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"Senhor,
dá-me as almas, se não eu morro!"
“Não
houve maior figura em toda a história da Reforma na Escócia do que Knox”. No
entanto, ele nasceu em uma família de simples operários. Palavras murmuradas em
seu leito de morte nos dão dicas de que certo texto bíblico tivesse influência
sobre sua conversão. “Vai, lê onde eu lancei primeiro minha âncora”, ele disse
à sua atenciosa esposa no leito de morte. Ela leu em João 17.3 “E a vida eterna
é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem
enviaste”.
Em sua
juventude, John Knox começou a seguir de perto o intrépido George Wishart, um
pregador que atuava em uma Escócia Católica, extremamente conturbada e carente
de uma Reforma. O pregador sofria intensas perseguições, tanto por parte do
clero, como do Parlamento. Por essa razão, ele foi executado em março de 1546,
estimulando Knox a seguir com seu trabalho de tutor no vilarejo de Longniddrey.
A ordem foi acatada por ele, que usando a Bíblia e um catecismo, começou a
ensinar o livro de João.
Em
julho de 1547, Knox e seus companheiros foram aprisionados pelo exército
francês, o qual apoiara a coroa escocesa numa perseguição aos protestantes do
país. Knox foi “acorrentado e tratado com toda a indignidade geralmente
oferecida aos hereges, além dos rigores usuais do cativeiro”. Dezenove meses
gelados e encharcados, de péssima comida, água potável e trabalho duro, de
quebrar as costas, deixaram marcas na saúde de Knox para o resto de seus dias.
Como João Calvino, Knox sofreria até o fim da vida com cálculos renais, insônia
e outros males diversos.
No
começo de 1547, John Knox e alguns de seus amigos foram libertados pela coroa
inglesa, após longas negociações com o governo escocês. Na Inglaterra, ele se
tornara um forte aliado dos reformadores do país. Seis anos depois, Maria a Sanguinária,
uma católica fervorosa, iniciou uma dura perseguição aos protestantes. Knox a
chamou de “Jezabel idólatra, Maria a Malvada, de sangue espanhol, cruel
perseguidora do povo de Deus” e fugiu para o continente europeu, a fim de
salvar a sua vida. Seu exílio o separou de Marjory Bowes, a mulher a quem amava
e com quem casaria, anos mais tarde.
Calvino
o recebeu com afeto para a obra em Genebra. Em todo o seu ministério, Knox
considerava Calvino seu pai espiritual. Mas, depois tempos, ao correr sérios
riscos de ser executado por Maria a sanguinária, Knox voltou para a Escócia em
1555. Ele escreveu: “Nosso capitão, Cristo Jesus, e Satanás, seu adversário,
estão agora em guerra aberta; suas bandeiras estão hasteadas e trombeta tocou
de ambos os lados para o ajuntamento de seus exércitos”.
Knox
irrompeu sobre a Escócia como um atleta campeão de corrida dispara com o tiro
que marca o início da corrida. De saúde abalada, cercado pelo exército francês
da rainha regente, Knox estava, ainda assim, decidido a pregar a Cristo.
"Não posso, em boa consciência, deixar de pregar amanhã, a não ser que a
violência me detenha”, ele escreveu. Depois dos sermões de Knox, homens e
mulheres se convertiam à viva fé em Cristo pelo poder do evangelho, e as
estátuas dos santos e de Maria foram derrubadas. Em 1560, os senhores da
Congregação, os nobres da terra e membros do Parlamento escocês abraçaram a
bandeira de Knox e o evangelho da Reforma. Ele era odiado e temido por alguns,
honrado e temido por outros.
Seu
último sermão foi pregado em 9 de novembro de 1572. Fraco demais para andar,
ele foi carregado até o seu púlpito em Saint Gilles e de lá para o seu leito.
No dia 24 daquele mês, deu seu último suspiro dizendo: “Agora chegou. Vem,
Senhor Jesus, doce Jesus. Em tuas mãos entrego meu espírito”. John Knox é com justiça, comparado ao Profeta
Elias, pois enfrentou o poder político e religioso do seu tempo, com bravura e
sem temer aos homens. Ele foi um homem fraco, que Deus tornou forte.
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O texto que postamos foi extraído e adaptado do livro "A Poderosa Fraqueza De John Knox", de Douglas Bond
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