4-Psicologia
das cores: o significado da cor vermelha
O
estudo sobre a psicologia das cores é antigo. Desde Platão, Pitágoras,
Aristóteles, Euclides, Ptolomeu, passando por físicos como James Clerk Maxwell,
a pesquisa das cores pertence a um universo interdisciplinar, caminhando pela
fisiologia, física, estética e psicologia. Este estudo busca entender a forma
como nosso cérebro identifica e transforma as cores em sensações.
A cor
está inevitavelmente inserida em nossas vidas, podendo ser observada na
publicidade, na decoração, na moda, entre outros. Capaz de nos proporcionar
múltiplas sensações, quando utilizada de forma adequada, é uma ferramenta de
equilíbrio e bem-estar.
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Psicologia
das cores: o vermelho
No que
diz respeito ao vermelho, a sua influência é ampla e complexa. Remete a poder,
guerra, perigo, violência, fogo, coração, paixão, amor, desejo, carne, sexo,
pecado, tentação, revolução, energia, estímulo, apetite. Resumindo em uma
palavra: excitação.
O
vermelho é uma cor quente, exalta, acelera e instiga. Do latim, vermis
significa “verme”, “pequeno animal” e tem ligação com a época em que se extraía
pigmento de moluscos e cochonilhas. O vermelho é influente e está relacionado a
diversos elementos de acordo com o contexto sócio-histórico.
Para a
psicóloga Rosália Moreira, os efeitos da cor vermelha sofrem influência direta
da cultura na qual o indivíduo está inserido, assim como suas experiências:
“apesar de considerarmos na prática os impactos das cores nos pacientes, não
desconsideramos o teor subjetivo destas reações, levamos em conta que esses
efeitos estão sujeitos a fatores pessoais, culturais e situacionais”, explica.
Vermelho
e competição
Ainda
de acordo com a psicóloga, “a cor vermelha está diretamente ligada aos
estímulos físicos, por isso é comumente associada à paixão; é a cor da energia,
ação, ambição e determinação”. Para ela, essa cor pode nos excitar e nos deixar
mais confiantes, mas também pode contribuir para o aumento da ansiedade,
agressividade, intolerância e cansaço.
Uma
pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia do Esporte da Universidade
de Münster, na Alemanha, em uma reportagem da revista mente&cérebro sugere
que o vermelho pode ajudar a vencer uma
corrida. Os pesquisadores acreditam que vestir roupas vermelhas aumenta a
chance de vencer uma disputa esportiva. 42 pessoas de vermelho e 42 de azul
foram monitoradas, e o resultado: os avermelhados tiveram 10% a mais de
vitórias sobre os demais.
“O
cérebro humano faz uma leitura das cores, reunindo informações sobre as
frequências de ondas recebidas; esses dados são armazenados na memória. Quando
nossos olhos vêem a cor vermelha, envia estes estímulos ao cérebro que reage
intensificando nosso poder de percepção, contribuindo para que a pessoa fique
mais alerta e focada em seu objetivo –
no caso de uma competição, por exemplo, é obter o melhor desempenho possível”,
de acordo com a reportagem.
Vermelho
e sexo
No que
tange ao dueto vermelho-sexo, a explicação pode estar nos nossos antepassados.
Pesquisadores acreditam que chimpanzés e babuínos fêmeas, quando no período
fértil, ficavam com os rostos avermelhados, devido a uma série de fatores
biológicos, como o aumento de estrogênio.
Assim,
o significado, para os machos, era que o momento de acasalar havia chegado. O
sexo masculino, mesmo que de uma forma inconsciente, é bastante influenciado
pela cor vermelha. Uma pesquisa feita pela universidade de Rochester, nos
Estados Unidos, convocou mais de 20 voluntários para avaliar, a partir de fotos
de uma modelo vestida de branco ou vermelho, o grau de interesse dela em fazer
sexo. E o resultado? Ah, o vermelho, é claro. O responsável, segundo os
entrevistados, pelo interesse da modelo em “namorar”.
Psicologia
das cores: A influência no cérebro
Vermelho
cérebro
Será
que existe uma área específica para cada cor, no cérebro? A neurobiologia das
cores é um tema fascinante e seu estudo abre as portas para o entendimento do
processamento visual como um todo.
