https://youtu.be/vrhHRHijDNo?si=dMdVuA-aCeKkLUz6
//Pr.Paulo Jr.
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A
doutrina socialista
Trecho
do livro Reforma Agrária – Questão de Consciência, Secção I: A investida do
socialismo contra a propriedade rural; Título II: A “Reforma Agrária”, objetivo
genuinamente socialista e anticristão; Capítulo II: A doutrina socialista é
incompatível com a propriedade e a família.
O socialismo,
considerado como doutrina que abrange todos os campos mencionados no capítulo
anterior, pode resumir-se sucintamente em alguns itens principais:
No
universo não há senão matéria. Deus, a alma, a vida futura são quimeras.
Em
conseqüência, é estritamente justo que todos os homens procurem, com o auxílio
da Ciência, a felicidade completa nesta vida. Enquanto não se conseguir este
objetivo, é necessário proporcionar a cada qual o maior número possível de
prazeres, e evitar quanto possível todo esforço ou sofrimento.
Todas
as desigualdades, sejam elas de fortuna, de prestígio, de cultura, ou quaisquer
outras, são injustas em si mesmas. Em conseqüência, é injusta a desigualdade
entre as propriedades grandes, médias e pequenas, e sobretudo injusto é o
regime do salariado, em que um empregador, alegando o direito de propriedade,
explora o trabalhador rural, exigindo para si parte do produto do trabalho, que
deveria ser inteiramente deste.
No
atual estágio da evolução humana, já é possível abolir a propriedade, a
hierarquia social e a família (esta última é uma evidente fonte de
desigualdades), e reconhecer que o Estado é o único titular de todos os
direitos. Ao Estado, dirigido pelos operários e camponeses, competirá manter a
igualdade plena entre os homens.
Esta
será a forma mais evoluída da vida social em nossos dias.
Tudo
evolui constantemente no universo. A propriedade privada é uma forma econômica
e social superada e que vai arrastando a uma crise, e por fim a um colapso, os
países que a ela se aferram. Além de injusta em si mesma, a propriedade é,
pois, inimiga do interesse público.
No
futuro, acrescentam certos socialistas, a evolução do universo e do homem será
tal, que nem sequer subsistirá o Estado. Será a anarquia (23), que esses
utopistas concebem como possível sem desordem nem confusão.
É
supérfluo mostrar quanto esta doutrina diverge da nossa tradição católica.
Limitamo-nos a aduzir, no capítulo III deste título, declarações de vários
Papas sobre o socialismo.
Importa
aqui acentuar que, aplicada aos problemas do campo, tal doutrina não pode
deixar de ter como conseqüência a idéia de que o proprietário é um ocupante
injusto de terras que deveriam ser distribuídas entre todos. A existência de
propriedades desiguais é contrária à evolução da humanidade no presente estágio
e provoca terríveis crises. É e não poderia deixar de ser uma causa muito
importante da crise atual.
O
Estado deve, pois, partilhar as terras. Uma indenização inteiramente
proporcionada ao valor delas será impossível. Se estiver a seu alcance, será
talvez de boa política que o poder público dê aos atuais proprietários uma
pequena compensação. Mas, a rigor, nem a isto estaria obrigado, pois o direito
de propriedade é um mito nocivo aos Estados e às sociedades, que a evolução vai
varrendo. Cumpre, portanto, que essa indenização seja tão pequena quanto
estrategicamente possível.
Nesta
concepção igualitária, sempre que uma elite se forma é, ipso facto,
defraudadora da maioria. Maioria e elite minoritária são forças necessariamente
em luta. É o mito pagão da luta de classes, tantas vezes condenada pelos Papas
e cujo desfecho é o esmagamento do escol pela massa, o triunfo da quantidade
sobre a qualidade e a ruína de todos na escravidão do Estado-patrão.
O
sistema socialista é, assim, o oposto da idéia tradicional e cristã de uma
conjugação natural de interesses entre a propriedade, o trabalho e o Estado. Na
concepção nova, o proprietário passa, automaticamente, de benemérito a
parasita. Voltaremos mais adiante ao estudo comparativo entre o socialismo e a
doutrina católica.
Mas,
dirá um igualitário ingênuo, pela própria natureza das coisas a tendência
socialista não acarretará, senão por pouco tempo, a abolição da desigualdade
das terras. Com efeito, divididas assim as glebas, essa desigualdade tão iníqua
e nociva logo reaparecerá. Uns trabalharão mais, por exemplo, e comprarão as
glebas de outros menos saudáveis ou menos esforçados. Acresce que o filho único
herdará mais do que aquele que tiver dez irmãos. Como manter então essa
igualdade sonhada?
A esta
questão raras vezes desce o homem da rua, tão atarefado e opresso em nossos
dias. E a habilidade dos demagogos cuidadosamente a evita, pois obrigaria a
respostas prematuras para nosso ambiente “atrasado”…
Mas a
conseqüência da partilha compulsória das terras é clara. Ou se dá ao Estado um
poder totalitário para reprimir a prosperidade dos mais capazes e dos mais
esforçados, ou o regime estritamente igualitário não existirá. Ademais, ou se
suprime não só a herança mas também a família, ou os pais estarão continuamente
tentados a acumular bens clandestinos para favorecerem seus filhos. O grande, o
único, o verdadeiro proprietário e senhor será o Estado. Os agricultores serão
meros posseiros cujos quinhões ele redistribuirá, de tempos em tempos, para
manter a igualdade.
Em
holocausto à utopia igualitária será, pois, necessário imolar as instituições
mais naturais e santas… e isto com enorme prejuízo para o próprio trabalhador.
Bem razão tinha Pio XI ao observar que “a destruição do domínio particular
reverteria, não em vantagem, mas em ruína da classe operária” (24).
Plinio
Corrêa de Oliveira
Nasceu
em 1908 na cidade de Paulo. Fez os seus estudos secundários no Colégio São Luiz
e diplomou-se em 1930 em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito
de São Paulo.
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