O golpe de Regina Duarte no Olavismo.
A extrema-direita começa a perder influência dentro do aparelho ideológico de Estado
R7
No início de 2019, Olavo ajudou a nomear o ministro da Educação (Ricardo Vélez Rodríguez, lembram-se dele?) e o principal assessor do presidente em assuntos internacionais, Filipe Martins. Aderir ao Olavismo passou a ser uma boa estratégia para pleitear um cargo de confiança.
Após o desastroso vídeo em que Roberto Alvim, antecessor de Regina Duarte, tomava para si as palavras de Joseph Goebbels, ministro de Propaganda do regime nazista, os extremistas passaram a ser vistos com menos confiança mesmo na área cultural – a mais susceptível à influência de Olavo de Carvalho.
Daí vem a capacidade de Regina Duarte demitir os seguidores de Olavo que tinham cargo na Secretaria de Cultura. Entre eles, Dante Mantovani, presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), para quem “John Lennon fez um pacto com o diabo”. A ideia de que os Beatles foram agentes da marxista Escola de Frankfurt nos anos sessenta é o melhor exemplo do delírio olavista.
Por trás desse debate está a vontade genuína e legítima que Bolsonaro tem de tirar da cultura estatal os resquícios da esquerda que governou o país por treze anos. A legitimidade decorre de sua vitória em 2018.
Mas após um ano de governo, o presidente começou a enxergar o vazio do olavismo. A direita extremista não tem o que colocar no lugar do petismo na Secretaria de Cultura.
Regina Duarte é a melhor solução. Permite que Bolsonaro, se quiser, saia aos poucos do mundo das redes sociais onde Olavo tem alguma importância para o mundo real.
(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)
Sem comentários:
Enviar um comentário