Para o
fisiologista Guyton, a percepção de uma cor é um processo que depende sobretudo
dos contrastes em uma cena visual. Nesse caso, o vermelho leva vantagem por ser
uma cor cujo comprimento de onda evoca forte estímulo no cérebro e,
consequentemente, tende a se sobressair, a proporcionar mais contraste no campo
visual.
Na
década de 70, Semir Zeki determinou a existência de uma pequena área em cada
lado do cérebro, mais precisamente nos lobos occipitais, que parecia responder
à estimulação cromática. Enquanto algumas porções da chamada área V4 eram
ativadas pelo estímulo desta informação cromática e não pelos comprimentos de
onda, na área V1 ocorria o contrário: as células respondiam ao comprimento de
onda, e não à cor.
No
entanto, as regiões citadas acima são somente algumas das áreas envolvidas no
complexo processo de interpretação de uma cor, desde a sensação detectada no
olho até a ativação dos neurônios capazes de produzir respostas ao referido
estímulo. Assim, em etapas mais adiantadas, as memórias particulares a cada
indivíduo se associarão ao estímulo neurológico produzido pela cor, terminado
por evocar emoções e comportamentos distintos, também peculiares a cada
indivíduo e suas experiências.
Sobre o
tema, Oliver Sacks conclui: “a visão colorida, na vida real, é parte integrante
da nossa experiência total; está ligada a nossas categorizações e valores.”
Especialmente
tratando do sistema límbico, ou das emoções, estudos sugerem que a cor vermelha
ativa a amígdala e o núcleo accumbens. O vermelho aumenta a pressão sanguínea,
aquece e estimula o sistema nervoso. É utilizada no tratamento de diversos
tipos de dormência, paralisias, anemia, resfriados e pneumonia, e, por isso,
não é recomendada no tratamento de febres, hipertensão e processos
inflamatórios.
A cor
vermelha também é, como vimos, a que se destaca mais visualmente, sendo
rapidamente detectada pelo cérebro. No caso de alimentos, pode estimular o
consumo e, no caso de objetos e lazer, provocar o afastamento.
O vermelho
e o Natal
O
vermelho é a cor do Natal, provavelmente pelos motivos aqui explicitados.
Estimula, associa-se ao amor, à paixão. “Pesquisadores e especialistas
sinalizam que a cor vermelha é uma poderosa ferramenta de comunicação,
exercendo forte influência sobre o humor, os sentimentos e os comportamentos,
causando, inclusive, reações fisiológicas”, explica a psicóloga Rosália
Moreira.
O
vermelho de Natal instiga o apetite. É só observar, ao nosso redor, a
quantidade de empresas do ramo alimentício que se utilizam dessa cor. E, cá
para nós, dá fome, não é mesmo? É… A influência das cores, no caso, a vermelha,
é mais complexa do que imaginamos. Ao ser decodificado pelo cérebro, o vermelho
dos alimentos estimula e acelera, causa apetite.
Outra
interessante pesquisa mostrou que, ao fazer compras, os indivíduos mais idosos
preferem comprar produtos em embalagens onde predomina o azul, enquanto o
indivíduo mais jovem prefere produtos com a cor vermelha.
E não
para por aí. Estudos também mostram que o vermelho estimula alguns aspectos da
cognição. Cerca de 600 pessoas que executaram tarefas que exigiam atenção a
detalhes e criatividade foram avaliadas por pesquisadores da University of
British Columbia (UBC). Conclusão: quando o plano de fundo utilizado era vermelho,
os indivíduos se saíram melhor nos testes de atenção; ao ser trocado pela cor
azul, o plano de fundo exerceu influência positiva nos testes de criatividade.
Um
simples fenômeno físico – uma cor – é capaz de afetar profundamente o cérebro e
seu funcionamento. As possibilidades são inúmeras. Cabe a nós, profissionais ou
leigos, a partir de agora, fazermos escolhas mais inteligentes quando o assunto
é cor.
Especialmente
a cor vermelha, de Natal. Incorporar os conceitos que acabamos de ver no que
iremos vestir, comer ou preencher o nosso lar é algo que está ao nosso alcance
e, certamente, fará toda a diferença.
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