sábado, 18 de abril de 2020

COVID-19

Governo do AM suspende alta dosagem de cloroquina em pacientes com Covid-19 após estudo apontar risco de morte

Pesquisa desenvolvida no estado aponta que alta dosagem do medicamento pode ser tóxica para o coração de pacientes e levar à morte.

Por Patrick Marques, G1 AM

Apenas uma baixa dosagem de cloroquina poderá ser usada em pacientes graves com o novo coronavírus no Amazonas, segundo informou o Governo do Estado. A medida foi divulgada em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (15), após um estudo pioneiro no Estado sobre o uso do medicamento apontar que alta dosagem é muito tóxica para pacientes com a Covid-19 em estado grave. O número de casos confirmados da doença no estado chegou a 1.553, com 106 mortes, nesta quarta-feira (15).
Segundo o médico da Fundação de Medicina Tropical e pesquisador da Fiocruz-AM, Marcus Lacerda, quando o protocolo para a pesquisa foi desenhado, há cerca de um mês, havia uma dúvida sobre qual dosagem de cloroquina teria uma maior eficácia no tratamento de pacientes.
Fundação de Medicina Tropical realiza estudo sobre o uso da cloroquina no combate ao novo coronavírus. — Foto: Divulgação/FMT-HVD
Fundação de Medicina Tropical realiza estudo sobre o uso da cloroquina no combate ao novo coronavírus. — Foto: Divulgação/FMT-HVD
“Como a doença começou na China, os chineses usaram uma quantidade alta, porque era a que poderia matar uma maior quantidade de vírus. Aqui no Brasil, a Fundação de Medicina Tropical auxiliou o Ministério da Saúde e a Secretaria de Ciência e Tecnologia a construir um guia de uso da cloroquina em pacientes graves”, disse Lacerda.
O estudo realizado no Amazonas também procurou entender a eficácia da dose maior que foi usada na China, segundo o médico da Fundação de Medicina Tropical. Um total de 81 pacientes foi dividido em dois grupos e os tipos de dosagens foram testadas neles.
“Nós diariamente monitorávamos pacientes que estavam usando as duas doses. Acontece que, essa dose maior que está sendo usada na China e ainda é usada em outros países, não se mostrou uma dose muito segura”, informou.
Ainda conforme Lacerda, a alta dosagem de cloroquina tem potencial de ser tóxica para o coração, especialmente quando é associada com azitromicina - um antibiótico que também pode dar arritimia cardíaca.
Dos 81 pacientes monitorados, 11 morreram. Sete deles foram submetidos à alta dosagem de cloroquina, segundo os dados preliminares da pesquisa.
Conforme Lacerda, após os resultados, a maior dosagem da cloroquina em pacientes graves de coronavírus foi suspensa, mas o estudo continua. “Nós continuamos estudando pessoas internadas no Delphina Aziz e acompanhando elas com a menor dose”, explicou o médico.
O resultado da pesquisa feita no Amazonas, segundo Lacerda, pôde mostrar que a dosagem baixa da cloroquina tem segurança e pode ser usada durante o tratamento em todo o país.
“Aqui no Brasil, felizmente, o Ministério tem um protocolo com uma dose mais baixa e o que mostramos em Manaus, pela primeira vez, é que essa dose baixa tem segurança. Caso algum profissional tenha o desejo de prescrever, ainda sem evidência, ele pode prescrever com segurança. Até então, essa informação não existia e vários países estavam prescrevendo doses muito altas que não recomendamos, baseados nesse estudo”, finalizou.

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