Coco e
farinha láctea? O que você reconhece na taboca vendida em Salvador
Entenda
como a guloseima chegou ao Brasil e como luta para sobreviver na Bahia
thais.borges@redebahia.com.br
Produção
de taboca resiste
Apesar
de ser muito tradicional na Bahia, a taboca não é uma guloseima local. As
prováveis origens remontam a Espanha, onde teria sido inventada, e a Portugal.
Conhecida nos dois países, respectivamente, como barquillos e barquilho, ela
teria sido trazida pelos europeus.
A
pesquisadora e gastrônoma Laís Portela identificou que o primeiro registro da
taboca no Brasil é de 1950, em Alagoas. De lá, foi se espalhando principalmente
pelos estados do Nordeste, mas é consumida em todas as regiões do país. Foi assim
que ganhou um nome diferente em cada lugar. Na Bahia, a guloseima virou taboca
provavelmente pela influência do tupi, como é chamado o bambu na língua
indígena.
Aqui,
contudo, um dos grandes desafios para a produção da taboca é o aspecto social,
na avaliação de Laís. Durante a pesquisa, ela teve acesso a alguns locais que
fabricavam taboca. Era possível notar que a população de trabalhadores
envolvidos no processo estava em situações de vulnerabilidade social e esse
contexto, por vezes, levava a mudanças em ingredientes básicos da receita.
"Quando
a gente vinha experimentar aqui em Salvador, parecia que tinha mais coisa, como
um leve gosto de coco ou farinha láctea", lembra.
De
fato, era o que acontecia. A receita básica leva farinha de trigo, água e açúcar.
No entanto, Laís identificou que, quando os produtores conseguiam vender bem,
adicionavam outros ingredientes, como o coco, o leite de coco e até a farinha
láctea.

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