Parte
04 MIQUEIAS
Este é
um blog evangelizador. Sua principal missão é divulgar o Evangelho genuíno de
Jesus Cristo. Contém subsídios para Lições da Escola Bíblica Dominical,
destinados a todos que se interessar em aperfeiçoar suas aulas, concernentes
aos tópicos propostos nas lições bíblicas da CPAD. "Se é ministério, seja
em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino”(Rm.12:7).
- MIQUEIAS – A
IMPORTÂNCIA DA OBEDIÊNCIA
4º Trimestre/2012
Texto Básico: Miquéias 1:1-5;6:6-8
INTRODUÇÃO
Miquéias, embora tenha
sido um camponês procedente de uma pequena cidade, ergueu a voz para denunciar
os pecados de Jerusalém, a imponente capital de Judá. Com coragem invulgar
denunciou os esquemas de corrupção no palácio, no poder judiciário e nos
corredores do Templo. Miquéias denunciou a aliança espúria e o amasio
vergonhoso entre os políticos inescrupulosos e os religiosos avarentos. A
religião e a política se uniram pelos mais sórdidos motivos para buscar os mais
perversos resultados. O propósito desse conluio maldito foi uma implacável
opressão aos pobres. Os camponeses perderam as terras, as casas, as famílias e
até a liberdade. Os ricos criaram mecanismos criminosos para roubarem os
fracos, os oprimidos e os pobres. Esses não tinham direito, nem vez, nem voz.
Os tribunais estavam ocupados por homens corruptos que, mancomunados com os
ricos, vendiam sentenças por dinheiro e prostituíam sua sacrossanta vocação.
Miquéias, porém, não se impressionou com a magnificência dos palácios da cidade
nem com suas torres imponentes. Ele não vendeu sua consciência como os
sacerdotes avarentos nem se corrompeu como os profetas da conveniência. Antes,
desmascarou a liderança corrupta, chamou o povo ao arrependimento e anunciou,
em nome de Deus, o juízo inevitável que viria sobre toda a nação.
I. O
LIVRO DE MIQUÉIAS
1. Contexto histórico. O
profeta Miquéias era originário de uma cidade chamada de Moresete-Gate
(Mq 1:14) no sul de Judá, área agrícola a 40 km ao sudoeste de Jerusalém. À
semelhança de Amós, era homem do campo, e provinha com certeza de família
humilde. Se Isaias, seu contemporâneo em Jerusalém, assistia ao rei e observava
o cenário internacional, Miquéias, um profeta do campo, condenava os
governantes corruptos, os falsos profetas, os sacerdotes ímpios, os mercadores
desonestos e os juízes venais, que havia em Judá. Pregava contra a injustiça, a
opressão aos camponeses e aldeões, a cobiça, a avareza, a imoralidade e a
idolatria. E advertiu sobre as severas consequências de o povo e os líderes
persistirem em seus maus caminhos. Predisse a queda de Israel e de sua capital,
Samaria (Mq 1:6,7), bem como a de Judá, e de sua capital, Jerusalém (Mq 1:9-16;
3:9-12).
O ministério de
Miquéias foi exercido durante os reinados de Jotão (750-735 a.C), Acaz (735-715
a.C) e Ezequias (715-686 a.C), período de expansão e domínio assírio no antigo
Oriente Próximo. O reino do Norte de Israel foi gradualmente invadido pelos
assírios, o que culminou com a queda da capital de Samaria em 722 a.C., em poder
do rei assírio Salmaneser V (727-722 a.C.). Acaz, de Judá, aliou-se à Assíria e
modelou o culto em Jerusalém conforme as práticas assírias (2Rs 16:7-18). Mais
tarde, Ezequias, o filho de Acaz, revoltou-se e grande parte de Judá foi
invadida pelo rei Senaqueribe, da Assíria, mas Jerusalém foi milagrosamente
poupada (2Rs 18:17-19:37).
Durante esse período,
estabelece-se em Israel e em Judá um enorme contraste entre os excessivamente
ricos e os pobres oprimidos, devido à exploração da classe média de Israel (Mq
2:7,9) por donos de terra extremamente gananciosos (Mq 2:1-5). Os opressores
eram apoiados por líderes corruptos políticos e religiosos de Israel (cap 3).
Em razão dessa má liderança, toda a nação tornou-se moralmente corrupta e
pronta para o julgamento (Mq 6:9-16; 7:1-7).
