A resposta de Vladimir Putin para Macron e o Ocidente
O Presidente da Rússia Vladimir Putin iniciou um processo de
respostas diplomáticas e militares para as recentes declarações retóricas
adotada pelo Presidente Francês Emmanuel Macron em relação à Guerra na Ucrânia,
que afirmou que o envio de soldados ocidentais não deve ser descartado.
Nos últimos meses, Emmanuel Macron adotou um discurso
retórico agressivo contra a Rússia por conta de sua guerra de invasão à
Ucrânia, postura muito diferente da apresentada por ele antes e mesmo no início
do conflito em fevereiro de 2022, quando visitou por diversas vezes Putin,
tentando apaziguar a situação.
Em reunião dos aliados da Ucrânia, realizada em 26 de
fevereiro na sede do governo francês, Macron afirmou que a Europa não estava
conseguindo cumprir a meta de entrega de munições para a Ucrânia e disparou:
“Estamos certamente no momento de um abalo necessário por parte de todos nós.
Estamos convencidos de que a derrota da Rússia é essencial para a segurança e a
estabilidade na Europa. Não há consenso hoje para enviar tropas para o terreno
de forma oficial, assumida e endossada. Mas, na dinâmica, nada deve ser
excluído. Faremos o que for preciso para garantir que a Rússia não possa vencer
esta guerra”.
Ainda de maneira surpreendente, Macron acrescentou em
entrevista após o encontro: “Muitas pessoas que dizem ‘nunca, nunca’ hoje eram
as mesmas pessoas que disseram ‘nunca tanques, nunca aviões, nunca mísseis de
longo alcance’ há dois anos. Sejamos suficientemente humildes para constatar
que muitas vezes estivemos seis a doze meses atrasados. Foi esse o objetivo do
debate desta noite: tudo é possível se for útil para alcançar o nosso
objetivo.”
Nos últimos dias, Macron concedeu entrevista para a revista
The Economist, Macron voltou a declarar que a Europa precisa se preparar para a
Guerra, investir em sua planta industrial e avançar em esforços de inteligência
artificial visando a guerra, Macron declarou ainda que “Se os russos fossem
romper as linhas de frente, se houvesse uma demanda ucraniana — o que não é o
caso hoje — deveríamos fazer legitimamente a pergunta”, referindo-se sobre
enviar tropas para a Ucrânia.
No último dia 04 de maio, o site Asia Times afirmou que o
governo francês havia destacado tropas em apoio à 54ª Brigada Mecanizada
Independente Ucraniana em Sloviansk. O site acrescentou que 100 homens,
especialistas em “artilharia e vigilância”, já partiram, de um total planejado
de 1.500. O artigo, que não cita fontes, foi replicado inúmeras vezes em
diversas redes sociais.
Em consequência disto, a Rússia convocou nesta
segunda-feira, 06 de maio, o embaixador francês em Moscou, Pierre Levy, para
denunciar a política “provocadora” de Paris, depois de Macron ter voltado a
levantar a possibilidade de enviar tropas ocidentais para a Ucrânia.
“O lado russo apresentou sua avaliação em princípio da linha
destrutiva e provocativa de Paris, que está levando a uma escalada do
conflito”, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado,
acrescentando que a convocação está ligada a “declarações cada vez mais
belicosas” do governo francês.
Segundo a mesma fonte, “as tentativas das autoridades
francesas de criar uma espécie de ‘ambiguidade estratégica’ para a Rússia, com
as suas declarações irresponsáveis sobre o possível envio de contingentes
ocidentais para a Ucrânia, estão condenadas ao fracasso”.
Logo em seguida, o Presidente Russo, Vladimir Putin ordenou
a realização de exercícios nucleares, também em resposta à Macron. Desta vez, os
exercícios anunciados pelo Ministério da Defesa russo visam permitir que os
militares russos “treinem na preparação e uso de armas nucleares não
estratégicas”, projetadas para uso no campo de batalha e capazes de serem
lançadas diretamente por mísseis. O ministério da Defesa Russo, disse em sua
conta no Telegram que foi uma resposta às “ameaças” feitas por líderes
ocidentais contra a Rússia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, culpou indiretamente
Emmanuel Macron destacando que a “intenção de enviar contingentes armados para
a Ucrânia, ou seja, colocar soldados da Otan na frente do exército russo”,
afirmando que esta é uma “retórica muito perigosa”.
Logo em seguida, o Ministério das Relações Exteriores da
França publicou em sua conta no X que as notícias divulgadas pelo Asia Times
eram uma campanha de desinformação e afirmou categoricamente: “NÃO, a França
não enviou tropas para a Ucrânia”.
A afirmação do Ministério Francês surge dias após a OTAN
divulgar relatório afirmando que a Rússia vem adotando postura de guerra
híbrida em diversos de seus países membros, em ações que vão de sabotagem de
infraestrutura, perseguição de indivíduos, atos de violência, bloqueio
tecnológico, espionagem e até mesmo manipulação de sistemas de geolocalização,
o que levou à interferência dos sinais de GPS no Mar Báltico.
À luz dessas evidências, o Conselho do Atlântico Norte, o
mais alto órgão decisório da Aliança, disse estar “profundamente preocupado com
as recentes atividades malignas em território aliado (…) afetando a República
Checa, Estônia, Alemanha, Letônia, Lituânia, Polônia e Reino Unido”, mas
sublinhou que “as ações da Rússia não impedirão os aliados de continuarem a
apoiar a Ucrânia”.
Estas ações, denunciadas pelo relatório da OTAN, destacam
abertamente as ações caracterizadas dentro da Rússia como “Doutrina Gerasimov”,
que estabeleceu uma nova forma de guerra que passou a ser utilizada pela Rússia
desde 2013.
Paulo Henrique Araujo
Analista político, palestrante e escritor; é o fundador,
editor e diretor do portal PHVox e também apresenta os programas ao vivo em
nosso canal do YouTube. É um estudioso da história brasileira, principalmente
referente ao período colonial e monárquico, e a geopolítica latino-americana.
Paulo Henrique Araujo também é lembrado por ser uma voz ativa no movimento
histórico monarquista brasileiro. É também autor dos livros Os EUA e o Partido
das Sombras, As Bases Revolucionárias da Política Moderna e O mínimo sobre o
Foro de São Paulo
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