A utilidade e atualidade do Mito da Caverna
A parábola platônica é um dos textos mais debatidos e conhecidos pela humanidade e se apresenta como uma ferramenta conceitual para explicar e diferenciar o senso comum de senso crítico. Seguido os ensinamentos de Sócrates, Platão indica que para atingir o mundo verdadeiro, o indivíduo deve exercitar o pensamento crítico e racional, transcendendo os limites dos sentidos básicos. De acordo com essa história, as pessoas que vivem em uma grande caverna, estão presas por correntes, que as forçam a estar fixadas com a olhar para as paredes em que estão projetadas as sombras.
Durante suas vidas, esporadicamente, algumas pessoas buscam se libertar das correntes, que aprisionam, restringem o conhecimento e o comportamento, ao mundo projetado por outros. Esses prisioneiros que se libertam, atingindo o conhecimento perfeito, compartilham as informações e experiências que existem para além do mundo projetado por outros, correm o risco de serem etiquetados como perigosos e criminosos. Para evitar que as ideias perfeitas se disseminem, as pessoas que se libertam e compartilham a verdade devem ser condenadas, a exemplo do que aconteceu com Sócrates, que foi morto, para evitar a disseminação de ideias revolucionárias. Desse modo, as pessoas tendem a ficar presas na caverna, com ideias preestabelecidas, sem buscar um sentido racional, evitando os perigos advindos da reflexão, preferindo o conforto e a segurança das informações que lhe foram oferecidas (comercializadas), por outras pessoas.
Ao aplicarmos a ferramenta conceitual disponibilizada pelo mito da caverna, entenderemos, por exemplo, que o judiciário é uma sombra da justiça. Além disso, perceberemos que as pessoas que limitam o comportamento, o pensamento e as análises sob as diretrizes institucionais do judiciário estão restritas e acorrentadas ao conhecimento imperfeito. Essa ferramenta conceitual é útil e atual, representa as pessoas que preferem permanecer alheias ao pensamento crítico e não se comprometem com a construção da Justiça, aceitando as ideias e os conceitos que são impostos por um grupo que domina as instituições do judiciário. Para atingir o conhecimento, advindo do senso crítico, se faz necessário a libertação das correntes que aprisionam e limitam o pensamento ao senso comum e que discutem apenas as ideias projetadas por outros.
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