Deus levantou a Assíria
para ser o chicote da sua ira contra o seu povo iníquo (Is 10:5-11). Como
Miquéias havia profetizado (Mq 1:2-7), Samaria caiu em poder dos invasores
assírios. Judá sentiu a força do julgamento divino quando Senaqueribe marchou
através da Sefelá (cadeia montanhosa situada a oeste de Judá) até
os portões de Jerusalém, como Miquéias também havia predito (Mq 1:8-16), mas
seu propósito foi frustrado por intervenção sobrenatural de Deus (2Rs
18.13-19.36).
Foi nesse tempo de
tensões e profundas mudanças no mapa político do mundo, nesse tempo de muitas e
frequentes guerras, que Miquéias foi levantado por Deus como profeta em Israel,
e, sobretudo, em Judá. Miquéias chegou a testemunhar a queda de Samaria e o
cerco de Jerusalém, fatos esses que ameaçavam de destruição o povo do Senhor.
2.Estrutura e mensagem.
a) Estrutura. O
livro de Miquéias consiste numa mensagem de três partes principais. Cada uma
das partes marca o imperativo “Ouvi” (Mq 1:2;3:1;6:1).
Primeira
parte, referente aos capítulos 1-3, registra a denúncia que o Senhor faz dos
pecados de Israel e de Judá, e de seus respectivos líderes, e a iminente ruína
destas nações e suas respectivas capitais.
Segunda
parte, referente aos capítulos 4-5, oferece esperança e consolo ao remanescente
no tocante aos dias futuros, em que a Casa de Deus será estabelecida em paz e
retidão, e a idolatria e a opressão serão expurgadas da terra. Miquéias
finalmente olhou para o futuro e vislumbrou a vinda do Messias, o Príncipe da
Paz, aquele que implantaria seu reino não pela força da espada, mas pelo poder
da sua cruz. Miquéias viu pela fé a chegada gloriosa do Reino de Cristo e o
resplendor da igreja, a noiva do Cordeiro (cf Mq 5:2-15).
Terceira
parte, referente aos capítulos 6-7, descreve a queixa de Deus contra seu povo,
como se fora uma cena de tribunal. Deus apresenta a sua causa contra Israel. O
justo remanescente de Judá estava prestes a passar por dias sombrios em
consequência dos pecados da nação. No entanto, Miquéias proclama em alto e bom
som, em favor destes, palavras de fé e esperança. O profeta olha para o além do
triunfo temporário dos inimigos e vê o dia glorioso de sua restauração (Mq
7:8-13). “Levantar-me-ei” é uma afirmação de fé comparável à de Jó (ver Jó
19:25-27). Em seguida, há uma oração e promessa em favor dos filhos de Abraão
(Mq 7:14-20). Miquéias roga a Deus que cumpra as Palavras dos versículos 8-13.
O desejo de Miquéias era que Deus voltasse a cuidar de Israel, assim como o
pastor cuida de suas ovelhas. Miquéias encerra o livro, com um jogo de palavras
baseado no significado do seu próprio nome: “Quem, ó Deus, é semelhante a
ti?” (Mq 7:18). Resposta: somente Ele é misericordioso, e pode dar o
veredicto final: “Perdoado” (Mq 7:18-20).
b) Mensagem. O
profeta Miquéias pregou três grandes mensagens:
Uma
mensagem ameaçadora de juízo. Miquéias ergueu
sua voz contra os pecados da cidade de Jerusalém e Samaria, anunciando o
julgamento iminente por causa da violência, da injustiça social e de uma
religiosidade fingida. Ele denunciou com veemência a opressão dos pobres pelos
ricos. Ele desmascarou os profetas da conveniência e mostrou a desfaçatez dos
sacerdotes que se vendiam por dinheiro. Ele pôs o dedo na ferida e diagnosticou
os males crônicos que adoeciam a nação. Miquéias de forma contundente mostrou
que o pecado atrai o juízo de Deus e os pecadores não ficarão impunes.
Uma
mensagem de apelo ao arrependimento. Miquéias não
apenas fez o doloroso diagnóstico, ele também ofereceu o remédio. Ele não
apenas denunciou o pecado, mas também chamou o povo ao arrependimento. A saída
para a nação não era fazer vista grossa ao pecado nem buscar alianças políticas
para se proteger, mas se voltar para Deus em sincero arrependimento. O
verdadeiro problema da igreja não é a presença ou ameaça do inimigo, mas a
ausência e o distanciamento de Deus. O profeta Miquéias chama o povo ao
arrependimento, mostrando-lhe que os desajustes sociais, a opressão política e
a decadência moral eram resultado de uma religião errada. A nação está
socialmente desarrumada porque sua relação com Deus está errada. Os males que
assolam a sociedade são consequências do afastamento de Deus.
