supremas da sua vida.
Precisamos praticar esta qualidade de oração, que nos
sustenta diante dos desafios.
Rosifran Macedo é pastor presbiteriano, mestre em Novo
Testamento pelo Biblical Theological Seminary (EUA). É missionário da Missão
AMEM/WEC Brasil, onde foi diretor geral por nove anos. Atualmente, dedica-se,
junto com sua esposa Alicia Macedo, em projetos de cuidado integral de
missionários.
“Que a Igreja anuncie e demostre Cristo, unida” é o tema do 4º
Congresso Lausanne de Evangelização Mundial realizado em setembro de 2024 na
Coreia do Sul, e registrado por Ultimato numa ampla matéria de capa.
Colaboraram com esta edição líderes, missionários, pastores
que participaram do evento e que prosseguem trabalhando em favor do cumprimento
da Grande Comissão.
Sem comentários:
Enviar um comentário