Bíblia
Sagrada – leitura obrigatória para o vestibular?
A
Bíblia poderia ser indicada como leitura que faz sentido para um exame onde se
verifica o conhecimento humano de sua própria história?
Por
Erni Walter Seibert
Imagine
se a Bíblia Sagrada fosse indicada como leitura obrigatória para o vestibular
das universidades brasileiras. O que aconteceria? Qual seria a reação das
pessoas? Qual seria a reação da imprensa? Como reagiria o Ministério da
Educação? Haveria reação? Ou todos aceitariam como algo normal? O que você
acha? Creio que isso seria uma grande controvérsia. Mas, se todos conseguissem
superar essa controvérsia, que tipo de pergunta poderia ser feita a partir da
leitura bíblica? O que ajudaria o conhecimento da Bíblia para o vestibulando?
Quando
se fala em boa literatura, a primeira coisa que se lembra é que são poucos os
livros que venceram a barreira do tempo e o fizeram por algum motivo
importante. A Bíblia é um desses livros. A Bíblia continua sendo lida por
milhões de pessoas ao redor do mundo todos os dias. Pessoas de diversas
culturas se reúnem para ler e ouvir a Bíblia e encontram ensinamentos preciosos
a partir desta experiência.
A
Bíblia é o livro mais traduzido na história da humanidade. São milhares de
traduções. E essas traduções não caem no esquecimento. Elas são usadas por
pessoas que falam a língua para a qual o texto foi traduzido. Há traduções que
são verdadeiros clássicos, como a Septuaginta, a Vulgata, a tradução alemã de
Lutero, a tradução inglesa de King James e a tradução em português de João
Ferreira de Almeida, entre tantas outras.
Da
leitura da Bíblia as pessoas podem aprender a diferenciar diversos estilos
literários. Nela se encontram poesia, textos legais, literatura apocalíptica,
literatura biográfica. Cada um desses e outros estilos literários tem a sua
própria forma de compreensão.
Da
leitura da Bíblia se aprendem informações históricas que, de outra forma, as
pessoas dificilmente teriam. Embora muitas informações também estejam em outros
livros, é graças à Bíblia que a maioria das pessoas sabem que o rei do Egito se
chamava Faraó, por exemplo. A cidade de Ur da Caldeia, mencionada na Bíblia
como sendo o lugar de onde Abraão saiu rumo à Palestina, quase não seria
lembrada se não fora mencionada na Bíblia. Além das informações históricas, a
Bíblia traz muitas informações geográficas sobre o Oriente Médio, o Norte da
África e o Sul da Europa.
Informações
culturais sobre a história da humanidade são conhecidas por muitas pessoas pelo
fato de serem mencionadas na Bíblia. Unidades de medida antigas, moedas
antigas, línguas antigas, tudo isso é mencionado nas páginas da Bíblia.
Além
disso, a Bíblia traz a experiência existencial do ser humano de forma tão
realista que nem mesmo autores dos nossos dias conseguem superar. É por isso
que as histórias bíblicas continuam sendo usadas como temas de filmes, novelas,
peças de teatro e musicais. O mundo da arte não consegue ser bem entendido sem
conhecimento da Bíblia.
Uma das
tendências contemporâneas é a de reduzir a Bíblia a um livro de religião. Não
há dúvidas de que a Bíblia é o livro fundamental para a fé cristã. O Antigo
Testamento é um livro que, além da fé cristã, é fundamental para a fé judaica.
Mas a Bíblia é muito mais que um livro de religião. Muitas das críticas que são
feitas à Bíblia carecem de fundamento porque as pessoas que as fazem repetem
pontos de vista sem conhecerem ou terem lido este livro. Poderiam simplesmente
dizer: “Não li e não gostei”.
Após
ler esse artigo sobre a Bíblia, você concorda que a Bíblia poderia muito bem
ser indicada como leitura que faz sentido para um exame onde se verifica o
conhecimento humano de sua própria história? Assim é a Bíblia. Um livro
surpreendente. Mas, para ser surpreendido por ele, é preciso lê-lo.
Erní
Walter Seibert, diretor executivo da Sociedade Bíblica do Brasil e
vice-presidente das Sociedades Bíblicas Unidas.
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