Uma
mensagem de promessa de restauração. Miquéias não
apenas deu o diagnóstico e o remédio, mas também prometeu a cura eficaz.
Denunciar o pecado sem chamar o povo ao arrependimento produz desespero e não
esperança. Onde há arrependimento há também restauração. Miquéias não é um
profeta pessimista como pensam alguns estudiosos. Ele sempre oferece uma porta
de saída, ele sempre anuncia o escape da graça. A misericórdia de Deus
prevalece sobre sua ira. A graça de Deus é maior do que nosso pecado.
II. A
OBEDIÊNCIA A DEUS
1. O conceito bíblico
de obediência. Como eu disse acima, na estrutura do livro de
Miquéias, cada uma das partes marca o imperativo “Ouvi” (Mq
1:2;3:1,9;6:1,2,9). O verbo hebraico empregado aqui é “shemá”. Mas este
verbo não tem o sentido apenas de “ouvir, prestar atenção”, significando apenas
uma comunicação ou informação, não. A expressão "ouvi" tem
um sentido muito maior, mais imperioso: abarca a ideia tanto de "escutar
com atenção” quanto de "obedecer''; significa acatar ordens de autoridade
religiosa, civil ou familiar. Essa fraseologia é similar a de Isaias (Mq 4:1-5;
Is 2:2-4), e é vista também nos ensinos de Jesus (Mt 11:15;
13:3). Portanto, a obediência deve ser precedida pela compreensão e pelo
amoroso acatamento da mensagem divina (Mt 7:24,26). Somos conhecidos como
crentes pela obediência a Deus e à Sua Palavra.
Obedecer de coração à
Palavra de Deus é melhor do que qualquer forma exterior de adoração, serviço a
Deus, ou abnegação pessoal. O culto, a oração, o louvor, os dons espirituais e
o serviço a Deus não tem valor aos seus olhos, se não forem acompanhados pela
obediência explícita a Ele e aos seus padrões de retidão.
A obediência é o que
Deus requer do ser humano, é a sua única exigência (Dt 10:12,13). É uma
das condições para termos nossas orações respondidas (1João
3:22). Obedecer é melhor do que sacrificar e o atender é melhor do que a
gordura de carneiros (I Sm.15:22).
2. A desobediência das
nações - “Ouvi, todos os povos, presta atenção, ó
terra, em tua plenitude, e seja o Senhor JEOVÁ testemunha contra vós, o Senhor,
desde o templo da sua santidade” (Mq 1:2). Miquéias dirige-se a todas as
pessoas da terra, pois Deus é o Senhor de toda a Terra (Mq 4:2,3), e todas as
nações devem prestar contas a ele.
Deus soberano, Adonai-Iavé,
Criador e sustentador do universo, exige atenção e obediência de todos, em
todos os lugares, pois não é uma divindade tribal, mas o Deus que está
assentado num alto e sublime trono e governa sobre todas as nações.
A desobediência foi
sempre a razão do fracasso de todos quantos decidiram servir a Deus (Dt 8:20;
Dn 9:11; At 7:39). O pecado é desobediência e a desobediência gera a indignação
e a ira divinas (Rm 2:8), a reprovação para toda a boa obra (Tt 1:16). Aos
desobedientes é negado o repouso divino (Hb 3:18), bem como reservado um triste
fim (1Pe 4:17).
3. A ira de Deus sobre
o pecado (Mq 1:3-5). A idolatria, a
imoralidade e a injustiça social foram uma tríade pecaminosa que atraiu a justa
ira de Deus. O cálice da ira de Deus foi se enchendo até que os pecados do povo
atraíram inevitavelmente o juízo divino.
Em Jerusalém, no
Templo do Senhor, o culto a Deus era realizado conforme as prescrições divinas.
