Causas, sintomas e tratamentos do olho seco.
Condição
pode ser provocada por diversos fatores, que vão do envelhecimento ao uso
excessivo de telas
O ser humano pisca os olhos quase 20 mil vezes por
dia. Esse ato tão simples é importante para manter os olhos protegidos e
hidratados. Contudo, ele pode se tornar uma verdadeira tortura para quem sofre
de uma condição chamada Síndrome do Olho Seco.
Caracterizada por coceira, vermelhidão e sensação
de que há areia nos olhos, a síndrome pode ser provocada por diversos fatores.
Professora e pesquisadora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas),
Mônica Alves explicou que essa é a condição mais frequente que aparece nos
consultórios oftalmológicos.
A síndrome ocorre quando não há produção de
lágrimas em quantidade suficiente, ou quando a qualidade da lágrima produzida
não é suficiente para a lubrificação dos olhos.
Foto: Divulgação / Hospital de Olhos de
Florianópolis
“Produzida na glândula lacrimal, a lágrima é um
fluído com óleo, água, vitaminas, é super complexo. Cada vez que a pessoa
pisca, renova uma película dessa lágrima em todo o olho. Serve para dar
conforto, nutrir estruturas do olho e promover qualidade na visão. Quem tem
olho seco perde tudo isso”, disse a pesquisadora.
Um dos fatores mais comuns para a ocorrência da
Síndrome do Olho Seco é o envelhecimento. Como é produzida em uma glândula, ela
também pode ser afetada por questões hormonais, como a menopausa. Sua
incidência inclusive é mais alta em mulheres do que em homens.
Outros fatores que podem desencadear a síndrome são
doenças como diabetes, tireoide, doenças reumatológicas, intolerância à lente
de contato, uso prolongado de alguns tipos de colírios que alteram a natureza
da lágrima (como medicamentos para tratar glaucoma), remédios como
antialérgicos, antidepressivos e ansiolíticos.
A professora lembrou que a própria alimentação pode
estar relacionada. “Dietas pobres em ácidos graxos livres, como ômegas
presentes em peixes e verduras de folhas verdes, contribuem para ter o olho
seco”, explicou Mônica.
TRATAMENTO
O primeiro passo para tratar a síndrome é tentar
identificar os fatores de risco para o paciente. O oftalmologista deve mapear o
que está provocando a condição e tentar amenizar sua influência.
O passo seguinte é receitar um lubrificante artificial. A pesquisadora lembrou que existem diversas opções no mercado, com indicações para problemas específicos. Assim, o mais indicado é procurar um médico para receber a receita do colírio correto, ao invés de escolher um na prateleira da farmácia.
O passo seguinte é receitar um lubrificante artificial. A pesquisadora lembrou que existem diversas opções no mercado, com indicações para problemas específicos. Assim, o mais indicado é procurar um médico para receber a receita do colírio correto, ao invés de escolher um na prateleira da farmácia.
“Sempre que sentir algum desconforto no olho
procure um oftalmologista. Às vezes, o sintoma de olho seco é a ponta do
iceberg, o paciente está começando a ter quadro hormonal, doença mais grave, em
que o primeiro sintoma é o olho seco”, orientou a profissional.
Ela indicou que a Síndrome do Olho Seco não tem
cura, mas pode ser tratada. A médica lembrou ainda que casos mais graves podem
levar a ulcerações e perfurações na córnea, e que os pacientes ficam mais
predispostos a sofrerem com infecções e quadros inflamatórios graves.
“É preciso lembrar que nossos olhos estão expostos
a um ambiente cada vez mais hostil – em ambientes com ar condicionado, em
frente ao computador. A lágrima é nosso mecanismo de defesa. A orientação é
manter os olhos saudáveis para garantir uma tolerância maior à hostilidade do
meio que não conseguimos fugir”, finalizou Mônica.
Novas gerações podem sofrer cada vez mais cedo
O uso frequente de telas de computador, tablets e celulares
desde a infância pode mudar o perfil da Síndrome do Olho Seco. Como dois dos
principais fatores estão relacionados à idade – envelhecimento e hormônios –
ela costuma ocorrer com mais frequência em pessoas com mais de 40 anos.
Contudo, a pesquisadora Monica Alves alertou para o
risco de pessoas apresentarem a síndrome cada vez mais cedo.
“Uma coisa que ainda não entendemos bem e que será
um desafio para os próximos anos é como as crianças que hoje tem uma exposição
maior às telas vão se comportar em relação ao olho seco”, disse a pesquisadora.
Ela explicou que ficar em frente a telas faz com
que os olhos fiquem mais abertos e piscando menos. Com isso, os olhos ficam
prejudicados e há maior risco de ocorrer a síndrome.
“A gente sabe que essa exposição deixa o olho mais
seco, o que não sabemos realmente é se vão ter mais sintomas ou não, se vai
ocorrer algum mecanismo para ir se adaptando”, disse a pesquisadora.
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