Elogio
à humildade
Elogio
à humildade é um poema simbolista sobre o efeito das dificuldades da vida em
determinadas circunstâncias. Tais dificuldades estão representadas
genericamente pelo termo “privação”. O poema é estruturado em estrofes de seis
versos cada, constituindo uma sextilha, com padrão de rima ABCABC, de versos
heterométricos, sem padrão métrico definido.
Elogio
à humildade
Dai
privação ao opulento
e
haverá miséria,
ranger
de dentes.
Cessará
o riso a contento,
e a
canção etérea
outrora
correntes
Dai
privação ao forte
e
restará fraqueza,
vergonha
sem par.
Será
rota sua sorte,
e manca
a destreza
em coro
insultar
Dai
privação ao de boa ventura
e
sobejará ensejos
a
passar de largo.
Findará
então a fartura
e os
seus desejos
lhe
estarão a cargo
Dai,
todavia, privação ao de humildade,
e
qualquer anjo parado
mover-se-á
em seu favor.
Nos
céus não haverá entidade
andante
ou alado
que não
ouvirá ao clamor
O
humilde é húmus, fecundo,
tem
cheiro de morte
aos que
de si padecem
Nele o
viver é profundo,
pois é
o suporte
às
raízes que crescem
Anderson
C. Sandes
Poeta,
cronista, ensaísta. Articulista no PHVox. Vivo de poesia pra não morrer de
razão. Reflexões sobre arte e literatura. Autor de Baseado em Fardos Reais, de
Arte & Guerra Cultural: preparação para tempos de crise, e organizador da
antologia Quando Tudo Transborda.
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