Todavia, não tardou para que a idolatria de Samaria e a sedução dos deuses de
outros povos também penetrassem pelas portas dessa cidade. No reinado de Acaz,
ídolos abomináveis foram introduzidos dentro do templo do Senhor. A porta da
casa de Deus foi fechada. A impiedade tomou conta da cidade. Com a apostasia
veio, também, a opressão do inimigo. Com o abandono da lei de Deus, os ricos passaram
a explorar os pobres. Os juízes se corromperam para dar sentenças injustas. Os
profetas e sacerdotes abandonaram o ensino fiel da Palavra de Deus, e a nação
afundou num pântano nauseabundo de apostasia, corrupção e maldade. O povo de
Judá ia ao Templo, mas também fazia sacrifícios nos altos, redutos de idolatria
e imoralidade.
O povo havia caído na
rede mortal do sincretismo religioso. Foi o próprio
Deus quem estabeleceu preceitos para regulamentar o culto. Portanto, o culto
verdadeiro deve ser feito segundo as prescrições divinas, e não segundo o
enganoso coração humano. A igreja contemporânea, de maneira semelhante ao povo
de Israel à época de Miquéias, está introduzindo muitas práticas estranhas no
culto. Essas práticas, oriundas do misticismo pagão, embora agradem o povo, são
rejeitadas por Deus.
Veja o texto de
Miquéias 1:3: “Porque eis que o SENHOR sai do seu lugar,
e descerá, e andará sobre as alturas da terra”. Aqui, o texto sagrado
denota que Deus é transcendente e também imanente. Ele não apenas está no Céu,
mas, também, desce para andar sobre as alturas da Terra. Ele sonda os filhos
dos homens. Ele diagnostica seus pecados. O Deus do Templo, da liturgia, é
também o Deus de fora do Templo e do cotidiano. O Deus do Templo é também o
Deus da criação. Miquéias levanta, então, sua voz para dizer que nada passa
despercebido aos olhos de Deus. Ele a tudo vê e a todos sonda. Quando o profeta
diz que Deus andará sobre as alturas da Terra, usa o mesmo verbo empregado para
"pisar uvas, isto é, espremê-las com os pés, e representa o total
esmagamento da desobediência idólatra".
A ira de Deus sobre o
pecado é aterradora. Veja o texto de Miquéias 1:4: “E os montes
debaixo dele se derreterão, e os vales se fenderão, como a cera diante do fogo,
como as águas que se precipitam em um abismo”. Aqui, numa linguagem
poética e dramática, Miquéias descreve a aparição de Deus, como juiz, para a
cena do julgamento. Sua manifestação é majestosa e também aterradora. Diante
dele os montes se derretem como cera diante do fogo. Tudo o que anteriormente
parecia sólido e permanente assume, de repente, o aspecto de cera derretida. Os
vales se fendem como as águas que se precipitam num abismo. Sua presença é
irresistível, sua sentença irreversível e sua majestade incomparável. “Horrenda
coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10:31).
III.
O RITUAL RELIGIOSO
Diante das profundas,
irrefutáveis e eloquentes acusações ouvidas, o povo tenta buscar o favor de
Deus. No entanto, em vez de tomar o caminho do arrependimento, busca o atalho
da religião sem vida. O povo procura disfarçar sua injustiça clamorosa com
rituais religiosos vazios. Miquéias acusa que os cultos eram rotineiros, mas
não vinham do coração. Ele destaca três fatores importantes:
1. Os ritos sagrados
sem santidade de vida são insuficientes (Mq 6:6) –
“Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus altíssimo?
virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano?”. O povo,
convencido de sua culpa, pergunta se existe um meio de reaver o favor de Deus.
Equivocadamente, o povo busca esse favor no sistema sacrificial. A solução
procurada foi puramente formal. A religião meramente ritual não representa o
culto verdadeiro, não agrada a Deus.
Os holocaustos eram
sacrifícios legítimos e ordenados por Deus, mas precisavam ser oferecidos com a
motivação certa e com vida certa. O povo queria oferecer holocaustos para
ocultar seus pecados. O povo queria fazer a coisa certa, da maneira errada e
com as piores motivações.
Alguém disse que “os
sacrifícios eram facilmente usados como álibis da desobediência.
Eles perceberam que a fumaça que subia do altar podia servir para ocultar os
seus pecados. Apesar de autênticos atos cultuais, eles podem transformar-se em
meio para não se prestar ao Senhor um culto verdadeiro”.
2. A ostentação religiosa sem piedade é nula (Mq
6:7) – “Agradar-se-á o SENHOR de milhares de
carneiros. de dez mil ribeiros de azeite?". Se
Deus não deseja determinado tipo de oferta (o holocausto), talvez a quantidade
de sacrifícios o agrade: milhares de carneiros, dez mil ribeiros de azeite.
