Que
novidade esperar do novo ano?
Por
William (Billy) Lane
Todos
os anos passaram por essa mesma experiência: encerramos um ano com gratidão e
olhamos para frente para o Novo Ano, que não é apenas novo por ser mais um ano,
mas um do qual se esperam novas realizações. Os mais otimistas esperam grandes
novidades e novas experiências do ano que se inicia. Os mais céticos ou
pessimistas, não esperam muito. Conforma-se com o fato de que o novo ano não
trará nada de novo, apenas as mesmas rotinas, mesmas frustrações, mesmas
amizades até que se consumam os 365 dias.
É
verdade. Muito de nossa vida transcorre em uma sucessão de repetidos afazeres.
As mesmas tarefas, os mesmos lugares, as mesmas amizades, a mesma igreja e
muitas das mesmas experiências e vivências não parecem propiciar nada novo.
Apesar de ocasionalmente mudarmos para um novo emprego, escola ou cidade,
prevalecem as palavras do “Pregador”, o “Mestre”, o autor do livro bíblico de
Eclesiastes, as quais reverberam esse sentimento: “O que foi tornará a ser, o
que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo
de que se possa dizer: ‘Veja! Isto é novo!’? Não! Já existiu há muito tempo,
bem antes da nossa época” (Ec 1.9-10, NVI).
Talvez
a grande novidade de um novo ano é que ao se encerrar um ciclo e recomeçar
outro, nossas forças são revigoradas para ‘começar de novo’ tudo outra vez.
Acreditamos que pelo nosso esforço e trabalho podemos realizar coisas novas,
mesmo sabendo das palavras do Pregador de que depois de avaliar “tudo o que as
minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar,
percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento” (Ec 2.11a, NVI).
No
entanto, a perspectiva judaica e cristã da história não é de um ciclo
infindável e recorrente de fatos e vivências. Ainda que a natureza e a vida
humana tenham os seus ciclos, a história caminha para um fim, um propósito. Por
isso, o Pregador também diz: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo
para cada propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Deus fez “tudo apropriado ao seu
tempo” (Ec 3.11a).
A
mesmice do corriqueiro pode trazer para alguns enfado e até desespero. Porém, é
justamente na repetição do mesmo que podemos estar mais atentos à novidade
criativa do agir de Deus em nossas vidas. O Pregador diz que Deus “Também pôs
no coração do homem o anseio pela eternidade” (Ec 3.11b) e, de certo modo,
apesar de o ser humano não conseguir “compreender inteiramente o que Deus fez”
(Ec 3.11c), é o conhecimento, o discernimento, o descortinar do propósito de
Deus que renova nossas vidas a cada dia. Mesmo sabendo que “Aquilo que é, já
foi, e o que será, já foi anteriormente” (Ec 3.15a), como o Pregador, podemos
ter certeza de que “tudo o que Deus faz permanecerá para sempre; a isso nada se
pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus assim faz para que os homens
o temam” (Ec 3.14).
O ano
será novo não só quando reiniciar o calendário, mas será novo, sobretudo, à
medida que conseguirmos discernir a novidade do agir de Deus na nossa vida
pessoal, familiar e eclesiástica, à medida, que conseguirmos nos desgarrar dos
nossos vícios, sepultar nossa velha natureza e viver com o Cristo ressurreto em
“novidade de vida” (Rm 6.4, ARA).
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