terça-feira, 14 de abril de 2020

O HOMEM NÃO DESCANSA...


Moda

Sapatos e carteiras de luxo aumentam o risco de uma nova pandemia

As peles exóticas têm origem nos mercados de animais vivos e potenciam a contaminação entre animais e humanos.
O luxo pode estar a matar-nos
Enquanto o mundo tenta conter a pandemia, muitos investigadores, cientistas e ambientalistas têm alertado, agora mais do que nunca, para as possíveis causas do surgimento deste tipo de doenças com potencial para infetar todo o planeta. A ação humana na natureza é uma delas, embora grande parte dos dedos tenham apontado na direção dos mercados de animais vivos da Ásia. Agora, ambientalistas apontam para outra indústria que pode estar a potenciar estes desastres: a da moda.
O consumo de carne que sustém este tipo de mercados onde animais selvagens são mortos em condições de higiene pouco recomendáveis é apenas um dos fatores de preocupação. A sua existência e subsistência não dependem apenas de quem lá vai comprar carne, na sua maioria habitantes locais. A procura internacional por peles exóticas é também um dos motivos pelos quais estes mercados se mantêm abertos.
As peles de espécies exóticas como cobras pitão, raias ou crocodilos, compradas por marcas de acessórios de luxo, são frequentemente recolhidas nestes mercados asiáticos e africanos. Muitos destes acessórios feitos com peles exóticas podem ser encontrados nas montras das maiores capitais e cidades da moda.
O grupo de conservação animal “Nature Needs More” encontrou exemplares nas lojas mais luxuosas de Milão, revela o “The Independent” — matérias-primas que a organização afirma terem origem nesta indústria de mercados de animais vivos. No mercado, malas de pele de raia podem chegar aos 500 euros e casacos de pele de pitão acima dos oito mil euros, revela o diário britânico.
O apetite por carnes exóticas dos asiáticos não é, de todo, o único culpado. Mais revelante do que o consumo é a proximidade destas comunidades com ambientes onde proliferam animais exóticos — vale a pena recordar que a maioria dos coronavírus circula em morcegos, chegando aos humanos normalmente através de um hóspede intermediário.

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