O povo pensou que Deus estava interessado no tamanho da oferta. Eles ofereceram
tudo (até aquilo que Deus proibira), com exceção da única coisa que ele pedia:
o coração, com seu amor e sua obediência. Deus não se impressiona com
ostentação. Ele não quer desempenho. Ele quer coração quebrantado, verdade no
íntimo.
3. O sacrifício humano
sem quebrantamento é inútil (Mq 6:7b) - "Darei
o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da
minha alma?". O povo pensava que podia agradar a Deus, imitando
os povos pagãos e oferecendo no altar o próprio primogênito. Deus jamais aceita
sacrifícios humanos, que eram procedimentos pagãos(costumeiros em Canaã) e que
sempre desagradou ao Senhor (2Rs 23:10; Jr 32:35;At 7:43). A lei mosaica
proibia terminantemente o sacrifício humano (Lv 18:21;20:1-5). Deus quer a vida
e a obediência dos homens, não a sua morte.
IV. O
GRANDE MANDAMENTO
“...que é o que o
SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e
andes humildemente com o teu Deus?”(Mq 6:8). Deus pede ao seu povo que
transforme a religiosidade de ritos em religiosidade de vida; que transforme a
liturgia ritualista em prática de justiça; que transforme o culto em
obediência. Deus quer que o povo tenha uma conduta ética e moral, não as
cerimônias religiosas. Deus exige do povo um triplo Mandamento: praticar
a justiça; amar a misericórdia; andar humildemente com Deus. Este triplo
mandamento não é mutuamente exclusivo, por isso não deve ser desmembrado. É
possível praticar a justiça severa e inflexível sem misericórdia; também pode
haver misericórdia sem justiça; não é raro o indivíduo professar que anda
humildemente com Deus, mas oferece à justiça e à misericórdia pouco espaço em
sua vida.
1. A prática da justiça (Mq 6:8). Não
basta conhecer a justiça, é preciso praticá-la. Conhecê-la e violá-la é cometer
um crime doloso. A justiça não pode estar presente apenas nos códigos de leis e
na retórica dos tribunais, mas nas ações práticas do povo. Praticar a justiça
no contexto de Miqueias é não acumular terras; é não explorar as famílias; é
não distorcer a teologia, usando como legitimação ideológica; é não corromper
os julgamentos; é não falsificar a Palavra de Deus.
2. A prática da misericórdia (Mq 6:8). A
misericórdia é um passo além da justiça. A misericórdia oferece mais do que a
justiça requer. A justiça concede o que o direito requer, a misericórdia
concede o que o amor exige. A misericórdia não deve ser apenas praticada, mas
também amada. Não basta fazer o que é certo, devemos fazê-lo com a motivação
certa. A obediência sem amor desemboca em legalismo. Amar a misericórdia é
defender o fraco, o pobre, o desprovido, o humilde, aquele que não tem vez nem
voz numa sociedade que privilegia os poderosos.
3. O andar humildemente
com Deus (Mq 6:8). A palavra
hebraica “tsana”, traduzida por "humildemente", traz
a ideia de uma aproximação modesta, com decoro. É curvar-se para andar com
Deus. Se as duas primeiras instruções falam da nossa relação com os homens,
esta fala da nossa relação com Deus.
- Essas três instruções
são uma síntese de toda a lei de Deus. Não podemos cumprir as duas primeiras
sem observar a terceira. Só podemos praticar a justiça e amar a misericórdia se
andarmos humildemente com Deus. Nenhum de nós é capaz de fazer aquilo que Deus
ordena sem antes nos achegarmos ao Senhor como pecadores quebrantados que
carecem da salvação.
CONCLUSÃO
Diante do exposto concluímos que, o que agrada o
coração de Deus é um servo obediente. As bênçãos de Deus ao povo de Israel
estavam condicionadas à obediência aos mandamentos estabelecidos por Deus (cf
Dt 28:1). A adoração aceitável implica em uma existência vivida em obediência
aos mandamentos de Deus, cujos aspectos são morais e espirituais. Até o ritual
e a forma divinamente ordenados, embora façam parte da adoração, devem ser
acompanhados pelo movimento sincero do coração em direção a Deus. A adoração a
Deus meramente ritualista é fútil.
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