Tia Amélia
Nome
completo Amélia Brandão Nery
Nascimento 25 de maio de 1897
Local
de nascimento Jaboatão dos Guararapes,
PE
País Brasil
Morte :18 de outubro de 1983 (86 anos)
Local
de morte Goiânia, GO.
Gênero(s) Choro, bossa nova
Instrumento(s) Piano
Período
em atividade 1922 — 1980
Gravadora(s) Odeon
Marcus
Pereira Discos
Amélia
Brandão Nery, mais conhecida como Tia Amélia (Jaboatão dos Guararapes, 25 de
maio de 1897 — Goiânia, 18 de outubro de 1983) foi uma pianista e compositora
brasileira.[1] Embora tenha iniciado sua carreira como pianista erudita, passou
a dedicar-se sobretudo à música brasileira, particularmente ao choro, sendo
muito comparada à sua predecessora Chiquinha Gonzaga. Em crônica denominada
"A Bênção, Ti'Amélia", Vinicius de Moraes chega a afirmar que Tia
Amélia é uma ressurreição de Chiquinha Gonzaga com bossas novas.[2]
Biografia
Amélia
nasceu numa família de músicos. O pai era violonista, clarinetista, e regente
da banda da cidade; enquanto a mãe tocava piano. Aos quatro anos, Amélia já
tocava de ouvido o piano; aos seis iniciou as aulas de música e com doze anos
compôs a valsa Gratidão. Seu desejo era ser artista, mas o pai e,
posteriormente, o marido, tentaram impedir que seguisse essa carreira. Mesmo
assim, Amélia fazia pesquisas sobre o folclore brasileiro, que serviram de tema
para suas composições. [3]
Casou-se
aos dezessete anos, com um rico fazendeiro escolhido por seu pai. Deixou,
assim, o engenho Jardim, em Moreno, e foi morar em Jaboatão, na fazenda do
sogro, que faleceu dois anos após o matrimônio do filho. Depois de pouco tempo,
o engenho atolado em dívidas teve que ser vendido, bem como a fazenda. Após a
perda total dos bens, o marido de Amélia não resistiu, e morreu vitimado por um
colapso, deixando-a viúva aos vinte e cinco anos, com quatro filhos para criar.
Desesperada e sem recursos para sustentá-los, passou por muitas privações,
tendo chegado ao ponto de vender o próprio piano para alimentar a família. [3]
Uma
vez, ao se apresentar em um recital de caridade, deixou entusiasmado, com sua
interpretação, o governador de Pernambuco, que lhe concedeu apoio para
empreender uma turnê de seis anos, durante a qual pôde se realizar como
pianista internacional.
Viajou
ao Rio de Janeiro em 1929 para esclarecer uma questão de direitos autorais, a
respeito da gravação de uma composição sua sem autorização na Odeon. Na então
capital nacional, foi contratada para se apresentar em um concerto no antigo
Teatro Lírico, obtendo grande êxito. Trabalhou em diversas emissoras de rádio,
e chegou a tocar piano com Ernesto Nazareth. Na Odeon, além de ter ganhado seus
direitos autorais, recebeu convite para gravação de um disco.
Em
1933, a convite do Itamaraty, Amélia fez uma digressão apresentando-se pelas
Américas com sua filha, a cantora Silene de Andrade. Em Washington, Estados
Unidos, chegou a jantar com o presidente Franklin Delano Roosevelt e esteve em
contato com celebridades como Greta Garbo e Shirley Temple. Representava o
Brasil como artista, a pedido do presidente Getúlio Vargas. Foi contratada por
uma emissora de rádio da cidade de Schenectady, tendo trabalhado cinco meses
sob o patrocínio da empresa General Electric. Posteriormente, trabalhou também
em Nova York e Nova Orleans.
De
volta ao Recife, após o sucesso no exterior, foi contratada como pianista pela
Rádio Clube de Pernambuco e pelo Jornal do Comércio. A repercussão de suas
apresentações levou-a a tocar nas rádios Mayrink Veiga, Sociedade e Clube do
Brasil. Trabalhou na Rádio Nacional, no Clube da Chave e em outros clubes
cariocas. Em São Paulo, atuou durante três meses nas TV Record, TV Tupi (onde
fez um retrospecto da época áurea do choro brasileiro) e TV Paulista.
Em
1937, Amélia já ganhara o suficiente para ter uma vida abastada. Após o
casamento de sua filha, apresentou-se apenas uma vez no Teatro Municipal de São
Paulo, decidida a encerrar sua carreira e não mais tocar em público. Foi morar
em Marília (SP) e, depois, em Goiânia (GO). Passava os dias escrevendo músicas
e tocando piano, mesmo sem ouvintes.
Em
1954, entretanto, incentivada por Carmélia Alves e Ary Barroso, regressou ao
meio artístico. Na época, já conhecida como Tia Amélia, apelido que lhe deu o
cantor e compositor Roberto Carlos (que a homenageou com a canção "Minha
Tia" de 1976), apresentou o programa Velhas Estampas, na TV Rio, onde
tocava choros e contava histórias de sua juventude.
Fez sua
última gravação em 1980, aos 83 anos, pelo selo Marcus Pereira Discos, para o
LP "A Benção, Tia Amélia", em que interpretava 12 composições
inéditas.
Tia
Amélia faleceu aos 86 anos de idade. [1][3][4]
https://youtu.be/4aF6b0CGTrI
// Tia Amélia // Hercules Gomes //
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