Condessa de Barral, a mulher que roubou o coração de Dom Pedro II
O
romance, menos conhecido que o de seu pai D. Pedro I e a Marquesa de
Santos, foi retratado em cartas que mostram a conexão intelectual que os
dois mantinham
Isabela Barreiros.

D. Pedro II era um homem muito tímido. Precocemente imperador do Brasil, ele foi casado com Teresa Cristina de Bourbon, mas, na verdade, o amor da sua vida foi outra mulher.
“Costumo dizer que Luísa não foi amante do imperador, mas sim sua grande paixão", analisa Mary Del Priore, historiadora que escreveu a biografia Condessa de Barral: A paixão do imperador.
“Quando conheceu Luísa, foi como se as portas do palácio se abrissem para ele”, continua. A mulher foi preceptora das princesas Isabel e Leopoldina, ensinando-as em casa. Muito culta, Luísa Margarida de Barros Portugal era casada com o francês Conde de Barral, filha de donos de engenho, frequentava a corte do rei Luís Filipe I da França e tinha um vasto conhecimento sobre literatura e artes.
O relacionamento de D. Pedro II e Luísa durou 34 anos, acabando somente com a morte de ambos. Usando o diário de Luísa e cartas trocadas pelos dois, Del Priore conseguiu reconstituir a biografia da Condessa. Os documentos estão, respectivamente, no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro, e no Museu Imperial de Petrópolis.
Com o casamento das princesas, a Condessa voltou para a Europa — e foi nesse momento que as correspondências começaram e a paixão se fortaleceu. O imperador até menciona em uma das cartas que sonhava em poder chegar de balão até a janela do quarto da mulher.
"Era a maneira de um ficar sabendo da vida do outro e também de interferir quando necessário. Como Luísa tinha uma vida social ativa, ele deixa escrito no diário que não gostava de vê-la sair. Mostra realmente o amor e os ciúmes que sentia pela condessa”, explica a historiadora. Quando se encontravam, era às escondidas, essencialmente no chalé alugado por Luísa em Petrópolis e também no Palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro.
Porém, mais que carnal, o amor dos dois tinha um importante aspecto intelectual. D. Pedro, apesar de dono de uma grande biblioteca, não sabia muito bem o inglês e nem estava ciente da cultura europeia de artes e costumes. Segundo Del Priore, “Barral era uma mulher cultíssima, dona de uma vivência nas cortes europeias que o próprio imperador não tinha, mas admirava e necessitava”.
Os mais próximos já sabiam do romance dos dois. Mas, com a vinda da Condessa para o casamento do seu filho no Brasil, a imprensa começou a investigar a relação dela com o imperador e revelou ao público, no século 19, o amor dos dois. "Vários republicanos, que eram autores de peças teatrais, começaram a fazer peças sobre o triângulo amoroso”, comenta a historiadora.
O relacionamento de décadas de D. Pedro II e a Condessa de Barral foi um caso repleto de paixão e conexões intelectuais — seu cerne não era apenas o desejo entre eles. Ele terminaria apenas com a morte dos dois, quando D. Pedro II faleceu de complicações com diabetes e ela de pneumonia.
PESQUISA
“Costumo dizer que Luísa não foi amante do imperador, mas sim sua grande paixão", analisa Mary Del Priore, historiadora que escreveu a biografia Condessa de Barral: A paixão do imperador.
“Quando conheceu Luísa, foi como se as portas do palácio se abrissem para ele”, continua. A mulher foi preceptora das princesas Isabel e Leopoldina, ensinando-as em casa. Muito culta, Luísa Margarida de Barros Portugal era casada com o francês Conde de Barral, filha de donos de engenho, frequentava a corte do rei Luís Filipe I da França e tinha um vasto conhecimento sobre literatura e artes.
O relacionamento de D. Pedro II e Luísa durou 34 anos, acabando somente com a morte de ambos. Usando o diário de Luísa e cartas trocadas pelos dois, Del Priore conseguiu reconstituir a biografia da Condessa. Os documentos estão, respectivamente, no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro, e no Museu Imperial de Petrópolis.
Com o casamento das princesas, a Condessa voltou para a Europa — e foi nesse momento que as correspondências começaram e a paixão se fortaleceu. O imperador até menciona em uma das cartas que sonhava em poder chegar de balão até a janela do quarto da mulher.
"Era a maneira de um ficar sabendo da vida do outro e também de interferir quando necessário. Como Luísa tinha uma vida social ativa, ele deixa escrito no diário que não gostava de vê-la sair. Mostra realmente o amor e os ciúmes que sentia pela condessa”, explica a historiadora. Quando se encontravam, era às escondidas, essencialmente no chalé alugado por Luísa em Petrópolis e também no Palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro.
Porém, mais que carnal, o amor dos dois tinha um importante aspecto intelectual. D. Pedro, apesar de dono de uma grande biblioteca, não sabia muito bem o inglês e nem estava ciente da cultura europeia de artes e costumes. Segundo Del Priore, “Barral era uma mulher cultíssima, dona de uma vivência nas cortes europeias que o próprio imperador não tinha, mas admirava e necessitava”.
Os mais próximos já sabiam do romance dos dois. Mas, com a vinda da Condessa para o casamento do seu filho no Brasil, a imprensa começou a investigar a relação dela com o imperador e revelou ao público, no século 19, o amor dos dois. "Vários republicanos, que eram autores de peças teatrais, começaram a fazer peças sobre o triângulo amoroso”, comenta a historiadora.
O relacionamento de décadas de D. Pedro II e a Condessa de Barral foi um caso repleto de paixão e conexões intelectuais — seu cerne não era apenas o desejo entre eles. Ele terminaria apenas com a morte dos dois, quando D. Pedro II faleceu de complicações com diabetes e ela de pneumonia.
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