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A
ciência modifica a fé?
Cientistas
podem ser rigorosamente céticos sobre certas coisas, mas também ingênuos em
acreditar que não têm compromissos religiosos
Por
Bill Newsome
8 de
julho - Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico
Até
1997, eu era bem reservado, em termos de fé, dentro da academia. As pessoas com
as quais eu trabalhava em meu laboratório sabiam que eu frequentava a igreja
todos os domingos. Assim, eu conversava sobre isso, mas não me envolvia em
discussões mais amplas. No entanto, em 1997, fui convidado para falar no
Veritas Fórum,1 em Stanford. Na verdade, eu não queria fazê-lo. Eu nunca havia
ficado de pé em um fórum acadêmico público para falar sobre temas ligados à fé
e fugia disso.
De
certa forma, acho que eu não queria que esse nível de complexidade
influenciasse meus relacionamentos com colegas acadêmicos, mas acabei
concluindo que todas as minhas razões para não discursar eram indignas e decidi
seguir em frente. Provavelmente, trabalhei mais duro naquela palestra do que em
qualquer outra em minha vida, tentando ser real e ponderado, sem me tornar
maçante ou dogmático.
Ao
olhar para trás hoje, sou realmente feliz por ter dado essa primeira palestra
sobre ciência e fé, porque ela abriu a porta para muitas conversas com colegas
de departamento e com estudantes, em particular. Uns poucos foram negativos,
mas a maioria das reações foi inquestionavelmente boa e positiva. Muitos dos
meus colegas são agnósticos ou ateístas, mas sem agressividade, sendo muito
ponderados, buscando algum senso de propósito no universo e tentando
atribuir-lhe sentido. Embora acolham conclusões diferentes das que considero
corretas hoje, reconheço que eles são autênticos em seus questionamentos.
Acredito que “dar a cara” como cristão, na academia, foi muito positivo para
mim.
Alguns
de meus colegas eram militantes antirreligiosos e sentiram repugnância pela
coisa toda, deixando isso claro para mim. Quando vamos a fundo, descobrimos
tipicamente que as pessoas que respondem com todo esse calor emocional,
normalmente, tiveram em seu passado alguma experiência muito desagradável, a
qual é a causa da sua raiva. Quando temos conversas honestas, é interessante
para mim tentar descobrir esses sentimentos e de onde eles vêm. Penso que, às
vezes, eles vêm de fontes ruins e equivocadas, mesmo sendo muito reais na vida
dessas pessoas. Outras vêm de fontes muito boas, com as quais tenho alguma
simpatia.
Descobri
que cientistas podem ser rigorosamente céticos sobre certas coisas, mas também
ingênuos em acreditar que não têm compromissos religiosos. Quando pergunto a um
de meus amigos da ciência se eles são religiosos, a resposta é: “Não, eu sou um
cientista”, implicando que, se você é um cientista, não pode ser religioso e
que essas coisas são opostas. Eles gostariam de acreditar que cientistas não
assumem coisas por fé, mas por evidências. Assim, eu frequentemente pergunto
aos meus amigos cientistas: “Você é casado? Você fez algum tipo de experimento
científico para saber se era uma boa ideia se casar? Você tem alguma base
científica para acreditar que esse casamento vai durar a vida toda? Que tipo de
evidência você usou?”. É claro que ouço apenas um “hum...” ou um “quer
dizer...” ou, eventualmente, eles admitem que talvez as pessoas assumam
compromissos com base em profundas expressões de fé, em valores pessoais que
não procedem da ciência.
Às
vezes, essa descoberta de que, no fim das contas, ele ou ela é uma pessoa de fé
é bem desconcertante para um cientista. De fato, descobri que muitos cientistas
não pensam muito profundamente sobre a natureza do valor humano, do propósito e
do compromisso humano; pois, se o fizessem, não poderiam mais colocar a
religião e a ciência em campos opostos tão prontamente. A ciência simplesmente
não trata das questões mais importantes da vida.
“[...]
o que Gênesis sugere, eu acredito, é que o nosso “eu” original, com a impressão
do polegar divino sobre ele, é a parte mais essencial do que nós somos. E,
ainda, que ele está profundamente enterrado em todos nós, como uma fonte de
sabedoria, de força e de cura, à qual podemos recorrer ou à qual, com nossa
terrível liberdade, podemos escolher não recorrer. Penso, entre outras coisas,
que toda arte verdadeira vem desse “eu” profundo [...] Penso que nossas orações
mais verdadeiras também vêm dali – aquelas orações tantas vezes não
verbalizadas, espontâneas, que podem brotar da vida de incrédulos ou de
crentes, reconheçam-nas eles como orações ou não. E penso que dali vêm nossos
melhores sonhos e nossos momentos de atividade mais alegres e serenos, além de
todos aqueles momentos em que encontramos a nós mesmos melhores ou mais fortes,
ou mais corajosos, ou mais sábios do que nós somos".
Gosto
dessa citação de Buechner porque ela combina uma consciência científica moderna
(sobre a evolução, por exemplo) com uma percepção muito bíblica da fé no amor
salvador de Deus por cada um de nós. Buechner recorre às verdades básicas de
Gênesis 1 sobre o amor de Deus por sua criação (incluindo cada um de nós) de um
modo muito tocante para mim.
"Também
disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha
ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais
domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela
terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem
e mulher os criou" (Gênesis 1.26-27).
Essa
passagem de Gênesis aponta para um mistério ainda maior. Ela diz que nossa
origem está mais distante que o espaço e é mais antiga que o tempo. Ela diz que
a evolução, a genética e o meio ambiente explicam muito sobre nós, mas não
explicam tudo, nem mesmo a coisa mais importante. Ela diz que, embora vivamos
no mundo, nunca estaremos totalmente em casa nele. Ela diz, em resumo, que não
apenas fomos criados por Deus, mas também que fomos criados à imagem e à
semelhança dele. Temos algo de Deus em nós, assim como temos algo das estrelas.
BUECHNER, Frederick. Telling Secrets. Nova York:
HarperCollins, 1991. p. 43-45.
Nota:
1.
Fórum de uma organização norte-americana que encoraja estudantes a pensarem
sobre como a fé se relaciona com os assuntos acadêmicos. Cf.: www.veritas.org.
Bill
Newsome, professor de neurobiologia, Escola de Medicina da Universidade de
Stanford.
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